Loading...

18 de março de 2017

Todos os homens do presidente Temer!

Somente após a última árvore cortada,
após o último rio ser envenenado,
o último peixe ser pescado.
Somente então o homem descobrirá
que dinheiro não pode ser comido.
Provérbio Cree

Ao ler e ouvir políticos da base aliada do governo federal e até (pasmem) empresários elogiarem o governo Temer com suas pseudo reformas estruturais, sinto que talvez, não viva no mesmo país que eles estão vivendo. O congelamento de despesas é contestado por especialistas em economia e no futuro será apontado como um grande erro da equipe econômica de Temer.
A Reforma de Ensino é um flash back mal feito de algo que já funcionou bem no país até que políticos inconsequentes fizeram o desmonte do que funcionava e inventaram bobagens que perduram até o presente na Educação brasileira.
A Reforma da Previdência se aprovada do jeito que foi concebida será um crime contra a sociedade brasileira, em especial, naquela que tem carteira assinada, paga pesados tributos e carrega nas costas o Brasil dos alienados e dos políticos corruptos.
Enquanto isso, assistimos horrorizados a um show de denúncia de corrupção, recebimento de propinas entre outros ilícitos que atingem em cheio boa parte da equipe nomeada por Temer.
Desde sua posse com a nomeação de 13 ministros investigados na Lava Jato, percebeu-se que o tal “Governo de Salvação Nacional” era um engodo, uma mentira para iludir incautos desavisados. Parece que as escolhas de Temer não são por Q.I. – Quociente de Inteligência e sim Quantidade de Inquéritos dos nomeados.
Na lista recente do Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviada ao STF com base nas delações premiadas da Odebrecht estão seis ministros de Michel Temer:
Eliseu Padilha
Titular da Casa Civil, principal ministério da Esplanada, responsável pela articulação política, é acusado de intermediar repasses não declarados - caixa dois - para campanhas do PMDB em 2014. Na delação da empreiteira, é chamado de "primo".
Em delação premiada, Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, afirmou que a empresa destinaria R$ 10 milhões para campanhas do PMDB, por intermédio de Padilha.
De acordo com o executivo, em jantar no Jaburu, com Temer, Padilha e Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira na época, Temer teria solicitado apoio financeiro para a campanha do PMDB a Marcelo, que definiu um repasse de R$ 10 milhões ao partido.
Desse total, R$ 4 milhões seriam entregues a Padilha, sendo uma parte entregue no escritório de José Yunes, ex-tesoureiro do PMDB em São Paulo e, na época, assessor especial da Presidência.
Yunes, um dos melhores amigos de Temer afirmou que recebeu, a pedido de Padilha, um pacote em seu escritório entregue por Lucio Funaro, conhecido como operador do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Moreira Franco
Citado 34 vezes na delação da Odebrecht, Moreira Franco, apelidado de Angorá, é acusado de ter pedido dinheiro não declarado à campanha do PMDB em 2014.
De acordo com a delação de Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht, Moreira era um dos principais arrecadadores do partido, atrás de Padilha.
O delator disse ainda que o peemedebista pediu dinheiro para cancelar a construção de um aeroporto em Caieiras, na Grande São Paulo, em 2014, quando era ministro da Aviação Civil do governo Dilma. Em troca, segundo o delator, recebeu R$ 3 milhões em propina.
Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que Moreira recebeu R$ 4 milhões em nome do PMDB, em 2014. Ele teria feito o pedido a Melo.
Por meio de sua assessoria, Moreira sustenta que "jamais falou de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Cláudio Melo Filho".
O peemedebista assumiu a Secretaria Geral da Presidência da República na mesma semana em que o STF homologou 77 delações premiadas da Odebrecht. Com a nomeação, Moreira passou a ter foro privilegiado.
Bruno Araújo
Voto decisivo pelo impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, o deputado licenciado Bruno Araújo (PSDB-PE) e atual ministro de Cidades também é citado como beneficiário de repasses da empreiteira para campanhas de 2010 e 2012.
O tucano aparece em planilhas do departamento de propina da Odebrecht, relacionado ao valor de R$ 100 mil. Os repasses foram confirmados por Melo, apesar de ele não ter mencionado os valores.
Em 2012, quando Araújo era líder do PSDB na Câmara, entregou a Melo a maior outorga da Câmara dos Deputados, a Medalha do Mérito Legislativo.
Aloysio Nunes
Empossado ministro de Relações Exteriores em fevereiro, o senador licenciado Aloysio Nunes (PSDB-SP) é acusado de receber caixa dois na campanha de 2010.
Em delação, o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal relatou um pagamento de R$ 500 mil para a campanha ao Senado do tucano. De acordo com o delator, o pedido foi feito pelo próprio Aloysio e as entregas foram realizadas em duas ou três parcelas em hotéis na zona sul da capital paulista, por meio de uma pessoa enviada pelo senador, que usava senhas para os repasses.
Gilberto Kassab
Apelidado de Kafta na planilha da Odebrecht, o titular da pasta de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), também é apontado como beneficiário de caixa 2.
O codinome "Kafta" consta em relatório da Polícia Federal referente à 23.ª fase da Lava Jato, batizada de Acarajé. Em planilha encontrada nesta fase, há registro de cinco pagamentos de R$ 500 mil cada, dois registrados no mês de outubro de 2014 e três em novembro de 2014.
Em delação, o executivo Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que o ministro recebeu R$ 14 milhões da empresa, em 2013 e 2014, via caixa doisBenedicto Júnior, presidente da Odebrecht, disse que a contribuição foi feita para apoiar Kassab nas eleições ao Senado em 2014 e nas campanhas do PSD.
Os pagamentos seriam motivados pela influência de Kassab em São Paulo, estado em que estava a parcela mais significativa do faturamento da empresa.
Marco Pereira
O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou um repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da Odebrecht para o PRB na campanha de 2014, de acordo com delatores da empreiteira.
A informação consta nas delações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e dono da empreiteira, e dos executivos Alexandrino Alencar e Fernando Cunha.
Os recursos, entregues em dinheiro vivo, compraram apoio do partido então presidido por Pereira à campanha de reeleição de Dilma e Temer.
O ministro teria negociado os valores diretamente com Alexandrino e esteve mais de uma vez na sede da Odebrecht em São Paulo para combinar a entrega dos valores em parcelas. Os repasses, que incluíam também o apoio de PROS, PCdoB, PP e PDT à chapa governista foram de cerca de R$ 30 milhões, sendo os delatores.
Geddel Vieira Lima
O ex-titular da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima também está na lista de Janot. Em delação, Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, cita o peemedebista como responsável pela arrecadação para o partido, em troca de apoio no Congresso ou no Executivo.
Geddel é citado 67 vezes por Melo e conhecido pelo apelido "Babel". De acordo com Melo, em 2009, o ministro recebeu um relógio de R$ 85 mil da empreiteira.
Em 2006, a pedido de Geddel, foram realizados pagamentos no total de R$ 1 milhão por meio de contribuições oficiais e também via caixa dois, afirmou Melo. Na disputa do peemedebista a governador da Bahia em 2010, o delator disse que houve um pagamento entre R$ 1 milhão e 1,5 milhão a pedido do político.
Cabe agora ao ministro Edson Fachin, relator dos processos relativos à Operação Lava Jato no Supremo, aceitar ou não os pedidos. Ele também decide se os casos serão enviados a outras instâncias.
Por exemplo, inquéritos com citações a governadores devem ser encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ações de pessoas sem foro privilegiado, como o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff também podem ser enviados para outras esferas judiciais.
Caso os inquéritos sejam autorizados, começa a fase de investigação sobre o pagamento de caixa dois e de propina pela empreiteira. Se a Procuradoria-geral da República (PGR) entender que há indícios suficientes, oferece a denúncia, a qual cabe ao Supremo aceitar. Todos negaram as denúncias e usam o expediente de transformar Caixa 2 que é enriquecimento ilícito e fraude em algo normal. Neste barco de imundícies até o Desembargador Presidente do TSE Gilmar Mendes defende que Caixa 2 não é crime.
Neste clima de sujeira, desconfiança e podridão do sistema como um todo, o povo está prestes a ser ainda mais penalizado, caso sejam aprovadas as Reformas da Previdência e Trabalhista. Justamente por estes homens de Temer que atuam nos ministérios e no Congresso, onde a quantidade de criminosos é ainda maior. 

13 de março de 2017

Alguns pais estão equivocados!

Seria uma atitude muito ingênua esperar
que as classes dominantes desenvolvessem
uma forma de educação que permitisse
aos menos favorecidos perceberem as
injustiças sociais de forma critica.
Paulo Freire
No Brasil há algum tempo, uma parcela considerável dos pais, pensam e agem como se a nobre tarefa de educar seus filhos pudesse ser terceirizada aos professores da escola infantil, fundamental e até do ensino médio.
Dentro dos limites do lar é onde vocês devem ensinar as crianças a dizer muito obrigado, por favor, me desculpe, sim senhora, sim senhor, bom dia ou boa tarde, e muito mais. É tarefa dos pais ensinar uma criança a respeitar o próximo, os mais velhos, e principalmente dar-se o devido respeito.
Em casa, essas crianças devem aprender valores morais fundamentais na vida de quaisquer seres humanos como, por exemplo, ética, honestidade, pontualidade, solidariedade, asseio e respeito às regras e leis.
Vivemos num país onde os adultos que já foram crianças um dia e não tiveram essa educação dos pais, jogam lixo nas ruas, depredam bens públicos, cometem infrações de trânsito entre outras barbaridades.
É no lar que se deve dar aos filhos a noção do certo e do errado através de exemplos, pois as palavras se perdem com o tempo, enquanto os bons exemplos ficam gravados na memória das crianças para sempre.
Cabe aos professores, ensinar ao longo da vida estudantil de suas crianças, nosso idioma, matemática, história, geografia, física, química, biologia e outros idiomas. Não é tarefa precípua dos educadores profissionais, criar seus filhos.
Quando muito, os professores conseguem reforçar a educação que eles receberam em casa. Se ela inexiste, fica impossível trabalhar essa questão junto aos alunos.
Participar da educação dos filhos além de dar exemplos, educá-los, corrigi-los quando estão errados e até puni-los é também estar presente na vida deles na escola. Comparecendo a todas as reuniões, discutindo métodos de ensino e se possível dando sugestões e fazendo criticas junto ao conselho escolar.
Impor limites na educação do lar é fator primordial para que tenhamos adultos que saibam ouvir um não da namorada, da esposa e principalmente da vida, sem reagir com violência desnecessária muitas vezes.
Somente assim, poderemos ter um dia, esperança na juventude que está por vir em futuras gerações. Pois, atualmente preocupa demais o que estamos vendo nas ruas, nas escolas, nos eventos, onde impera a permissividade, a falta de educação e respeito para com o ser humano, o meio ambiente e até os animais.

6 de março de 2017

Queremos mesmo continuar sendo o país do carnaval?

Somos sim o País do Carnaval, o País da libertinagem carnavalesca. No outro lado da mesma moeda, somos agora também o país da libertinagem política. 
Alexandre A. Loch Psiquiatra, é coordenador de pesquisas no Hospital de Clínicas de SP.


Carnaval, tempo de festa, de alegria. Confete, serpentina, álcool, purpurina, fantasia, samba. Oriundo do Cristianismo ocidental, o festival realizado antes da Quaresma envolve elementos circenses e é impregnado por um senso de sátira social e inversão de regras e normas do dia a dia.
O Carnaval brasileiro tem tamanha força que acabou contagiando a imagem do País tanto para os nativos quanto para os estrangeiros. "O Brasil é o país do carnaval". E pesquisadores acabaram confirmando que é isso mesmo.
Ranjan Bandyopadhyay e Karina Nascimento, da Universidade de San Jose, na Califórnia, estudaram a imagem que o Brasil tem para turistas estrangeiros. Através de levantamento de informações históricas e da coleta de materiais promocionais de agências de turismo, observaram que o País é vendido lá fora majoritariamente como um lugar sensual e selvagem. Características em boa parte das vezes incorporadas na ideia do Carnaval.
A origem deste "Brasil carnal" é uma mistura de herança histórica e reforço comercial realizado pelas agências de turismo. Segundo os pesquisadores, o imaginário popular estrangeiro sempre foi permeado pela ideia de que o País seria um paraíso na Terra, de beleza humana e natural extraordinária.
Esse imaginário pode ser visto percorrendo o tempo ao longo dos séculos desde as cartas de Pero Vaz de Caminha até os dias de hoje, quando analisamos inúmeros outros documentos históricos. São estereótipos e clichês que foram transmitidos de geração a geração, construindo uma coleção de sinais e símbolos representando um Brasil bárbaro e lascivo.
Essa imagem ganhou corpo com a criação da EMBRATUR durante o governo militar em 1966. A agência reforçou esse conceito histórico para o estrangeiro de modo a atrair turistas e investimentos externos para o País.
Configurando uma espécie de neocolonialismo, o País começou a ser vendido como lugar de erotismo, de liberdade sexual e de realização de sonhos. Desta forma, em um ciclo vicioso, o turista tendia a reafirmar imagens preconcebidas e ignorar qualquer coisa que não se encaixasse com tais ideias.
A propaganda se tornava então uma profecia autorrealizável, reforçando cada vez mais a imagem. A versão de 2008 do Lonely Planet traz, por exemplo, os seguintes dizeres sobre o Brasil: "Por centenas de anos o Brasil foi simbolizado como uma fuga para um paraíso tropical, primitivo, provocando a imaginação de todos como em nenhum outro país da América do Sul. Da paixão insana do carnaval à imensidão da Amazônia, é um país de proporções míticas: quem é mais selvagem, a floresta ou o povo?”.
Era comum (e ainda é) que hotéis no Rio de Janeiro mostrassem em seus catálogos fotos de mulheres seminuas em trajes carnavalescos ao lado das imagens dos quartos. A propaganda de turismo sexual culmina, ao final dos anos 90, com o fato alarmante de que o Brasil era um dos países que mais exportavam prostitutas para outros países, tanto para a Europa quanto para a América Latina. Também estávamos entre aqueles com maior taxa de prostituição feminina do mundo.
Na virada do século o governo brasileiro se deu conta da imagem estereotipada e degradante que passava para o exterior e criou o Ministério do Turismo, tendo como uma das principais missões mudar essa impressão. Mas já era tarde, pois a imagem já estava enraizada no imaginário popular internacional.
Brasil, o país do Carnaval. Este conceito também não é algo totalmente exógeno, estranho a nós. Não é algo simplesmente imputado por outrem. Como acontece com qualquer povo, muitos acabam incorporando os estereótipos que circulam na sociedade. Trocando um pouco as palavras da segunda frase do texto, para explicitar o lado ruim do carnaval: exageros, desrespeito, selvageria, incivilidade.
Uma liberdade excessiva que acaba passando por cima dos outros. Libertinagem. Basta ver os casos de violência à mulher que acontecem nesta época. As cartilhas distribuídas em Recife ensinando um homem a tratar uma mulher (as cartilhas são ótimas – a necessidade delas é algo vergonhoso).
Basta ver os bairros pós-blocos de carnaval, imundos e cheirando a urina. Os furtos, as depredações, as brigas, os acidentes nas estradas por conta de gente bêbada. Na mesma medida, basta ver os escândalos de corrupção. Libertino: aquele de conduta desregrada, livre de qualquer senso moral.
O País da Lava Jato. Um bloquinho com Cabrais, Cunhas, Garotinhos, Delcídios, felizes, alegres, com o dinheiro alheio. Desfilando durante todo o ano nos palcos políticos do País. Mas agora, na cadeia.
Esperamos que um dia esta imagem nossa possa mudar. E um bom ano a todos, já que 2017 só começa agora.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

3 de março de 2017

Lava Jato não quis saber de acusações de lobista contra Aécio e Furnas!

O juiz Sérgio Moro tinha um foco claro no depoimento do lobista Fernando Moura: saber o envolvimento do ex-ministro José Dirceu no esquema de corrupção da Petrobras. Sem querer e de forma meramente exemplificada, o delator citou como ocorria a divisão de propina na hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, com a indicação por Aécio Neves (PSDB-MG) de Dimas Toledo para comandar a estatal mineira. 
Dessa forma, o caso de corrupção envolvendo a hidrelétrica foi retomado após quase 12 anos, desde as primeiras acusações. Na Lava Jato, a investigação estava paralisada na delação do ex-senador Delcídio do Amaral e, posteriormente, confirmada pelo ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado. 
Agora, com visível desinteresse do juiz Sergio Moro, que em mais de 30 minutos de depoimento não questionou uma única vez sobre o esquema de corrupção que repassava propina ao PSDB, Fernando Moura retoma o episódio. Também ao acaso, quando uma procuradora da República, questiona ao lobista sobre o envolvimento de Dirceu e, de forma exemplificada, o delator cita Aécio.  
Foi realizada uma acareação pelos procuradores da República no caso da Lava Jato na Justiça do Paraná. Na audiência, o ex-diretor de Engenharia de Furnas, Dimas Toledo, ouviu a acusação do delator e lobista Fernando Moura que, em 2003, ele teria garantido dois terços da propina arrecadada ao PT e um terço ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). 
No relato, Fernando Moura disse que o então ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, contou que o tucano Aécio Neves solicitou a permanência de Dimas Toledo na estatal de energia de Minas. O lobista foi quem informou Dimas sobre a sua permanência. 
À plateia de investigadores, Moura disse que o acerto da indicação tucana, mais especificamente do senador, na estatal foi uma forma de retribuir o apoio do PSDB ao recém-empossado governo do PT. 
A confirmação surgiu espontaneamente por Fernando Moura. Em mais de 30 minutos, todos os questionamentos do juiz Sérgio Moro a Moura eram relacionados à indicação de Renato Duque para a diretoria da Petrobras e os benefícios recebidos pelo PT nacional e estadual, de São Paulo e o "grupo político de José Dirceu", com os contratos da estatal. 
O magistrado do Paraná concluiu a suas perguntas sem questionar sobre o PSDB ou a indicação de Aécio Neves na estatal mineira de Furnas. Foi quando o juiz federal passou a palavra a uma procuradora da República é que o tema surgiu, despropositalmente. 
"O senhor mencionou que o senhor saiu do Brasil, quando foi para os Estados Unidos, porque podia estourar o esquema da Petrobras e o Silvio e o Dirceu estavam envolvidos. Eu queria que o senhor detalhasse a participação do senhor José Dirceu", perguntou à procuradora. 
"Vou explicar", respondeu Fernando Moura. "Vou ser um pouco prolixo. Quando acabou a eleição de 2002, que ganhamos a eleição, foi feito uma reunião para a definição de, mais ou menos, umas cinco diretorias de estatais para poder ajudar a campanha posteriormente", iniciou. 
"Então foi conversado sobre Petrobras, sobre Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil. Desde que todas as pessoas que fossem indicadas, elas teriam que estar com 20 anos de casa, ser funcionário da casa, para poder receber essa indicação, isso foi conversado antes, em novembro de 2002. Aí, nessa relação, foi indicado o nome do Renato Duque para a Petrobras, foi indicado o nome do senhor Eduardo Medeiros para os Correios, a princípio eu levei para o senhor José Dirceu o nome do Dimas Toledo para que continuasse na Diretoria de Furnas", exemplificou o delator. 
A partir daí, novamente sem que nenhum investigador da Lava Jato questionasse ou o juiz federal Sérgio Moro, Fernando Moura se estendeu no caso específico da estatal mineira de Furnas. "Ele [Dirceu] usou até uma expressão comigo: 'o Dimas não, porque o Dimas se entrar em Furnas e colocar ele de porteiro, ele vai mandar em Furnas, é uma pessoa que já está há muito tempo, 34 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio [Neves]'", contou. 
"Passado um mês e meio, ele [Dirceu] me chamou e perguntou: qual a sua relação com Dimas Toledo. Eu disse que estive com ele três vezes, achei ele competente, um profissional. 'Porque esse foi o único cargo que o Aécio [Neves] pediu para o Lula, então você vai conversar com o Dimas e diga para ele que a gente vai apoiar a indicação dele'", teria dito Dirceu a Moura. 
"Eu fui conversar com o Dimas, que na oportunidade me colocou da mesma forma que coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele [Toledo] falou: 'vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço para São Paulo, um terço nacional e um terço para Aécio'", narrou. E a procuradora interrompeu: "tá, mas a pergunta que eu fiz para o senhor foi diferente. Eu quero saber qual é a participação do senhor José Dirceu no esquema da Petrobras".
Autor: Luis Nassif - GGN

Assista a partir dos 11:27: https://youtu.be/V5fRNuzSk_c

18 de fevereiro de 2017

Significados!

Saudade é quando o momento
tenta fugir da lembrança
para acontecer de novo
e não consegue.

Lembrança é quando,
mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito
apertado bem
no meio do sossego.

Preocupação é uma cola
que não deixa o que ainda
não aconteceu,
sair de seu pensamento.

Indecisão é quando
você sabe muito
bem o que quer
mas acha que
devia querer
outra coisa.

Certeza é quando a ideia cansa
de procurar e para.

Intuição é quando seu
coração dá um pulinho
no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa
em você o trailer de um filme
que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto
que você quer pra se cobrir
naquela hora.

Ansiedade é quando sempre
faltam muitos minutos
para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de
exclamação ou de interrogação
no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o
coração usa quando precisa
mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro
que mora em você
mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante
que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não
tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não
faz questão de você e se
empresta pros outros.

Culpa é quando você
cisma que podia ter
feito diferente,
mas geralmente,
não podia.

Lucidez é um acesso de
loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado
aproveita que a emoção
está dormindo e assume
o mandato.

Vontade é um desejo que
cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar
da palavra ¨perigo¨
o desejo chega e entra.

AMOR é quando a paixão
não tem outro compromisso
marcado.

Não... Amor é um exagero...
também não. Um dilúvio, um
mundaréu, uma insanidade,
um destempero, um despropósito,
um descontrole, uma necessidade,
um desapego?
Talvez porque não tenha sentido,
talvez porque não tem explicação,
esse negócio de amor, não sei explicar.

Autor: Mario Prata

17 de fevereiro de 2017

A receita para destruir um país!

Há três formas de destruir um país. As duas primeiras são por meio da guerra e de catástrofes naturais. A terceira, a mais segura e certa de todas, é entregando seu país para economistas liberais amigos de operadores do sistema financeiro.
Em todos os países onde eles aplicaram suas receitas de "austeridade", a recompensa foi à pobreza, a desigualdade e a precarização.
Alguns países, como a Letônia, vendido por alguns como modelo de recuperação bem-sucedida, viu sua população diminuir em quase 10% em cinco anos, algo que apenas as guerras são capazes de fazer. Ou seja, o preço para essa peculiar noção de sucesso foi expulsar quase 10% da população para refazer suas vidas em outros países.
No Brasil, não faltou economista a eleger, meses atrás, o Espírito Santo como um modelo de ajuste econômico e responsabilidade fiscal. O mesmo Espírito Santo que tem números piores do que média nacional (retração de 13,8% até o terceiro trimestre de 2016) e que há algumas semanas simplesmente entrou em colapso, virando uma zona de anomia em meio à greve de policiais. Não poderia ser diferente.
No mundo desses senhores não existe gente, não se levam em conta reações populares a medidas econômicas, muito menos experiências de sofrimento social e revoltas políticas contra processos de pauperização vendidos como "remédios amargos, porém necessários".
Outros tantos desses economistas encheram as páginas de jornais e tempo de televisão para levar a sociedade brasileira a acreditar que, conduzindo Michel Miguel à Presidência, a "confiança" dos mercados daria o ar de sua graça e, com ela, viria à estabilidade.
Bem, nos últimos dias, o Banco Mundial divulgou uma análise segundo a qual espera que, até o final do ano, 3,6 milhões de pessoas voltem à pobreza no Brasil. Para ser mais claro, 3,6 milhões de pessoas verão seus rendimentos caírem para menos de R$ 140 por mês.
Isso em um cenário no qual o Brasil tem a maior taxa de capacidade ociosa da indústria dos últimos 70 anos, já que não há mais compradores para seus produtos.
Se somarmos a isso a reforma da Previdência, a limitação de investimentos estatais para guardar dinheiro a fim de pagar os mais de R$ 400 bilhões em serviços da dívida pública, a proposta de terceirização irrestrita e o colapso do sistema brasileiro de serviços públicos teremos um cenário simples: o Brasil foi destruído pelas políticas implementadas desde a guinada neoliberal do governo Dilma. O próximo passo será a imigração em massa dos que puderem, normalmente os mais bem formados.
É claro que haverá aqueles que dirão que isso é "herança maldita" de políticas econômicas esquerdistas. Mas chamar governos que nunca foram capazes de propor a taxação progressiva de rendas e riquezas, a transferência paulatina da detenção dos meios de produção para as mãos dos trabalhadores e a limitação dos ganhos do sistema financeiro de esquerdista é algo da ordem do simples jogo de palavras.
Enquanto isso, uma parcela da população aplaude tudo, já que acredita ficar imune à degradação econômica nacional. Essa mesma parcela julga-se hoje detentora de alguma forma de superioridade moral que faria calar os descontentes com este governo.
No entanto, que as coisas sejam ditas de forma clara: eles nunca estiveram nem estão, de fato, preocupados com julgamentos morais.
Os mesmos que gritam contra corruptos do antigo governo sempre votaram e continuaram votando em políticos notoriamente corruptos, continuaram calados diante de casos gritantes de corrupção neste governo, como ficaram calados quando, nesta semana, o STF publicou uma decisão inacreditável e criminosa para permitir o gato Angorá, vulgo Moreira Franco, com suas citações na Lava Jato, ocupar um ministério.
Nada estranho, já que o problema deles nunca foi à corrupção, e sim a luta contra políticos com os quais eles não se identificam. O discurso contra a corrupção era apenas uma grande farsa, senão produziria ações simétricas contra toda classe política brasileira.
Julgamentos morais não aceitam usos estratégicos. Quem usa moral de forma estratégica é um "moralista da imoralidade". Na verdade, essas pessoas são atualmente cúmplices de um governo cuja única preocupação é se blindar e escapar da cadeia. Até porque, Michel Miguel e os seus não governam, eles têm coisas mais urgentes para fazer.
Enquanto tentam salvar a própria pele, terceirizaram o Brasil para gestores da catástrofe.

Autor: Vladimir Safatle - É professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Publicado na Folha de SP. 17/02/2017

16 de fevereiro de 2017

Porque a destinação do lixo é tão problemática?

A maior parte das pessoas
prefere morrer a pensar;
na verdade, é isso que fazem.
Bertrand Russell
O lixão é uma forma incorreta do poder público descarregar o lixo urbano sobre o solo, sem tomar as devidas precauções em relação à proteção com o meio ambiente e a saúde pública. Essa prática coloca no mesmo solo o lixo orgânico misturado com outros tipos de detritos que o destroem, causam doenças e possibilitam o surgimento de insetos indesejáveis para a população ao seu entorno.
Legalmente os chamados lixões já deveriam ter sido extintos em 2014, prazo máximo determinado para o fechamento destes locais segundo a Lei 12.305/2010 – Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Apesar da lei, em 2015 cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda despejavam toneladas de detritos nos lixões. É um monte de entulho, misturado com garrafa plástica, pneu, restos de árvores, animais domésticos mortos.
A manutenção dos lixões provoca ainda o vazamento de chorume, liquido que é resultado da decomposição do material orgânico e a liberação de gases poluentes.
Em São Paulo, ainda existem aproximadamente 43 cidades com lixões segundo o órgão ambiental estadual. Segundo a empresa, o objetivo é eliminar os depósitos de lixo a céu aberto até o final de 2017. Os prefeitos preferem pagar as multas ao invés de buscar uma solução adequada e dentro da lei para resolver definitivamente o problema.
Apesar da determinação da PNRS ter surgido com o advento da lei em 2010, a lei de crimes ambientais (Lei 9.605/1998) em seu artigo 54 classifica a poluição como um crime ambiental e preveem penas para seus responsáveis, neste caso, os gestores municipais que por meio de seus atos destinam os resíduos para os lixões.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA define impacto ambiental como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população e suas atividades econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.
 As alternativas viáveis para os municípios descartarem seus resíduos sólidos são as seguintes:
Aterro Sanitário: Este modelo é a melhor solução. A ABNT informa que “aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos, consistem na técnica de sua disposição no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza os princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho ou a intervalos menores se for necessário.”.

Incineração: Consiste na queima do lixo em fornos e usinas próprias. Com a incineração obtém-se uma redução de até 90% do volume inicial de resíduos. A queima se dá com temperaturas entre 800 a 3000 graus centigrados. Todos os incineradores operam com filtros para eliminar os gases tóxicos liberados. Os resíduos desta incineração devem ser encaminhados a um aterro sanitário apropriado.

Compostagem: É um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo, a que se chama composto, e que pode ser utilizado como adubo. Tem muita utilização no meio rural.

Usina de triagem e compostagem: Começaram a aparecer no Brasil por volta de 1970. São “plantas Industriais” que catam o material reciclável em esteiras e o material orgânico é encaminhado para locais dentro do processo de compostagem, ou seja, transformam lixo em adubo que é vendido. Da mesma forma os materiais recicláveis vão para a indústria. Vale ressaltar à  importância de Usinas de Triagem tanto pelo lado econômico como pelo lado ambiental, notadamente, pela redução de amplos espaços para Aterros Sanitários. Mesmo onde ainda perduram os lixões uma usina evitaria de forma contundente a contaminação do meio ambiente.

Usinas de Tratamento Térmico de Resíduos Urbanos com Geração de Energia: Trata-se de um novo modelo de tecnologia para processamento do lixo. Pode processar, por módulo industrial, até 150 toneladas de lixo por dia com  geração efetiva de 3,3 MWh de energia elétrica, sendo 2,8 MWh disponíveis para fornecimento externo.  A finalidade não é gerar energia e sim, dar um fim adequado ao lixo.
Alternativas existem, leis existem, falta apenas capacidade de gestão, honestidade de princípios e inteligência para que nossos gestores públicos atendam o chamado da modernidade e coloquem nossas cidades dentro da modernidade compatível com o século em que vivemos. Enquanto eles (Políticos) estiverem em meio a esse apagão de discernimento e probidade, será difícil o país progredir a partir de seus municípios.

14 de fevereiro de 2017

O Mecanismo!

A IMPORTÂNCIA DA LAVA-JATO

VINTE E SETE ENUNCIADOS SOBRE A OPORTUNIDADE DE DESMONTAR O MECANISMO DE EXPLORAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “O Mecanismo”.)
2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.
3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.
4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.
5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.
6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.
7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.
8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.
9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.
10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.
11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.
12) A maioria dos políticos brasileiros têm baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)
13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.
14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.
15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.
16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.
17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.
18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.
19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.
20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...
21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)
22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes rígida, competente e com bastante sorte.
23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.
24) O Brasil atual esta sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.
25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.
26) Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.
27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.
Autor: Cineasta José Padilha

11 de fevereiro de 2017

Uma experiência única!

Aprenda como se você fosse viver para sempre.
Viva como se você fosse morrer amanhã.

Há algum tempo fui convidado a fazer parte da equipe de colunistas da Rádio Auriverde AM/760 de Bauru-SP. A ideia inicial era postar áudios de dois minutos para serem exibidos durante quinze dias em horários alternados. Com direito a espaço no Site da Rádio e a chance de levar ao público ouvinte que navega na página da internet ou ouve a programação um pouco de informação sobre política na coluna que foi intitulada como Voto Todo Dia!
Depois veio o convite inesperado para participar do programa Jornalismo Auriverde, que é levado ao ar das 17h00min horas às 19h00min horas diariamente de segunda à sexta sob o comando e a direção do jornalista Alexandre Pittoli. A participação não seria fixa, nem teria dia específico, mas compartilhada com alguns ilustres economistas, advogados e profissionais liberais, formadores de opinião na cidade.
Nesse momento me veio à memória os tempos de criança e jovem em São Paulo, quando a força do rádio era ainda maior em todo país. Jornalismo, futebol, música e, sobretudo informação eram ouvidas por mim o dia todo quando não estava na escola.
Osmar Santos, Fiori Gigliotti no futebol, José Paulo de Andrade e Vicente Leporace no jornalismo eram alguns dos muitos expoentes do rádio naquela época. Sem contar, a voz inconfundível de Hélio Ribeiro chamado por muitos como “A voz do rádio brasileiro”. Bons tempos, mas o rádio conseguiu sobreviver e ainda é referência diária para milhões de brasileiros.
Podendo estar ao vivo comentando as notícias de Bauru e do país num programa de grande credibilidade é para mim a realização de um sonho. Interagir com os ouvinte respondendo perguntas ao vivo é um grande desafio, motivador e repleto emoção para mim.
Já escrevo para alguns jornais, em alguns sou colaborador como no Jornal da Cidade de Bauru e no Diário da Manhã de Goiás. Agora, também fui convidado a fazer ao vivo um programa na TVC Bauru – Canal 13 da NET, às quintas-feiras às 22h00min horas, entrevistando personalidades da cidade de Bauru. 
Não poderia estar mais feliz, atuando nas três pontas importantes da mídia (Jornalismo, Rádio e Televisão). Isso me obriga a ler mais, me informar melhor a cada dia e estar sempre atento aos assuntos cotidianos de Bauru, SP e do Brasil.

www.tvcbauru.com.br

10 de fevereiro de 2017

MPE/SP investiga fraude na Linha 4 do Metrô paulista

 O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo investiga um esquema de fraude e superfaturamento em dois trechos das obras da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo que teria desviado ao menos R$ 47,8 milhões. Os promotores identificaram pagamentos milionários feitos pela estatal paulista ao consórcio espanhol Corsan Corviam durante meses em que a construção ficou completamente paralisada, entre 2014 e 2015.
O contrato foi rescindido unilateralmente pelo Metrô em setembro de 2015, por causa dos sucessivos atrasos na obra. Um novo negócio foi fechado para concluir a extensão da Linha 4 com mais quatro estações até a Vila Sônia, zona sul, elevando o custo do empreendimento em 55% e prorrogando o prazo de entrega para 2019, cinco anos depois do prometido. O Metrô afirma que todos os pagamentos "foram liberados somente mediante confirmação dos serviços realizados" e o consórcio nega as irregularidades.
A investigação, contudo, reúne uma série de documentos sobre as fraudes, como comprovantes de pagamentos feitos pelo Metrô por serviços não prestados, papéis que indicam sonegação de impostos, provas de saques em dinheiro na boca do caixa, além de e-mails trocados entre os gerentes da estatal e do consórcio que indicam o superfaturamento nas medições da evolução física da obra. Parte da documentação foi obtida a partir de uma denúncia anônima, que também motivou a abertura do inquérito.
Um relatório produzido pelos promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo, responsáveis pela investigação, lista 29 irregularidades e 50 funcionários do Metrô e da Corsan Corviam que devem ser investigados. Para os promotores, houve crime de fraude em licitação, peculato (corrupção praticada por funcionário público), corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, falsificação de documentos, apropriação indébita previdenciária, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Fraudes
Em um dos casos, a investigação aponta que as obras do trecho 2 da Linha 4 (Estação Vila Sônia e extensão) pararam totalmente a partir de novembro de 2014, mas já não tinham nenhuma evolução física desde agosto daquele ano. Mesmo com o canteiro completamente paralisado, foram repassados pelo Metrô ao consórcio R$ 12,6 milhões, segundo os promotores. O contrato com a Corsan Corviam foi assinado em 2012. De acordo com o MPE, desde novembro de 2013 o trecho 2 "andou" apenas 3%, mas o Metrô desembolsou R$ 55,3 milhões, valor que correspondia a 14,3% do custo total.
Já na Estação São Paulo-Morumbi, as obras pararam em março de 2014, mas continuaram recebendo repasses por mais de um ano, ainda segundo o relatório da Promotoria. "Foram feitas 16 medições após a interrupção. Constatamos pelo menos 11 repasses que totalizaram R$ 8,5 milhões. No mês de março de 2015, houve um pagamento de mais de R$ 1,4 milhão para obras no trecho - parado há mais de um ano."
Outra irregularidade foi constatada na Estação Oscar Freire, nos Jardins. Um relatório de maio de 2015 diz que as obras estavam praticamente paradas, sem nenhum avanço físico. O Metrô, porém, executou sete pagamentos que totalizaram R$ 377,6 mil após a interrupção dos trabalhos. No terminal e no pátio de manobra da Vila Sônia, o relatório diz que, apesar de "ausência de atividades e baixa mobilização de mão de obra", foram repassados R$ 338 mil e depois R$ 743 mil com base em medições fraudadas.
Aparelhos. Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi que, um mês antes do cancelamento do contrato com o consórcio, o Metrô autorizou a compra de dez aparelhos de mudança de vias, enquanto o contrato previa a aquisição de apenas um equipamento desse tipo. Foram gastos quase R$ 5,9 milhões, embora o previsto fosse pagar apenas R$ 509 mil por uma unidade.
"O fato, além de ser suspeito, se constituiu no segundo maior pagamento feito em três anos de obra nesse trecho", afirmam os promotores no relatório que foi encaminhado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para avaliar se a competência da investigação é estadual ou federal, uma vez que a obra recebeu financiamento de instituições internacionais, como o Banco Mundial, e a empresa investigada é uma multinacional com sede na Espanha.
Segundo Conserino, há indícios claros de desvio de recursos públicos. "Seria o mesmo que fazer um orçamento com um pintor, ele cobrar R$ 1 mil e você pagar R$ 4 mil. Só que no caso do Metrô isso foi feito com dinheiro público." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Publicado em 10/02/2017 no Jornal Estadão