Meu livro "O Humor no Trabalho"

Meu livro "O Humor no Trabalho"
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1 de março de 2015

O rigor do legalismo contra um cidadão honesto!

“O conformismo é o carcereiro da
liberdade e o inimigo do crescimento"
John Kennedy

Nosso país carece de vocação para ser uma grande e forte Nação, está cravado na sua história desde o seu descobrimento por gananciosos portugueses até os dias atuais de república democrática federativa.
As leis são muitas, escritas em profusão nem sempre por quem deveria fazê-las, algumas se perdem e ficam arquivadas sem uso, outras servem apenas para proteger e não punir os que as escrevem e aprovam.
Neste emaranhado jurídico de milhares de leis, decretos e embargos de desagravo somados aos muitos incompreensíveis habeas corpus segue o Brasil sua rotina de paraíso da impunidade e oásis do crime.
Não para todos obviamente, o cidadão comum, aquele que trabalha, estuda, ou está aposentado depois de mais de 35 anos de luta, este tem de cumprir tudo aquilo que inclusive os demais do andar de cima da república, ou da escória da criminalidade não precisam necessariamente.
Explico melhor com a descrição de um caso que chocou a mim pelo menos, pois passou de relance num telejornal da região de Santos no litoral paulista e depois foi publicado rapidamente no site da emissora.
As câmeras de videomonitoramento da residência da vitima flagraram o momento exato que dois assassinos chegam próximo do veículo do casal que chegava a sua casa. Com arma em punho fazendo a menção de atirar em ambos. O marido atira primeiro e mata um dos vermes, o outro revida, fere o dono do veículo, porém também é ferido na troca de tiros. A esposa escapa ilesa e entra na sua casa.
Após esta cena de faroeste, chega à polícia militar, prende o assassino ferido, chama a ambulância e o camburão para levar o bandido bom (morto). Após estes trâmites legais e burocráticos o casal é levado a Delegacia de Polícia Civil em Cubatão na região de Santos.
Tudo que aconteceu foi rigorosamente registrado pelo sistema de vídeo da residência. Detalhe que não foi explorado pela polícia nem pelo delegado de plantão.
Este se prendeu ao fato do cidadão de bem estar portando uma arma (Pistola Calibre. 40) de uso restrito das Forças Armadas. O empresário argumentou à exaustão que era colecionador de armas e que fazia parte de um clube de tiros na cidade, porém não possuía o documento de porte para aquela arma.
 O delegado baseando-se nas leis existentes, aquelas ultrapassadas e que dão a entender que querem beneficiar mais os criminosos do que o cidadão que paga com impostos à manutenção das forças policiais prendeu o cidadão. Não satisfeito, o mesmo delegado “austero” mandou prender a esposa da vitima na cadeia junto com diversas criminosas que estavam detidas naquele local.
O delegado confrontado pela imprensa defendeu-se argumentando como sempre que cumpria a lei. Ora bolas, que lei é essa? Digam senhores policiais, autoridades da justiça e do congresso nacional porque temos leis que punem as vitimas em detrimento do bom senso, da inteligência e dos tempos atuais em que vivemos?
O Brasil precisa de muitas coisas, de governantes honestos e propensos a trabalhar pelo bem comum, de políticos decentes, de reformas estruturais, de educação de qualidade, saúde para seu povo, porém, também necessita de uma reforma que modernize e traga para os dias atuais o nosso falido, velho e ultrapassado Código Penal.
O desarmamento mal feito também é coadjuvante desta situação ridícula, medíocre e mal explicada, que rigorosamente inibe o cidadão comum de se defender caso possa em situações de alto risco.

26 de fevereiro de 2015

Democracia sem participação popular

Quase todos os homens são capazes de
suportar adversidades, mas se quiser por à prova
o caráter de um homem, dê-lhe poder.

Nossa república é razoavelmente jovem com 125 anos se comparada a sistemas políticos de outras nações ao redor do planeta. Se começarmos a falar de nossa democracia, com tantos percalços, golpes e interrupções, podemos dizer que ela ainda engatinha e dá seus primeiros passos no cenário mundial. Segundo o mestre jurista Dallari a melhor definição de Estado é: “A ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território”. Formam o Estado os seguintes elementos essenciais:
·        A Soberania
·        O Povo
·        O Território
·        A Finalidade política (Que deve ser o bem comum).
O Brasil é um Estado Federal com o seu poder político descentralizado entre unidades autônomas denominadas Estados que compõe a sua federação. No Brasil, a União, por determinação da Constituição Federal, é indissolúvel. Isso afasta qualquer possibilidade jurídica de independência ou separação dos estados-membros (não existe direito de secessão ou separação). A nossa forma de governo é a república presidencialista e o seu regime de governo é a democracia.
E é sobre ela que vou escrever neste texto. A democracia vive da participação política, e, por isso mesmo, a Constituição Federal lista inúmeras ferramentas de participação política que são consideradas direitos fundamentais de todas as pessoas, e que, em geral, estão acompanhadas de garantias jurídicas, para que possam ser utilizadas sem que haja qualquer repressão injusta ou intimidação aos seus usuários.
Ocorre que 99% delas não são praticadas pelo povo, o governo por sua parte não incentiva essa participação, deixando de lado inclusive suas abordagens no sistema educacional que poderia ser um dos elos motrizes da conscientização da população quanto as suas formas constitucionais de participação na democracia.
A explicação infelizmente não consta dos manuais, nem dos livros, e, está na péssima qualidade e no DNA dos nossos políticos que ao alcançarem o poder, fazem a opção de não levar ao povo a informação, pois sem ela, o povo fica como no livro de Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”, totalmente perdidos e sem rumo.
Criou-se no Brasil um circulo vicioso, onde o povo exerce com frequência apenas um dos direitos preconizados como de participação política que é o voto a cada dois anos. Os dois anos entre as eleições são de cegueira, omissão e completo distanciamento em relação à vida política das suas cidades, Estados e Governo Federal.
Essa forma de agir ao longo dos últimos 40 anos, facilitou a vida dos partidos políticos, dos governantes e toda escória que os acompanha (Lobistas, Corruptores, Doleiros, etc.). Na medida em que não fiscalizamos nossos representantes como podemos imaginar que eles nos deem o respeito que merecemos?
Se com todos os recursos disponíveis de tecnologia e de acompanhamento da mídia, a sociedade civil não consegue impedir ou ao menos reduzir a incidência dos golpes e falcatruas, somente o efetivo envolvimento com o engajamento da população pode estancar essa epidemia chamada corrupção no país.
Temos uma Nação, um Estado soberano, um regime político definido, porém, falta o principal, o essencial na vida de qualquer povo, o exercício pleno da cidadania pelo nosso povo, de quaisquer classes sociais, raça, credo ou região habitada. Sem ela nos tornamos os mesmos indiozinhos que receberam os portugueses 515 anos atrás, desnudos, sem conhecimento e sem direção. Onde os portugueses são os nossos políticos ávidos por nosso ouro...

Completa inversão de valores!

"Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto,
procure as janelas. Lembre-se da sabedoria da água:
a água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."
Autor desconhecido.

Uma ação bem sucedida da polícia militar na cidade de Lençóis Paulista (43 km de Bauru) na região central do Estado de São Paulo impediu a consumação de um assalto, seguido de manutenção de reféns numa residência naquela cidade de 65 mil habitantes. Outrora pacata e segura para seus honestos moradores.
Os criminosos entraram na residência e renderam cinco pessoas da mesma família. Entre elas uma criança de nove anos de idade. Com a chegada da polícia os bandidos resistiram à prisão e abriram fogo com uma pistola 765, revolveres calibres 32 e 38 e foram alvejados e mortos na ação.
Os moradores foram libertados e não sofreram nenhum arranhão fisicamente falando, pois, nestas situações ainda há o estrago psicológico que fica perseguindo as vítimas da violência por muito tempo.
Como tem acontecido nos últimos tempos, à medida que cresce assustadoramente a violência dos bandidos, se há reação da policia militar, a imprensa começa a demonstrar preocupação com os dados estatísticos das vítimas abatidas pelos homens da lei.
Neste caso em Lençóis Paulista, na mesma matéria, o jornal abre um espaço para noticiar que a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo enviou ofício ao Ministério Público para apurar a conduta dos policiais militares (sic).
Como assim? A Justiça solta praticamente todos os criminosos, as penas são brandas, os julgamentos demorados, as benesses aos criminosos são inúmeras e quando os policiais fazem o serviço deles ainda tem de passar pelo constrangimento de serem investigados pela ouvidoria da polícia do Estado?
Por que não acabam com a polícia e soltam todos os bandidos de uma vez? De que lado estão as nossas pseudos autoridades policiais? A quem o governo preza? Aos criminosos ou aos cidadãos que pagam impostos e vivem em paz?
É lógico que nenhum cidadão quer que a polícia ultrapasse seus limites, use de métodos que não condizem com suas regras de proteção e segurança para os quais foram treinados. Porém, se a cada ação bem sucedida onde as pessoas de bem forem salvas os bons policiais forem questionados, ficará muito difícil acreditar em solução no combate à criminalidade no país.
Em SP há muito tempo percebemos a influência muito forte dos defensores dos direitos humanos (dos bandidos) na política de segurança pública do Estado. Não seria diferente que houvesse tantas benesses no sistema penitenciário e que os índices de criminalidade fossem cada vez maiores nas estatísticas divulgadas.
A sociedade brasileira quer rigor da justiça para quem age fora da lei, do marginal mais simples ao pior corrupto do colarinho branco. Quer e exige que a polícia civil, militar e federal, totalmente bancada com recursos do povo sejam firme, tenham ações planejadas para prevenção ao crime e a busca de soluções para os muitos tipos de golpes perpetrados por esta crescente escória nas ruas.
Os soldados envolvidos na ação em Lençóis Paulista fizeram seu trabalho e muito bem por sinal. Deveriam ser cumprimentados pelo comando e não serem sujeitos a processos internos de quaisquer ordens. 

16 de fevereiro de 2015

O HSBC e o Governador Beto Richa!

Escândalo financeiro mundial e
vitória contra austeridade
ficam escondidos na imprensa


Aproveitando a mais do que merecida folga da querida e competente Vera Guimarães, vou dar uma de ombudsman acidental. É de estranhar, para dizer o mínimo, o laconismo com que a imprensa "mainstream" local vem tratando um dos maiores escândalos da história financeira mundial. 
Falo da revelação de que o HSBC na Suíça ajudou milionários a ocultar bilhões de dólares e assim fugir do fisco em seus países de origem. A lista é ecumênica: inclui desde ricaços tidos como "limpos" até traficantes, ditadores e criminosos dos mais variados. 
São mais de 100 mil contas. O valor da maracutaia internacional passa de US$ 100 bilhões. Em moeda local, algo perto de R$ 300 bilhões. O argumento de que o tema está distante do leitor nacional não resiste aos fatos: cerca de 9.000 clientes envolvidos na falcatrua são brasileiros; o HSBC é um dos maiores bancos a operar no país; e, pelo que a investigação conseguiu apurar, a roubalheira decolou depois da aquisição, pelo HSBC, de um banco e de uma holding de propriedade de Edmond Safra. A familiaridade do sobrenome com o Brasil, embora não seja prova de nada, dispensa comentários e deveria ser suficiente para aguçar a curiosidade de qualquer jornalista. 
Surpresa: o assunto praticamente desapareceu, a não ser quando encontraram supostas conexões com o pessoal da Lava Jato. Esquisito. E os outros milhares de correntistas brasileiros premiados, desapareceram? A história não fecha. Aliás, é a segunda vez que um trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos recebe tratamento desprezível no Brasil. 
Há pouco tempo, a mesma equipe escancarou manobras tributárias de bancos e multinacionais, brasileiros incluídos, para fugir de impostos com operações em Luxemburgo. Uma das empresas acusadas na artimanha, a Pricewaterhouse, por acaso vem a ser uma das que aprovavam balanços podres de instituições protagonistas da crise de 2008. Hoje a Price examina a contabilidade da Petrobras... Detalhe: o premiê de Luxemburgo na época das sonegações, Jean-Claude Juncker, é o atual presidente da Comissão Europeia. E o homem forte do HSBC no período do vale-tudo da Suíça virou ministro no governo britânico do conservador David Cameron. Precisa mais?

PARANÁ NA MODA; E NA MÍDIA?
Curitiba viveu recentemente uma das maiores manifestações de sua história. Milhares de servidores públicos, trabalhadores e estudantes obrigaram o governador reeleito Beto Richa, do PSDB, a recuar no chamado "pacote de maldades" enviado à Assembleia Legislativa. 
Entre outros disparates, o tucano propunha confiscar a previdência dos servidores para tapar rombos da antiga administração --dirigida por ele mesmo! Deputados chegaram de camburão, reuniram-se no restaurante e, ainda assim, não conseguiram votar o pacote. Notícia daquelas, de repercussão nacional, exceto na mídia de fora da região. 
Foi na capital do Paraná. Mesmo Estado onde fica a Londrina do juiz Sérgio Moro, sede do antigo Bamerindus vendido a preço simbólico ao HSBC e do Banestado (Banco do Estado do Paraná), pivô da CPI que durante os anos 90 catapultou o doleiro Alberto Yousseff para manchetes. Mera coincidência, talvez.

Ricardo Melo – Colunista da Folha de SP. Artigo publicado na Folha de SP em 16/02/15.

14 de fevereiro de 2015

Time de futebol não é herança!

Que triste seria ter um time
escolhido para mim,
como um noivo prometido e não desejado


Um casal de amigos acabou de ter um filho. Exibem com orgulho o moleque de roupinha do Fluminense, mesmo morando em São Paulo. O pirralhinho nem sabe se vai gostar de futebol, mas já tem até uniforme completo --sem direito de escolha. Crueldade. Torcer por um time não deveria ser tratado como herança genética. É como seguir a carreira de médico apenas porque está "no sangue" da família.

A criança tem pavor até da cor vermelha, brinca de advogado desde pequena, mas como os pais acham que é o melhor, vai ser medicina mesmo. E dá-lhe frustração. Não acho que torcer por um time herdado cause o mesmo estrago. Só não é nada natural nascer, ganhar um nome e um time de futebol. Ser obrigado a vestir uma camisa quem nem vive mais as glórias da época dos pais ou dos avós. Mudaram os jogadores, mudaram os times, mudou o futebol.

Eu mesma só caí de amores por um time quando já tinha mais de 20 anos. Tinha ídolos na adolescência, mas nenhum jogava esse tipo de bola. Por causa do basquete, que eu adorava, fiquei petrificada quando assisti a um jogo com Hortência e Magic Paula. Durante muito só pensava nelas.

Futebol pra mim era de quatro em quatro anos, quando o Brasil entrava em campo, ainda que o esporte sempre tenha tido audiência na casa dos meus pais. Meu pai torce pro Coxa, time do nosso Estado, para o Santos, por causa do Pelé, e para o Flamengo, porque moramos no Rio durante um tempo. Minha mãe é Coxa e Corinthians. Meu irmão é corintiano, e minha irmã, Coxa. Eu não era nada. Vai vendo.

Até que fui parar no estádio do Morumbi com um grupo de corintianos. Fui pela farra. Acontece que aquele dia não era um dia qualquer, nem um jogo qualquer. Era 28 de novembro de 1999, primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro. Era São Paulo e Corinthians em campo. Seria um dia sublime da carreira do goleiro Dida. Seria um jogo que Raí nunca mais esqueceria. Seria o dia que eu me tornaria corintiana desde criancinha.

Senti-me pequena diante da grandiosidade da Fiel. Quando me dei conta, gritava junto todos os hinos e palavrões. "Filha, que feio", disse minha mãe. E eu gritava. E torcia. E queria uma camisa preta e branca para mostrar que também era um deles. Foi amor à primeira vista, paixão avassaladora. Nem sei como tinha vivido sem aquele sentimento.

O fim do jogo vocês sabem. O Corinthians ganhava de 3 a 2, e Raí perde dois pênaltis nas mãos de Dida, um aos 45 minutos do segundo tempo. Perdi a voz, perdi a estribeira, perdi a compostura, gritava e pulava. Que belo dia para converter uma ateia futebolística em mais uma louca num bando de apaixonados.

Que triste seria não ter tido esse batismo, que triste seria ter um time escolhido para mim, como um noivo prometido e não desejado. Que triste as crianças que nascem com uma bandeira e crescem em relações muitas vezes mornas. "Por que mesmo torço para esse time que só perde?", devem se perguntar. Deixem as crianças escolherem seus times, seus ídolos, que tenham suas próprias vitórias e derrotas. A vida é muito chata sem paixão. E futebol sem paixão é muito mais chato.

Mariliza Pereira Jorge é jornalista e roteirista. Já trabalhou na Folha e na TV Globo, escreveu para as revistas Veja e Men’s Health, VIP entre outras. Este texto foi publicado na Folha de SP em 14/02/15.

9 de fevereiro de 2015

Querem acabar com o futebol, não com a violência!

Os que repudiam a violência podem repudiar,
pois outros praticam violência em nome deles.
George Orwell

Uma série de mentiras e conversas mal explicadas tomou conta da semana esportiva em São Paulo. As vésperas do clássico entre Palmeiras x Corinthians a ser realizado no domingo 08/02/15, pela primeira vez desde que o Parque Antártica foi reformado.
O Ministério Público atendendo um pedido do presidente do Palmeiras Paulo Nobre baixou uma recomendação de que o jogo tivesse torcida única, apenas do dono da casa. A Federação Paulista comandada por gente que não ama o futebol, acatou de imediato a recomendação.
A desculpa que o MP usou seria a de conter a violência entre as torcidas organizadas dos dois clubes, mentira que eles próprios com certeza não acreditam. Em SP das 279 mortes ocorridas por violência entre torcedores, apenas sete foram dentro ou nas imediações dos estádios.
A maioria das brigas, mortes acontecem em locais muito distantes dos estádios. Ontem à noite (07/02/15) houve um jogo no Pacaembu entre o São Paulo e o Xv de Piracicaba. Quando a partida começou às 19h30min horas, já havia o registro de uma briga intensa entre torcedores do SPFC e do Corinthians na Estação Carrão do Metrô.
Ou seja, a tese do promotor caiu por terra um dia antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians. A briga foi longe do estádio e envolveu outra torcida, cujo time não jogava naquela noite.
O promotor não entendeu ainda que para conter a violência não adianta proibir a entrada de bandeiras dos clubes, não servir cerveja dentro dos estádios e querer torcida única. Para começar a solucionar esse problema de brigas e mortes entre torcedores é necessário o cumprimento das leis existentes.
De que adianta a polícia militar prender arruaceiros e criminosos envolvidos em brigas com mortes de torcedores se os meliantes saem das delegacias rindo impunemente para voltar às sedes de suas torcidas para planejar novo ataque?
É preciso que a Justiça omissa, lenta e obscura do Brasil reaja, endureça as penas das leis e coloque atrás das grades sem regime aberto e sem benesses os criminosos, independente de serem torcedores ou não.
A proposta do promotor na verdade escamoteou um pedido de ordem financeira do presidente do Palmeiras, que queria utilizar a área que seria destinada aos torcedores rivais e todo o entorno que a Polícia Militar exige para vender ingressos (aproximadamente 12 mil) e lucrar com a partida.
A medida foi tão inócua, mentirosa e sem sentido que o MP sequer se preocupou em determinar que ela fosse cumprida em todos os clássicos, independente do estádio utilizado.
A mentirinha era apenas para o jogo deste domingo, nos jogos no Morumbi, Pacaembu, Vila Belmiro. A cessão de cinco por cento dos ingressos para torcidas visitantes permaneceria inalterada. A briga na estação do Metrô num dia sem clássicos, prova que o MP, a PM, a Justiça e o Governo tem muito que aprender e muito trabalho para solucionar um problema que passa muito longe dos estádios de futebol no Brasil.

22 de janeiro de 2015

A marcha da insensatez da mídia com Eduardo Cunha

O ano não promete ser fácil. Na política econômica, o pacote de maldades do Ministro da Fazenda Joaquim Levy impactará a atividade econômica e o emprego. O realinhamento de tarifas afetará os preços. Quando vier para valer, a falta de água em São Paulo criará um clima insuportável. A Lava Jato manterá elevada a temperatura política e afetará a produção industrial e as obras de infraestrutura.
Por tudo isso, só pode se entender como marcha da insensatez o apoio incondicional dado pelos grupos de mídia à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Para a mídia, Cunha tornou-se um novo sir Galahad, em substituição ao pio ex-senador Demóstenes Torres. Por várias razões, é uma jogada de alto risco.
Do lado político, por ser um fator a mais de ingovernabilidade. Do lado ético, por desnudar de forma implacável os chamados princípios morais da mídia. Veja aliou-se ao bicheiro Carlinhos Cachoeira; alçou o ex-senador Demóstenes Torres à condição de paladino da moral e dos bons costumes; blindou todas as estripulias do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal); escondeu todos os malfeitos de José Serra.
Mas todos esses episódios foram cometidos nos bastidores. Mas, Eduardo Cunha?! Cunha começou sua vida pública aliado de PC Farias, e foi processado como tal. Depois, assumiu um cargo na companhia habitacional do Rio, no governo Garotinho, e foi acusado de desvios. Teve envolvimento direto com uma quadrilha que fraudava ICMS em distribuidoras de gasolina.
Na Câmara, seu trabalho diuturno foi articular lobby de grandes grupos. Nas últimas eleições, financiou a candidatura de dezenas de deputados, com recursos repassados por grupos econômicos com a finalidade única de fazer negócios.
Cunha é a definição impura e acabada do parlamentar negocista aquele contra quem o moralismo da mídia deblatera dia e noite. E o que se pretende com esse apoio? Apenas o desgaste do governo. O governo Dilma não precisa de ajuda para se desgastar: sabe se desgastar sem a ajuda de ninguém.
No campo dos negócios, os grupos de mídia nada conseguirão apenas piorar ainda o mercado publicitário.
O governo Dilma já mostrou que não retalia críticos com cortes de publicidade; mas também não cede a chantagens nem entra em negociatas.
Pode ser que pretendam, através do Congresso, barrar a entrada dos grandes competidores estrangeiros, aprovar leis que reduzam a obrigatoriedade de capital nacional na mídia, conquistar outra anistia fiscal para suas dívidas.
Não conseguirão. De um lado, porque a Câmara não faz política econômica. De outro, porque acumularam tal quantidade de inimigos com o estilo metralhadora giratória que jamais conseguirão montar uma frente pró-mídia. Frente anti-PT e anti-governo é simples de montar. Pró-mídia, ainda mais em uma fase de crise econômica, impossível. O que e conseguirá com o fator Eduardo Cunha será uma pitada a mais de desmoralização da mídia, mais insegurança econômica – revertendo em menos publicidade – e a confirmação de que jornais não foram feitos para pensar estrategicamente: eles sabem apenas “causar”. 
Texto do Economista Luis Nassif - Publicado em vários jornais de grande circulação no país

20 de janeiro de 2015

Quadrilhas!

"Quando explicamos a poesia ela torna-se banal.
Melhor do que qualquer explicação é a experiência
direta das emoções, que a poesia revela a uma alma
predisposta a compreendê-la”. Pablo Neruda


A canção A Flor da idade de Chico Buarque de Holanda contendo verso com adaptação ao poema A Quadrilha do poeta Carlos Drummond de Andrade ilustrará meu texto sobre outras quadrilhas no Brasil:
“Carlos amava Dora, que amava Lia, que amava Léa, que amava Paulo, que amava Juca, que amava Dora, que amava. Carlos amava Dora, que amava Rute, que amava Dito, que amava Rute, que amava. Dito que amava Rute que amava.
Carlos amava Dora que amava Pedro, que amava tanto que amava a filha, que amava Carlos, que amava Dora que amava toda a quadrilha”.
Os governadores eleitos começaram seus novos mandatos mostrando a população que as leis feitas em sua maioria por eles próprios são para ser seguida apenas pela camada debaixo da sociedade, lá no alto, com ar bem arejado e o frescor do poder manda quem pode e obedece quem tem juízo. A justiça raramente alcança essa amplitude e fica normalmente longe deste patamar.
No Brasil existe a proibição por lei da nomeação de parentes de até terceiro grau pelos políticos que estão no poder. São regulados de várias formas em todas as instâncias de poder do país. A nomeação de parentes para ocupar cargos na Administração Pública, prática conhecida como nepotismo, sempre esteve presente na política nacional. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, esta conduta revela-se incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, pois, através dos princípios da impessoalidade, moralidade, eficiência e isonomia, evitam que o funcionalismo público seja tomado por aqueles que possuem parentesco com o governante, em detrimento de pessoas com melhor capacidade técnica para o desempenho das atividades. 
Além da força normativa dos princípios constitucionais, temos a previsão do Estatuto dos Servidores da União, Lei nº. 8.112/90, que em seu art. 117, inciso VIII, proíbe o servidor de manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. No Poder Executivo Federal, dispõe sobre a vedação do nepotismo o Decreto nº 7.203, de 04/06/2010. No âmbito do Poder Judiciário, foram editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a Resolução nº7 (18/10/2005), alterada pelas Resoluções nº9 (06/12/2005) e nº 21 (29/08/2006). Também para o Ministério Público, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) publicou as Resoluções de nº 1 (04/11/2005), nº 7 (14/04/2006) e nº 21 (19/06/2007).
Mesmo assim a recém-empossada Governadora Sueli Campos (PP), de Roraima, nomeou ao menos 12 parentes para compor seu secretariado. São irmãos, primos, duas filhas e sobrinhos da nova governadora que estarão na chefia de pastas como Casa Civil, Saúde, Educação e Infraestrutura. A própria Suely concorreu à eleição após o ex-governador Neudo Campos (PP, 1995-2002), com quem é casada, renunciar à disputa em 12 de setembro, após ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.
Ao ser eleita, a pepista afirmou que Neudo seria o chefe da Casa Civil, no entanto, a sua filha Danielle Araújo foi nomeada para o cargo. Oficialmente Neudo não participa da gestão, embora a governadora também tenha dito na campanha que ele seria seu "conselheiro".
Outra filha do casal, Emília Santos, será secretária de Trabalho, e a secretária-adjunta será sua nora, Lissandra Campos. A titular de Educação será Selma Mulinari, sua irmã. A Agricultura estará sob os cuidados de Hipérion de Oliveira, seu primo.
No Rio de Janeiro, outros exemplos estão acontecendo à luz do dia e a revelia da lei. O Governador Luiz Fernando nomeou Marco Antonio Cabral filho do seu antecessor Sergio Cabral como secretario dos esportes. Anteriormente o mesmo rapaz havia ocupado cargo em comissão na Secretaria Municipal da Casa Civil da Prefeitura do RJ (Reincidência).
O mesmo Prefeito Eduardo Paes nomeou o enteado do atual governador, filho da primeira dama Roberto Horta Jardim Salles para ser comandar uma subprefeitura criada exclusivamente para atender a “demanda” do Prefeito.
Ao povo os concursos, as filas, os impostos, o péssimo serviço e o desprezo desta escória que toma conta do poder, faz as leis e manda neste país. Até quando Brasil!


14 de janeiro de 2015

Penas brandas para terroristas urbanos no Brasil!

“O juiz é condenado quando
o criminoso é absolvido"
P. Ciro

   Na grande maioria dos países desenvolvidos, ditos de primeiro mundo, as leis são rígidas, as penas são implacáveis para com os criminosos. Além disso, a Justiça não dá aos que cometem crimes contra a sociedade benefícios que vão além de uma cela limpa, comida três vezes ao dia, banho de sol, uniforme e trabalho diário e/ou estudo facultativo. São países desenvolvidos, inteligentes, com uma cultura adquirida através de séculos de existência e educação de qualidade. 
   Mesmo assim, em nossa republiqueta de terceiro mundo, nosso sistema judiciário prefere ignorar esse lado rigoroso e aplicar aos criminosos brasileiros leis fracas, penas brandas e um excessivo número de benefícios.
    Nossos presidiários possuem Auxílio Reclusão ( O auxílio-reclusão foi instituído pela lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. É concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social). 

   São beneficiados pela Progressão Penal (A exigência de cumprimento de um sexto da pena para a progressão de regime se aplica a crimes hediondos praticados antes da vigência da Lei 11.464/2007, que, ao alterar a redação do art.  da Lei 8.072/90, exigiria o cumprimento de dois quintos da pena, para condenado primário, e três quintos, para reincidente).

  Outra excrescência nacional é o indulto, usado em todos os feriados do ano, dando completa margem à dúvidas quanto a sua aplicabilidade nos presídios brasileiros. Cumpridos 2/3 da pena, torna-se possível a concessão de indulto aos crimes em concurso que não ostentem natureza hedionda, desde que cumpridos todos os outros requisitos contidos na outorga presidencial. http://jus.com.br/revista/indulto#ixzz3OiOzuD3T
   Outro absurdo é a Lei de Execuções Penais que garante a visita intima aos presos por suas esposas ou companheiras. O absurdo é tanto que foi complementada pela Lei 12.594/2012 que Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), promulgada no último dia 18, regulamenta a execução das medidas destinadas a adolescente que pratique ato infracional. Além de outras mudanças significativas, a nova lei vem assegurar o direito a visita íntima aos menores infratores detidos. 

   A França, Inglaterra e os EUA tratam os terroristas com rigor máximo. Pois aqui no Brasil – Paraíso da Impunidade, o Código Penal Brasileiro pune a posse ou transporte de substância explosiva com pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, conforme art. 253 do CP. Só falta dar incentivo a quem quer portar, transportar e utilizar dinamites para explodir caixas eletrônicos e agências bancarias como a Bolsa Explosivo por exemplo.
   Não tem cabimento apenar um bandido que pode explodir um quarteirão inteiro com penas leves e ridículas como vigente no país. Entretanto, nenhum segmento da nossa sociedade, principalmente os banqueiros, fazem qualquer pressão aos nossos parlamentares ou governantes pedindo a alteração das leis ou mais rigor nas penas aplicadas. Quando ouço que o Código Penal vai ser reformado, atualizado ou modernizado fico pensando em quantas coisas poderiam ser inclusas para tornar o crime no Brasil algo menos interessante para os criminosos. Do jeito que está não é apenas atraente, como altamente lucrativo e compensador. 

12 de janeiro de 2015

Gestão da Saúde pública está agonizando na UTI!

O erro acontece de vários modos, enquanto
ser correto é possível apenas de um modo.

 Se existe uma coisa que nossos gestores públicos não têm, é  preguiça, provando a cada dia sua incapacidade, omissão e despreparo para o exercício de suas funções públicas. Dificilmente passamos um dia sem ler ou ver uma notícia que mostra a ineficiência e a imoralidade de alguns governantes e seus servidores diretos ou indiretos.
Em Osasco na Grande São Paulo, tivemos um show de horrores dentro do Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar. Para quem não sabe o Hospital leva o nome do fundador do Banco Bradesco, e, deve ter se remexido no túmulo por ter seu nome probo atrelado a este hospital de Osasco.
O Hospital ficou sem energia elétrica de segunda-feira (05/01) a terça-feira (06/01) após o seu gerador emergencial ter quebrado quando funcionava para cobrir a falta de energia no prédio. Funcionários do Hospital ligaram doze vezes para a empresa Eletropaulo, uma inoperante distribuidora de energia que atende (ou ao menos deveria atender) aquela região da cidade.
Sem gerador, sem energia da rua, sem serem atendidos pela empresa Eletropaulo, os médicos e enfermeiras começaram a operar milagres no limite extremo entre o risco e a irresponsabilidade para poder salvar vidas de crianças que estavam nascendo ou descansando nas incubadoras da UTI Neo Natal.
A improvisação contou com luzes de celulares e respiradouros manuais para poder tentar garantir a vida de algumas crianças recém-nascidas. Até cirurgias foram realizadas em meio à penumbra que cobria toda área destinada a salvar vidas no Hospital.
Não bastassem todo esse desespero e agonia, uma enfermeira percebendo a gravidade da situação aproveitou para filmar com seu celular tudo que estava acontecendo. Gravou inclusive imagens de baratas e outros insetos vivos se locomovendo pelas paredes do Hospital.
Até uma criança sabe que Hospitais e Prontos Socorros deveriam ser prioridade máxima no atendimento das empresas concessionárias de distribuição de energia elétrica, mas a privatizada Eletropaulo, parece que não sabe muito bem dessa regra.
A prefeitura comandada pelo recém-empossado Jorge Lapas (PT) por sua vez, limitou-se a uma tênue declaração através de um Adjunto da Secretaria da Saúde e nada mais. O Estado finge que não sabe de nada assim como o Ministério da Saúde e demais autoridades do país. Nunca é com eles quando o problema põe em risco a vida do cidadão comum. Aqueles que eles só se lembram durante as campanhas eleitorais de dois em dois anos. 
Um Hospital com baratas nas paredes, notoriamente imundo e sem condições higiênicas e sanitárias. Uma empresa de energia inepta que não consegue atender o consumidor de forma precisa e eficiente. Um Poder Público Municipal que não fiscaliza, não cobra e pune com rigor a administração de um Hospital público formam a junção perfeita da UTI – União de Tamanha Incompetência.   

Difícil não são as reformas, mas quem irá fazê-las no Congresso!

A irracionalidade de uma coisa não é
argumento contra a sua existência,
mas sim uma condição para ela.
 Nietzche.


Há muito tempo ouvimos dizer que as reformas são necessárias para que o Brasil possa melhorar seu desempenho na economia, na política, enfim, começar a subir na direção do chamado primeiro mundo. São elas as reformas política, tributária/fiscal as principais fontes de desejo de boa parte da sociedade brasileira.
Os políticos obviamente utilizam à exaustão em seus discursos mentirosos e vazios a necessidade das mesmas ressaltando com ênfase a luta que irão travar para conseguir que elas sejam aprovadas no Congresso Nacional. A mesma casa que consegue passar meses sem votar algo e sempre tiveram engavetadas todas as reformas, todas as mudanças de códigos e leis que a população tanto reclama.
Portanto, impossível acreditar que esses mesmos políticos, do governo ou na oposição estejam realmente levando a sério aquilo que a sociedade civil tanto clama. Passada a posse dos Governadores e da Presidente, teremos em Fevereiro o começo dos trabalhos dos novos congressistas eleitos em outubro de 2014.
Desde o final da eleição a única coisa que ouvimos destes, é que querem o poder da casa. Querem cargos nos Ministérios, nas Secretarias e Empresas Estatais do segundo escalão. Não se ouve uma palavra sequer da formulação de projetos para discussão assim que assumirem seus mandatos.
Nossos representantes na verdade representam Bancos, Siderúrgicas, Laboratórios nacionais e internacionais, Usinas, Sindicatos Patronais, Ruralistas, exceto o povo, este fica sem voz no Congresso Nacional há muitos anos.
Este é o grande complicador de uma futura, embora improvável discussão para promover as Reformas estruturais que o país urge precisar. Como deixar nas mãos destes homens que não representam o povo na sociedade civil discutirem a transformação das políticas sociais, fiscais e partidárias que poderiam melhorar a vida da nossa população?
Sem contar que uma grande maioria destes Deputados eleitos não tem a capacidade e o discernimento para discutir questões mais complexas além de suas formações escolares e profissionais. Muitos, talvez a grande maioria, não sabe sequer o que é uma Reforma. Serão levados pela força de suas lideranças que sempre estão a serviço do poder, nunca do povo.
Sendo assim, nos próximos quatro anos com certeza não teremos sequer a discussão das reformas estruturais, se tivermos, a oposição que é minoria, mas tem uma boa qualificação em suas bases poderá impedir que algo seja feito pela situação que tem quantidade com baixa qualidade. 
Triste para nosso país que esta situação aconteça justamente em desacordo com a premissa de que uma democracia existe justamente para ser palco de grandes discussões, transformações em favor do povo.

7 de janeiro de 2015

Educação não é só uma questão de recursos!

"Você é livre para fazer suas escolhas,
mas é prisioneiro das consequências.”. 

Em seu discurso de posse a reeleita Presidente Dilma Rousseff elegeu a Educação como grande carro chefe de sua segunda administração federal. Usando o bordão “Brasil, pátria educadora”.
A nossa expectativa é que não ocorra o mesmo que aconteceu com os bordões anteriores das gestões petistas. Ou seja, foram transformados em peças publicitárias que acompanharam por quatro anos as respectivas gestões sem serem realizadas na prática.
Ao se referir à educação como principal prioridade do próximo governo – ela tirou a pasta do PT e escolheu para ministro o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PROS). Dilma afirmou que o setor começará a receber volumes "mais expressivos" de recursos oriundos dos royalties do petróleo e do fundo social da exploração da camada pré-sal.
Afirmou também "Ao bradarmos "Brasil, pátria educadora", estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e sentimento republicano".
Em primeiro lugar meu pessimismo se baseia na infeliz escolha do Ministro da Educação. O ministro Cid Gomes não pode ser o líder de um processo de reformulação numa pasta que até outro dia era por ele mesmo relegada a terceiro plano quando governador do Ceará. 
Além do mais, o Brasil já investe muito dinheiro na Educação, compatível com grandes países em desenvolvimento e nações do primeiro mundo. Nosso real problema está dentro das salas de aula. Como aplicar os recursos de forma a transformar nossa educação em algo de qualidade compatível com os investimentos é o grande segredo. 
Entretanto, todos sabemos que no Brasil recursos são sempre vilipendiados e desviados para outras finalidades e pessoas, sendo assim, mesmo que o improvável aconteça, e o Ministro Cid Gomes faça uma grande gestão, caberá a ele além de implantá-la, fiscalizá-la de forma ferrenha, coisa que passa de factível para uma enorme ficção científica.
Acreditar que Cid Gomes fique até o final dos quatro anos é uma aposta de alto risco. Agora, acreditar que ele ficará e ainda por cima tratará a educação e toda estrutura que a compõe com respeito, dignidade e a atenção que merece é uma aposta perdida.
O Brasil tem tantos problemas na área da Educação que não seria possível resolve-los em quatro anos, mesmo que toda estrutura do ministério, das secretárias, das autarquias e fundações trabalhassem 24 horas por dia. Porém, seria um excelente começo se as promessas saíssem do papel e o trabalho ao menos começasse a ser realizado.
Fazer uma Copa do Mundo é fácil, basta erguer estádios e firmar alguns compromissos. Transformar a Educação do Brasil tirando-a dos patamares ridículos em que se encontra para equipará-la com países como o Chile, China e Finlândia é algo que está anos luz desta gente que nos governa. Falta capacidade, inteligência e vontade política.
Portanto, Dilma criou um belo slogan, nada mais. Assim como: “Um país de todos”, “Brasil – País rico é país sem pobreza” esse “Brasil, pátria educadora” será mais uma peça publicitária usada em revistas, jornais, outdoors, mas não será uma feliz realidade para nossa infelicidade nos próximos quatro anos.

O fim do Caixa "2" precede a discussão sobre o financiamento das campanhas eleitorais!

"Todo governo que não age na base do princípio da
república, isto é, que não faz da 'res publica' o seu 
“objetivo completo e único, não é um governo bom.” 
Thomas Paine.

Antes de começarmos a discutir a Reforma Política tão sonhada pela sociedade civil brasileira, precisamos acertar algumas coisas para não fazermos papel de bobos outra vez, como em decisões anteriores que acabaram sendo tomadas e não se traduziram em algo que o país realmente quisesse.
Uma das muitas coisas a serem discutidas à exaustão é a questão do financiamento público ou privado das caríssimas campanhas eleitorais, cujos orçamentos são obscenos.
Hoje, funciona o sistema de financiamento privado das campanhas eleitorais, onde quaisquer pessoas física ou jurídica do direito privado podem doar com as campanhas dos políticos brasileiros, no máximo, 10% ou 2%, respectivamente, da sua renda auferida no ano anterior. A lei prevê multa de cinco a dez vezes o valor que exceder esse percentual.
A lei ao tentar coibir doações vultosas pretende impedir que o candidato, se eleito, possa ter a “obrigação” de atuar em prol de seus colaboradores ao invés de fazê-lo na direção do bem comum.
Neste sentido muitas pessoas entendem que a solução seria proibir as doações de pessoas físicas ou jurídicas do direito privado. As campanhas seriam financiadas pelo Estado brasileiro, que estipularia valores máximos a serem gastos em cada campanha eleitoral nos diversos cargos a serem preenchidos.
Assim, além dos recursos que são carreados para o Fundo Partidário, que deixam nos cofres dos partidos políticos (em torno de R$ 380.000.000,00/ano), o contribuinte arcaria também, integralmente, com as despesas das campanhas eleitorais.
O grande problema que não esta sendo discutido nem levado em consideração é que sempre tivemos o fato de muitas doações serem feitas de forma ilícita, sem que sejam declaradas nas contas dos candidatos e, portanto, à margem dos controles oficiais.
É o que, chamamos de “recursos não contabilizados” ou o famoso Caixa “2”. O cidadão comum indagaria com toda razão:
_ Se existe a possibilidade real de haver “recursos não contabilizados”, vedados pela lei, serem injetados nas campanhas eleitorais, de que adiantaria implantarmos o financiamento público?
Os recursos ilícitos não continuariam vinculando a atuação dos eleitos em favor dos seus doadores ilegais? Não seria melhor, então, ao invés de alterar na lei a fonte lícita dos recursos, aumentar e fortalecer os meios de fiscalização sobre as fontes ilícitas?
A impunidade crescente e obscena no país precisa ter um fim, para que em seguida, com uma Justiça forte e segura, possamos começar a pensar as Reformas que o país tanto precisa, na esfera política, econômica e social. Sem isso, estaremos apenas transferindo recursos de um cofre para o outro sem que haja o mínimo cuidado com a segurança dessa transferência.

Presídios com a cara dos governantes!

“A justiça atrasada não é justiça,
senão injustiça qualificada e manifesta"
Rui Barbosa


Depois da sociedade brasileira assistir atônita imagens violentas e surreais no Presídio de Pedrinhas em São Luis no Maranhão, surgem meses depois, em pleno começo de 2015, imagens de um presídio mal administrado, desta vez no Estado de Pernambuco.
O presídio Frei Damião de Bozzano o maior de Pernambuco mostrou cenas de presos cavando tuneis, caminhando livremente pelo interior do mesmo, portando facões, facas e outros objetos como se estivessem em seus domínios.
As cenas são lastimáveis e depõe contra o inepto governo de Pernambuco e o omisso Ministério da Justiça do Governo Federal. A Justiça brasileira que com certeza não fica mais envergonhada ao ver estas cenas, não poderia aceitá-las como algo normal no sistema penitenciário do Brasil.
Um lugar que deveria ser exemplo de austeridade, onde criminosos deveriam estar confinados dentro de um rigor absoluto, demonstra a total falta de seriedade desta escória que nos governa, nos cobra impostos e nos dá em troca um serviço como o deste Presídio em Pernambuco ou de Pedrinhas no Maranhão.
Como em outros casos escabrosos que as imagens das câmeras de televisão nos mostram, mais uma vez ninguém será punido, demitido ou afastado de suas funções. Os presos continuarão vivendo nestas pocilgas como se estivessem numa zona de meretrício a céu aberto.
O governador do Estado Paulo Câmara não tem desculpas, pois apesar de ter tomado posse no dia primeiro deste ano, fazia parte do governo anterior como Secretário de Finanças do Estado. Logo, sabia da falta de investimentos, da carência absurda de gestão e decência no trato da coisa pública em seu Estado.
O partido do atual governador (PSB) está no poder naquele Estado desde 2007. Tempo mais do que suficiente para ter resolvido ou minimizado as condições precárias que as imagens mostram do Presídio Damião de Bozzano. Sem contar que o falecido governador Eduardo Campos também esteve no comando do Estado e nada fez para mudar esta situação.
Os governadores costumam culpar o excesso de lotação e a falta de verbas federais nestas situações. A meu ver, ambas são contornáveis e deveria ter sido objeto de processos e demandas junto às autoridades federais do Poder Executivo e Judiciário, coisa que provavelmente nunca foi realizada. A arrogância dos governantes contrasta com sua submissão ao serem pegos de surpresa em situações como esta no presídio da mãe Joana em PE.
O Brasil possui um sistema penitenciário que envergonha a todos. Acumulando presos com acesso a celulares, armas de toda espécie e controle de gangues fora do complexo penitenciário onde estão reclusos. Sem contar que os presos brasileiros possuem benesses que nenhum outro país concede como redução de penas de forma progressiva, indultos e visitas conjugais, etc.
Falta vergonha na cara, falta trabalho e honestidade aos governadores e as autoridades federais envolvidas direta ou indiretamente nestas situações dos presídios brasileiros. Os responsáveis deveriam ser penalizados até com a perda de seus mandatos por conta de gestões pífias como estas dos presídios brasileiros. Vejam matérias com imagens do absurdo da administração prisional de Pernambuco abaixo: 


24 de dezembro de 2014

50 tons de lama - 1964-2014

Tem políticos que aspiram
tornar-se Mickey Mouse...
Ser tão encantador que as pessoas
esqueçam que eles são ratos.
Autor desconhecido

Por mais que sejamos otimistas e estejamos mau acostumados com o jeito do Brasil caminhar para frente, aos tropeços, muitas vezes por osmose, e quase nunca por desenvolvimento agregado e solido conquistado por uma política séria e consistente os últimos anos tem sido muito difíceis para nosso país.
Até 1964 vivíamos uma democracia que começava a descobrir seu caminho quando um golpe militar ceifou por vinte e um anos o amadurecimento daquela democracia que estava instalada no Brasil, desde a década de trinta.
Em 1985, o regime militar cedeu espaço e negociou sua saída com duas exigências sabidas: Primeiro que a eleição para escolha do novo mandatário fosse indireta, assim o foi entre Tancredo Neves (MDB) contra Paulo Maluf (PDS). A outra exigência era a anistia aos envolvidos no período sangrento da ditadura que estava terminando.
Ambos foram atendidos e meses depois Tancredo vencia, adoecia e morria sem tomar posse da então chamada Nova República. Por algumas semanas, o país parecia órfão, nas ruas notava-se a tristeza no semblante dos transeuntes e a nítida impressão que a grande chance de uma guinada havia sido abortada pelo destino.
Assume José Sarney, que dispensa comentários quanto a sua péssima imagem de político e gestor público. Fazendo jus a fama, nada fez e se perdeu em meio a politicagens e planos que até hoje causam tomento a economia brasileira nos tribunais.
A troca efetiva de poder começou com sua saída em 15/03/1991, tomava posse Fernando Collor de Mello, um mandato curto, interrompido pelo impeachment imposto pelo Congresso Nacional em 29/12/1992, ficou menos de um ano no poder e igualmente a Sarney, impôs um Plano econômico que trouxe prejuízos e gerou muita insatisfação no seio da população brasileira ao bloquear contas correntes e até a poupança.
Perto do que estamos vendo nos últimos vinte anos seu impeachment seria transformado em ligeira admoestação e considerado pena leve pelo Congresso Nacional.
Sua saída trouxe o vice ao poder pela segunda vez consecutiva, assumiu Itamar Franco, que implantou o Plano Real e possibilitou a ascensão de FHC ao poder nas eleições seguintes em 1994.
FHC cometeu erros, acertos, deixou a economia nos trilhos, porém com seu ego maior que o Cristo Redentor equivocou-se na política de privatizações, lutou para comprar o direito à reeleição, algo que até então não havia. Assim, conseguiu através de sua agenda oculta, impor ao país a malfadada e perigosa reeleição para as três instâncias do poder executivo.
O PSDB com FHC ficou oito anos no poder e não impôs uma agenda de grandes reformas e deixou de lado justamente o que dele mais se esperava, a educação. Teve tempo, apoio no Congresso e mesmo assim não enviou um Projeto de Reforma do Sistema Educacional do país.
Os anos que se seguiram a sua saída nós ainda estamos vivendo, com o PT no poder. Quando se pensava que os trabalhadores teriam voz e acesso aconteceu o contrário: o distanciamento do trabalhador com relação ao poder do país. Os sindicalistas, amigos de Lula, tomaram boa parte dos cargos no segundo e terceiro escalão e o transformaram numa máquina de triturar as empresas.
Os benefícios sociais implantados no governo FHC foram estendidos à exaustão e usados como programas eleitoreiros, embora tenham ajudado num certo momento o poder de compra dos mais prejudicados na sociedade brasileira. Porém, sem uma economia sustentável e um processo de distribuição de oportunidade com empregos e redução de impostos o que era bom tornou-se algo facilmente criticado.
Não houve combate à corrupção de forma sistemática e firme nos últimos 25 anos no país. Nunca se roubou, desviou e enviou tantos recursos para paraísos fiscais e para contas no exterior como neste período da recente história democrática do país. A atuação da Polícia Federal no governo Lula e Dilma contrasta na inversa proporção com medidas que pudessem evitar tantas bandalheiras nas Estatais e em segmentos diretos e indiretos do poder central.
Assistir telejornal é saber que a cada semana novos escândalos estarão na pauta e ficarão torturando os brasileiros que já sabem que raramente alguém será preso e ainda mais raramente os recursos roubados serão devolvidos ao erário.
Não há no país um oásis onde possamos desfrutar de uma vida sem fraudes, sem desvios de verbas, sem roubos. Onde há dinheiro público têm corruptos e corruptores rondando a espera do golpe. Somos uma Nação para lá de cinzenta, estamos na lama e não vejo saída, nem solução a médio e longo prazo que me possa dar um pouco de esperança quanto à vida dos meus filhos e netos nessa república do jeitinho para tudo.