26 de dezembro de 2009

2010 que já foi 2006, 2002, 1998, 1994...

Raramente a corrupção
começa pelo povo.
Montesquieu


Os anos terminados com números pares reservam ao povo brasileiro de dois em dois anos a possibilidade de votar numa eleição para prefeitos/vereadores ou para presidente/governadores/deputados estaduais e federais/senadores. De quatro em quatro anos também em anos pares uma dessas eleições majoritárias coincidem com a realização de uma Copa do Mundo de Futebol.
Pois em 2010 teremos eleições + copa do mundo, além de férias de 60 dias para os parlamentares e carnaval. Isso traduzido em dias deveria somar apenas e tão somente setenta e cinco dias. Entretanto, no nosso país esses números são esticados e podem chegar facilmente há 300 dias.
Ou seja, os nossos parlamentares desde a mais modesta Câmara até o Congresso Nacional, passando pelas assembléias legislativas, não vão fazer nada significativo em prol do país, talvez se arrisquem a votar coisas de interesses próprios ou matérias favoráveis a grupos ou partidos, nada mais.
Como sempre o mês de janeiro é a estação nacional das férias de verão, tempo dos políticos se dedicarem as suas famílias em passeios pelo interior do Brasil e na sua maioria no exterior.
Chega o mês de fevereiro e com ele o maior dos feriados do planeta - O c a r n a v a l – Impossível querer votar, discutir ou trabalhar em Brasília enquanto o país está paralisado em torno de afoxés, filhos de Ghandi, desfiles na Sapucaí, trios Elétricos, carnaval do Rio Grande do Sul até a Amazônia.
Março, Abril e Maio são meses que antecedem a convocação, treinamentos e viagem da seleção brasileira para sua participação na Copa do Mundo de futebol na África do Sul. As atenções do país estarão naturalmente voltadas para a disputa e normalmente em Brasília os deputados e senadores não conseguem votar nada. Além do mais nesse mesmo período são fechadas todas as articulações para as candidaturas das eleições de outubro.
De 11 de Junho a 11 de Julho o mundo masculino para ao redor do planeta, fala-se de futebol, respira-se futebol e os deputados seguem a barca da alegria, alguns parlamentares inclusive acompanharão de perto a convite da CBF, do Ministério dos Esportes ou do Governo Lula.
O restante do mês de julho fica para completar as merecidas férias de meio de ano dos parlamentares exauridos por um bocado de trabalho nesse começo de ano.
Chega agosto mês de cachorro louco, ventos fortes e começo das campanhas em rádios e televisões rumo às eleições nacionais. Esse período ultrapassa o mês de agosto, invade setembro e só termina em novembro ao termino do provável segundo turno.
O ano está chegando ao seu final, dezembro é mês de recesso, descanso para os bravos parlamentares que pularam com ou sem abadas, suaram a camisa da seleção, buscaram votos e ainda tiveram de correr atrás de dinheiro para suas campanhas junto a banqueiros, usineiros, empreiteiros, lobistas e agora merecem um descanso ao final de tão árduo ano.
Foi assim em 2006, 2002, 1998, 1994, 1990, 1986... e sempre será, pois aqui é Brasil.

Virada do ano leva o lixo de 2009 para 2010

A passagem de ano marca a chegada de um novo ano, novas esperanças, novos caminhos a trilhar pela humanidade. Entretanto, no velho e bom Brasil, marca também a passagem de todo lixo não resolvido pela justiça de um ano para outro.
O maior lixo na política atual brasileira está contido em enorme containers no planalto central e se chama Corrupção do Governador José Roberto Arruda ex-PSDB, ex-DEM e atual corrupto do ano no cenário nacional. Pego em fragrante com a boca, as meias e as cuecas na botija.
Seu caso será julgado em data incerta e por deputados que pertencem a uma câmara distrital com muitos envolvidos direta e indiretamente nas bandalheiras promovidas pelo Senhor Arruda. Com certeza a sujeira passará de 2009 para 2010 sem que ninguém seja preso, sem que nenhum tostão seja reembolsado aos cofres públicos. Sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, etc.
Em Bauru no interior paulista outro grande lixo será jogado para o próximo ano. O caso intitulado de Caso AHB – Associação Hospitalar Bauru. Desvio de aproximadamente dezesseis milhões de reais. Crime hediondo contra a saúde pública, já tão combalida e quase nocauteada de tanta desatenção, vitima de alguns médicos, administradores e demais bandidos envolvidos nesse processo.
Misteriosamente ninguém mais fala nesse assunto, a mídia comodamente arquivou o caso em suas enormes gavetas do silencio. A polícia e o Ministério Público não nos devem satisfação e trata o processo com sigilo total, senha para que nós, os pagadores de impostos não tenham nenhuma noticia a respeito do andamento do mesmo. Certeza? Apenas uma – Ninguém está preso e nenhum centavo foi ou será devolvido ao sistema de saúde de Bauru.
Fazem parte dos lixos passados muitos casos, ouso dizer que a grande maioria dos escândalos teve sua gloriosa passagem e comemoração de ano novo. Cada qual a sua maneira e a sua época, mas todos os envolvidos em corrupção no Brasil já soltaram muitos rojões num réveillon ao lado da família, dos amigos, de seus corruptores e do dinheiro público que roubaram.
Não são só casos de corruptos que passam muito réveillons impunes, tem também os criminosos que conseguem levar seus processos por muitos anos sem que nenhuma justiça seja feita. Neste caso, o campeão de imoralidade da nossa Justiça é o assassino, réu confesso e ex-jornalista Pimenta Neves que matou brutalmente a repórter Sandra Gomide.
A moça foi assassinada covardemente em 20 de agosto de 2000, desde então esse assassino vive em plena liberdade, graças a recursos que somente pessoas de alto poder aquisitivo tem acesso com seus advogados milionários e as muitas brechas que o nosso falido sistema judicial permite.
Em 05 de maio de 2006, o criminoso foi condenado a 19 anos de prisão em regime fechado, entretanto o Juiz amigo permite que o réu confesso desse crime bárbaro possa recorrer em liberdade.
Se fosse um sujeito qualquer da nossa classe menos favorecida estaria preso desde quando cometeu o crime e não poderia jamais recorrer em liberdade, mas o Pimenta pode graças ao lado obscuro da nossa justiça que também vai entrar em 2010 como um grande lixo a ser um dia extirpado e modernizado à moda dos países de primeiro mundo.

9 de dezembro de 2009

Mais um vexame das torcidas organizadas

O Brasil é o único país do mundo que tolera os vandalismos, assassinatos e depredações das torcidas organizadas dos clubes de futebol. Aqui os marginais se misturam e se vestem com camisas de times de futebol para cometerem crimes dentro e fora dos estádios que um dia sediaram uma Copa do Mundo.
Em Curitiba, cidade linda e encantadora na tarde de ontem (06/12/09), tivemos mais um episódio dantesco, proporcionado pela torcida selvagem do Coritiba, que estava sendo rebaixado á segunda divisão do futebol brasileiro.
Violência contra o time adversário, árbitros e até policiais que estavam em número reduzido para assumir o controle e dar segurança aos milhares de torcedores que estavam no Estádio Couto Pereira. Aliás, diga-se de passagem, o contingente policial está cada vez menor nos espetáculos no Brasil.
Os Estados não querem e nem vão admitir, porém não estão contratando policiais para nos proteger, então os comandos das Policias Militares preferem obrigar a diminuição do público presente aos estádios do que falar a verdade à sociedade. Em SP eu assisti a jogos tranquilamente sem problemas no Pacaembu com 54 mil pessoas, hoje e policiais não deixa venderem mais do que 37 mil.
No Brinco de Ouro em Campinas cabiam 52 mil torcedores, no domingo passado a PM permitiu apenas que 26 mil ingressos fossem vendidos e ao ser questionado diz que é por questão de segurança, mentira... Se houvesse segurança com menos torcedores o Brasil não teria assistido as cenas do inferno em Curitiba ontem ao final do jogo.
Nenhum comandante da Policia Militar terá coragem de admitir que seu contingente esteja diminuto e que nos últimos anos a violência cresceu muito mais do que seus comandados. Os Governadores querem gastar, ou melhor, torrar nosso dinheiro com propagandas, obras eleitoreiras e enfiar na cueca se preciso, mas nunca com a contratação de policias, médicos ou professores.
Ontem em Curitiba era preciso ao menos 500 policias dentro e fora do estádio Couto Pereira, mas dentro do campo de jogo ao final da partida tinham dez ou doze soldados apavorados com tanta barbárie. A PM de Curitiba informou horas depois que havia trezentos policiais trabalhando na segurança do jogo. Mentira!
Em SP na semana passada haviam dois jogos marcados para o mesmo horário, um no Parque Antarctica e outro no Pacaembu. A polícia militar como não tem pessoal treinado em quantidade suficiente para um jogo, que dirá dois, exigiu que uma das partidas fosse jogada em Campinas, cem quilômetros da Capital paulista.
Sou do tempo em SP que tivemos dois jogos e até corrida de fórmula um simultaneamente sem que houvesse nenhuma confusão ou catástrofe. Havia na ocasião policiais preparados e em grande quantidade para dar conta do trabalho, coisa que não existe mais nos dias atuais.
Quero ver como irão fazer na Copa do Mundo, se não contratarem policiais suficiente para dar segurança não somente em dias de jogos, mas diariamente aos cidadãos que pagam pesados tributos. Isso se até lá não privatizarem esse serviço essencial...

Os precatórios mostram a face dos governantes

O que está acontecendo no Distrito Federal com as imagens do Governador e seus assessores, digo, bandidos guardando dinheiro do povo na cueca e escondendo milhões da receita e do MP, dão uma pequena amostra de como essa corja governam Estados e Municípios do Brasil.
Pois esses elementos conseguiram através de seus aliados (comparsas) políticos a aprovação em plenário do Senado da PEC – Proposta de Emenda á Constituição de N.º 12/06 de autoria do Senhor Renan Calheiros, por 54 votos a favor e apenas 02 contrários, com 35 ausentes em plenário.
Essa PEC permitirá que os governos municipais e estaduais tenham muita tranqüilidade mesmo estando devendo quase cem bilhões para àqueles que ganharam legitimamente seus direitos na justiça.
Prevê entre outras barbaridades que os governos possam realizar leilões de descontos, onde o pobre coitado que está aguardando o que lhe é de direito somente levará seu dinheiro de conseguir dar o maior desconto do que é seu para poder enfim ter em suas mãos o que o Estado estava devendo a ele.
Famílias que foram desapropriadas de seus imóveis para que governantes realizassem obras superfaturadas além de perderem tudo, ficarem anos na espera da nossa justiça decrépita ainda após vencerem nos tribunais terão agora de dar aos bandidos descontos do que lhes pertence pela segunda vez. Roubo qualificado.
E sabe por que eles não gostam de pagar precatórios, primeiro por que esse dinheiro é devido ao povo em geral, geralmente pessoas simples. Segundo porque o dinheiro na ótica dos governantes e políticos em geral poderia ser mais bem aplicado em propagandas na mídia para valorizar seus feitos e para ser distribuídos em cuecas e paraísos fiscais.
Por isso caro eleitor, na hora de votar pense bem, não dê seu voto a essa corja de bandidos, de pessoas que tratam você e sua família como se fosse lixo. Não dê seu voto a deputados e senadores de sua cidade ou Estado antes de saber se ele foi contra essas aberrações contra você mesmo.
Não entre na conversa mole e idiota de que a democracia é isso e o voto é seu direito e de que você não pode cobrar se não votar. Tudo balela, a democracia é deles, eles roubam, eles aparecem na TV roubando e colocando dinheiro nas cuecas e quando legislam o fazem contra o povo.
Ninguém está preso, ninguém está devolveu nada do que foi roubado e nós pagamos tudo. Desde a maior carga tributária do mundo até pedágios escorchantes e imorais. Eles somente arrecadam, roubam-nos a esperança e ainda por cima criam mecanismos para nos tirar até o que a pífia justiça nos dá legitimamente. Votar pra quê?

Políticos vivem num mundo paralelo

O que nós presenciamos nos últimos vinte e nove anos dentro e fora da vida pública brasileira é algo ignóbil, assustador e sem palavras para definir. Qualquer adjetivo seria pequeno demais para expressar o sentimento de ultraje e nojo que o trabalhador honesto tem dos nossos políticos.
Collor, P. C. Farias, Renan Calheiros, Valdomiro Diniz, Sarney, anões do orçamento, dólares na cueca, mensalão, projeto Sivam compra de deputados para aprovar a reeleição, desvios de verbas, superfaturamento de obras, ambulâncias, sonegação de impostos, castelos não declarados, dinheiro roubado e depositado em contas na Suíça, Ilhas Jersey, Caribe, contas fantasmas, caixa dois, enfim, uma lista que poderia alcançar a lua partindo da terra.
Sabe quem foi preso, julgado, condenado e está preso? Ninguém. Sabe quem devolveu tudo que foi roubado aos cofres públicos brasileiros? Ninguém. Sabe quando isso vai parar no Brasil? Nunca. Sabe quem cria as leis e os atalhos para que isso possa continuar acontecendo? Eles, os políticos desde a mais humilde Câmara até o Congresso Nacional.
Essa gente podre, sem alma, sem pudor, com muita ganância e esperteza vive em mansões espalhadas pelo país, mudam de partidos, mudam de cargos, mas jamais deixam de roubar e prejudicar o povo. Nós vivemos num mundo paralelo, cheio de filas, problemas, falta de serviços públicos decentes, com miséria espalhada por todos os lados.
Somos brasileiros que elegemos essa escumalha e que depois não cobramos e nem fiscalizamos seus atos. Somos nós os grandes responsáveis por esse circo onde atuamos como palhaços enquanto eles nos roubam até a bilheteria e os sonhos mais inocentes de nossas crianças.
Os políticos brasileiros são desprovidos de escrúpulos, o DNA é idêntico sejam eles da oposição, situação ou governantes, nada disso importa, vão nos roubar, vão nos prejudicar, vão nos ignorar e não permitirão que os critiquemos ou tentemos derrubá-los de suas bigas de ouro.
Eles roubam, eles criam impostos, eles instituem taxas e modificam tributos sempre a favor de seus interesses pessoais. São auxiliados pela justiça que ao invés de defender o povo, ajudam a escaparem de processos e crimes de toda ordem. Se condenados, os governantes não são presos e os valores que nos devem são então apelidados de “precatórios” e nunca mais são pagos.
Sim, eles têm o poder supremo, estão acima do bem e do mal, são onipotentes e poderosos quando estão em seus gabinetes nefastos. Bondosos durante o período de campanha eleitoral, mas nunca, jamais são generosos, ao contrário, mentem tanto que até acreditam em suas mentiras e pensam ser o que na verdade nunca foram.
Pois essa escória agora está na televisão na forma de adoradores de dinheiro nas cuecas. São os filhos de Arruda que estão mais uma vez enojando Brasília. Quem vota e elege mora nas cidades satélites, são pobres e jamais vão entender da onde vieram tantas notas de R$ 100,00 reais.
Mas o povo sabe de uma coisa, nesse mundo paralelo, o escândalo dura somente até o momento em que surge outro novo e patético crime contra o erário. A partir desse momento é como se os crimes anteriores fossem deletados das mesas e gavetas do poder judiciário e apagados para todo sempre.