Meu livro "O Humor no Trabalho"

Meu livro "O Humor no Trabalho"
A venda nas Livrarias Asabeça, Cultura e Martins Fontes
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1 de abril de 2015

O cabalístico número 7!

“Não basta conquistar a sabedoria;
é preciso usá-la" Cícero.

          “Assim foram acabados o céu e a terra e todos os seus ornatos. E Deus acabou no sétimo dia a obra que habitamos, descansou no sétimo dia e o abençoou, e o santificou, porque nele tinha cessado de todo a sua obra, que tinha criado e feito”. Gênesis, 2,1-3.
São 7 os sacramentos da Santa Igreja Católica Romana: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Sacerdócio, Penitência, Extrema-Unção e Matrimônio.
São 7 por sua vez os pecados capitais: Vaidade, Avareza, Ira, Preguiça, Luxúria, Inveja e Gula.
São 7 as virtudes cardeais: Castidade, Generosidade, Temperança, Diligência, Paciência, Caridade e Humildade.
São 7 as virtudes humanas (Muitas vezes esquecidas): Esperança, Fortaleza, Prudência, Amor, Justiça, Temperança e Fé.
São 7 os princípios morais de Pitágoras: Retidão de propósitos, Tolerância na opinião, Inteligência para discernir, Clemência para julgar, Ser verdadeiro em palavras e atos, Simpatia e Equilíbrio.
São 7 as disciplinas da antiguidade: Lógica, Gramática, Retórica, Aritmética, Música, Geometria e Astronomia.
São 7 as cores do Arco-Íris: Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Ciano, Azul e Violeta.
São 7 os astros sagrados: Sol, Lua, Mercúrio, Venus, Marte, Júpiter e Saturno.
São 7 as Chakras metafísicas: Raiz, Sexual, Plexo Solar, Coração, Garganta, Terceiro Olho e Coroa.
São 7 as artes contidas no manifesto: Música, Pintura, Escultura, Arquitetura, Literatura, Dança e Cinema.
São 7 as notas musicais: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.
São 7 também as Colinas de Roma: Quirinal, Viminal, Esquilino, Caelius, Palatino, Aventino e Capitol.
São 7 as maravilhas da Antiguidade: Pirâmides de Quéops, Jardins suspensos da Babilônia, Estátua de Zeus em Olímpia, Templo de Artemis, Mausoléu de Halicarnasso, Colosso de Rodes e Farol de Alexandria.
O Menorah, candelabro de 7 braços, é um dos mais importantes símbolos do Judaísmo.
7 cabeças tinha a lendária Hidra de Lerna na antiguidade. Daí diz-se que algo muito difícil é um bicho de sete cabeças.
São 7 os mares do nosso planeta: Mediterrâneo, Adriático, Negro, Vermelho, Arábico, Golfo Pérsico e Cáspio.
Aqui no Brasil desde que o regime militar deixou de governar o país em 1984, sete foram os presidentes que foram empossados: Tancredo Neves, Sarney (Vice de Tancredo, morto antes de começar a governar em 1985), Collor, Itamar (Vice de Collor que fora deposto por impeachment), FHC, Lula e Dilma.
Esperamos que o oitavo presidente em 2019 possa efetivamente começar a governar o país com a seriedade, honestidade, inteligência e vontade política. Pois até hoje desde que o país foi redemocratizado com o fim da ditadura, vendo a lista e lembrando os percalços e problemas que nosso povo enfrentou mais parece que tivemos as 7 Pragas do Egito no comando do país.
Sendo que, nos últimos 12 anos enfrentamos a fúria da corrupção como raramente vimos em outros momentos da história do país. Ela (a corrupção) sempre existiu, pode até ser uma velha senhora como disse Dilma, porém, é inegável que esta senhora (A corrupção) nunca esteve em alta e na crista da onda como nos últimos anos.
Sete chaves deveriam trancafiar todos os corruptos do nosso país, sejam do governo ou de empresários e demais corruptores que andam a solto no país pintando o 7.

28 de março de 2015

Um contrato e dois julgamentos diferentes!

“Quando o dinheiro fala, a verdade cala”.
Provérbio Chinês

A transação para a venda do jogador Neymar envolveu dois clubes, a saber: O Santos que detinha os direito do passe do jogador e seus direitos financeiros e o Barcelona da Espanha que adquiriu os direitos do jogador.
Seria então, apenas mais uma das milhares de transações envolvendo jogadores brasileiros sendo repassados a clubes da Europa e do resto do mundo. Porém, faltou transparência em todas as etapas do processo.
O Ministério Público da Espanha levantou indícios de que o clube catalão e os representantes do jogador Neymar tramaram operações financeiras como objetivo de ocultar o valor real da transferência do jogador do Santos para o Barcelona em 2013.
Documentos apresentados pelo Tribunal de Madri informam que a primeira parte da transação foi realizada em 15 de novembro de 2011 junto à empresa N\N Consultoria Esportiva e Empresarial Ltda. (Empresa da família de Neymar). No entanto, para surpresa de muitos, a empresa não estava constituída formalmente na ocasião da data citada.
A N\N Consultoria que usa as iniciais do nome do pai e da mãe (Nadine) de Neymar foi criada oficialmente três dias depois do primeiro acerto entre o clube espanhol e a família do jogador. A sociedade N\N Consultoria Esportiva e Empresarial Ltda. nasceu em 18 de novembro de 2011. O contrato e o pagamento foram realizados com a clara e inequívoca intenção de ocultar operações e iludir o pagamento dos impostos correspondentes.
Além de o jogador estar vendido antes da final entre os clubes no Mundial de Clubes da FIFA, o que já seria por demais antiético, tudo leva a crer que o pai do jogador recebeu muito mais do que declarou ao Santos e ao nosso país.
A grande diferença não está apenas na grandeza dos dois clubes, mas sim, na atuação do Ministério Público Espanhol em relação ao brasileiro. Enquanto os espanhóis vasculharam todos os dados possíveis do contrato de transferência do jogador, o lado brasileiro nada fez.
A justiça espanhola exige que o Barcelona pague R$ 114 milhões de indenização a União. O dinheiro envolvido no acordo era muito superior ao que foi divulgado tanto na Espanha como no Brasil. Com isso o fisco espanhol deixou de receber 12 milhões de euros (R$ 42 milhões). Afastamento de presidente e diretores, possível processo e até a prisão dos envolvidos diferencia e muito o lado brasileiro que na verdade não deu a mínima importância para o caso.
Não sabemos se a empresa da família de Neymar está regularizada e se todos os valores recebidos (divulgados e o verdadeiro) foram devidamente contabilizados com o recolhimento a Receita Federal dos impostos pertinentes. Enfim, tanto no futebol como fora das quatro linhas do campo os países de primeiro mundo são muito mais sérios e eficientes no combate à sonegação fiscal e outros crimes que lesam a união. 

Nomenclaturas e siglas não resolvem situação da Saúde Pública!

“Somos uma empresa, instituição de inteligência,
que em qualquer época com ou sem crise,
terá lugar assegurado. Os governos passam,
nós ficamos”. Júlio Bozano

Nos últimos anos a situação da saúde pública tem ficado cada dia pior, muitos dizem que ela agoniza nos corredores de seus próprios hospitais, porque não tem vaga em UTI para ela ficar.
Os gestores públicos (Governo e Diretores de Unidades Hospitalares) ou por incompetência ou por má fé, não conseguem de forma alguma melhorar a situação com criatividade, profissionalismo e a aplicação de métodos que revolucionem a administração hospitalar brasileira.
Sendo assim, não resta nada a não ser sucumbir, ser sucateada e deixar milhões de brasileiros sem atendimento digno em todos os cantos do nosso imenso país. Recursos existem, falta capacidade, vontade política e fiscalização constante para que a situação caótica comece a melhorar.
Temos percebido que algumas nomenclaturas novas começaram a surgir nas médias e grandes cidades brasileiras ultimamente. Em SP nota-se com frequência prefeitos e o governador usando essas siglas para justificar o injustificável normalmente.
Começo com uma meia verdade. Chamar alguns Hospitais e Unidades médicas de “Centro de Referência” é muitas vezes uma mentira gigantesca. Eles existem é verdade, mas em número bem menor do que supomos e gostaríamos de ver em nossas cidades.
Alguns destes centros de referência são:
Doenças renais – São Paulo - Hospital do Rim e Hipertensão
Há dez anos, é o hospital que mais realiza transplante de rins no mundo. 
Doenças da Tireoide – São Paulo - Hospital Israelita Albert Einstein.
Traumato-ortopedia e reabilitação física – Rio de Janeiro Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into)
Alguns como podemos observar estão longe do acesso da população mais carente e necessitada de cuidados médicos, outros são exclusivos para abastados e políticos tão somente.
Além deles foram criadas algumas unidades com as seguintes siglas.  AMA – Assistência Médica Ambulatorial, UPA – Unidade de Pronto Atendimento. Notem que nos dois casos poderíamos dizer que nada mais são do que uma versão com siglas do nosso antigo e bom Pronto Socorro.
Em Bauru – SP, estas unidades existem, entretanto, nem sempre funcionam aos finais de semana por falta de médicos. Em algumas cidades faltam equipamentos, medicamentos, profissionais de enfermagem, etc.
Há 50 anos tínhamos basicamente as Santas Casas, Prontos Socorros e os Hospitais e Maternidades. De lá para cá, criaram siglas, nomes modernos, porém a saúde pública piorou e muito. As gestões dos hospitais e das unidades de atendimento são vitimas dos péssimos governos que temos e também das gestões fraudulentas de muitos de seus diretores e funcionários.
Se nada for feito, logo o sistema entrará em colapso total, pessoas vão morrer nas portas dos hospitais sem conseguir sequer entrar na recepção dos mesmos. Infelizmente, isso já está de certa forma acontecendo em alguns lugares do Brasil.

Além dos criminosos, os cidadãos comuns também matam!

Sou contra a violência,
pois quando parece fazer o bem,
o bem é apenas temporário. 
O mal que causa é permanente.
Gandhi

Tempos atrás ainda sob o governo de Lula, um grande plebiscito foi realizado no país para decidir sobre o desarmamento da população. Infelizmente como tudo que os governantes fazem, foi mais um ato de marketing político do que verdadeiramente uma ação com objetivos claros para a redução da violência.
Com o passar dos tempos à ação provou-se inócua, visto que tiraram as armas dos incautos e o país continua permitindo que milhões consigam armas clandestinas, contrabandeadas e ou roubadas.
A violência ao contrário não foi reduzida, aumentou e muito nos últimos anos, mantendo seu crescimento à custa de milhares de vidas inocentes que morrem diariamente nas cidades brasileiras.
Entretanto, se a atitude de desarmar a população é discutível em vários sentidos, visto que foi uma ação isolada e não como parte de uma grande estratégia de efetivo combate a violência e ao crime organizado, nas ruas temos hoje dois tipos de assassinos – Os criminosos comuns e os cidadãos que matam mulheres, familiares, pessoas em brigas no trânsito, etc.
A criminalidade continua crescendo amparada pela impunidade que é à base da nossa Justiça, colaboram também a falta de ações preventivas e um maior investimento em ciência e tecnologia de ponta para nossas forças policiais. Enquanto isso, cidadãos comuns usam armas de fogo para matar ex-namoradas, ex-mulheres, vizinhos e se envolver em brigas de trânsito com final trágico.
A legislação existente é branda, fraca, omissa e permite que tanto os criminosos quanto os cidadãos comuns saibam de antemão que dificilmente serão condenados para ficar por muito tempo em presídios fechados.
Não existe estatística disponível, mas o número de pessoas que morrem no país vítimas de armas de fogo por motivo fútil é similar a das mortes de civis em países em guerra. Qualquer desentendimento nos dias atuais é motivo para que algum celerado saque sua arma e “resolva” o problema matando o oponente.
Com isso mulheres, crianças e adultos morrem vitimadas por projéteis disparados por armas com numeração raspada, contrabandeadas ou simplesmente adquiridas no comércio paralelo, sem registro, sem documentação e sem a prerrogativa de que vá servir para sua defesa própria.
Nossa gente diante de tanta impunidade e de uma justiça lenta e confusa, jamais poderia ter acesso a armas de fogo. As penas para os portadores de armas de fogo após o desarmamento deveriam ser de 20 anos, sem direito a fiança ou quaisquer outras prerrogativas das nossas leis brandas.
Quem sabe assim, poderíamos ver reduzir a quantidade de mortes estúpidas motivadas pelas drogas, alcoolismo, desinteligências e ignorância crônica de uma parcela significativa da nossa sociedade. Parcela que preteriu os bancos escolares e prefere viver nos bares, botecos e inferninhos espalhados pelo território nacional.

6 de março de 2015

Brasileiro - Reclama do que não precisa e se omite de seus direitos!

“Os homens são como os vinhos:
a idade azeda os maus e apura os bons.” 
Marco Túlio Cícero.

Muitas vezes o povo brasileiro gasta suas energias com coisas fúteis, reclama com a empregada do estabelecimento comercial quando deveria se queixar ao dono. Briga no trânsito, mas não tem coragem de fazer o mesmo com o Prefeito ou os vereadores de sua cidade.
Irrita-se e reclama de tudo ao seu redor, em especial do governo, muitas vezes do governo federal, porém esquece de fazer sua lição de cidadania com a devida cobrança junto ao poder público da cidade onde vive.
Raramente se utiliza das muitas ferramentas (Inclusive a Constituição Federal) que possui e que pode usar a seu favor. Aliás, a constituição federal é algo completamente desconhecido da grande maioria da população brasileira.
Existem várias formas de participação na vida política nacional, votar é apenas uma delas, importante, porém inócua se os eleitores não a complementarem com fiscalização dos mandatos, cobrança aos eleitos sobre as promessas realizadas na campanha e a conduta no cargo alcançado.
Ao invés de fazer o certo, muitas vezes se omite, espera sempre que alguém faça algo pelo seu país, por seu Estado ou cidade. Até do seu bairro ele mantém absoluta distância quando se trata de cidadania e luta por melhorias.
Não à toa um pequeno mosquito chamado Aedes Aegypti consegue derrubar milhares de pessoas ao infectá-las com a dengue e a Febre Chikungunya. O brasileiro não leva quase nada a sério, por que levaria em conta um mosquito?
Com isso e mais a inaptidão dos governantes, milhares de brasileiros contraem uma doença que judia do corpo e pode levar ao óbito. Algo inaceitável num país de primeiro mundo, mas que aqui leva a epidemias. A sujeira e a água parada ajudam a proliferar os mosquitos, com ajuda da ignorância e do desprezo do brasileiro por fazer o que é certo.
As redes sociais são às vezes exemplos de que o brasileiro é um leão, longe, é bravo e audaz, quando confrontado vira um gatinho manso. Na hora das eleições muitas vezes vota como um asno. Elegendo os mesmos ou anulando seu voto com o desperdício da possibilidade de exercer sua escolha que é um direito sagrado, conquistado à duras penas.
A falta de uma boa educação sempre é lembrada, porém, falta também a verdadeira educação que vem do berço da família. Com tantas famílias se desfazendo em brigas, com tanto alcoolismo e drogas invadindo o ambiente familiar, fica muito complicado imaginar que possamos ter famílias estruturadas.
Estatisticamente 80% dos criminosos fugiram da escola ou nunca a frequentaram, não trabalharam com carteira assinada em tempo algum, à maioria jamais trabalhou na vida. São jovens, na maioria do sexo masculino, com idade entre 17 e 28 anos.
São dados que estão escancarados, mas que nossos governantes nada fazem para reverte-los e começar uma reestruturação completa da família e a diminuição da criminalidade. Com o tempo essa situação cresce e assusta a todos nas ruas das médias e grandes cidades do país.
A junção de dois fatores atrasa o país e o faz andar para trás há muito tempo. São eles: Governos incompetentes comprometidos com a corrupção e uma sociedade que não luta e exige seus direitos. Essa união cria um ambiente propício para a estagnação da nossa sociedade civil e o impedimento do crescimento da nação brasileira.

4 de março de 2015

Intolerantes sem limites!

Não odeies o teu inimigo, porque, se o fazes,
és de algum modo o seu escravo.
O teu ódio nunca será melhor do que a tua paz.

Tenho percebido nos dias atuais com preocupante frequência no ar que respiramos uma intolerância sem limites. Ela não tem idade, aparece nos mais velhos, nos adultos e nos jovens com a mesma acidez e força. Aliado ao fato de que a geração atual e a anterior não receberam na educação de seus pais o tão importante limite. Acham que podem tudo, não sabem receber um “Não” como resposta da vida e das pessoas que as cercam no decorrer de suas pífias existências.
Por não saber quais são seus limites, por não saberem receber um “Não”, estes seres cometem barbaridades na caminhada da vida. Alguns chegam a cometer crimes violentos quando um (a) namorado (a) rompe o namoro ou o casamento. Matam, agridem, ferem com violência ou utilizam de mecanismos para vingança para humilhar o outro.
Como se alguém fosse obrigado a viver ao lado deles (intolerantes) e não pudessem jamais contrariá-los em nada nesta nossa breve passagem pela vida.
Na internet, na mídia em geral, diariamente lemos casos absurdos de intolerância no trânsito caótico das cidades. Nas agressões domésticas praticadas por quem teve um caso de amor rompido, por pessoas que perderam o emprego e se vingam do patrão ou do chefe.
Parece que estas pessoas não tem Cristo no peito, não tem sequer religião na vida que levam sem perceber que são vazias, não podem dar nada a ninguém, por que na verdade nada possuem dentro de si.
Discussões por causa de páginas sociais podem levar a atos de violência, tragédias e acabam virando inimizades ou até boletins de ocorrências em delegacias. Ex-Namorado ou ex-marido publicando fotos comprometedoras na internet da intimidade dos tempos em que o casal era feliz e estavam juntos.
No trânsito a coisa é ainda mais complicada, pois o brasileiro perdeu o medo e a vergonha de serem pegos cometendo infrações de trânsito, algumas gravíssimas nas nossas ruas e estradas. Muitos dirigem sem ao menos ter tirado a CNH – Carteira Nacional de Habilitação. Outros, mesmo com o rigor aparente da Lei Seca, se embriagam e usam o volante de seu veículo para obter licença para matar inocentes.
Vizinhos brigam por tudo e por quaisquer coisas no cotidiano das vilas e bairros do país. Brigam por lixo, por conta dos filhos que brigam por menos ainda.
Nos bares então, nem se fala a quantidade de óbitos causados pela ignorância e uso da violência desproporcional em desavenças conhecidas no meio policial como “Desinteligências”.
Para completar este cenário patético, o país colabora ao permitir que a impunidade faça o complemento do trabalho de alguns pais, passando a mão na cabeça dos infratores e criminosos de toda espécie. Futuro? Cidadãos conscientes? Daqui há cinquenta ou cem anos quem sabe...

1 de março de 2015

O rigor do legalismo contra um cidadão honesto!

“O conformismo é o carcereiro da
liberdade e o inimigo do crescimento"
John Kennedy

Nosso país carece de vocação para ser uma grande e forte Nação, está cravado na sua história desde o seu descobrimento por gananciosos portugueses até os dias atuais de república democrática federativa.
As leis são muitas, escritas em profusão nem sempre por quem deveria fazê-las, algumas se perdem e ficam arquivadas sem uso, outras servem apenas para proteger e não punir os que as escrevem e aprovam.
Neste emaranhado jurídico de milhares de leis, decretos e embargos de desagravo somados aos muitos incompreensíveis habeas corpus segue o Brasil sua rotina de paraíso da impunidade e oásis do crime.
Não para todos obviamente, o cidadão comum, aquele que trabalha, estuda, ou está aposentado depois de mais de 35 anos de luta, este tem de cumprir tudo aquilo que inclusive os demais do andar de cima da república, ou da escória da criminalidade não precisam necessariamente.
Explico melhor com a descrição de um caso que chocou a mim pelo menos, pois passou de relance num telejornal da região de Santos no litoral paulista e depois foi publicado rapidamente no site da emissora.
As câmeras de videomonitoramento da residência da vitima flagraram o momento exato que dois assassinos chegam próximo do veículo do casal que chegava a sua casa. Com arma em punho fazendo a menção de atirar em ambos. O marido atira primeiro e mata um dos vermes, o outro revida, fere o dono do veículo, porém também é ferido na troca de tiros. A esposa escapa ilesa e entra na sua casa.
Após esta cena de faroeste, chega à polícia militar, prende o assassino ferido, chama a ambulância e o camburão para levar o bandido bom (morto). Após estes trâmites legais e burocráticos o casal é levado a Delegacia de Polícia Civil em Cubatão na região de Santos.
Tudo que aconteceu foi rigorosamente registrado pelo sistema de vídeo da residência. Detalhe que não foi explorado pela polícia nem pelo delegado de plantão.
Este se prendeu ao fato do cidadão de bem estar portando uma arma (Pistola Calibre. 40) de uso restrito das Forças Armadas. O empresário argumentou à exaustão que era colecionador de armas e que fazia parte de um clube de tiros na cidade, porém não possuía o documento de porte para aquela arma.
 O delegado baseando-se nas leis existentes, aquelas ultrapassadas e que dão a entender que querem beneficiar mais os criminosos do que o cidadão que paga com impostos à manutenção das forças policiais prendeu o cidadão. Não satisfeito, o mesmo delegado “austero” mandou prender a esposa da vitima na cadeia junto com diversas criminosas que estavam detidas naquele local.
O delegado confrontado pela imprensa defendeu-se argumentando como sempre que cumpria a lei. Ora bolas, que lei é essa? Digam senhores policiais, autoridades da justiça e do congresso nacional porque temos leis que punem as vitimas em detrimento do bom senso, da inteligência e dos tempos atuais em que vivemos?
O Brasil precisa de muitas coisas, de governantes honestos e propensos a trabalhar pelo bem comum, de políticos decentes, de reformas estruturais, de educação de qualidade, saúde para seu povo, porém, também necessita de uma reforma que modernize e traga para os dias atuais o nosso falido, velho e ultrapassado Código Penal.
O desarmamento mal feito também é coadjuvante desta situação ridícula, medíocre e mal explicada, que rigorosamente inibe o cidadão comum de se defender caso possa em situações de alto risco.

26 de fevereiro de 2015

Democracia sem participação popular

Quase todos os homens são capazes de
suportar adversidades, mas se quiser por à prova
o caráter de um homem, dê-lhe poder.

Nossa república é razoavelmente jovem com 125 anos se comparada a sistemas políticos de outras nações ao redor do planeta. Se começarmos a falar de nossa democracia, com tantos percalços, golpes e interrupções, podemos dizer que ela ainda engatinha e dá seus primeiros passos no cenário mundial. Segundo o mestre jurista Dallari a melhor definição de Estado é: “A ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território”. Formam o Estado os seguintes elementos essenciais:
·        A Soberania
·        O Povo
·        O Território
·        A Finalidade política (Que deve ser o bem comum).
O Brasil é um Estado Federal com o seu poder político descentralizado entre unidades autônomas denominadas Estados que compõe a sua federação. No Brasil, a União, por determinação da Constituição Federal, é indissolúvel. Isso afasta qualquer possibilidade jurídica de independência ou separação dos estados-membros (não existe direito de secessão ou separação). A nossa forma de governo é a república presidencialista e o seu regime de governo é a democracia.
E é sobre ela que vou escrever neste texto. A democracia vive da participação política, e, por isso mesmo, a Constituição Federal lista inúmeras ferramentas de participação política que são consideradas direitos fundamentais de todas as pessoas, e que, em geral, estão acompanhadas de garantias jurídicas, para que possam ser utilizadas sem que haja qualquer repressão injusta ou intimidação aos seus usuários.
Ocorre que 99% delas não são praticadas pelo povo, o governo por sua parte não incentiva essa participação, deixando de lado inclusive suas abordagens no sistema educacional que poderia ser um dos elos motrizes da conscientização da população quanto as suas formas constitucionais de participação na democracia.
A explicação infelizmente não consta dos manuais, nem dos livros, e, está na péssima qualidade e no DNA dos nossos políticos que ao alcançarem o poder, fazem a opção de não levar ao povo a informação, pois sem ela, o povo fica como no livro de Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”, totalmente perdidos e sem rumo.
Criou-se no Brasil um circulo vicioso, onde o povo exerce com frequência apenas um dos direitos preconizados como de participação política que é o voto a cada dois anos. Os dois anos entre as eleições são de cegueira, omissão e completo distanciamento em relação à vida política das suas cidades, Estados e Governo Federal.
Essa forma de agir ao longo dos últimos 40 anos, facilitou a vida dos partidos políticos, dos governantes e toda escória que os acompanha (Lobistas, Corruptores, Doleiros, etc.). Na medida em que não fiscalizamos nossos representantes como podemos imaginar que eles nos deem o respeito que merecemos?
Se com todos os recursos disponíveis de tecnologia e de acompanhamento da mídia, a sociedade civil não consegue impedir ou ao menos reduzir a incidência dos golpes e falcatruas, somente o efetivo envolvimento com o engajamento da população pode estancar essa epidemia chamada corrupção no país.
Temos uma Nação, um Estado soberano, um regime político definido, porém, falta o principal, o essencial na vida de qualquer povo, o exercício pleno da cidadania pelo nosso povo, de quaisquer classes sociais, raça, credo ou região habitada. Sem ela nos tornamos os mesmos indiozinhos que receberam os portugueses 515 anos atrás, desnudos, sem conhecimento e sem direção. Onde os portugueses são os nossos políticos ávidos por nosso ouro...

Completa inversão de valores!

"Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto,
procure as janelas. Lembre-se da sabedoria da água:
a água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."
Autor desconhecido.

Uma ação bem sucedida da polícia militar na cidade de Lençóis Paulista (43 km de Bauru) na região central do Estado de São Paulo impediu a consumação de um assalto, seguido de manutenção de reféns numa residência naquela cidade de 65 mil habitantes. Outrora pacata e segura para seus honestos moradores.
Os criminosos entraram na residência e renderam cinco pessoas da mesma família. Entre elas uma criança de nove anos de idade. Com a chegada da polícia os bandidos resistiram à prisão e abriram fogo com uma pistola 765, revolveres calibres 32 e 38 e foram alvejados e mortos na ação.
Os moradores foram libertados e não sofreram nenhum arranhão fisicamente falando, pois, nestas situações ainda há o estrago psicológico que fica perseguindo as vítimas da violência por muito tempo.
Como tem acontecido nos últimos tempos, à medida que cresce assustadoramente a violência dos bandidos, se há reação da policia militar, a imprensa começa a demonstrar preocupação com os dados estatísticos das vítimas abatidas pelos homens da lei.
Neste caso em Lençóis Paulista, na mesma matéria, o jornal abre um espaço para noticiar que a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo enviou ofício ao Ministério Público para apurar a conduta dos policiais militares (sic).
Como assim? A Justiça solta praticamente todos os criminosos, as penas são brandas, os julgamentos demorados, as benesses aos criminosos são inúmeras e quando os policiais fazem o serviço deles ainda tem de passar pelo constrangimento de serem investigados pela ouvidoria da polícia do Estado?
Por que não acabam com a polícia e soltam todos os bandidos de uma vez? De que lado estão as nossas pseudos autoridades policiais? A quem o governo preza? Aos criminosos ou aos cidadãos que pagam impostos e vivem em paz?
É lógico que nenhum cidadão quer que a polícia ultrapasse seus limites, use de métodos que não condizem com suas regras de proteção e segurança para os quais foram treinados. Porém, se a cada ação bem sucedida onde as pessoas de bem forem salvas os bons policiais forem questionados, ficará muito difícil acreditar em solução no combate à criminalidade no país.
Em SP há muito tempo percebemos a influência muito forte dos defensores dos direitos humanos (dos bandidos) na política de segurança pública do Estado. Não seria diferente que houvesse tantas benesses no sistema penitenciário e que os índices de criminalidade fossem cada vez maiores nas estatísticas divulgadas.
A sociedade brasileira quer rigor da justiça para quem age fora da lei, do marginal mais simples ao pior corrupto do colarinho branco. Quer e exige que a polícia civil, militar e federal, totalmente bancada com recursos do povo sejam firme, tenham ações planejadas para prevenção ao crime e a busca de soluções para os muitos tipos de golpes perpetrados por esta crescente escória nas ruas.
Os soldados envolvidos na ação em Lençóis Paulista fizeram seu trabalho e muito bem por sinal. Deveriam ser cumprimentados pelo comando e não serem sujeitos a processos internos de quaisquer ordens. 

16 de fevereiro de 2015

O HSBC e o Governador Beto Richa!

Escândalo financeiro mundial e
vitória contra austeridade
ficam escondidos na imprensa


Aproveitando a mais do que merecida folga da querida e competente Vera Guimarães, vou dar uma de ombudsman acidental. É de estranhar, para dizer o mínimo, o laconismo com que a imprensa "mainstream" local vem tratando um dos maiores escândalos da história financeira mundial. 
Falo da revelação de que o HSBC na Suíça ajudou milionários a ocultar bilhões de dólares e assim fugir do fisco em seus países de origem. A lista é ecumênica: inclui desde ricaços tidos como "limpos" até traficantes, ditadores e criminosos dos mais variados. 
São mais de 100 mil contas. O valor da maracutaia internacional passa de US$ 100 bilhões. Em moeda local, algo perto de R$ 300 bilhões. O argumento de que o tema está distante do leitor nacional não resiste aos fatos: cerca de 9.000 clientes envolvidos na falcatrua são brasileiros; o HSBC é um dos maiores bancos a operar no país; e, pelo que a investigação conseguiu apurar, a roubalheira decolou depois da aquisição, pelo HSBC, de um banco e de uma holding de propriedade de Edmond Safra. A familiaridade do sobrenome com o Brasil, embora não seja prova de nada, dispensa comentários e deveria ser suficiente para aguçar a curiosidade de qualquer jornalista. 
Surpresa: o assunto praticamente desapareceu, a não ser quando encontraram supostas conexões com o pessoal da Lava Jato. Esquisito. E os outros milhares de correntistas brasileiros premiados, desapareceram? A história não fecha. Aliás, é a segunda vez que um trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos recebe tratamento desprezível no Brasil. 
Há pouco tempo, a mesma equipe escancarou manobras tributárias de bancos e multinacionais, brasileiros incluídos, para fugir de impostos com operações em Luxemburgo. Uma das empresas acusadas na artimanha, a Pricewaterhouse, por acaso vem a ser uma das que aprovavam balanços podres de instituições protagonistas da crise de 2008. Hoje a Price examina a contabilidade da Petrobras... Detalhe: o premiê de Luxemburgo na época das sonegações, Jean-Claude Juncker, é o atual presidente da Comissão Europeia. E o homem forte do HSBC no período do vale-tudo da Suíça virou ministro no governo britânico do conservador David Cameron. Precisa mais?

PARANÁ NA MODA; E NA MÍDIA?
Curitiba viveu recentemente uma das maiores manifestações de sua história. Milhares de servidores públicos, trabalhadores e estudantes obrigaram o governador reeleito Beto Richa, do PSDB, a recuar no chamado "pacote de maldades" enviado à Assembleia Legislativa. 
Entre outros disparates, o tucano propunha confiscar a previdência dos servidores para tapar rombos da antiga administração --dirigida por ele mesmo! Deputados chegaram de camburão, reuniram-se no restaurante e, ainda assim, não conseguiram votar o pacote. Notícia daquelas, de repercussão nacional, exceto na mídia de fora da região. 
Foi na capital do Paraná. Mesmo Estado onde fica a Londrina do juiz Sérgio Moro, sede do antigo Bamerindus vendido a preço simbólico ao HSBC e do Banestado (Banco do Estado do Paraná), pivô da CPI que durante os anos 90 catapultou o doleiro Alberto Yousseff para manchetes. Mera coincidência, talvez.

Ricardo Melo – Colunista da Folha de SP. Artigo publicado na Folha de SP em 16/02/15.

14 de fevereiro de 2015

Time de futebol não é herança!

Que triste seria ter um time
escolhido para mim,
como um noivo prometido e não desejado


Um casal de amigos acabou de ter um filho. Exibem com orgulho o moleque de roupinha do Fluminense, mesmo morando em São Paulo. O pirralhinho nem sabe se vai gostar de futebol, mas já tem até uniforme completo --sem direito de escolha. Crueldade. Torcer por um time não deveria ser tratado como herança genética. É como seguir a carreira de médico apenas porque está "no sangue" da família.

A criança tem pavor até da cor vermelha, brinca de advogado desde pequena, mas como os pais acham que é o melhor, vai ser medicina mesmo. E dá-lhe frustração. Não acho que torcer por um time herdado cause o mesmo estrago. Só não é nada natural nascer, ganhar um nome e um time de futebol. Ser obrigado a vestir uma camisa quem nem vive mais as glórias da época dos pais ou dos avós. Mudaram os jogadores, mudaram os times, mudou o futebol.

Eu mesma só caí de amores por um time quando já tinha mais de 20 anos. Tinha ídolos na adolescência, mas nenhum jogava esse tipo de bola. Por causa do basquete, que eu adorava, fiquei petrificada quando assisti a um jogo com Hortência e Magic Paula. Durante muito só pensava nelas.

Futebol pra mim era de quatro em quatro anos, quando o Brasil entrava em campo, ainda que o esporte sempre tenha tido audiência na casa dos meus pais. Meu pai torce pro Coxa, time do nosso Estado, para o Santos, por causa do Pelé, e para o Flamengo, porque moramos no Rio durante um tempo. Minha mãe é Coxa e Corinthians. Meu irmão é corintiano, e minha irmã, Coxa. Eu não era nada. Vai vendo.

Até que fui parar no estádio do Morumbi com um grupo de corintianos. Fui pela farra. Acontece que aquele dia não era um dia qualquer, nem um jogo qualquer. Era 28 de novembro de 1999, primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro. Era São Paulo e Corinthians em campo. Seria um dia sublime da carreira do goleiro Dida. Seria um jogo que Raí nunca mais esqueceria. Seria o dia que eu me tornaria corintiana desde criancinha.

Senti-me pequena diante da grandiosidade da Fiel. Quando me dei conta, gritava junto todos os hinos e palavrões. "Filha, que feio", disse minha mãe. E eu gritava. E torcia. E queria uma camisa preta e branca para mostrar que também era um deles. Foi amor à primeira vista, paixão avassaladora. Nem sei como tinha vivido sem aquele sentimento.

O fim do jogo vocês sabem. O Corinthians ganhava de 3 a 2, e Raí perde dois pênaltis nas mãos de Dida, um aos 45 minutos do segundo tempo. Perdi a voz, perdi a estribeira, perdi a compostura, gritava e pulava. Que belo dia para converter uma ateia futebolística em mais uma louca num bando de apaixonados.

Que triste seria não ter tido esse batismo, que triste seria ter um time escolhido para mim, como um noivo prometido e não desejado. Que triste as crianças que nascem com uma bandeira e crescem em relações muitas vezes mornas. "Por que mesmo torço para esse time que só perde?", devem se perguntar. Deixem as crianças escolherem seus times, seus ídolos, que tenham suas próprias vitórias e derrotas. A vida é muito chata sem paixão. E futebol sem paixão é muito mais chato.

Mariliza Pereira Jorge é jornalista e roteirista. Já trabalhou na Folha e na TV Globo, escreveu para as revistas Veja e Men’s Health, VIP entre outras. Este texto foi publicado na Folha de SP em 14/02/15.

9 de fevereiro de 2015

Querem acabar com o futebol, não com a violência!

Os que repudiam a violência podem repudiar,
pois outros praticam violência em nome deles.
George Orwell

Uma série de mentiras e conversas mal explicadas tomou conta da semana esportiva em São Paulo. As vésperas do clássico entre Palmeiras x Corinthians a ser realizado no domingo 08/02/15, pela primeira vez desde que o Parque Antártica foi reformado.
O Ministério Público atendendo um pedido do presidente do Palmeiras Paulo Nobre baixou uma recomendação de que o jogo tivesse torcida única, apenas do dono da casa. A Federação Paulista comandada por gente que não ama o futebol, acatou de imediato a recomendação.
A desculpa que o MP usou seria a de conter a violência entre as torcidas organizadas dos dois clubes, mentira que eles próprios com certeza não acreditam. Em SP das 279 mortes ocorridas por violência entre torcedores, apenas sete foram dentro ou nas imediações dos estádios.
A maioria das brigas, mortes acontecem em locais muito distantes dos estádios. Ontem à noite (07/02/15) houve um jogo no Pacaembu entre o São Paulo e o Xv de Piracicaba. Quando a partida começou às 19h30min horas, já havia o registro de uma briga intensa entre torcedores do SPFC e do Corinthians na Estação Carrão do Metrô.
Ou seja, a tese do promotor caiu por terra um dia antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians. A briga foi longe do estádio e envolveu outra torcida, cujo time não jogava naquela noite.
O promotor não entendeu ainda que para conter a violência não adianta proibir a entrada de bandeiras dos clubes, não servir cerveja dentro dos estádios e querer torcida única. Para começar a solucionar esse problema de brigas e mortes entre torcedores é necessário o cumprimento das leis existentes.
De que adianta a polícia militar prender arruaceiros e criminosos envolvidos em brigas com mortes de torcedores se os meliantes saem das delegacias rindo impunemente para voltar às sedes de suas torcidas para planejar novo ataque?
É preciso que a Justiça omissa, lenta e obscura do Brasil reaja, endureça as penas das leis e coloque atrás das grades sem regime aberto e sem benesses os criminosos, independente de serem torcedores ou não.
A proposta do promotor na verdade escamoteou um pedido de ordem financeira do presidente do Palmeiras, que queria utilizar a área que seria destinada aos torcedores rivais e todo o entorno que a Polícia Militar exige para vender ingressos (aproximadamente 12 mil) e lucrar com a partida.
A medida foi tão inócua, mentirosa e sem sentido que o MP sequer se preocupou em determinar que ela fosse cumprida em todos os clássicos, independente do estádio utilizado.
A mentirinha era apenas para o jogo deste domingo, nos jogos no Morumbi, Pacaembu, Vila Belmiro. A cessão de cinco por cento dos ingressos para torcidas visitantes permaneceria inalterada. A briga na estação do Metrô num dia sem clássicos, prova que o MP, a PM, a Justiça e o Governo tem muito que aprender e muito trabalho para solucionar um problema que passa muito longe dos estádios de futebol no Brasil.

22 de janeiro de 2015

A marcha da insensatez da mídia com Eduardo Cunha

O ano não promete ser fácil. Na política econômica, o pacote de maldades do Ministro da Fazenda Joaquim Levy impactará a atividade econômica e o emprego. O realinhamento de tarifas afetará os preços. Quando vier para valer, a falta de água em São Paulo criará um clima insuportável. A Lava Jato manterá elevada a temperatura política e afetará a produção industrial e as obras de infraestrutura.
Por tudo isso, só pode se entender como marcha da insensatez o apoio incondicional dado pelos grupos de mídia à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Para a mídia, Cunha tornou-se um novo sir Galahad, em substituição ao pio ex-senador Demóstenes Torres. Por várias razões, é uma jogada de alto risco.
Do lado político, por ser um fator a mais de ingovernabilidade. Do lado ético, por desnudar de forma implacável os chamados princípios morais da mídia. Veja aliou-se ao bicheiro Carlinhos Cachoeira; alçou o ex-senador Demóstenes Torres à condição de paladino da moral e dos bons costumes; blindou todas as estripulias do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal); escondeu todos os malfeitos de José Serra.
Mas todos esses episódios foram cometidos nos bastidores. Mas, Eduardo Cunha?! Cunha começou sua vida pública aliado de PC Farias, e foi processado como tal. Depois, assumiu um cargo na companhia habitacional do Rio, no governo Garotinho, e foi acusado de desvios. Teve envolvimento direto com uma quadrilha que fraudava ICMS em distribuidoras de gasolina.
Na Câmara, seu trabalho diuturno foi articular lobby de grandes grupos. Nas últimas eleições, financiou a candidatura de dezenas de deputados, com recursos repassados por grupos econômicos com a finalidade única de fazer negócios.
Cunha é a definição impura e acabada do parlamentar negocista aquele contra quem o moralismo da mídia deblatera dia e noite. E o que se pretende com esse apoio? Apenas o desgaste do governo. O governo Dilma não precisa de ajuda para se desgastar: sabe se desgastar sem a ajuda de ninguém.
No campo dos negócios, os grupos de mídia nada conseguirão apenas piorar ainda o mercado publicitário.
O governo Dilma já mostrou que não retalia críticos com cortes de publicidade; mas também não cede a chantagens nem entra em negociatas.
Pode ser que pretendam, através do Congresso, barrar a entrada dos grandes competidores estrangeiros, aprovar leis que reduzam a obrigatoriedade de capital nacional na mídia, conquistar outra anistia fiscal para suas dívidas.
Não conseguirão. De um lado, porque a Câmara não faz política econômica. De outro, porque acumularam tal quantidade de inimigos com o estilo metralhadora giratória que jamais conseguirão montar uma frente pró-mídia. Frente anti-PT e anti-governo é simples de montar. Pró-mídia, ainda mais em uma fase de crise econômica, impossível. O que e conseguirá com o fator Eduardo Cunha será uma pitada a mais de desmoralização da mídia, mais insegurança econômica – revertendo em menos publicidade – e a confirmação de que jornais não foram feitos para pensar estrategicamente: eles sabem apenas “causar”. 
Texto do Economista Luis Nassif - Publicado em vários jornais de grande circulação no país

20 de janeiro de 2015

Quadrilhas!

"Quando explicamos a poesia ela torna-se banal.
Melhor do que qualquer explicação é a experiência
direta das emoções, que a poesia revela a uma alma
predisposta a compreendê-la”. Pablo Neruda


A canção A Flor da idade de Chico Buarque de Holanda contendo verso com adaptação ao poema A Quadrilha do poeta Carlos Drummond de Andrade ilustrará meu texto sobre outras quadrilhas no Brasil:
“Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava Léa, que amava Paulo, que amava Juca, que amava Dora, que amava. Carlos amava Dora, que amava Rute, que amava Dito, que amava Rute, que amava. Dito que amava Rute que amava.
Carlos amava Dora que amava Pedro, que amava tanto que amava a filha, que amava Carlos, que amava Dora que amava toda a quadrilha”.
Os governadores eleitos começaram seus novos mandatos mostrando a população que as leis feitas em sua maioria por eles próprios são para ser seguida apenas pela camada debaixo da sociedade, lá no alto, com ar bem arejado e o frescor do poder manda quem pode e obedece quem tem juízo. A justiça raramente alcança essa amplitude e fica normalmente longe deste patamar.
No Brasil existe a proibição por lei da nomeação de parentes de até terceiro grau pelos políticos que estão no poder. São regulados de várias formas em todas as instâncias de poder do país. A nomeação de parentes para ocupar cargos na Administração Pública, prática conhecida como nepotismo, sempre esteve presente na política nacional. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, esta conduta revela-se incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, pois, através dos princípios da impessoalidade, moralidade, eficiência e isonomia, evitam que o funcionalismo público seja tomado por aqueles que possuem parentesco com o governante, em detrimento de pessoas com melhor capacidade técnica para o desempenho das atividades. 
Além da força normativa dos princípios constitucionais, temos a previsão do Estatuto dos Servidores da União, Lei nº. 8.112/90, que em seu art. 117, inciso VIII, proíbe o servidor de manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. No Poder Executivo Federal, dispõe sobre a vedação do nepotismo o Decreto nº 7.203, de 04/06/2010. No âmbito do Poder Judiciário, foram editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a Resolução nº7 (18/10/2005), alterada pelas Resoluções nº9 (06/12/2005) e nº 21 (29/08/2006). Também para o Ministério Público, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) publicou as Resoluções de nº 1 (04/11/2005), nº 7 (14/04/2006) e nº 21 (19/06/2007).
Mesmo assim a recém-empossada Governadora Sueli Campos (PP), de Roraima, nomeou ao menos 12 parentes para compor seu secretariado. São irmãos, primos, duas filhas e sobrinhos da nova governadora que estarão na chefia de pastas como Casa Civil, Saúde, Educação e Infraestrutura. A própria Suely concorreu à eleição após o ex-governador Neudo Campos (PP, 1995-2002), com quem é casada, renunciar à disputa em 12 de setembro, após ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.
Ao ser eleita, a pepista afirmou que Neudo seria o chefe da Casa Civil, no entanto, a sua filha Danielle Araújo foi nomeada para o cargo. Oficialmente Neudo não participa da gestão, embora a governadora também tenha dito na campanha que ele seria seu "conselheiro".
Outra filha do casal, Emília Santos, será secretária de Trabalho, e a secretária-adjunta será sua nora, Lissandra Campos. A titular de Educação será Selma Mulinari, sua irmã. A Agricultura estará sob os cuidados de Hipérion de Oliveira, seu primo.
No Rio de Janeiro, outros exemplos estão acontecendo à luz do dia e a revelia da lei. O Governador Luiz Fernando nomeou Marco Antonio Cabral filho do seu antecessor Sergio Cabral como secretario dos esportes. Anteriormente o mesmo rapaz havia ocupado cargo em comissão na Secretaria Municipal da Casa Civil da Prefeitura do RJ (Reincidência).
O mesmo Prefeito Eduardo Paes nomeou o enteado do atual governador, filho da primeira dama Roberto Horta Jardim Salles para ser comandar uma subprefeitura criada exclusivamente para atender a “demanda” do Prefeito.
Ao povo os concursos, as filas, os impostos, o péssimo serviço e o desprezo desta escória que toma conta do poder, faz as leis e manda neste país. Até quando Brasil!


14 de janeiro de 2015

Penas brandas para terroristas urbanos no Brasil!

“O juiz é condenado quando
o criminoso é absolvido"
P. Ciro

   Na grande maioria dos países desenvolvidos, ditos de primeiro mundo, as leis são rígidas, as penas são implacáveis para com os criminosos. Além disso, a Justiça não dá aos que cometem crimes contra a sociedade benefícios que vão além de uma cela limpa, comida três vezes ao dia, banho de sol, uniforme e trabalho diário e/ou estudo facultativo. São países desenvolvidos, inteligentes, com uma cultura adquirida através de séculos de existência e educação de qualidade. 
   Mesmo assim, em nossa republiqueta de terceiro mundo, nosso sistema judiciário prefere ignorar esse lado rigoroso e aplicar aos criminosos brasileiros leis fracas, penas brandas e um excessivo número de benefícios.
    Nossos presidiários possuem Auxílio Reclusão ( O auxílio-reclusão foi instituído pela lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. É concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social). 

   São beneficiados pela Progressão Penal (A exigência de cumprimento de um sexto da pena para a progressão de regime se aplica a crimes hediondos praticados antes da vigência da Lei 11.464/2007, que, ao alterar a redação do art.  da Lei 8.072/90, exigiria o cumprimento de dois quintos da pena, para condenado primário, e três quintos, para reincidente).

  Outra excrescência nacional é o indulto, usado em todos os feriados do ano, dando completa margem à dúvidas quanto a sua aplicabilidade nos presídios brasileiros. Cumpridos 2/3 da pena, torna-se possível a concessão de indulto aos crimes em concurso que não ostentem natureza hedionda, desde que cumpridos todos os outros requisitos contidos na outorga presidencial. http://jus.com.br/revista/indulto#ixzz3OiOzuD3T
   Outro absurdo é a Lei de Execuções Penais que garante a visita intima aos presos por suas esposas ou companheiras. O absurdo é tanto que foi complementada pela Lei 12.594/2012 que Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), promulgada no último dia 18, regulamenta a execução das medidas destinadas a adolescente que pratique ato infracional. Além de outras mudanças significativas, a nova lei vem assegurar o direito a visita íntima aos menores infratores detidos. 

   A França, Inglaterra e os EUA tratam os terroristas com rigor máximo. Pois aqui no Brasil – Paraíso da Impunidade, o Código Penal Brasileiro pune a posse ou transporte de substância explosiva com pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, conforme art. 253 do CP. Só falta dar incentivo a quem quer portar, transportar e utilizar dinamites para explodir caixas eletrônicos e agências bancarias como a Bolsa Explosivo por exemplo.
   Não tem cabimento apenar um bandido que pode explodir um quarteirão inteiro com penas leves e ridículas como vigente no país. Entretanto, nenhum segmento da nossa sociedade, principalmente os banqueiros, fazem qualquer pressão aos nossos parlamentares ou governantes pedindo a alteração das leis ou mais rigor nas penas aplicadas. Quando ouço que o Código Penal vai ser reformado, atualizado ou modernizado fico pensando em quantas coisas poderiam ser inclusas para tornar o crime no Brasil algo menos interessante para os criminosos. Do jeito que está não é apenas atraente, como altamente lucrativo e compensador. 

12 de janeiro de 2015

Gestão da Saúde pública está agonizando na UTI!

O erro acontece de vários modos, enquanto
ser correto é possível apenas de um modo.

 Se existe uma coisa que nossos gestores públicos não têm, é  preguiça, provando a cada dia sua incapacidade, omissão e despreparo para o exercício de suas funções públicas. Dificilmente passamos um dia sem ler ou ver uma notícia que mostra a ineficiência e a imoralidade de alguns governantes e seus servidores diretos ou indiretos.
Em Osasco na Grande São Paulo, tivemos um show de horrores dentro do Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar. Para quem não sabe o Hospital leva o nome do fundador do Banco Bradesco, e, deve ter se remexido no túmulo por ter seu nome probo atrelado a este hospital de Osasco.
O Hospital ficou sem energia elétrica de segunda-feira (05/01) a terça-feira (06/01) após o seu gerador emergencial ter quebrado quando funcionava para cobrir a falta de energia no prédio. Funcionários do Hospital ligaram doze vezes para a empresa Eletropaulo, uma inoperante distribuidora de energia que atende (ou ao menos deveria atender) aquela região da cidade.
Sem gerador, sem energia da rua, sem serem atendidos pela empresa Eletropaulo, os médicos e enfermeiras começaram a operar milagres no limite extremo entre o risco e a irresponsabilidade para poder salvar vidas de crianças que estavam nascendo ou descansando nas incubadoras da UTI Neo Natal.
A improvisação contou com luzes de celulares e respiradouros manuais para poder tentar garantir a vida de algumas crianças recém-nascidas. Até cirurgias foram realizadas em meio à penumbra que cobria toda área destinada a salvar vidas no Hospital.
Não bastassem todo esse desespero e agonia, uma enfermeira percebendo a gravidade da situação aproveitou para filmar com seu celular tudo que estava acontecendo. Gravou inclusive imagens de baratas e outros insetos vivos se locomovendo pelas paredes do Hospital.
Até uma criança sabe que Hospitais e Prontos Socorros deveriam ser prioridade máxima no atendimento das empresas concessionárias de distribuição de energia elétrica, mas a privatizada Eletropaulo, parece que não sabe muito bem dessa regra.
A prefeitura comandada pelo recém-empossado Jorge Lapas (PT) por sua vez, limitou-se a uma tênue declaração através de um Adjunto da Secretaria da Saúde e nada mais. O Estado finge que não sabe de nada assim como o Ministério da Saúde e demais autoridades do país. Nunca é com eles quando o problema põe em risco a vida do cidadão comum. Aqueles que eles só se lembram durante as campanhas eleitorais de dois em dois anos. 
Um Hospital com baratas nas paredes, notoriamente imundo e sem condições higiênicas e sanitárias. Uma empresa de energia inepta que não consegue atender o consumidor de forma precisa e eficiente. Um Poder Público Municipal que não fiscaliza, não cobra e pune com rigor a administração de um Hospital público formam a junção perfeita da UTI – União de Tamanha Incompetência.