Meu livro "O Humor no Trabalho"

Meu livro "O Humor no Trabalho"
A venda nas Livrarias Asabeça, Cultura e Martins Fontes
Loading...

22 de novembro de 2014

As mãos sujas!


Admitia um parlamentar do Partido Democrata-Cristão da Itália, envolvido na célebre Operação Mãos Limpas: “Os partidos são máquinas de caça-níqueis”. A frase será certamente muito apreciada por todos aqueles que enxergam nos políticos em geral outros tantos ladrões. Nem por isso vale em todas as circunstâncias, embora em parte não destoasse quando foi pronunciada e tampouco destoe no Brasil de hoje.
Pretende-se semelhança entre a nossa Operação Lava Jato e a Operação Mãos Limpas dos começos dos anos 90. Ambas visam devassar e condenar esquemas corruptos, mas há mais diferenças do que parecenças. Aquelas, de saída. Tanto a Mãos Limpas quanto a Lava Jato resultam de uma investigação inicial a respeito de fato e personagens de porte miúdo. Tampas pequenas para panelões ferventes.
As duas operações apresentam os rostos de figuras centrais, o PM Antônio Di Pietro e o juiz Sérgio Moro. Na Itália, o grande inquisidor Di Pietro foi logo secundado por um pool de juízes e a operação levou à cadeia mais de mil cidadãos, atingidos ao cabo por condenações inflexíveis e amiúde longas. Políticos e empresários. Alguns destes mataram-se antes de ser presos. O político que dominara por dez anos, o líder socialista e primeiro-ministro Bettino Craxi, condenado a oito anos de cárcere, fugiu para a Tunísia, a salvo da extradição.
A comparação entre o PT e o PCI exibe outra diferença. Ao contrário daquele, a se revelar igual a todos os demais partidos brasileiros, não houve condições de provar que políticos comunistas de qualquer escalão tivessem embolsado um único, escasso tostão, conquanto não fossem isentados de meticulosas investigações.
O desfecho da Mãos Limpas foi a implosão da Primeira República, nascida no imediato pós-Guerra. Nem sempre este gênero de terremoto produz bons resultados, além do ataque à corrupção, eficaz de saída. No vazio de poder que se seguiu, ao vir à luz a Segunda República, instalou-se um predador clownesco chamado Silvio Berlusconi, enquanto o PCI mudava de nome, chamuscava a sua identidade e se perdia em disputas internas.
Eis aí uma lição que seria oportuno aproveitar: a antipolítica sempre desagua em desastre. Em nome da negação da política, tida como origem de todos os males e de todas as mazelas, as ideologias chamadas a nutrir o debate responsável são abandonadas em proveito do desarme da consciência. Ou, por outra, da promoção da ignorância, do preconceito, do equívoco. No Brasil, um pensamento antipolítico leva ao fortalecimento da casa-grande e incentiva a mídia nativa no seu esforço de despolitização de quantos a lêem ou ouvem.
Aonde nos conduz a Operação Lava Jato não é fácil prever. Creio que o juiz Moro queira apenas e tão somente fazer justiça e creio que esta venha a ser aplicada com todo o rigor. Tenho outra certeza: este processo vai confirmar o pecado capital da política à brasileira, cometido desde sempre. Gostaria, portanto, que outros fatos a enodoar o passado da política brasileira viessem à tona, inclusive os ocorridos em tempos recentes, antes da primeira vitória de Lula.
Pois então, em um arroubo de pacata ilusão, proponho: chamemos o tão falante Fernando Henrique Cardoso, erguido no alto de livros que ninguém leu, para que explique como se deu a privatização das Comunicações, a maior bandalheira da história do Brasil. Ou de como foi feliz na compra de votos para conseguir a sua reeleição. Ou de que maneira foram enterrados os casos Sivam e Pasta Rosa. Nesta terra pretensamente abençoada por Deus, uma multidão implora pelo definitivo triunfo da moral, com M grande, e não se incomoda com quem inaugurou a transgressão. A maioria, por viver no limbo, alguns por hipocrisia.
Se a Operação Lava Jato cumprisse o cauteloso vaticínio da presidenta Dilma, ao imaginá-la capaz de provocar uma mudança positiva nos hábitos políticos do País (e eu gostaria se também fossem comportamentais para a sociedade em peso), que bem venha. Até para impedir, daqui para a frente, que somente pobres e petistas sigam para a cadeia.

por Mino Carta — publicado 21/11/2014 05:57

18 de novembro de 2014

Empresa e seu Fundo de Pensão entregam tudo!

“Somos uma empresa, instituição de inteligência,

que em qualquer época com ou sem crise, 
terá lugar assegurado. Os governos passam, nós ficamos”. 
Júlio Bozano

Durante muitos anos ouvimos as pessoas dizerem sem constrangimento ou medo de errar que a Empresa dos Correios e Telégrafos era a melhor empresa estatal do país. Assim foi durante muitos anos até que começou a terceirizar em demasias seus serviços, abrindo agências que são gerenciadas por terceiros no país inteiro.
Seria impossível imaginar que a empresa, antes sólida conseguisse sobreviver a onda de corrupção que assolou o país nos últimos vinte anos em especial. Conseguir passar pela onda privacionista já foi uma vitória e tanto, porém, passar incólume a corrupção seria muito difícil.
No início do mensalão, aparecerem indícios com dirigentes envolvidos na propinolândia que se transformou no chamado Mensalão do PT e partidos aliados. Agora vem à tona em meio as denúncias da Petrobrás, uma bombástica matéria publicada pela Revista Época que demonstra que a rapaziada não perde tempo quando o assunto é desvio, roubos, falcatruas, fraudes e outras modalidades contra o erário.
Segundo a denúncia da revista, em janeiro de 2012 uma empresa de fachada chamada Latam Real Estate New Zeland foi aberta em Wellington, por coincidência instalada no mesmo prédio da Embaixada brasileira na Nova Zelândia há 12.000 mil quilômetros do Brasil.
Com menos de dois meses de sua criação a empresa abriu uma filial em São Paulo e quinze dias depois comprou um terreno de 220 mil m² em Cajamar, a 45 quilômetros de São Paulo. Em 25 de maio, ou seja, menos de seis meses de sua criação e há apenas dois meses no Brasil já vendeu o terreno para a Postalis – Fundo de Pensão dos empregados dos Correios. A transação saiu por R$ 194 milhões.
No ano de 2013 a Postalis apresentou um rombo financeiro de R$ 1 bilhão nas economias dos carteiros, resultado de investimentos furados e sob investigação em instituições financeiras que foram à lona, como os bancos BVA, Cruzeiro do Sul e Oboé. Quem decidia suas aplicações, pasmem, eram diretores indicados pelo PMDB. Sob o comando de um presidente petista desde 2012.
Voltando ao terreno, a Postalis deu uma ajuda aos Correios que precisava de um terreno em Cajamar para erguer seu novo centro de logística, mas seu caixa não comportava a aventura. Vejam que lindo e meigo é essa parte que segue agora: O então Deputado Federal João Paulo Cunha, atualmente preso na Papuda pelo escândalo do Mensalão, conversou com o presidente do Postalis e intermediou a compra. 
Também participou do negócio um famoso empresário dono de empresas de rádio e empreendimentos imobiliários. O Postalis topou comprar o imóvel e aluga-lo aos Correios durante dez anos, por R$ 210 milhões. Mas se deu mal, o local que deveria estar pronto, só deverá começar a funcionar em 2015. Até lá a Postalis não receberá um centavo dos Correios.
Não foi a primeira vez que a Postalis se aventurou em negócios imobiliários duvidosos. Em 2012 já havia comprado um terreno de 73.000 m² por R$ 123 milhões. Seria para construção do Centro de Cartas e Encomendas de Brasília, mas o mato cresce no local dois anos depois da compra.
Se uma auditoria fosse possível de ser realizada em todas as empresas estatais, fundações, autarquias e demais segmentos diretos e indiretos que recebem dinheiro público simultaneamente o resultado seria trilionário em termos de desperdícios, mau uso, desvios e corrupção. Motivo pelo qual, de vez em quando ficamos sabendo de um caso aqui outro acolá. Talvez para nos poupar de um trauma ainda maior.
Coincidentemente tanto a Petrobrás como os Correios gastaram milhões em publicidade nos últimos anos. Depois da propaganda enganosa vem a dura e cruel realidade. Que Deus tenha piedade dos empregados quando estes se aposentarem e mais precisarem dos recursos poupados como previdência privada para auxilio a miséria que receberam do INSS.

12 de novembro de 2014

Criminosos do mundo sejam bem vindos ao Brasil!

Os que repudiam a violência podem repudiar,
pois outros praticam violência em nome deles.

George Orwell

       No Brasil não temos tempo para pensar que já vimos tudo, pois na sequência assistimos algo ainda pior ao fato anterior que pode ter lhe indignado profundamente. Temos leis em excesso, na mesma medida em que elas são excessivamente brandas e beneficiam muito mais do que penalizam os criminosos comuns ou do colarinho branco.
Nos acostumamos a ouvir que o Brasil é o paraíso da criminalidade, da impunidade e da desfaçatez humana. Não é para menos, sempre temos histórias reais que nos chocam, levando-nos a pensar em sair deste país, ou fazer como a imensa maioria: resignar-se.
A bola da vez é um sujeito do outro lado do mundo, na Oceania, mais precisamente na pacata Nova Zelândia, que abusou sexualmente de um menino de sete anos de idade e em seguida matou o pai do garoto com requintes de crueldade.
Ele é preso, julgado, condenado à prisão perpétua em seu país. Seu nome é Philip John Smith, 40 anos e o assassinato aconteceu em 1.995. Assim como no Brasil, as autoridades penitenciárias da Nova Zelândia permitiram um mini indulto ao facínora. A permissão seria de três dias para supostamente visitar familiares, mas o assassino aproveitou a deixa e com ajuda prévia externa conseguiu embarcar para Santiago do Chile e rumar em seguida para o Paraíso da Impunidade das terras brasileiras.
Entrou em nosso país pelo Aeroporto Internacional de “segurança máxima” Cumbica, onde ficou três horas antes de rumar para o Rio de Janeiro, podendo estar acomodado numa das muitas comunidades repletas de traficantes, bandidos e marginais de toda espécie.
A Interpol pediu colaboração da nossa Polícia Federal que está procurando o assassino, pedófilo e monstro neozelandês, enquanto a Nova Zelândia já começa a ficar preocupada com a escolha do seu criminoso. Por quê? Eles já sabem que não temos tratado de extradição com seu país. E o pior, segundo as nossas “rigorosas” leis, caso ele seja preso e deportado, só poderá cumprir a pena máxima brasileira no seu país de origem.
Ao invés de cumprir a merecida pena de prisão perpétua, o canalha teria de cumprir em tese o que lhe faltar para completar 30 anos de prisão. Se ele já cumpriu 8 anos por exemplo, teria de cumprir 22 aninhos e estaria solto graças a combinação bombástica da legislação dos dois países a saber:
A Nova Zelândia por permitir que alguém que cumpre prisão perpétua possa sair para visitar parentes. E o Brasil por obrigar o país de origem a usar a excrescência de nossa lei penal a ser cumprida por um deportado.
Não é à toa que o italiano Cesar Battisti, este neozelandês e tantos outros assassinos, terroristas e facínoras amam o Brasil. Para onde Ronald Biggs fugiu após o roubo do século na Inglaterra? Aqui é o melhor lugar do mundo para criminosos. Nossa Justiça dá guarida, ajuda e beneficia a todos com leis brandas, omissão, lentidão processual e muitas benesses.

Exemplo de uma sociedade doente!

Não odeies o teu inimigo, porque, se o fazes,
 és de algum modo o seu escravo.

O teu ódio nunca será melhor do que a tua paz.
Jorge Luis Borges


Após uma eleição marcada pela discriminação, pelo ódio, pelas mentiras e a profusão de acusações nem sempre verdadeiras de lado a lado, alguém da sociedade mostra seu lado mais perverso, cruel e ignóbil que se poderia ver através das imagens que não deixam dúvida alguma de que alguns membros da nossa classe média alta precisam de tratamento psicológico urgente.
Uma câmera de segurança previamente instalada e de conhecimento de todos no condomínio localizado na Zona Norte paulistana, filmou uma sequência absurda, medieval e indescritível de uma violência sem igual de uma mulher contra um menino portador de necessidades especiais.
O garoto de apenas nove anos de idade que havia acabado de chegar da escola nada fez que justificasse a selvageria da inculta, rude e intratável mulher que o agrediu como se estivesse numa arena medieval. Sem contar que ela cometeu o ato de agressão na frente de sua filha, qual o exemplo ela espera ter deixado para sua menina?
Por mais que possamos procurar, nada do que a ignóbil possa alegar é justificável diante das imagens de sua agressão gratuita e covarde. Fossem nossas leis rigorosas e ela não poderia sequer sair da cadeia sem pagar fiança elevadíssima.
Ela deveria aguardar na prisão feito um animal peçonhento até que um juiz se digna-se a ouvi-la e julgá-la. Ao contrário, a tresloucada já prestou depoimento a delegacia e saiu assim como chegou, em total liberdade.
Vai continuar sua vidinha tosca, quem sabe agredindo mais um jovem, um zelador ou quem sabe um vizinho e a vida seguirá com sua imensa mediocridade a acompanha-la sem que haja justiça, seriedade e as pessoas possam estar em segurança dentro de seus imóveis ou no acesso a eles, como no elevador por exemplo.
No máximo essa criatura vai responder por lesão corporal, agressão, etc. Processada? Não creio. Esse é o grande incentivo que pessoas selvagens nos elevadores, nos condomínios, no trânsito em especial recebem da justiça do país em que vivemos. Benefícios, lentidão da justiça, emaranhado processual burocrático e confuso para que as coisas continuem como estão no Império da Criminalidade.
Não há perspectivas de melhoras num país, quando sabemos que professores são agredidos em salas de aula. Jovens matam dentro das escolas por conta de namorados (as) e pessoas desqualificadas como essa senhora agridem crianças indefesas, mesmo sabendo que estão sob as imagens de uma câmera de vídeo num elevador em seu próprio condomínio residencial.
Colocá-la numa cela é um castigo para os que com ela teriam de conviver, pois pessoas assim precisariam ficar isoladas no meio da selva, voltando às suas origens selvagens, grosseiras e primitivas. Vejam as cenas gravadas no elevador no link abaixo:

7 de novembro de 2014

Entrevista concedida pelo autor para o Portal do Escritor

Entrevista com Rafael Moia Filho - Autor de: O HUMOR NO TRABALHO


Rafael Moia Filho

O autor trabalhou na Cesp em São Paulo, prestou serviço à Fundação CESP entre 1977 e 1995. Em 1996, fixou residência em Bauru, SP, por onde se aposentou em 2011, depois de 38 anos de atividade.
Este trabalho é fruto da sua observação e de muitos colegas que com ela colaboraram, era aguardado ansiosamente por aqueles que participaram dessa época profissional citada neste livro. O Humor no Trabalho retrata um período de prosperidade, crescimento profissional, onde o humor convivia diariamente com todos os aspectos da administração moderna e das normas vigentes.
O autor lançou em 2012 sua primeira obra O Tempo na Varanda. Há tempos escreve semanalmente para dois sites, é colaborador do Jornal da Cidade de Bauru e Vice-Presidente da ONG Batra - Bauru Transparente, entidade que combate a corrupção e trabalha com projetos de cidadania.

Conheça mais sobre o Rafael acessando seu Blog, falandoummonte.blogspot.com.br ou pelo twitter @rafamfilho

O Humor no Trabalho

Ao longo dos últimos anos sempre relutei em começar a escrever um pedaço importante de minha trajetória profissional em uma grande empresa. Entretanto incentivado pelos amigos que vivenciaram boa parte das estórias que contarei a seguir, e também pela crença de que o humor no trabalho é algo que me faz acreditar numa relação direta com a produtividade e o crescimento profissional e pessoal, tanto dos indivíduos como das organizações, resolvi tornar público alguns desses momentos de muito bom humor e descontração.
São momentos mágicos aliados a uma fase muito interessante do desenvolvimento da própria empresa, que começou com vinte e poucos empregados em 1969 e que em 1.994 possuía aproximadamente 1.300 profissionais em seu quadro de pessoal, na maioria jovens talentos promissores admitidos no mercado de trabalho paulista.
As estórias são engraçadas, mas muitas vezes difíceis de acreditar que tenham ocorrido numa empresa minimamente séria. Mas ocorreram e foram testemunhadas por muitos empregados, que por seu quadro de pessoal passaram ao longo de pelo menos dezoito anos.
O humor não tem sexo, religião, nem cor e pode ser praticado de forma democrática desde o Office Boy até o Presidente sem quaisquer problemas de ordem hierárquica. Na verdade essas brincadeiras jamais prejudicaram a realização de quaisquer tarefas ou impediram o crescimento acelerado da empresa nos dezoito anos em que por lá estivemos. 
Boa leitura e bom humor em sua vida, seja no trabalho ou em qualquer outra atividade que esteja desempenhando.
Olá Rafael.  É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O livro procura relatar histórias de humor acontecidas num determinado período profissional do autor. Elas mostram que o humor é essencial para o crescimento profissional e o alto desempenho das pessoas e da empresa quando bem canalizados.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
O Humor no trabalho é meu segundo trabalho literário, o primeiro foi O tempo na varanda, uma coletânea de poesias. Com isso completei o caminho de plantar árvores, ter filhos e escrever livros. Espero continuar trilhando esse caminho literário com mais trabalhos e se possível na Editora Scortecci.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Um verdadeiro sacerdócio, custa caro editar um livro, muito difícil tê-lo nas bancas das grandes livrarias, difícil negociar e vender literatura no país. Espero que isso mude com o passar do tempo.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Procurei pela internet após ouvir relatos de amigos que me falaram super bem da Editora.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Num mundo tão estressante em que vivemos nunca é demais rir, ler e relaxar com histórias engraçadas da vida cotidiana de um grupo de amigos que levavam a sérios suas profissões, porém, aprontavam situações engraçadas que marcaram uma época em nossas vidas.

Obrigado pela sua participação.


6 de novembro de 2014

Um exemplo prático de um cidadão, que deve ser seguido!

“Política é a arte de conciliar os interesses próprios,
fingindo conciliar o dos outros”. Menotti Del Picchia


Um caso isolado na cidade serrana de Botucatu – SP me chamou a atenção nesta semana. Um aluno da FMR - Faculdade Marechal Rondon naquela cidade usando dos mecanismos existentes à disposição da sociedade brasileira, normalmente ignorados, enviou ao MP – Ministério Público uma representação questionando a existência de oito cargos comissionados na Prefeitura que estariam em desacordo com a lei.
O MP no começo se ateve aos oito casos que eram referentes aos cargos de comissão da Assessoria Jurídica da Prefeitura, porém, ao investigar de forma mais ampla percebeu que haviam mais irregularidades em outros setores do poder executivo de Botucatu.
Os cargos estavam em desconformidade com a Lei Complementar criada em 13/12/11, naquela cidade, para a criação de cargos de provimento em comissão sem descrição adequada das respectivas atribuições. E que, não correspondiam as funções de direção, chefia e assessoria em sentido escrito.
Todos estes cargos deveriam ser preenchidos através de concursos públicos. O que gera um enorme desconforto aos Prefeitos e Vereadores do Brasil. Motivo, os prefeitos não querem contratar profissionais fixos para executar o trabalho e os Edis odeiam isso por que o concursado “tira” a vaga de um possível apaniguado, apadrinhado ou famoso “Q.I” que significa no jargão popular “Quem Indicou”.
Os cargos criados em Botucatu são de funções técnicas, burocráticas, operacionais e por isso estão fora do que rege à lei para os casos de comissionamento. Nestas situações, deveriam ser ocupados por funcionários de carreira ou contratados mediante concurso público.
Se todos agissem como o jovem estudante de direito Fabiano Roque, com certeza os prefeitos das demais cidades do nosso país estariam mais atentos ao cumprimento estrito das leis. A ação do jovem botucatuense mostra a todos que o processo de participação democrática não se encerra com o ato de votar nas urnas, mas sim, com a participação efetiva de fiscalização constante dos eleitos durante seus mandatos de quatro anos.
Leis existem, mecanismos diversos para fiscalização, cobrança e ação judicial também estão à disposição dos brasileiros, basta estar interessado, ter coragem e ser cidadão na acepção da palavra. Os políticos eleitos são servidores públicos afetos as leis e regras tais quais os demais servidores dos municípios, estados e do governo federal. São eles que nos devem satisfação e não o contrário, portanto, sigamos o exemplo do Fabiano e comecemos a cobrar e incomodar os que estiverem agindo em dissonância com as leis no país.

A vitória na democracia dos ausentes!

Há muitos caminhos para chegar ao mesmo lugar.
Velho ditado Apache

Ao final do segundo turno para as eleições presidenciais no Brasil os dois lados e seus milhões de eleitores começaram uma discussão ferrenha buscando saber quem foram os responsáveis ou “culpados” pela derrota de um e a vitória do outro.
Difícil definir de forma exata e matemática o porquê das duas coisas. A vitória e a derrota numa eleição em segundo turno é normalmente difícil de ter explicações resolutas, definitivas acima da emoção e do calor da forte disputa ocorrida durante meses.
O que muito não analisam e muitas vezes nem prestam a devida atenção é que votar é um direito universal que conseguimos em sua plenitude depois de milhares de anos em que a humanidade evoluiu lentamente desde os tempos matriarcais até o século XXI.
No princípio da democracia mesmo no Brasil poucos tinham a oportunidade votar e eleger seus representantes. Foi assim no começo da Proclamação de República, quando as mulheres, analfabetos, escravos ou homens recém libertados da escravidão não podiam exercer este direito sagrado de votar.
Hoje no Brasil podemos votar livremente e somos milhões com este direito garantido em nossa Constituição Federal, em acordos e tratados internacionais assinados pelo Brasil e mesmo assim muito abrem mão deste direito e da participação na festa da democracia nacional.
O Brasil possuía no momento das eleições 149.962.964 eleitores aptos a exercer sua cidadania votando na eleição de 2014. Porém tivemos apenas 105.542.273 votos válidos, ou seja, 37.279.085 eleitores se “ausentaram” da eleição através da abstenção ao voto, votando nulo ou branco.
Esse exército de pessoas maior que a população do Canadá por exemplo, poderia e com certeza faria a diferença no resultado final do pleito ora encerrado. Afinal de contas a diferença entre os dois candidatos ao final do segundo turno foi de 3.459.963 votos. Tanto a vencedora poderia ter uma margem ainda maior como o perdedor poderia ter ganho a eleição caso tanta gente não se ausentasse da eleição.
É normal que haja em toda eleição um total de 10% a 15% de abstenções, mas no segundo turno tivemos 21,10% no Brasil. Os eleitores que votaram nulo e branco somaram 7.141.606. Superando também a diferença entre os dois candidatos ao final da eleição.
Essa ausência pode e com certeza tem várias explicações, mas nenhuma delas consegue justificar esse ato abominável do brasileiro de dar um jeitinho em tudo e depois ficar reclamando dos demais. Esse exército de cidadãos de segunda classe normalmente deveriam pagar impostos, enfrentar as mesmas dificuldades que todos enfrentamos em nosso país, então porque o ato covarde de não exercer seus direitos quando mais se precisam deles.
Como bem definiu o Professor de Filosofia Silvio M. Maximino em texto publicado no Jornal da Cidade: “A qualidade dos eleitos só irá melhorar se a cultura mudar. Não é preciso que todos mudem. Basta que uma massa crítica seja atingida. Alguns nos dirão: mas o poder econômico nos esmaga e manipula o sistema, seja ele qual for. Parece uma luta injusta: um Davi contra um Golias... mas Davi venceu por fim, mesmo sendo menor e fisicamente mais fraco”.
As mudanças têm de acontecer e elas envolvem o sistema eleitoral, passando por uma ampla reforma política aonde o eleitor possa vir a discutir previamente com os candidatos as propostas a serem levadas para a campanha. Mas uma coisa precisa mudar com urgência: O cidadão brasileiro precisa levar a sério o ato de votar e de sua participação em todo processo político do país, sem o qual fica impossível atingirmos um patamar acima como Nação livre e democrática.

Com quem você pensa que está falando?

“A coragem é a primeira das qualidades
humanas porque garante todas às outras”.


Correu as páginas das redes sociais e da mídia mundial o ato de coragem de uma servidora pública do RJ e a estranha decisão da justiça com relação ao processo movido contra agente por alguém que se acha Deus, ou tem certeza. Segundo a decisão do 18º JEC – Juizado Especial Criminal do RJ a agente foi condenada a pagar uma indenização de R$ 5 mil reais por suposto abuso de poder ao juiz.
Tudo começou quando a agente estava trabalhando numa blitz da Operação Lei Seca quando abordou o veículo do juiz que se negou a fazer o exame do bafômetro, estava sem a sua CNH, com seu veículo sem placas e sem a documentação do mesmo. O veículo foi guinchado ao pátio da Polícia de Trânsito.
Enquanto isso o magistrado que estava completamente errado e deveria dar o exemplo na situação, preferiu acusar a agente de “abuso de poder” e zombaria. Tudo isso porque num determinado momento ela disse ao magistrado: “O Senhor é juiz, não Deus” então não pode tudo.
Esses casos ainda ocorrem com uma certa frequência em blitz pelo país adentro, onde políticos, empresários e até membros do poder judiciário tentam a famosa “carteirada” ou ainda usam a velha frase “Você sabe com quem está falando”?
Com certeza a agente sabia com quem estava falando – Um sujeito normal, sem razão alguma, que precisa saber mais do que ninguém que não se pode dirigir após ingerir bebidas alcoólicas e sem a sua carteira nacional de habilitação e a documentação do veículo.
A única saída para o infrator de toga seria tentar pressionar e se não conseguisse êxito tentar lavar a alma ferida na própria casa (Judiciário) onde teria vantagem no jogo, visto que, aquele que fosse julgar o caso estaria de cara intimidado com uma das partes do processo.
O 18.º JEC da cidade do Rio de Janeiro perdeu uma raríssima oportunidade de colocar este cidadão infrator, arrogante e que se acha dono do poder no seu pequeno ou mesmo minúsculo lugar. Pena, pois a agente ganhou notoriedade e respeito pela sua conduta e ética, não aceitando a insubordinação e a prerrogativa do cargo para julgar o fato na hora em que executava um trabalho de suma importância nas nossas ruas repletas de bêbados infelizes que matam inocentes aos milhares anualmente.
Nas redes sociais uma corrente de brasileiros solidários arrecadou mais de R$ 12 mil reais para a servidora cumpridora dos seus deveres poder pagar à custa do processo movido pelo “Zé da Carteira”.

31 de outubro de 2014

Itália e Brasil chafurdando na 3ª camada do volume morto!

O erro acontece de vários modos, enquanto
ser correto é possível apenas de um modo. 


Em 2009 o então ministro da Justiça Sr. Tarso Genro concede a pedido do presidente da república Luis Inácio Lula da Silva o status de refugiado político ao assassino italiano Cesare Battisti, preso no Rio de Janeiro em março de 2007. Condenado na Itália em 1993 à prisão perpétua por quatro homicídios praticados entre 1978 e 1979 contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofacista e um joalheiro em Milão.
O governo italiano e a justiça daquele país ficaram inconformados, reagiram diplomaticamente, entraram com recurso, porém o STF negou provimento ao pedido italiano. Por 5x4 o STF manteve no país mais um assassino, este internacional.
Alguns anos depois vem o troco italiano contra a diplomacia e a justiça brasileira. A justiça italiana acaba de decidir que o fugitivo Henrique Pizzolato, condenado no Brasil pelo mesmo STF por envolvimento no mensalão não seria extraditado ao nosso país como nossa justiça gostaria.
Tanto a justiça brasileira quanto a italiana erraram, seus governantes idem nesses dois processos que mancham a diplomacia, a justiça e a conduta de dois governantes. O Brasil ficou com um assassino perigoso em nossas ruas e perdeu um criminoso do colarinho branco.
Ambos deveriam estar cumprindo suas penas respectivamente em celas de seus países de origem sem a interferência de seus presidentes, diplomacia ou sistemas judiciários.
Mas os dois países resolveram se igualar e voltaram aos tempos da idade média. Deixando no ar que o Brasil poderá ser paraíso de criminosos estrangeiros de alta periculosidade e ver seus bandidos do colarinho branco saírem impunemente pelas nossas fronteiras em direção ao dito primeiro mundo.
Lamentável ainda que, o Ministro do STF Marco Aurélio Mello afirme que Pizzolato exerceu um “direito” de não se submeter “as condições animalescas” das penitenciárias do Brasil. Se as condições são essas porque não melhorá-las? Porque os demais presos condenados no país podem cumprir pena nesses lugares animalescos e o Dr. Henrique Pizzolato não pode? Porque a diferença de entendimento e julgamento?
Fica no ar a dúvida se o governo brasileiro queria mesmo a extradição do mensaleiro ou se apenas fez um pedido protocolar sem a ênfase e o devido esforço que a extradição do meliante requereria.
O Brasil errou feio com Lula, a Itália deu troco e se rebaixou ainda mais na sua recente decisão. Fica no ar a imagem de que os dois países e seus respectivos governantes e representantes dos judiciários chafurdaram na lama podre da terceira camada do volume morto da dignidade e do bom senso.  

Engenhão consumindo mais dinheiro público!

“Só o erro é que precisa apoio do governo.
A verdade, essa fica de pé por si própria”.
Thomas Jefferson

O Estádio João Havelange no Rio de Janeiro foi construído para abrigar os jogos Pan Americanos RJ/2007 e teve o custo final divulgado pelo Comitê dos Jogos Pan Americanos na casa de R$ 380 milhões aproximadamente. Sua inauguração ocorreu em 2007. Ele vinha sendo utilizado até 26 de março de 2013 pelo Botafogo. Desde então está interditado por conta de problemas estruturais na sua cobertura.
Mais de um ano depois e o estádio ainda não teve seus problemas resolvidos pela prefeitura do Rio de Janeiro. Chama a atenção o fato de que o Estádio foi relativamente pouco utilizado e mesmo assim apresenta problemas estruturais de grande monta, visto que, após mais de um ano não foram solucionados.
Agora que estamos no final de 2014, há menos de dois anos da Olimpíada RJ/2016, a Riourbe – Empresa Municipal de Urbanização da cidade do Rio de Janeiro vem à público lançar o edital para reformas do Engenhão para adaptação aos jogos olímpicos ao custo previsto em R$ 52,3 (Cinquenta e dois milhões e trezentos mil reais).
Imaginando que a reforma não ultrapasse o valor do edital, teremos ao final da reforma o Estádio remodelado por um custo de R$ 432,3 (Quatrocentos e trinta e dois milhões e trezentos mil reais). Sem contar que quando da construção do estádio os membros do COI, do governo estadual e da Prefeitura já anteviam a candidatura da cidade para sediar uma Olímpiada, logo, deveriam ter construído o estádio apto a receber um evento olímpico.
O mesmo fato aconteceu com praticamente todas as caríssimas instalações erguidas com dinheiro público para os Jogos Pan Americanos RJ/2007. Agora, nove anos depois o legado é a destruição do que foi feito, substituindo por novas e mais caras obras que novamente serão pagas pelo povo.
As obras do novo Velódromo se juntam ao “novo” Engenhão num processo sem fim de gastos do erário acompanhadas sempre de muitas mentiras e ilações falsas de governantes e de membros organizadores de ambos os jogos.
A cidade do Rio de Janeiro assim como o Estado fluminense tem uma carência gigante de atendimento médico de qualidade, de bons hospitais, de escolas de qualidade e de tantas obras de infraestrutura como por exemplo a região de Duque de Caxias onde os moradores enfrentam há décadas a falta de água potável e de saneamento básico. Sem contar a falta total de segurança nas ruas que é por demais conhecida de todos.
Claro que, isso infelizmente não é exclusividade do Rio de Janeiro, afinal de contas, a maior parte das cidades brasileiras é carente nas mesmas coisas citadas acima, entretanto, essas cidades não estão tendo gastos obscenos com a reforma de estádios de futebol e ginásios esportivos para modalidades olímpicas. Recursos que se bem utilizados poderiam resolver boa parte das mazelas da cidade maravilhosa.
Estranho apenas é que antes da Copa do Mundo havia muita gente lutando nas ruas contra a realização da mesma, fato que não se vê com relação aos gastos astronômicos viabilizados para a RJ/2016...

29 de outubro de 2014

De mãos dadas com o fascismo!

Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de
violência e tudo estará perdido.
Charles Chaplin

Vou começar esse texto reproduzindo um dos posts mais agressivos, preconceituosos e nocivos que já li nos últimos tempos de minha curta vida. Quem lê a primeira vista poderia pensar que se trata de um texto antigo de Adolph Hitler, mas não o é, foi escrito por Regina Zouki Pimenta em sua página do Facebook após a divulgação do resultado da eleição que culminou com a eleição de Dilma Rousseff para a presidência do nosso país.
“Hoje, qualquer suposto preconceito contra cariocas, nordestinos e baianos deixou de existir, porque virou Pós Conceito! Bando de filhos da puta que destruíram nosso país e a economia por migalhas! Desejo do fundo do coração que sejam tomados pela desnutrição, que seus bebês nasçam acéfalos, que suas crianças tenham doenças que os médicos cubanos não consigam tratar, que o Ebola chegue ao Brasil pelo Nordeste e que mate a todos! Só outra arca de Noé para dar jeito!
A autora acima citada retirou sua página do ar da rede social Facebook, talvez movida pelo medo das retaliações que poderia sofrer. Difícil discorrer sobre tamanha quantidade de palavras rancorosas, inúteis e agressivas. Difícil entender um ser humano que vive num país belo, onde a natureza dos povos citados é de uma beleza ímpar, frequentada habitualmente por gente e coisas como essa tal de Regina Zouki nas férias e nos animados carnavais.
Esse ódio, essa ignorância de quem não teve pai e mãe ou ao menos um berço na tenra idade e por isso enveredou pelos caminhos da rejeição à Deus e ao amor pode ter algumas explicações.
Uma delas talvez seja o fato de que a campanha eleitoral para a escolha do novo presidente se transformou num jogo de Mortal Kombat, onde cada candidato queria matar seu concorrente, não com ideias, não com projetos, mas sim com fortes acusações, muitas vezes maldosas e desnecessárias.
O reflexo se viu nas ruas, onde militantes dos dois principais partidos políticos se agrediram como se estivessem travestidos de bandidos (torcedores) organizados de clubes de futebol. Uma baixaria aprovada pelos candidatos que em momento algum fizeram uma reflexão sobre o que acontecia nas ruas e nas redes sociais.
Confundiram ou não sabem o que são eleições livres num regime democrático. Perderam a noção de civilidade com posts racistas e preconceituosos contra quem ousasse dizer que votaria no outro candidato que não aquele que ele (a) julgassem ideais.
Quando uma pessoa roga praga aos seus irmãos, sejam eles, cariocas, mineiros, nordestinos, não importa, é hora de pararmos e começarmos tudo de novo neste país. Tudo pode ser aceitável, menos essa intolerância, esse desamor, essa ignorância estúpida e completamente sem vínculo com quaisquer resíduos de inteligência humana.
A autora dessas ignomínias proferidas na noite de domingo 26/10/14, e todos aqueles que eventualmente compactuaram com suas excrescências em forma de palavras abjetas deveriam voltar seus pensamentos e sua vida à Deus... Enquanto ainda há tempo!
Não perdemos uma eleição, quem as perde são os candidatos e seus partidos, nós brasileiros ganhamos sempre que elas acontecem, porque somos um povo livre para votar, para escolher e para rejeitar racismo, preconceitos e todo tipo de crimes contra meio ambiente, animais e seres humanos. 

25 de outubro de 2014

25 anos depois um novo embate divide o país!

Quando as bandeiras dos partidos substituem 
os valores de nossa consciência, 
a vida e a inteligência naufragam. 
Rute de Aquino

          Em 1989, há 25 anos atrás o Brasil voltava a respirar democracia com a primeira eleição livre para presidente da república, depois de uma ditadura militar que havia cerceado o direito universal do voto do eleitor brasileiro por vinte e quatro anos (1964-1988). O país estava exultante com a oportunidade de poder eleger seu presidente nas urnas, de forma livre, democrática e com opções variadas de candidatos concorrendo por várias siglas. 
            Eram exatamente 22 candidatos no primeiro turno da eleição presidencial. Eram os seguintes os postulantes ao cargo: Affonso Camargo – PTB, Afif Domingos – PL, Aureliano Chaves – PFL, Leonel Brizola – PDT, Celso Brant – PMN, Fernando Collor de Mello – PRN, Correa – PMB, Enéas – Prona, Eudes Mattar – PLP, Gabeira – PV, Livia Maria – PN, Lula – PT, Maluf – PDS, Manoel Horta – PDC do B, Mário Covas – PSDB, Marronzinho – PSP, P.G. – PP, Pedreira – PPB, Roberto Freire – PCB, Ronaldo Caiado – PSD, Ulysses Guimarães – PMDB e Zamir – PCN.

Como podemos perceber alguns candidatos já morreram, alguns partidos não existem mais, outros mudaram de nome e alguns candidatos e partidos estão na vida política até os dias atuais. Infelizmente nunca mais tivemos uma eleição com tantas opções de candidatos e partidos concorrendo no país para o cargo de presidente da república. Os partidos preferem fazer coligações sem ideologia e sem pudor para depois conquistarem cargos e poder.
Naquela ocasião, o segundo turno da eleição teve Fernando Collor de Mello – PRN contra Luis Inácio Lula da Silva – PT. O antagonismo e a diferença ideológica eram enormes, assim como o apoio que o primeiro recebeu da mídia, dos mercados econômicos e especulativos, da imprensa internacional e das elites englobando a classe média brasileira.
Collor conquistou uma fama mentirosa de ser caçador de marajás, numa alusão a sua gestão como governador de Alagoas, quando empreendeu estrategicamente um combate a alguns funcionários públicos que recebiam salários altos e desproporcionais. Com vistas a angariar apoios na campanha presidencial que estava por vir, a imprensa o tornou conhecido nacionalmente como "Caçador de Marajás". Orientado por profissionais de marketing, anunciou com estardalhaço a cobrança de 140 milhões de dólares dos usineiros do estado para com o Banco do Estado de Alagoas, havendo diversas repercussões positivas na imprensa. 
Entre uma disputa e outra teve o mandato ameaçado por uma tentativa de intervenção federal no Estado (fruto da recusa em pagar os altos salários aos "marajás" após a vitória destes em julgamento do STF). Também teve um pedido de impeachment devido ao programa de enxugamento da máquina administrativa alagoana, feito à base de demissões de funcionários públicos e extinção de cargos, órgãos e empresas públicas.
Era impossível encontrar alguém que não declarasse o voto em favor de Collor, não por antipatia a Lula nem muito menos ao PT, um partido recém criado à época e que tinha apoio dos trabalhadores, intelectuais de esquerda, parte da burguesia e da juventude. Enquanto Collor era endeusado pela mídia, em particular pela Rede Globo, Lula era crucificado de todas as formas possíveis. 
Collor venceu e no dia de sua posse implantou o Plano Collor que rende processos até hoje, não resolveu o problema da inflação, não deu certo e trouxe enormes dissabores a todos que nele votaram. Até a sagrada poupança foi golpeada em sua credibilidade e muito anos foram necessários para recuperar a sua imagem de investimento sólido e seguro.
Hoje em dia nas redes sociais, nas ruas, no seio da classe média e das elites dominantes ouvimos o nome de Aécio Neves como solução para tirar o PT do governo. Ninguém lembra do governo FHC e da compra de votos para aprovação da emenda da reeleição e das privatizações mal sucedidas e muito mal explicadas até hoje.
O ódio ao PT contaminou de tal forma uma parcela da sociedade que programas assistenciais criados pelo PSDB, são exorcizados por que o PT os ampliou para uma parcela maior das classes C, D e E. 
Ninguém se pergunta como foram os oito anos de governo de Aécio em MG? Que obras fez? O que priorizou em seu mandato? Nada importa exceto tirar Dilma do poder. Inclusive utilizando de mentiras, baixarias como distribuição de e-mails e WhatsApp contendo falsas informações e tolices de toda ordem contra o PT e contra Dilma. Falsos apoios de artistas sem o seu consentimento.
Depois de seis meses da posse de Collor não se encontrava um único eleitor que assumisse seu voto no manganão que acabou sendo tirado do poder através de um impeachment orquestrado pelos mesmos que hoje estão ao lado de Aécio Neves. Claro que, Aécio não é Collor, o PSDB não é o fraco partido de aluguel PRN, já extinto, muitas são as diferenças entre as duas épocas. Hoje o PT é uma enorme vidraça exposta a todo tipo de pedradas, principalmente em relação à corrupção que nunca combateu.
O futuro das eleições vai dizer se o vencedor em 2014 terá alguma relação com o pleito de 1989 ou se foram apenas ilações de um eleitor cansado de ser enganado e de ver o povo brasileiro cometer erros por falta de análises mais consistentes e inteligentes na hora de suas escolhas.

24 de outubro de 2014

O dono do STJD está irregular no poder!

Quase todos os homens são capazes de
suportar adversidades, mas se quiser pôr à 
prova o caráter de um homem, dê-lhe poder. 
Abraham Lincoln

O nosso futebol carece de profissionalismo, investimento nas bases dos atletas em sua formação de novos jogadores, mas principalmente de pessoas honestas, dirigentes que recebam para trabalhar nos clubes e federações, podendo ser demitidos caso não atinjam seus objetivos.
Porém, nem nos clubes, nem nas federações ou na CBF temos algo parecido. E o pior, aqueles que deveriam zelar pelo desporto, pela justiça, pela ética e o cumprimento das regras não são confiáveis e abusam de práticas nefastas como o nepotismo e a tirania. São verdadeiros déspotas que tomam o poder e dele fazem sua vida, sem se importar com os objetivos inerentes do cargo que assumiu.
O Procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt é o símbolo da falta de critério e dos desmandos do órgão no futebol brasileiro – que vem prejudicando times e afastando torcedores. Porém, o mesmo “defensor da justiça estaria irregular no cargo que ocupa. A denúncia é do portal UOL, que apurou que o mandato de Schmitt fere o Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Definido em 2009, o código é específico sobre o mandato dos procuradores: tem duração máxima de 2 anos e só dá direito a uma recondução.
Nesta data, o procurador já tinha três anos de cargo – mas foi eleito em 2010 e reeleito em 2012, somando 9 anos – violando o próprio código que Paulo Schmitt deveria proteger. A Lei Pelé também discorre sobre o tema – e em ambos os casos a presença do procurador no STJD é ilegal. Para se manter no cargo, Schmitt tenta se eximir da lei, dizendo que a mesma vale somente para auditores, e procurando a brecha pela data da mudança; segundo ele, o tempo anterior a 2009 está fora da conta.
Além do problema com o tempo de mandato, o site também apurou que o cargo não foi criado por uma lei – apenas por uma resolução, o que é falha grave e invalida a existência da posição. E nesse caso, a situação é ainda mais séria – a irregularidade do cargo de um Procurador-Geral do STJD anularia as penas aplicadas pela Justiça desportiva.
Apesar disso, nada é páreo para a cara de pau de Paulo Schmitt que afirma que não há lei que impeça um novo mandato no STJD – nas palavras do próprio, ele pode “ficar mais dois anos, e depois desses dois anos tenho que me submeter à lista tríplice da CBF novamente. Não há problema.
Alguém sabe quem são e quanto ganham os auditores dos tribunais do STJD? Alguém sabe quais são as suas relações com os clubes e as federações? Quais os benefícios para quem ocupa o cargo de auditor do tribunal desportivo? Qual a estrutura do STJD?
São perguntas que as autoridades deste país deveriam estar respondendo a nossa sofrida sociedade. Não à toa temos presidentes de federações e confederações há mais tempo no poder do que Fidel Castro ficou em Cuba.


22 de outubro de 2014

Violência sem fim 1 X 7 Impunidade!

“A mente de um fanático é como a pupila do olho: 
quanto mais luz incide sobre ela, mais se irá contrair." 
Oliver Wendell Holmes

Um dos grandes males que assolam o nosso país não é a corrupção como a grande maioria pensa, nem tampouco a violência ou os baixos índices de Educação, nem por fim a nossa péssima saúde pública. O nosso maior câncer social é a impunidade que interfere em tudo dentro do nosso sistema judiciário e policial.
A sensação de impunidade é o grande elixir da criminalidade desde os chamados ladrões de galinha até os grandes políticos e demais autoridades do colarinho branco. Ela é revigorante para os marginais, que percebem a fraqueza das autoridades e a inércia da justiça. Claro que o futebol como segmento vivo da nossa sociedade não poderia ficar fora dessa ignóbil situação vivida por todos dentro e fora de nossos lares.
No esporte a impunidade vence de goleada a justiça quando permite que dirigentes corruptos em clubes, associações, federações e até na CBF se locupletam livremente mesmo desviando dinheiro público que deveria ser utilizado nas entidades que representam.
A impunidade também está nas arquibancadas dos estádios de futebol, onde temos centenas de assassinos e vândalos escondidos atrás de torcidas organizadas viajando pelo país impunemente mesmo depois de cometer crimes dentro e fora do Brasil.
Se não me falha a memória no máximo duas pessoas estão presas por matar torcedores rivais no Brasil. Todo mês temos brigas violentas fora dos estádios, normalmente em emboscadas que na maioria das ocasiões levam torcedores jovens ao óbito. O que a Justiça e as autoridades do país (Presidente, Governadores, Ministros da Justiça e do Esporte, Deputados e Senadores) fizeram até hoje para acabar com essa impunidade? Nada!
Sempre que ocorrem mortes nas brigas entre torcidas rivais, os assassinos são identificados e não ficam presos. Na semana seguinte estão viajando atrás de seus clubes em busca de novas brigas e mortes.
Impunidade segundo o Dicionário Aurélio é: Do Latin: (Impunitate) – Substantivo feminino – Estado de impune. Impunidade nas ruas é definida por mim como: “Ausência de Justiça, penas brandas carregadas de benesses excessivas para criminosos em detrimento da sociedade que paga impostos, obedece às leis e não comete crimes de quaisquer naturezas”.
Nos últimos 30 anos a sociedade brasileira assiste ao aumento da violência em todos os seus segmentos. Com relação a violência das torcidas organizadas a única semelhança é justamente a impunidade e a letargia dos nossos péssimos governantes e de nossas autoridades inertes que contemplam a criminalidade como se estivessem assistindo pela televisão um jogo de futebol qualquer. Lamentável! Até quando?




18 de outubro de 2014

Ebola

Não existe possibilidade de transmissão pelo ar; 
quem esteve no mesmo espaço não corre risco.

A atual epidemia causada pelo vírus ebola é perigosa e persistente. Desde que o vírus foi descoberto, em 1976, nenhuma outra se espalhou para fora do leste ou do centro da África nem provocou tamanha mortalidade.

Esta, parece que surgiu no distrito de Guéckédou, na Guiné, no oeste africano, em dezembro de 2013, acometeu um número mais elevado de pessoas e já causou mais mortes do que a somatória de todas as anteriores.

Em abril deste ano, a diminuição do número de casos na Guiné alimentou a esperança de que a epidemia fosse desaparecer como as outras, misteriosamente como veio, mas a disseminação nas áreas fronteiriças de Serra Leoa e Libéria frustrou as previsões.

O aparecimento da doença em Lagos, na Nigéria, país que não tem fronteiras com Guiné, Serra Leoa ou Libéria, mostrou ao mundo que qualquer cidade com um aeroporto pode ser alcançada e que o potencial de disseminação é maior do que se imaginava: em Lagos vive mais gente do que nos três países citados.

A doença tem início abrupto nos três a 21 dias subsequentes ao contágio. Do nada, surgem febre acima de 38,6ºC, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, articulares, no tórax, na coluna lombar, congestão das conjuntivas, inflamação da garganta e manchas avermelhadas na pele.

Já nos primeiros dias aparecem os sintomas gastrointestinais: náuseas, vômito, dores abdominais e diarreia. Na fase final, 50% dos doentes apresentam hemorragias. Nos casos fatais, a sintomatologia inicial é mais intensa e a morte acontece entre os dias 6 e 16, por complicações hemorrágicas, septicemia e falência de múltiplos órgãos.

Os índices de fatalidade variam de 30% a 90%, dependendo da região e dos recursos médicos. Nas pessoas que se curam, a melhora começa a ocorrer entre os dias 6 e 11. O diagnóstico é confirmado por exame de sangue realizado por duas técnicas diferentes (Elisa e PCR). Não existe vacina nem medicamentos contra o vírus. O tratamento procura corrigir a desidratação e o desequilíbrio entre os íons, manter a pressão arterial, controlar as dores e tratar as infecções bacterianas que se instalarem.

Quem teve contato deve permanecer isolado por três semanas, tempo necessário para cobrir o período de incubação. A transmissão do vírus depende exclusivamente do contato direto com as secreções do doente (sangue, saliva, fezes, sêmen, suor, secreções vaginais e lágrimas) ou com superfícies contaminadas por elas.

Como não existe possibilidade de transmissão pelo ar, quem esteve na mesma sala, no mesmo ônibus ou avião não corre risco. Lavar as mãos com água e sabão ou álcool rompe o envelope que circunda o RNA do vírus e protege contra a infecção. Desinfetar objetos e ambientes com água sanitária é medida prática, barata e eficaz.

Os reservatórios naturais do vírus são os morcegos que se alimentam de frutas, mas macacos e porcos domésticos podem servir de hospedeiros intermediários. As epidemias, no entanto, são mantidas pelo contágio inter-humano. O vírus não costuma se disseminar rapidamente para grandes massas populacionais, como às vezes sugerem as notícias veiculadas pela mídia. Em média, cada pessoa infectada dá origem de um a três casos secundários, número pequeno quando comparado aos 14 a 17 casos secundários causados pelo vírus do sarampo na mesma região do oeste africano.

O perigo com o ebola não está em sua virulência, mas na facilidade de transmissão. Uma única distração, tocar no paciente ou numa superfície manipulada por ele e levar a mão à boca, ao nariz ou aos olhos pode ter consequências devastadoras. A epidemia chegará no Brasil? Os vírus viajam no interior de corpos humanos desde os primórdios da humanidade, mas agora o fazem na velocidade dos jatos. É evidente que podem surgir casos isolados, mas uma epidemia autóctone brasileira é altamente improvável.

Margareth Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde diz: "Muitos me perguntam por que o surto da doença causada pelo ebola é tão abrangente, tão grave e difícil de conter. Essas questões podem ser respondidas com uma única palavra: pobreza. Guiné, Libéria e Serra Leoa estão entre os países mais pobres do mundo".

Artigo do Dr. Drauzio Varella - Folha de SP - Caderno Ilustrada - 18/10/14

16 de outubro de 2014

O silêncio dos culpados!

A justiça atrasada não é justiça,
senão injustiça qualificada e manifesta"
Rui Barbosa

A chegada do pedido de cassação do amigo fraterno do doleiro Alberto Youssef, também conhecido por ocupar um cargo de Deputado Federal em Brasília – André Vargas continua sendo estrategicamente protelado por seus companheiros (comparsas) na Câmara Federal desde agosto deste ano.
A Comissão de Ética daquela casa presidida pelo Deputado Ricardo Izar – PSD – SP aprovou a cassação do fanfarrão paranaense em 20 de agosto.
O pedido então deveria ter seguido ao plenário para votação e provável cassação do deputado. Porém, decorridos dois meses do envio o processo permanece guardado ou melhor parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara presidida pelo colega de partido Deputado Vicente Cândido da Silva – PT-SP.
Em parte sabemos que o ano de 2014 não foi muito profícuo para os trabalhos do Congresso Nacional, afinal de contas, carnaval, copa do mundo, duas férias, eleições, viagens à base eleitoral, enfim, sobrou pouquíssimo tempo para trabalhar e exercer com dignidade seus mandatos.
Outro problema é o corporativismo, no francês “esprit de corps” que poderia ser traduzido como sugeriu o brilhante jornalista Josias de Souza “Espirito de porco”. Os acordos são muitos, as agendas ocultas encobrem e dificultam as coisas sérias no parlamento nacional em todas as suas esferas, diga-se de passagem.
Assim como nas ruas das nossas grandes cidades, no Congresso Nacional também existem algumas facções, essas incrustradas dentro dos partidos defendem até a morte seus membros. Algo muito parecido com o modus operandi das máfias internacionais.
Os parlamentares situacionistas e oposicionistas nestas horas se somam, se locupletam, se ajudam e fazem com que permaneçam pairando sob suas cabeças a desconfiança generalizada da sociedade civil sobre a conduta imoral de alguns naquela casa. Caso contrário já teriam discutido e votado o pedido de cassação do amigo do doleiro.
Enquanto parcela considerável da sociedade assiste as agressões mutuas dos candidatos à presidência em segundo turno, os deputados protelam a decisão e mantém na casa o silêncio dos culpados. A falta de cobrança da sociedade sobre seus representantes assegura uma certa tranquilidade a todos, que fingem que estão trabalhando enquanto o povo honra seus compromissos e paga a conta nefasta desta imensa camarilha oficial do poder legislativo nacional.
Uma mão suja lava a outra mão ainda mais imunda, manchadas pela corrupção, pela formação de quadrilha, pela lavagem de dinheiro e envio de remessas irregulares a contas em paraísos fiscais e muito mais com certeza. Nem a delação premiada atinge quem deveria zelar pelas leis e a ordem.