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19 de julho de 2016

Biografia dos terroristas sempre revela vidas de ressentimento!

Acontece um atentado terrorista na Europa mais um agora em Nice e as perguntas dos dias seguintes são sempre as mesmas. Por quê? Como explicar o horror? Quais são as causas? Que fizemos nós para merecer isso? A ambição subjacente é óbvia: se soubermos as causas podemos evitar os efeitos.
Existem duas formas de responder a tal cortejo de ansiedades. O primeiro é denegrir tais dúvidas, caracterizando os seus autores como ingênuos ou coisa pior. O terrorismo deseja o terror. E, quando vem embalado por qualquer caução islamita, deseja a morte dos infiéis. Será assim tão difícil de entender?
Na verdade, é difícil sim. E aqui está a segunda forma de responder às perguntas: o nosso pensamento progressista (e racionalista) impede uma compreensão genuína do horror.
Somos filhos do Iluminismo. Acreditamos que a razão, corretamente exercida, permite sempre uma melhoria moral e material da sociedade: a derrota do fanatismo; a defesa da tolerância; a partilha de um espaço público comum; e etc. etc. Os atos dos terroristas são "irracionais", dizemos nós, porque não se ajustam aos nossos critérios de racionalidade.
Essa "dissonância cognitiva" é inevitável. O Iluminismo teve consequências positivas na história dos homens: o reforço da separação entre o Estado e a Igreja, inexistente no Islã, foi um deles.
Também teve consequências desastrosas: se, como dizia Voltaire, o paraíso é onde estamos então nada impede os seres humanos de procurarem esse paraíso na Terra. Dizer que as consequências dessa busca foram trágicas no século 20 é, obviamente, um eufemismo.
Só que o "projeto iluminista", na sua ânsia de defender e aplicar a soberania da razão humana esqueceu-se de dois viajantes que sempre fizeram parte da história.
O primeiro é a "contingência", ou seja, a noção de que não é possível controlar tudo por mera ação humana. Pior ainda: a noção de que podem existir fatores imponderáveis que subvertem, ou até destroem, as melhores intenções. Essa ideia, que era pacífica para nossos antepassados, deixou de o ser com a arrogância racionalista moderna.
O segundo viajante se dá pelo nome de "ressentimento". A política das boas intenções esqueceu-se do "homem ressentido", para usar a expressão de Max Scheler (1874""1928): o sujeito que procura "lá fora" a justificação para o seu ódio interior. Como escrevia Edmund Burke (1729""1797) em crítica direta ao otimismo dos "philosophes": "O poder dos homens viciosos não é algo de negligente".
Esse poder está à vista: leio a biografia dos terroristas e, sem exceção, encontro sempre vidas de ressentimento. Podem ser ressentimentos familiares. Econômicos. Sentimentais. Sexuais. Ou, na era narcisística em que vivemos, um desprezo pelo exato mundo que não os reconhece na sua importância ou singularidade.
Idealmente, os homens ressentidos deveriam ter o anonimato que merecem condenados a tragar o veneno que produzem para terceiros.
Mas os ressentidos profissionais encontram sempre uma "filosofia do ressentimento" que os redime. Exatamente como comunistas e nazistas encontraram no passado.
Essa "filosofia" é também ela um produto do ressentimento: o radicalismo islâmico propaga uma mensagem de ódio ao Ocidente, não apenas porque o Ocidente e os seus valores "liberais" (democracia, pluralismo, liberdade individual etc.) são odiosos, mas porque, na lógica do ressentido, o Ocidente é o culpado por todas as falhas de um povo, ou de uma cultura, ou de uma civilização. Lênin e Hitler poderiam tranquilamente subscrever essa visão.
Deixo as questões securitárias para os especialistas.
Mas duas conclusões filosóficas parecem-me fatais.
Para começar, a Europa terá que conviver com a contingência que tanto se esforçou por ignorar. Por melhores que sejam os sistemas policiais, nem todo o progresso tecnológico poderá eliminar o horror do imponderável. O paraíso, definitivamente, não é deste mundo.
Por último, os inimigos das sociedades livres sempre estiveram dentro delas: falo dos homens ressentidos que usarão sempre uma desculpa qualquer, o Partido, a Raça, o Profeta– para cometerem as suas atrocidades.
"Se soubermos as causas podemos evitar os efeitos?" Lamento. O ressentimento não funciona assim. A sua vontade de destruição é uma história longa. E será como sempre foi, uma luta sem fim.


Autor: João Pereira Coutinho, escritor português, doutor em Ciência Política, escreve para o Correio da Manhã de Portugal. Publicado em 19/07/2016 na Folha de SP.

30 de junho de 2016

Conquistas da Engenharia bem distantes do Brasil!

A Revista “IstoÉ” número 2.426 trouxe uma matéria que nos permite comparar os governantes brasileiros com os dos países desenvolvidos, pois estes administram os recursos públicos prezando a relevância da obra, a tecnologia empregada e a execução rigorosa de orçamento.
As maiores autoridades de Suíça, Alemanha, Itália e França foram, então, à inauguração do túnel de São Gotardo, entre as cidades Erstfeld e Bodio, na região dos Alpes, porque ele contribuirá para a melhoria na ligação longitudinal do continente, beneficiando 20 milhões de europeus. Os suíços usaram modernas técnicas para viabilizar a ferrovia dentro de uma montanha, ao longo de 57,1 km, com reduzido impacto ambiental. As locomotivas de passageiros alcançarão velocidade de 250 km/h, e as de carga, 160 km/h. Houve magnífico cumprimento do orçamento e do cronograma, definidos 17 anos antes, respeitando os contribuintes, que terão retorno satisfatório aos tributos recolhidos, pois viajarão com mais conforto e serão aquinhoados com os avanços na economia.
Não temos a mesma experiência. O Brasil está saturado por obras inacabadas, sonhos não realizados, infraestrutura de péssima qualidade e escândalos sem fim quanto ao destino criminoso dado às polpudas verbas alocadas para projetos comprometidos com interesses paroquiais dos parlamentares. Soubemos, nos últimos tempos, como os políticos aliam-se às empreiteiras para saquear os cofres públicos e garantir para si a melhor porção do orçamento, entregando péssimas obras que não duram uma chuva e, às vezes, desabam antes da inauguração.
A história das ferrovias brasileiras é tragicômica porque o fracasso dos projetos é constante, embora elas sejam a melhor opção para a mobilidade neste país de dimensão continental.
Em 1858, dom Pedro II inaugurou um trecho de 48,21 km a partir do município da Corte, esperando que houvesse, em poucos anos, integração nacional com ferrovias em diferentes sentidos. O imperador teve oportunidade de ver o início das obras da Central do Brasil, cuja proposta inicial era ligar o Rio de Janeiro a Belém do Pará, mas ela terminou em Pirapora (MG), em 1910, e não se falou mais nisso.
A ferrovia Norte-Sul foi um projeto lendário que iria ligar a Amazônia ao porto gaúcho do Rio Grande. Está inacabada, sem previsão de recomeço, mesmo para a obtenção da insignificante velocidade das locomotivas em 83 km/h.
A ferrovia do Aço foi um fracasso retumbante porque nunca efetivou a ligação entre Belo Horizonte e São Paulo, apesar do gasto de rios de dinheiro. O argumento principal eram as dificuldades impostas pelo relevo, mas ele é muito maior nos Alpes da Europa.
A ferrovia Transnordestina seria inaugurada em 2010, mas as bandalheiras foram tantas que apenas 56% das obras estão prontas, e o TCU proibiu, recentemente, mais repasses de recursos públicos até que se esclareça o que consumiu quase todo o orçamento com resultado inexpressivo. Aumenta, assim, o fosso entre o Brasil e o mundo moderno.

Texto de Gilda de Castro
Fonte: Jornal O TEMPO

19 de junho de 2016

Nos embalos dos golpes no RJ!

A democracia... É uma constituição agradável,
anárquica e variada, distribuidora de igualdade
indiferentemente a iguais e a desiguais”.

Jamais vou esquecer o dia em que Cesar Maia, Prefeito do Rio de Janeiro, tripudiou sobre a cidade de São Paulo após a escolha da cidade maravilhosa como sede dos jogos Pan-Americanos de 2007. Disse entre outras coisas que beleza era fundamental. Discordo, penso que para receber um evento dessa magnitude seja essencial ter planejamento, capacidade de execução e honestidade, quesitos mais importantes do que beleza externa.
O que estamos assistindo no Rio de Janeiro desde o fim dos Jogos Pan-Americanos e a sua escolha como sede das Olimpíadas/2016, nada mais é do que a confirmação da incapacidade de gestão pública do Governo do Estado e da Prefeitura, aliados a ausência completa de princípios corretos de administração da coisa pública.
A arrogância de César Maia e Eduardo Paes, aliado à ignorância de Pezão e Sérgio Cabral, deixou o RJ às cegas no que tange ao cumprimento orçamentário e a execução de tantas obras necessárias para receber três eventos grandiosos em tão curto espaço de tempo.
A saúde pública, o saneamento básico e a segurança são grandes vitimas do descaso e da incapacidade administrativa desses gestores incapazes, eleitos pelo povo carioca para governá-los. Claro que, os efeitos mais contundentes serão sentidos apenas pela classe média e os mais desfavorecidos.
Esses políticos não pensaram por um minuto sequer nas consequências dessas aventuras nababescas em que colocaram o Rio de Janeiro e seu povo. Por certo, acharam que nada aconteceria antes deles sumirem do cenário político. Os efeitos colaterais já começaram a serem sentidos de forma severa. Com certeza vão piorar a cada mês, mesmo com os jogos Olímpicos ainda por começarem.
O ato de decretar “Estado de Calamidade Pública” às vésperas das Olimpíadas além de ser um tremando vexame, é um golpe para angariar recursos burlando a Lei de Responsabilidade Fiscal que veta repasses do Tesouro Nacional a Estados inadimplentes. LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000.
Embora haja discordância quanto a essa estratégia dos governantes cariocas, visto não ter havido nenhuma tragédia natural, apenas uma escolha errada de administradores públicos para gerir o governo municipal e estadual do RJ.
Os políticos cariocas alegam que as arrecadações caíram, porém, omitem da sociedade que somente com desonerações fiscais deixaram de arrecadar entre 2007 e 2015 algo próximo de R$ 185 bilhões. Recursos mais do que suficientes para não precisar aplicar golpes no erário.
Por esses motivos que nas cidades do chamado primeiro mundo ninguém se aventura a ser candidato à sede de quaisquer eventos sem que haja antes um plebiscito onde o povo possa referendar ou não aquela ideia.
Aqui, ao contrário, lançam a candidatura, discutem o que é superficial e começam a esfregar as mãos imaginando o que vão ganhar de propinas e quanto será destinado as suas contas no exterior.
O legado que os eventos vão deixar são justamente esses, dívidas quase impagáveis, obras superfaturadas, orçamentos mal realizados, prejuízos à União e ao próprio Estado, sem contar o sofrimento da população que não terá os valores correspondentes nos investimentos em Hospitais, Escolas, Saneamento Básico, Habitação e Segurança Pública.
Todos os envolvidos nessa aventura, desde César Maia, Lula, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Carlos Nuzman até Dilma, deveriam ser condenados a devolver aos cofres públicos todos os prejuízos causados por essa aventura sem sentido em nosso país. 
 

17 de junho de 2016

Viver levando vantagem sempre!

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da plateia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico.
Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias.
Um dia, porém, um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser.
O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta, e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos, e sentenciou: "não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço".
Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalha para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz.
Tenho a impressão de que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque, depois de formados, meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniquidades que combatíamos juntos.
Parece que quando meus meninos (as) caem no mercado de trabalho, a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.
Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores.
Vejo que alguns professores partilham das mesmas ideias, e as defendem em sala de aula e na sala de professores e se vangloriam disso. Essa ideia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele.
"O importante professor é que o cara embolsou milhões", disse-me um; outro: "daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico", todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça.
O pior é quando a gente se dá conta de que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a lei de Gérson: "o importante é levar vantagem em tudo". (Lei de Gérson...dá para rir...)
A pergunta é : Sem trabalho produtivo é possível, usando a lógica, que todo mundo ganhe ? Sem o trabalho honesto, para alguém ganhar é óbvio que alguém deverá perder.
A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas (assim como costuma fazer a dupla sertaneja Lula e Duda).
Essa é a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo perde. E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Parafraseando Schopenhauer: "Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior".
Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. A luz é, e sempre foi, a metáfora da inteligência. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter.
Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros.
Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que dos pseudo literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marqueteiros que chamam desonestidades flagrantes de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo.
De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência.
De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) ministrando a honestidade.
A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Quem plantar joio, jamais colherá trigo. Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso.
Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando "bis" e, como todos sabem, um bis não se despreza.
Então, uma pirueta, duas piruetas, Bravo! Bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do "se eu livrar a minha cara o resto que se dane".
Enquanto isso, o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz:
"Esse é o problema... eu sou o palhaço".

Autor desconhecido

15 de junho de 2016

Promessas vão se acumulando!

A vaidade é o caminho mais curto
para o paraíso da satisfação,
porém ela é, ao mesmo tempo, o solo
onde a burrice melhor se desenvolve.
Augusto Cury

Ao longo dos últimos quinze a vinte anos os moradores de Bauru, no interior de São Paulo, cidade com mais de 400 mil habitantes, convivem com a propagação de inúmeras promessas feitas pelos políticosAs promessas giram em torno de coisas que obviamente interessam a sociedade bauruense como um todo. A concretização dessas promessas entretanto, esbarram na ausência completa de vontade política dos representantes da cidade no Poder Executivo Municipal, Estadual, Judiciário e o Legislativo.
Quando interessa, esses indivíduos divulgam o assunto para aquecer seus interesses eleitoreiros mesquinhos, em seguida o assunto cai no esquecimento e hiberna por muitos meses. Claro que, são obras que dizem respeito diretamente ao povo, pois se fossem coisas importantes para os envolvidos elas já teriam sido entregues há muito tempo. Os sonhos são os seguintes:
è Uma Faculdade de Medicina permeia os sonhos de muitos bauruenses, sejam estudantes, médicos, professores, enfim, uma parte considerável da população poderia ser beneficiada. A cidade já conta com um campus da UNESP e outro da USP, duas das maiores universidades no país.
è Outra promessa tão antiga quanto a anterior é a construção de uma Cidade Judiciária, que pudesse abrigar todos os órgãos, varas da justiça e demais setores da justiça. Hoje, algumas instalações estão em péssimo estado de conservação e não fornecem segurança aos servidores e muito menos a população que as frequentam.
è A cidade não dispõe de um único Ginásio de Esportes com capacidade para eventos com mais de cinco mil pessoas. Sendo assim, deixa de realizar jogos importantes de Vôlei, Basquete e Futsal entre outros. Além de privar a sociedade de receber shows e eventos importantes no cenário cultural do país.
è Um Teatro Moderno, confortável, dotado de tecnologia de ponta para iluminação, som e toda infraestrutura necessária para a realização de grandes espetáculos musicais, peças e shows, visto que o local atual é antigo, pequeno, mal cuidado e sem a mínima condição de receber um bom espetáculo.
è Infraestrutura Viária com a construção de obras que possam fazer interligações entre os diversos pontos da cidade. A cidade cresceu, seu fluxo de trânsito nunca foi planejado fazendo com que o usuário careça de marginais ligando as rodovias que cortam a cidade. Além da modernização das grandes avenidas com melhor sinalização, recapeamento moderno e iluminação que não lembre mais os tempos de lampiões de gás.
Essas coisas simples para muitos moradores de cidades próximas como São José do Rio Preto, Sorocaba, Araraquara, Piracicaba são verdadeiras utopias para os bauruenses. Afinal de contas acima do povo estão os partidos políticos e os políticos que usufruem o poder emanado pelo povo como por exemplo: Prefeitos, Vereadores e Deputados.
Esses representantes da sociedade ao longo do tempo pensam apenas em seus egos, reeleições, negociatas e interesses pessoais, deixando aquilo que verdadeiramente interessa ao povo em terceiro plano. Recursos existem e sempre estiveram nos cofres municipais, estaduais e federal, falta vontade política, desprendimento e respeito à cidade de Bauru.

6 de junho de 2016

O desrespeito para com a sociedade não tem fim!

Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem.
Eugene Lonesco

O país está em meio a um processo de impeachment que pode ser contestado, porém, a administração Dilma Rousseff foi um caos, tendo como coadjuvante o pior Congresso Nacional de sua história democrática recente.
O interino Michel Temer diz algo pela manhã, desmente à tarde e aprova outra terceira opção à noite. Já trocou dois ministros e vive assustado com a possibilidade de a qualquer instante ouvir outro áudio da Lava Jato que catapulte mais um colaborador.
Vivendo sobre a égide de um rombo anunciado de R$ 170 bilhões de reais, discursando sobre a necessidade de sacrifícios (Como se viver no Brasil já não fosse algo muito parecido com isso), Temer flerta com novo aumento de impostos ou a recriação da nefasta CPMF.
Neste cenário grotesco e sem projetos na área econômica para tirar o país do lamaçal, com 12 milhões de desempregados, assistimos atônitos o governo Temer conceder aumentos variáveis de 16,5% a 41,47% para aproximadamente dezesseis categorias de servidores públicos dos três poderes.
Ao invés de demitir cargos de confiança que chegam próximos a duzentos mil no governo federal, ou congelar aumentos e salários dos mesmos servidores por ao menos um ano, surge um bonde da vergonha permitido pelo mesmo congresso que impedia qualquer ato do governo Dilma.
O orçamento da União terá um impacto até pelo menos 2019 de cerca de R$ 65 bilhões. O gasto público apenas em 2016 será de R$ 8 bilhões para os cofres públicos.
Onde ficam aquelas questões que os mesmos políticos sempre citam em seus discursos evasivos? SUS, Rombo da Previdência, Recursos para Educação e Segurança Pública? Enfim, o Brasil caminha para sua insolvência e quem pagará a conta sempre somos nós, em sua maioria classe média (Empregados com carteira assinada, Aposentados e pequenos e médios comerciantes e profissionais liberais).
O povo brasileiro não percebeu nada, não houve discussões acaloradas na Câmara nem no Senado, não houve debate nem contrapropostas. A imoralidade tramitou em surdina e pegou a todos de surpresa na calada da noite após sua aprovação.
Compare com os salários que vigoram na esfera privada em grandes empresas e veja a diferença de ser próximo ao poder público: Auditor Fiscal passa de R$ 15.700,00 para R$ 21.000,00. Cada ministro do STF passa a receber mensalmente R$ 39.293,00.
Além desse aumento obsceno e imoral, no escopo da canalhice a Câmara Federal aprovou também a criação de 14 mil novos cargos federais. Numa enorme contradição, afinal dizem que o PT aparelhou as estatais, que criou milhares de novos cargos, não seria inteligente cortar cargos e não criá-los também?
Resta agora saber quanto tempo os jovens, os empresários e toda aquela multidão que tomava às ruas e avenidas das nossas cidades levarão para protestar de forma firme e definitiva contra essa escória do PMDB e todos os demais partidos que estão juntos (PSDB, DEM, PP, PTB, etc.).


4 de junho de 2016

Homenagem a uma lenda do esporte mundial!

As pessoas esquecerão o que você disse.
As pessoas esquecerão o que você fez. 
Mas elas nunca esquecerão como você as fez sentir. 
Autor desconhecido
O mundo acordou neste sábado sem o maior pugilista e um dos maiores esportistas do planeta. Morreu Cassius Marcellus Clay Jr, ou, Muhammad Ali nome adquirido depois de ingressar na religião muçulmana. Nascido 17 de janeiro de 1942 em Luisville foi um exemplo de esportista e cidadão honrado.
Mostrou ao mundo que um homem pode perder dinheiro, medalhas, honrarias, títulos, mas não deve jamais perder sua dignidade e a fé em seus princípios morais e cristãos. Pois Muhammad recusou-se a lutar no Vietnã, enfrentando a ira do governo americano, dos brancos e da elite que governava aquele país e sacrificava principalmente os pobres, os negros enviando-os para uma guerra a milhares de milhas dos EUA.
Por este ato foi julgado e condenado a cumprir cinco anos de prisão, e suspensão de três anos como pugilista, num momento em que já havia conquistado uma medalha de ouro no Boxe nas Olimpíadas de Roma. Em fevereiro de 1964 conquistava seu primeiro cinturão de ouro contra Sonny Liston, tornando-se campeão mundial de boxe em sua categoria.
Ficou livre em 1970, liberado para voltar aos ringues, perdeu sua primeira luta apenas na 32º confronto contra Joe Frazier. A luta que parou o mundo ficou conhecida como “A luta do século” quando Ali enfrentou Joe e ambos estavam invictos.
Encerrou sua carreira vitoriosa em 1978 com um cartel de 56 lutas, apenas cinco derrotas, sendo apenas uma por nocaute. Uma carreira invejável, recheada de grandes combates, milhares de pessoas nas plateias e na frente das televisões do mundo inteiro.
A sua imagem excedeu o boxe, tendo participado de vários eventos em variados tipos de luta, nenhuma naturalmente com a mesma desenvoltura do boxe. Eram eventos promocionais como vemos hoje em dia envolvendo o velocista Usain Bolt.
Ficou marcado para muitos no mundo do esporte a entrada de Muhammad Ali no Estádio Olímpico de Atlanta, quando para surpresa e emoção de todos que estavam no estádio e fora dele viram Ali acender a tocha olímpica.
Naquela ocasião eram visíveis os tremores nas mãos do lutador, que já sofria com os sinais do mal de Parkinson. Que ontem, vinte anos depois o levou a óbito.
Não esqueço quando criança aos oito anos, quando meu pai, meus tios e amigos se aglomeravam na sala acanhada onde morávamos para assistir aos grandes espetáculos das lutas de Muhammad Ali, que na época ainda utilizava seu nome de batismo Cassius Clay. Eram noites fantásticas vendo o bailarino lutar e depois de vencer mostrar ao mundo a sua verborragia irônica sobre os adversários geralmente nocauteados por ele.
Descanse em paz Muhammad Ali – O maior pugilista que eu vi lutar.

20 de maio de 2016

Incoerência!

Aqueles que odiavam o PT, Lula e principalmente Dilma, estão vivendo nestes dias uma situação embaraçosa. O governo Temer que muitos dizem ser ilegítimo e golpista, ou que na melhor das hipóteses é fruto de uma ação traiçoeira de quem era parceiro e cúmplice até alguns meses atrás está começando com o pé esquerdo sua gestão.
Mesmo tendo arquitetado sua ascensão ao poder com muito tempo e calma, Temer nomeia um ministério que não condiz com o clamor das ruas. Afinal, os manifestantes e batedores de panelas alegavam serem contra a corrupção no país.
A corrupção está presente na nova equipe de governo através de: Políticos citados na Operação Lava Jato que viraram ministros e ganharam foro privilegiado; O novo ministro dos Transportes é suspeito de desvio de verba de merenda escolar;
O Itamaraty fornece passaporte diplomático a pastor citado na Lava Jato; O Brasil tem pela primeira vez um presidente acusado de ser ficha suja; Gilmar Mendes [quem mais?] reenvia processo contra Aécio Neves à Procuradoria-Geral da República em menos de 24 horas; O novo líder do governo na Câmara é acusado de homicídio.
Além desse fator, resta-nos a frustração para quem imaginava que o governo Temer fosse desaparelhar as estatais, enxugar a máquina governamental, demitir milhares de ocupantes de cargos comissionados proporcionando enorme economia às finanças do país. Nada disso está acontecendo nestes primeiros dias de Temer. A demonstração inequívoca de que está perdido e nas mãos de políticos e partidos sem escrúpulos fica a cada momento mais notório.
Não encontrar mulheres e negros competentes num país de 200 milhões de habitantes é o menor dos problemas de Temer. Postar um logo que seu filho de sete anos escolheu com a imagem da época de 1964, quando não haviam ainda cinco novos Estados também é superável, porém, ser incapaz de nomear especialistas nos assuntos técnicos é imperdoável.
Nossos políticos, e Temer se inclui nessa casta, não conseguem enxergar solução sem loteamento de cargos, sem trocas de favores, sem que haja uma situação vantajosa para eles independentemente do que sobrar para o povo.
Quem queria o fim da corrupção ou apenas a saída do PT, terá de conviver com a sombra de um governo fraco, omisso, perturbado pelas acusações de parte da sociedade que continua rachada, mas que vai cobrar sem dó as ações prometidas antes do impeachment.
Em meio a esse turbilhão, existe um congresso nacional podre, submisso às propinas e as acusações de leviandade de toda espécie. Um grupo de parlamentares dos mais fracos que se tem notícia na democracia nacional. Eles certamente não estão, nem nunca estiveram preocupados com a economia, a gestão pública e a sociedade que os sustenta. Portanto, se for contar com eles, Temer irá pelo mesmo caminho que sua antecessora. Afinal, nem Michelzinho, filho de Temer com sete aninhos de vida confiaria nessa escória que ocupa um mandato no Congresso Nacional.     

14 de maio de 2016

Um começo nada promissor!

Tem políticos que aspiram tornar-se Mickey Mouse...
Ser tão encantador que as pessoas
esqueçam que eles são ratos.
Autor desconhecido

Começou neste dia 12 de maio de 2016, o governo provisório de Michel Temer, denominado por seus homens de marketing como “Governo da Salvação”, cujo logotipo é a bandeira nacional estilizada com as palavras Ordem e Progresso.
A escolha de sua equipe de governo deixou de lado mulheres, negros e foi recheada de velhos políticos da nossa combalida escória partidária. Nenhuma surpresa, nem nomes oriundos da ciência, das universidades, que pudessem dar um pouco mais de esperança ao povo brasileiro.
Dentre os nomes do chamado “mais do mesmo” da política rasteira do Brasil, Temer caprichou na busca por gente que deve muito à justiça do nosso país. Isso sinaliza que nem as recentes prisões e investigações assustam alguns políticos e partidos brasileiros. Dentre estes chama a atenção os seguintes escolhidos por Temer e seus partidos aliados:
O novo ministro da Agricultura é Blairo Borges Maggi (PP-MT) considerado pelos ambientalistas como um dos maiores promotores do desmatamento e destruição da Floresta Amazônica. Apelidado de Motosserra ele não tem escrúpulos e teve a coragem de criar o Programa MT Legal, que visava estimular a regularização e legalização fundiária, algo que obviamente não realizou.
É sua a famosa frase: "Para mim, um aumento de 40% no desmatamento não significa nada; não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo aqui. Estamos falando de uma área maior que a Europa toda e que foi muito pouco explorada. Não há razão para se preocupar”. Será esse senhor que cuidará da política de agricultura do Brasil neste governo da Salvação Nacional.
Outro nome emblemático da equipe de Temer é o de seu Secretario de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), político que assim como outros da equipe esteve nas gestões petistas de Lula ou Dilma. Geddel ocupou o cargo de Ministro da Integração Nacional na segunda gestão de Lula entre 2007 e 2010. Período em que privilegiou seu Estado natal com 90% (Noventa por cento das verbas liberadas).
Por liberar essas verbas, Geddel foi acusado de favorecimento, mas todas as acusações foram desmentidas pelo presidente Lula. Que amigo hein? Em troca Lula se manteve distante do processo eleitoral na Bahia.
Mas o grande desempenho de Geddel foi no escândalo envolvendo os chamados "Anões do orçamento", descoberto em 1993, em que parlamentares manipulavam emendas orçamentárias com a criação de entidades sociais fantasmas ou participação de empreiteiras no desvio de verbas.
O esquema era comandado pelo deputado baiano José Alves, que ficou conhecido por afirmar ter ganhado 56 vezes na loteria em 1993. Geddel era apoiado pelo político de João Alves e foi responsável pela liberação de várias emendas para ele. Foi também acusado de ter recebido verba de empreiteiras.
Outro ministro escolhido pelo governo da Salvação Nacional foi Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o Ministério do Turismo, onde estava até poucas semanas atrás na gestão de Dilma Rousseff.
Henrique Alves teve seu nome envolvido na Operação Lava Jato a partir dos termos de colaboração do doleiro Alberto Youssef e passou a ser investigado pelo MPF, estando presente na lista do PGR, conhecido popularmente como lista de Janot. 
Em 15 de dezembro de 2015, uma nova fase da Lava Jato, batizada de Operação Catilinárias, o STF, através do ministro Teori Zavascki autorizou buscas pela Polícia Federal na casa de Henrique Alves. É mais um que a corrupção não cola e tem imunidade Mega Blaster na esfera do STF e da Justiça. Assim como tantos outros delatados que nunca foram ouvidos na PF, nem no STF.
Para não me alongar muito vou citar o novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações Gilberto Kassab do PSD-SP. Era aliado e braço direito do PT, mas de repente resolveu mudar e apoiar o outro lado da força. Força que imediatamente após o impeachment lhe dá um ministério para ocupar.
Kassab foi acusado de irregularidades sobre a origem de seu patrimônio, que aumentou 316% acima da inflação (de R$ 102 mil para R$ 985 mil), de 1994 a 1998, período em que exerceu o cargo de deputado estadual e de secretário de planejamento do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Já o patrimônio declarado no ano de 2008 era de R$ 5.107.628,31.
Em 2004, a juíza Maria Gabriella Sacchi, da 11ª Vara da Fazenda Pública, determinou a quebra dos sigilos bancários do então candidato a vice-prefeito na chapa de José Serra (PSDB), sob a acusação de enriquecimento ilícito. Em 2005, o Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo confirmou arquivamento do inquérito de enriquecimento ilícito contra o vice-prefeito.
Em 20 de fevereiro de 2010, o juiz da 1ª zona eleitoral de São Paulo, cassou os mandatos de Kassab e da vice-prefeita Alda Marco Antônio por entender como ilegais as doações feitas pela Associação Imobiliária Brasileira (AIB), construtoras e Banco Itaú, mas, no dia seguinte, garantiu a permanência do prefeito de São Paulo até o julgamento final do processo de cassação de seu mandato. As doações ilegais somariam dez milhões de reais. As empreiteiras patrocinadoras teriam recebido 243 milhões de reais em contratos já pagos pela prefeitura desde 2009.
Nota-se que as acusações são muitas e as atuações da Justiça são sempre excessivamente benevolentes e imorais com essa gente que usa seus cargos e poder político para se safar de penas de todo tipo. Para que serve mesmo a Lei da Ficha Limpa?
No total são 13 investigados premiados com o voto de confiança de Temer e a nomeação para um ministério da Salvação nacional. Deus nos ajude e proteja!

13 de maio de 2016

Nós acusamos


Diante da gravidade da situação nacional e da miséria das alternativas que se apresentam:
Nós acusamos o governo interino que agora se inicia de já nascer morto. Nunca na história da República brasileira um governo começou com tanta ilegitimidade e contestação popular. Se, diante de Collor, o procedimento de impeachment foi um momento de reunificação nacional contra um presidente rejeitado por todos, diante do governo Dilma o impeachment foi o momento em que tivemos de construir um muro para separar a Esplanada dos Ministérios em dois.
Esse muro não cairá, ele se aprofundará cada vez mais. Aqueles que apoiaram Dilma e aqueles que, mesmo não a apoiando compreenderam muito bem o oportunismo de uma classe política à procura de instrumentalizar a revolta popular contra a corrupção para sua própria sobrevivência, não voltarão para casa. Esse será o governo da crise permanente.
Nós acusamos os representantes desse governo interino de serem personagens de outro tempo, zumbis de um passado que teima em não morrer. Eles não são a solução para a crise política, mas a própria crise política no poder. Suas práticas políticas oligárquicas e palacianas só poderiam redundar em um golpe parlamentar denunciado no mundo inteiro.
Por isso, eles temem toda possibilidade de eleições gerais. Eles governarão com a violência policial em uma mão e com a cartilha fracassada das políticas de "austeridade" na outra. Políticas que nunca seriam referendadas em uma eleição. Com tais personagens no poder, não há mais razão alguma para chamar o que temos em nosso país de "democracia".
Nós acusamos o governo Dilma de ter colocado o Brasil na maior crise política de sua história. A sequência de escândalos de corrupção não foi uma invenção da imprensa, mas uma prática normal de governo.
De nada adianta dizer que essa prática sempre foi normal, pois a própria existência da esquerda brasileira esteve vinculada à possibilidade de expulsar os interesses privados da esfera do bem comum, moralizando as instituições públicas.
Que os setores da esquerda brasileira no governo façam sua autocrítica implacável. Por outro lado, a procura pela criação de uma conciliação impossível apenas levou o governo a se descaracterizar por completo, a abraçar o que ele agora denuncia, distanciando-se de seus próprios eleitores. O caráter errático deste governo foi à mão que cavou sua própria sepultura. Que este erro sirva de lição à esquerda como um todo.
Nós acusamos aqueles que nunca quiseram encarar o dever de acertar contas com o passado ditatorial brasileiro e afastar da vida pública os que apoiaram a ditadura como responsáveis diretos pela instauração desta crise. A crise atual é a prova maior do fracasso da Nova República.
Que um candidato fascista (e aqui o termo é completamente adequado) como Jair Bolsonaro tenha hoje 20% das intenções de voto entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos mostra quão ilusória foi nossa "conciliação nacional" pós-ditadura. O fato de nossas cadeias não abrigarem nenhum torturador deveria servir de claro sinal de alerta.
Tal fato serviu apenas para preservar os setores da população que agora abraçam um fascista caricato e saem às ruas com palavras de ordem dignas da Guerra Fria. Por isso, a cada dia que passa, percebe-se como este setor da população se julga autorizado a cometer novas violências de toda ordem. Isso está apenas começando.
Nós acusamos setores hegemônicos da imprensa de regredirem a um estágio de parcialidade há muito não visto no país. Diante de uma situação de divisão nacional, não cabe à imprensa incitar manifestações de um lado e esconder as manifestações de outro, transformar-se em tribunal midiático e parcial, julgando, destruindo moralmente alguns acusados e preservando outros, deixando mesmo de se interessar por vários escândalos quando esses não atingem diretamente o governo.
Essa postura apenas servirá para explodir ainda mais os antagonismos e para reduzir a imprensa à condição de partido político. Nesse momento em que alguns inclinam-se a uma posição melancólica diante dos descaminhos do país, há de se lembrar que podemos sempre falar em nome da primeira pessoa do plural, e esta será nossa maior força.
Faz parte da lógica do poder produzir melancolia, nos levar a acreditar em nossa fraqueza e isolamento. Mas há muitos que foram, são e serão como nós. Quem chorou diante dos momentos de miséria política que esse país viveu nos últimos tempos, que se lembre de que o Brasil sempre surpreendeu e surpreenderá. Esse não é o país de Temer, Bolsonaro, Cunha, Renan, Malafaia, Alckmin.
Esse é o país de Zumbi, Prestes, Pagu, Lamarca, Francisco Julião, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e, principalmente, nosso. Há um corpo político novo que emergirá quando a oligarquia e sua claque menos esperar.

Texto do Professor livre docente do Departamento de Filosofia da USP Vladimir Safatle para a Folha de SP.

11 de maio de 2016

Alguns legisladores não passaram pelos bancos escolares ou precisam voltar a eles!

Seria uma atitude muito ingênua esperar que
as classes dominantes desenvolvessem uma forma
de educação que permitisse aos menos favorecidos
perceberem as injustiças sociais de forma critica.
Paulo Freire
 Os Professores da rede estadual de ensino de Alagoas foram surpreendidos no último dia nove de maio deste ano, ao saberem que estão proibidos de expressarem opiniões em sala de aula para que haja "neutralidade" nas escolas públicas.
O absurdo que beira um ato de ditadura está publicado no Diário Oficial do Estado de Alagoas através da promulgação da Lei n.º 7.800/16, que trata do projeto Escola Livre. A lei determina que professores da rede estadual de ensino não podem mais opinar durante aulas e traz ainda punição para quem descumpri-la.
A promulgação da lei foi assinada pelo presidente interino da ALE (Assembleia Legislativa de Alagoas), deputado Ronaldo Medeiros (PMDB). Em meio à polêmica, Medeiros informou que é contrário à Escola Livre, mas como presidente da ALE tinha que assinar a promulgação da lei porque o projeto foi aprovado pelos deputados.
Embora ainda timidamente, a sociedade alagoana vem reagindo contra este escárnio. O último deles ocorreu na quinta-feira (12), quando estudantes invadiram o plenário da assembleia com faixas pretas na região da boca, fazendo alusão à mordaça, e com cartazes pedindo que o presidente da Casa Legislativa não promulgasse a lei. O grupo permaneceu no local por cerca de três horas e, depois, saiu pacificamente. Policiais Militares monitoraram toda manifestação.
Segundo o texto, estão proibidas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica, bem como a veiculação, em disciplina obrigatória, de conteúdos que possam induzir aos alunos a um único pensamento religioso, político ou ideológico. A lei destaca ainda que o professor não poderá abusar da inexperiência, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos para cooptá-los para qualquer tipo de corrente específica de religião, ideologia ou político-partidária, entre outros pontos, que incitem os alunos a participar de manifestações, atos públicos ou passeatas.
O Escola Livre define ainda que a Secretaria Estadual de Educação e o Conselho Estadual de Educação são os responsáveis por fiscalizar os professores em sala de aula. Se Geraldo Alckmin tomar conhecimento com certeza irá fazer o mesmo em São Paulo.
Nas Alagoas o professor que descumprir a lei estará sujeito a sanções e as penalidades previstas no Código de Ética Funcional dos Servidores Públicos e no Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civil do Estado de Alagoas. Ou seja, quem descumprir a lei poderá ser advertido, suspenso ou demitido.
Esse é mais um dos muitos motivos que devem manter a sociedade civil brasileira atenta às manobras dos nosso abjetos políticos despreparados e na maioria das vezes mal intencionados para com a democracia brasileira.
Os prefeitos, governadores e demais políticos não suportam ver a juventude, as classes trabalhadoras, os inúmeros movimentos de defesa da sociedade civil questionando-os e lembrando-os diariamente dos seus deveres constitucionais.
Seria cômico se não fosse trágico alguém nominar um projeto de cerceamento do direito de pensar e expor suas ideias como sendo “Escola Livre”. Como algo pode ser livre sendo cerceado para manifestar suas ideias, seus conceitos e experiências vividas?
Mais surreal ainda é verificar que o governador Renan Calheiros Filho, seu Vice e atual Secretario da Educação Luciano Barbosa foram contra o projeto e mesmo assim ele foi promulgado, envergonhando o povo alagoano, terra do Menestrel das Alagoas Teotônio Vilela.


Benesses que custam muito caro, mas não incomodam tanto!

“A dúvida é o começo da sabedoria" Segurs

O futuro possível governo de Michel Temer promete rever os gastos públicos excessivos dos benefícios concedidos aos setores empresariais. O conjunto dessas benesses cria uma verdadeira “Bolsa Empresário” e vai custar aos cofres públicos em 2016 cerca de R$ 270 bilhões.
Para se ter uma vaga ideia do tamanho destes valores, o tão criticado Programa Social “Bolsa Família” pela classe média corresponde a menos de dez por cento do gasto com o Bolsa Empresário.
Trata-se de um valor obsceno, que representa mais do que o dobro do déficit primário do governo federal, estimado em R$ 120 bilhões em 2016. Estranho nunca termos visto o Senhor Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústria do Estado de São Paulo combater este descalabro.
Os itens que compõem o Bolsa Empresário formam um enorme emaranhado que precisa ser revisto, de preferência junto com uma reforma fiscal e tributária que nunca foi realizada a contento neste país.
No programa aos empresários acumulam-se subsídios, desonerações e o pior, regimes tributários diferenciados para toda sorte (Ou azar) dos setores da economia (Portos, Indústrias químicas, Empresas de petróleo, Fabricantes de equipamentos de Energia eólica e até o Agronegócio).  
 O setor de agricultura quase não paga previdência e impostos porque a maioria dos produtores, até os que faturam bilhões, acabam sendo enquadrados como pessoas físicas, e não jurídicas.
Sem contar os repasses que são feitos ao Sistema “S” (SENAI, SESC, SESI, SENAR, SEST e SESCOOP), cujas prestações de contas carecem de transparência. Bancam cursos educacionais, como o proposto, porém, misturam-se ao orçamento de inúmeras entidades empresariais.
Neste emaranhado de absurdos até o FGTS, cuja origem advém dos recursos dos trabalhadores teve aplicação de quase R$ 23 bilhões em Projetos Privados. Segundo informações da própria Caixa, os recursos foram corrigidos pela Taxa Referencial (0,2% + 6% ao ano). Um valor generoso quando comparado às condições de captação de recursos no Brasil. Destes recursos, R$ 2,5 bilhões foram destinados a Empresa de Sondas Sete Brasil, envolvida na Operação lava Jato e atualmente em recuperação judicial.
Já passou da hora do governo brasileiro acabar com a farra do boi gordo. Segundo o Instituto de Pesquisas de Economia da Fundação Getúlio Vargas, os benefícios tributários, financeiros e creditícios somam R$ 385 bilhões neste ano. Uma imoralidade e com certeza uma temeridade para os cofres da União.
Não acredito que um governo que não foi eleito pelo voto popular e que está atrelado ao latifúndio, aos sanguessugas da política brasileira possa promover alguma reforma que chegue próximo de resolver ou ao menos realizar uma avaliação efetiva e profunda dos custos e benefícios fiscais, como de todo gasto público.
A justificativa do governo para esta situação é a de promover o corte de impostos para fomentar o desenvolvimento em regiões menos favorecidas. O que não passa de uma grande mentira, quando analisamos que 52% do total dos gastos tributários em 2016 beneficiam o Sudeste, região mais próspera do país. Isso não vai mudar, até por que fica muito mais fácil para a classe política e a classe empresarial criticar os benefícios concedidos aos mais necessitados do que realizar os cortes tão necessários na estrutura atual.

1 de maio de 2016

Uma ciclovia chamada Brasil!


A tragédia da ciclovia, uma obra de R$ 45 milhões que havia sido classificada como legado olímpico e cartão-­postal dos Jogos, é um retrato 3x4 da esculhambação do país. Ali, naqueles metros que desabaram três meses após a inauguração, em 17 de janeiro, estão reunidos muitos pecados capitais. Não foi só crime de homicídio, com a morte de duas pessoas inocentes, diante de uma das vistas mais belas do Brasil, na Avenida Niemeyer.
Pedalamos num mar de crimes de responsabilidade, num deserto de homens públicos (e mulheres públicas) decentes. Não sabem o que é decoro, recato, pudor – ou compromisso. Na queda da Ciclovia Tim Maia, a ressaca é a única inocente. Análises de primeira hora apontam negligência no projeto. Possível corrupção e superfaturamento. Imperícia. Falta de estudos sobre o impacto das ondas num costão. Falta de fixação da pista às vigas. Falta de uma das duas vigas que constavam no projeto da Geo-Rio! Falta de sistema de prevenção por não interditar a ciclovia em dia de ressaca. Falta de nomes assinando o projeto. Falta de fiscalização. Falta de parafusos!
Não é isso que vivemos em grande escala no país? Uma ressaca moral de imensa magnitude. Uma onda excepcional de corrupção que mina as contas públicas, os serviços públicos, o dia a dia da população, dos ativos e inativos, aposentados e pensionistas. O que se espera de uma gestão responsável? Que esteja apoiada em pilares, assim como a ciclovia.
Concordo com um artigo assinado em O Globo pelo consultor José Vidal: “Os pilares da governança corporativa são justiça e equidade, transparência, prestação de contas e respeito às normas reguladoras”. Foi pela falta de todos esses pilares, sem sustentação possível, que desabou o governo da presidente Dilma Rousseff, levando junto milhões de vidas em penúria.
A força do mar foi subestimada e por isso a ciclovia caiu? Sim. Mas foi isso e mais um pouco. A Contemat e a Concrejato, empresas do grupo Concremat que construíram a ciclovia agora amaldiçoada, pertencem à família do secretário municipal de Turismo do Rio de Janeiro, Antônio Figueira de Melo – um dos principais auxiliares do prefeito Eduardo Paes. Na gestão Paes, segundo o jornal Folha de S.Paulo, a empresa multiplicou por 18 o valor de contratos com a prefeitura do Rio. Melo, tesoureiro de Paes, diz ser “infundado e leviano” ligar seu nome aos negócios da Concremat, fundada por seu avô e presidida por seu tio.
Quem viu o desastre disse que a onda levantou a ciclovia como se fosse à tampa de uma caixa de isopor. Quando se vê o péssimo estado de uma série de obras realizadas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, pensamos o que falta mais para o Brasil deixar de ser megalomaníaco. Faltam parafusos na cabeça de nossos gestores. Sobram trincas, rachaduras, afundamento na Vila do Pan, ameaças de desabamento dos estádios – como o Engenhão, fechado para reforma. Tudo faz parte do mesmo quadro.
Cinco meses depois da maior tragédia com barragens no mundo, o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, o que vimos na semana passada? A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) decidiu revogar a lei ambiental que regulamentava, em tese, o licenciamento das obras públicas. A proposta do Senado é autorizar a obra a partir de um Estudo de Impacto Ambiental do empreendedor para garantir a “celeridade... em obras públicas sujeitas ao licenciamento ambiental”. Já foi apelidada de “Fábrica de Marianas”.
Faltam parafusos, faltam pilares. Como pode o governador mineiro Fernando Pimentel contratar como secretária de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social a mulher, Carolina Oliveira, investigada por corrupção pela Polícia Federal, dando a ela foro privilegiado? Como pode esse inacreditável ministro do Turismo Alessandro Teixeira, o marido da miss bumbum, contratar a tia da mulher como secretária na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, pagando R$ 19.488,60 de salário? Como pode a presidente Dilma Rousseff arrombar ainda mais o caixa da União para inviabilizar qualquer eventual sucessor?
Uma primeira medida para moralizar o país seria acabar com a reeleição de presidentes da República. Uma segunda medida seria acabar com o foro privilegiado. Uma terceira medida seria desmontar o cabide de cargos de confiança e o malfadado nepotismo. Uma quarta medida seria reduzir à metade a máquina do Estado. Uma quinta medida seria acabar com as aposentadorias integrais de representantes do povo.
Falta saneamento básico ao exercício da política. Sem pilares de sustentação, cai a ciclovia chamada Brasil. É preciso reconstruir sobre bases muito mais sólidas.

Ruth de Aquino é colunista da Revista Época - Publicado em 01/05/16.

21 de abril de 2016

Coincidências, apenas e tão somente coincidências?

Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas:
a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.
 
Pela segunda vez em 25 anos no Brasil A Câmara dos Deputados votou a favor da admissibilidade do impeachment de um presidente, encaminhando o processo de afastamento para o Senado.
Por uma infeliz coincidência o membro da casa que deu o voto favorável nº 342, mínimo para admitir o processo, foi o deputado Bruno Araújo - PSDB, mencionado em um documento que demonstra que ele teria recebido fundos ilegais de uma das principais empreiteiras envolvidas no atual escândalo de corrupção do país. O PSDB, cujos candidatos perderam quatro eleições seguidas contra o PT, sendo a última delas há apenas 18 meses atrás, quando 54 milhões de brasileiros votaram pela reeleição de Dilma como presidente.
Quando temos certeza que membros do governo próximos ou não da presidência são arrolados em crimes de corrupção ativa e passiva e que 60% dos membros da Câmara Federal são ou serão réus em operações da Polícia Federal e da Justiça brasileira, percebemos a natureza surreal e sem precedentes do processo que ocorreu ontem em Brasília, capital do quinto maior país do mundo.
 O mais estranho é que o crime pelo qual a presidente está sendo julgada, sempre foi utilizado impunemente pelos seus antecessores, governadores de Estado e até por seu vice presidente Michel Temer, que por enorme coincidência não está arrolado no processo de impeachment.
O processo de admissibilidade foi presidido por um dos políticos mais descaradamente corruptos do mundo democrático, o presidente da Câmara Eduardo Cunha que teve milhões de dólares sem origem legal recentemente descobertos em contas secretas na Suíça, e que mentiu sob juramento ao negar, para os investigadores no Congresso, que tinha contas no estrangeiro.
Claro que o fato do Congresso Nacional abrigar entre seus 594 membros da Câmara, “318 estão sob investigação ou acusados” enquanto o alvo deles, a presidente Dilma, “não tem nenhuma alegação de improbidade financeira” não absolve a péssima gestão petista nos últimos anos.
É muito provável que o Senado vá concordar com as acusações, o que resultará na suspensão de 180 dias de Dilma como presidente e a instalação do governo pró-negócios do vice-presidente, Michel Temer, do PMDB.
Se, depois do julgamento, dois terços do Senado votarem pela condenação, Dilma será removida do governo permanentemente. Muitos suspeitam que o principal motivo para o impeachment de Dilma é promover entre o público uma sensação de que a corrupção teria sido combatida, tudo projetado para aproveitar o controle recém adquirido de Temer e impedir maiores investigações sobre as dezenas de políticos realmente corruptos que integram os principais partidos.
Outra coincidência aconteceu no dia seguinte à votação na Câmara, quando o Senador do PSDB de SP, Aloysio Nunes Ferreira viajou para Washington para participar de três reuniões com várias autoridades americanas, além de lobistas e pessoas influentes junto a Bill Clinton e outras influentes lideranças daquele país.
A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram que não tinham maiores informações a respeito dos motivos da viagem do Senador. Aloysio Nunes é uma figura destacada da oposição, tendo concorrido na chapa derrotada do PSDB à Presidência em 2014.
E quase não é necessário dizer que o Senador Aloysio Nunes também foi apontado em denúncias de corrupção; em setembro/2015, um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.
Se somarmos a este fato isolado que recentemente o também senador do PSDB-SP José Serra propôs e conseguiu a aprovação no Senado de um Projeto de Lei que desobriga participação da Petrobras em todos os consórcios do pré-sal. Projeto de lei que agora segue para analise da Câmara dos Deputados.
A proposta retira da Petrobras a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a obrigação da estatal de participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração da camada. O projeto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e foi relatado pelo senador Ricardo Ferraço (sem partido-ES).
"Esse projeto acaba com a política de controle nacional. A Petrobras deixar de ser a operadora única do pré-sal é um desastre. Nós estamos entregando a preço de banana, US$ 30 o preço do barril. Nós descobrimos o pré-sal e vamos entregar de bandeja?", protestou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Estes fatos precisam ser entendidos pela sociedade que deve ficar muito atenta ao comportamento dos políticos que agora compõe o grupo de apoio a Michel Temer, entre eles o PSDB e o DEM. Essa tendência neoliberal dos tucanos pode ser a marca de uma futura gestão Temer até 2018, caso a Justiça não consiga provar sua efetiva participação em processos da Operação lava Jato. Dois impeachments seria muita coincidência para um país só no mesmo ano.