21 de maio de 2010

O fator político previdenciário

Se havia alguma dúvida quanto aos verdadeiros motivos para que FHC e o PSDB tivessem criado o monstro chamado Fator Previdenciário em 1998 eles se dissiparam durante as votações no Congresso Nacional para a extinção ou não do mesmo.

Quando o PSDB estava no poder, foram divulgadas muitas noticias dando conta de um déficit na Previdência que seria irrecuperável, algo tinha de ser feito segundo os gênios de plantão. Muito medo, muitas noticias mentirosas foram então espalhadas para que em seguida o PSDB e sua base aliada implantassem essa vergonha chamada Fator Previdenciário em detrimento do suado dinheiro do trabalhador justamente no momento de se aposentar.

Não eliminaram nenhuma aberração, não efetuaram nenhuma grande auditoria no INSS, não fizeram nenhuma reorganização profunda naquele órgão e apenas e tão somente roubaram o dinheiro de quem de lá para cá se aposentou de forma honesta.

Na ocasião Lula e o PT criticaram demais essa implantação do Fator pelo PSDB, sendo que após assumirem o poder em 2002, nada fizeram para extirpar esse entulho nas gestões de FHC entre 1995 e 2001.

A emenda do Senador Paulo Paim então cai como uma luva no colo dos congressistas para que pudessem apreciar enfim, esse assunto tão relevante para quem já se aposentou e para os que estão no mercado de trabalho com carteira assinada.

Depois de demoradas e exaustivas discussões o projeto chega a sua reta final de votação e a maioria vota pela extinção do abjeto Fator sem maiores delongas.

Nesse momento percebemos que não houve empenho algum do governo e sua base aliada para votar a favor ou contra, com certeza por que confiam e receberam ordem emanado pelo Cacique Lula para deixar a pelota com ele, ou seja, caberá a ele Lula, vetar o projeto.

Isso então nos leva a seguinte reflexão:

1. Os parlamentares do PSDB, DEM, PP que votaram a favor do projeto mostraram o quanto ele era absurdo, medíocre e sem propósito, pois esses mesmos partidos foram quem criaram esse monstro em 1998. Mudaram agora por quê? O que mudou? Não tem mais déficit na Previdência? Ou FHC estava brincando com o dinheiro dos aposentados na ocasião, aqueles aos quais ele denominava como vagabundos?

2. O intrépido viajante Lula e seu partido que tanto criticaram a implantação do Fator, agora podem conviver com o veto de Lula? Mesmo em que pese muitos senadores coerentes do PT terem votado pela eliminação do mesmo e a emenda ser de autoria de um petista. Lula não vê mais problemas ou também passou a achar que os aposentados são vagabundos?

Esse episódio prova definitivamente que todos os políticos, todos os partidos são mentirosos e não estão preocupados com o povo, nem com a previdência e muito menos com algo que diga respeito à nossa Nação. Quando estão na oposição gritam feito porcos atrás de lavagem, após assumirem o poder passam a ser urubus em busca de qualquer carne podre que estiver ao alcance deles.

Se vetar essa emenda o Presidente Lula estará rasgando de forma oficial sua trajetória, sua história política, sua carteirinha de sindicalista pelego e sua foto passará a figurar entre os muitos presidentes inúteis que tivemos no Brasil. Por falar em sindicatos, onde estão a CUT, a Força Sindical e os demais sanguessugas dos trabalhadores brasileiros neste momento tão importante?

Uma seleção que não é a do povo

Que saudade de Didi, Nilton Santos, Zito, Belini, Garrincha, Pelé, Gérson, Clodoaldo, Rivelino, Tostão, que além de gênios do futebol foram craques fora de campo também, muito ao contrário da selecinha que via a Copa da África daqui a um mês para disputar mais um mundial de futebol.

Que saudade de Paulo Machado de Carvalho que comandou a Seleção em seus mínimos detalhes em 1958 e 1962, homem forte, caráter e ética a toda prova, generoso e firme com os atletas e a comissão técnica, um vitorioso.

Que saudade de João Saldanha, repórter sem medo da ditadura e de falar a verdade sempre, doesse a quem quer que fosse, sua língua afiada era temida pelos hipócritas e seu conhecimento do verdadeiro futebol brasileiro incomodavam tanto que os militares barraram sua presença à frente da seleção brasileira preferindo colocar um cordeiro chamado Zagallo para entrar para a história do futebol mundial.

Que saudade de Mestre Telê Santana, absoluto, conhecedor profundo do futebol, dos desejos dos atletas e das necessidades de um time campeão, sabia como poucos treinar a exaustão e transformar jogadores medianos em craques. Era íntegro, era honesto, avesso a conchavos, ético e com moral acima da média. Formou um dos mais incríveis esquadrões de futebol de todas as Copas, seu time não venceu, assim como o da Hungria em 1954 e o da Holanda em 1974.

Ao ver a convocação da nossa seleção que vai a copa da África, senti náuseas, senti nojo, a seleção não é mais do povo brasileiro, a seleção que só tem três jogadores que atuam no Brasil é da Rede Globo que detém absurda exclusividade e faz dela o que bem entende. A seleção é de Ricardo Teixeira, que vai completar em 2014, vinte e cinco anos à frente da CBF. Ele sim é o verdadeiro “Imperador”, não o bagaço do Adriano do morro.

A seleção é do Dunga, que nunca dirigiu nenhum clube antes, mas que agora dirige o time mais recheado de estrelas do futebol mundial graças a critérios que o povão desconhece, mas desconfia quais sejam. Sua convocação é um equivoco, não pelos eventuais bons jogadores que não foram sequer relacionados alguma vez nas centenas de jogos que a seleção fez desde 2006. Como Elias, Pierre, Neymar, Ganso, André, Arouca, Fred, Caio e tantos outros bons jogadores.

O grande problema está na relação de jogadores que são da confiança do técnico por motivos meramente sentimentais – tipo – “Ele deixou seu clube e veio jogar um amistoso contra Bangladesh e eu devo esse reconhecimento a ele”. Vai se catar Dunga, seleção é o lugar dos melhores jogadores na hora da convocação. Ponto final.

Ele está levando jogadores que não atravessam boa fase, outros que nunca atravessaram esse patamar, são reservas em suas equipes na Europa, não estão jogando por deficiência técnica, caso de Josué, Ramires, Elano, Michel, Felipe Melo (Que horror) entre outros. O atacante Grafite é a sua maior incoerência, pois jogou 79 minutos em um amistoso. Qual a diferença para um jogador que é craque, mas que não tenha jogado antes na seleção? 79 minutos?

É obvio que a seleção dele pode se sagrar campeão mundial, mas com certeza jamais irá se consagrar perante a torcida brasileira. Será no máximo, com muita benevolência uma versão melhorada da seleção do Rei do Pragmatismo Parreira de 1994.

Não terá a minha torcida, não sou obrigado a torcer por ela, assim como não sou obrigado a votar em Serra ou Dilma. Tenho a opção e vou fazer uso dela, que me desculpem os que pensam ao contrário.

Pensão e prêmio para alguns jogadores de futebol

O presidente Lula assinou ontem (12/Maio/10) em Brasília um projeto de Lei que concede auxílio a ex-jogadores de futebol que serviram a seleção brasileira nas copas do mundo de 1958, 1962 e 1970. Pelo projeto cada jogador receberá um prêmio de R$ 100.000,00 (cem mil reais) pagos de uma só vez e mais uma pensão que será calculada entre o que o jogador recebe do INSS até o teto de R$ 3.000,00 (três mil reais).

Ou seja, se o jogador estiver recebendo a miséria que todos os não jogadores recebem, ou seja, um salário mínimo ele terá mais R$ 2.440,00 (dois mil quatrocentos e quarenta reais) mensais. Os que jogaram a Copa de 1966 como não a venceram não terão direito a nada. “Isso se chama rigor na Lei”.

Não tenho nada contra os jogadores de futebol, admiro boa parte deles e o esforço que fazem durante suas carreiras profissionais. Entretanto acho essa uma das maiores imoralidades que o governo brasileiro já perpetuou contra a sociedade.

Um operário que trabalha durante trinta e cinco anos ou um professor, um policial, um comerciário, um bancário, um gari, enfim, um trabalhador qualquer é lesado descaradamente pelos cálculos absurdos do INSS. Passa a receber no máximo o teto estabelecido sob regras discutíveis e totalmente prejudiciais aos trabalhadores, a maioria não recebe mais do que um salário mínimo por mês e tem de arcar com alimentação, vestuário, aluguel, medicamentos e o governo não dá nada em troca.

Agora usar nosso dinheiro para fazer média com quem viajou para o exterior, jogou bola, arrumou filhos pelo mundo afora como Garrincha, por exemplo, bebeu, caiu na noite e ao final da vida recebe módicos cem mil reais para compensar sua boa vida de playboy.

Concordar com isso é assumir nossa poção maior de incredulidade, nossa fragilidade frente a governantes que não tem pudor, não tem a mínima preocupação com a classe mais desfavorecida. Um pobre coitado sofre para conseguir se aposentar e tem dificuldade em provar tempos em que não tinha carteira assinada e ainda é humilhado, tem sua pensão ou aposentadoria maculada enquanto os ex-jogadores podem fazer uma última grande jogada.

Quando os parlamentares concedem um índice miserável de aumento aos aposentados a imprensa repercute lembrando sempre do rombo que aquele percentual concedido vai causar aos cofres combalidos da previdência. Agora quando um presidente quer fazer média, quer aparecer usando os nossos recursos ninguém tem coragem de gritar e espernear contra a medida.

Na hora que o INSS recebe pedidos de aposentadorias de quem trabalha a vida inteira em regime especial (químicos, professores, etc.) o pedido é engavetado ou negado de imediato e o trabalhador tem de recorrer a nossa (in) justiça e aguardar dezenas de anos para poder ter seu pedido julgado. Já os jogadores da seleção vão receber cem mil reais na conta...

Repito que nada tenho contra alguns jogadores serem ajudados, mas não dessa forma e com nosso dinheiro. Se o Lula queria ajudar alguém que o fizesse com seu dinheiro ou usando a CBF, aquela entidade que recentemente comprou um avião no exterior e torrou mais de cinqüenta milhões de reais. A CBF sim teria a obrigação de ajudar alguém que no passado recente trouxe divisas e glórias para o esporte nacional.

Ficha limpa num sistema sujo não adianta

O belíssimo projeto enviado pela população através de várias entidades ao Congresso Nacional será aprovado com algumas pequenas inserções, acertos e concessões que irão por certo descaracterizá-lo da idéia inicial como foi brilhantemente concebido. Isso não é novidade, sozinhos eles jamais teriam capacidade, discernimento e honestidade para fazer algo em prol da ética política. Ao receberem o projeto tentam de todas as formas alterá-lo e não concebê-lo.

O projeto ficha limpa precisaria ser precedido de uma grande reforma política como jamais foi feita naquela casa do povo. Mas como consegui-la se os baluartes que detém o poder e as canetas são justamente os que não querem em hipóteses alguma mudar o que lhes é favorável sempre?

O poder no Brasil é na verdade penso, ele pende apenas para o lado de quem legisla e de quem executa as leis e decretos. Ao povo restam pequenas migalhas que sempre estão em perigo nos corredores do Congresso, seja para diminuir, eliminar ou reduzi-las.

Não é viável um país cujos deputados legislam sobre o seu próprio aumento salarial à revelia do conjunto da sociedade. Os salários devem ser fixados e ter o salário mínimo como referência e ponto final, em cascata isso atingiria os demais políticos do pais.

Um partido político não pode ficar sem lançar candidatos aos cargos majoritários, prerrogativa básica de poder, o contrário leva ao que existe hoje no país, onde os maiores partidos querem apenas se agarrar como ostras nos cascos dos navios que disputam cargos (PT e PSDB).

Coligações deveriam ser terminantemente proibidas no primeiro turno das eleições, sendo possíveis nos segundos turnos, impedindo que os partidos deixem de disputar eleições e mostrarem suas propostas, projetos e a sua cara ao eleitor.

Reeleição nunca mais, quatro anos é mais do que suficiente para fazer o que fazem nossos governantes, ou seja, nada. Isso deveria ser estendido aos cargos de Senadores, Deputados e Vereadores que não poderiam mais se reeleger livremente por décadas.

Tudo tem limite na vida do trabalhador, logo dois mandatos para senadores e três mandatos para Deputados e Vereadores estaria de bom tamanho, independente de serem consecutivos ou alternados.

O Brasil não precisa de tantos partidos como temos hoje, partidos medíocres com nomes pomposos e ações pífias. Partidos sem ideologia, sem conteúdo verdadeiro e programático que possa servir para alguma coisa na democracia, além de fazer número e ter custo elevado para a sociedade. Dois partidos de direita, dois de esquerda e dois de centro e nada mais.

Assim, com certeza conseguiríamos trazer para a vida pública e política homens e mulheres com a ficha limpa, pois com tempo pré-determinado de mandatos, com salários corrigidos pelo salário mínimo e partidos em número menor e com mais austeridade com certeza afastaria um pouco dessa escória que hoje habita o planeta demagogia.

Governantes só lembram do povo na hora de pagar a conta

O mundo globalizado vem proporcionando algumas situações interessantes na economia mundial. Já tivemos a crise da Coréia, crise do Japão, crise dos EUA, crise nos países emergentes, enfim, crise é o que não falta na economia mundial de tempos em tempos.

Atualmente o mundo assiste atônito a queda das bolsas de valores e ao pânico geral em relação a mais uma crise num país europeu, dessa vez o problema afeta aos gregos. Helenas choram em Atenas e o governo grego se afundou numa das maiores derrocadas dos últimos tempos.

O déficit público superou as expectativas e começou a derrubar o governo grego aos poucos, a gastança desenfreada levou a economia grega á bancarrota. Nocaute!

Para sair dessa situação incomoda e desastrosa, a alta cúpula grega resolveu agir como qualquer republiqueta do terceiro mundo. Buscou um empréstimo vultoso com a Alemanha/Franca e o FMI. Esses exigiram como sempre o fazem alguns ajustes na economia grega.

Não precisa ser nenhum gênio para imaginar que as medidas foram todas nas costas do povão, dos trabalhadores, dos que pagam impostos, dos que nunca tiveram nada a ver com a crise econômica daquele pais.

Redução de salários, corte do décimo terceiro e do décimo quarto salário (Isso existe lá fora, aqui no Brasil só os Marajás tem direito), redução das aposentadorias e uma série de cortes drásticos que afetam diretamente a sociedade grega.

Aqui já vivemos isso várias vezes, com o Plano Collor confiscando até as poupanças, o tresloucado e ineficiente plano Sarney, enfim, plano é o que não falta na recente história da economia brasileira, todos sem exceção sempre ferrando o povo e os trabalhadores, nunca os marajás, os proprietários de grandes fortunas, o pessoal do andar de cima enfim.

Na Grécia, porém, uma grande diferença em relação ao Brasil aconteceu nas ruas e avenidas limpas e bem cuidadas. O povo grego reagiu, parou em greve geral, não aceitou a principio as medidas impostas por quem enquanto gastava nunca se preocupou em perguntar a sociedade civil se estava de acordo.

Por mera coincidência em 2000, os gregos realizaram as Olimpíadas da virada do milênio, torraram milhões de euros e depois foram sucumbindo ano após ano até chegaram ao estágio atual de sua economia combalida e fraca.

Que sirva de exemplo para governantes fanfarrões que chegam ao orgasmos quando consegue trazer para nosso pais a realização de onerosas competições internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Imaginem o que será gasto dentro da lei e por baixo dos panos com esses dois eventos?

O povo precisa ficar esperto e atento, pois tanto na Grécia como aqui em Brasília, tanto faz como tanto fez, se a maionese desandar quem vai pagar o prato quebrado serão os brasileiros do andar de baixo cm certeza.

7 de maio de 2010

Continuísmo dissimulado! PSDB = PT = PSDB...

As propostas podem não ser exatamente iguais, o discurso pode diferir em alguns pontos, mas o que se vê no próximo embate eleitoral para o cargo de presidente da república são dois candidatos monopolizando todos os demais partidos, exceção ao PV – Partido Verde, em troca de apoio para vencer as eleições.
O PMDB maior partido brasileiro não lança candidato desde 1989 se não me engano, prefere estar atrelado ao partido que julga ter o melhor casco para poder abrigar-se feito ostras no fundo da escuridão do poder republicano. Em troca de apoio de sua combalida legenda recebe cargos em ministérios, secretarias, diretorias de autarquias e estatais.
O DEM está agrupado com o PSDB desde sempre, não se dá ao trabalho de lançar candidatos próprios pelo mesmo motivo do PMDB. Está na oposição em Brasília no governo federal, mas sobra em muitos Estados com a ajuda do irmão tucano. Entre seus quadros está Arruda, Kassab, etc.
O PSDB governou de 1985 a 2001, o PT está no governo desde então, ou seja, dezesseis anos de continuísmo velado, dissimulado e com a desfaçatez característica em seus discursos nos palanques arrumados antes e durante as suas gestões. Vejamos alguns exemplos:
  • A carga tributária apenas cresceu, mas sempre foi injusta e nunca obteve apoio para uma ampla reforma em todo país. Jamais enquanto estiveram no poder tucanos ou petistas levaram alguma proposta com seriedade para diminuir o peso da cangalha que esta sob as costas da classe média brasileira.

  • A política econômica é a mesma desde 1994, nada mudou, nada foi acrescentado ou inovado depois que FHC saiu do poder, Lula que tinha tantas criticas ao estilo tucano de gerir suas finanças, após subir a rampa do planalto sofreu um forte ataque de amnésia que nunca mais o largou. Juros altos, política que favorece banqueiros e usineiros, dando as costas ao conjunto da sociedade.

  • A Saúde pública é tão idêntica que recentemente foi denunciado na imprensa que um projeto começado no governo FHC em 1.999 até hoje jamais foi implantado e o gasto já ultrapassa a casa dos R$ 419 milhões de reais. O mote foi à implantação do cartão eletrônico para os usuários do SUS- Sistema único de Saúde. Notem que nesta notícia percebemos que a incompetência e a corrupção são as mesmas nos dois partidos, pois até 2010 o tal cartão magnético não foi implantado em nenhum lugar.

  • O trabalhador paga em seus holerites IR durante doze meses, não tem a tabela de recolhimento de IR alterada, ficando a mesma congelada, recolhe um carro por ano a Receita Federal.
Enquanto isso o IGF – Imposto sobre Grandes Fortunas está parado no Congresso Nacional desde 1988, ou seja, nem PSDB nem PT nunca quiseram lutar para diminuir o imposto de renda do trabalhador assalariado, nem tão pouco cobrar dos milionários o que se deve e que está na nossa carta magna.
Nem PSDB nem muito menos o PT, jamais fizeram movimentos no sentido de implantar uma profunda reforma política no Brasil, apesar de sempre contarem com maioria absoluta durante suas gestões. Covardia? Medo? Defesa de interesses próprios? Ou o simples desejo da manutenção das regras espúrias que permitem que o jogo seja jogado assim como estamos assistindo há dezesseis anos?
Portanto ao chegar à frente da urna eletrônica esqueça o que leu e o que ouviu do PSDB e do PT e lembre-se que os dois candidatos Dilma e Serra pertencem ao mesmo útero, são irmãos siameses que se separaram para apenas e tão somente brigarem por si próprios. Nenhum deles vai reduzir as desigualdades que enfrentamos no nosso cotidiano, nenhum deles via reduzir o preço dos combustíveis e dos pedágios, nenhum deles vai diminuir ministérios ou reduzir a divida interna, nenhum deles vai ao menos rever o que está errado há mais de cem anos.

Voto - Uma escolha difícil

Ao longo das duas gestões do Lula percebi que a classe média não o tolera, alguns tem preconceito, outros tem criticas ácidas ao seus modos, muitos criticam a permissividade de seu governo para com a corrupção. Estão certos, porém nunca agiram assim em relação a Maluf, Quércia, Pitta, Kassab e tantos outros que já estiveram no poder.

O PT incomodou a todos com sua mania de querer ser perfeccionista, de achar que jamais cometeria erros, de que jamais iriam ver seus lideres envolvidos com as mesmas falcatruas que tanto criticou. Achavam que nunca iriam ver seus lideres com as mãos sujas da pior lama existente no solo de Brasília, o lodo da corrupção. Essa intransigência de parte dos petistas, quase uma soberba irritou durante anos os incautos, os apolíticos, os ateus, enfim, eles passavam a impressão de que quem não era petista era ladrão, era fraco, era imoral, era de direita e isso persistiu até que Lula foi ungido pelas urnas em 2001.

Poucos criticam suas gestão do ponto de vista prático, ou seja, partindo da premissa básica de que prometeu muito e pouco cumpriu; de que não fez nada para reduzir a carga tributária obscena que inviabiliza o crescimento ainda maior do país; da redução drástica da incidência de impostos sobre o "trabalho", o trabalhador com registro em carteira custa caro ao empregador, Lula não corrigiu essa distorção, como também não fez nada para que a distribuição de renda fosse menos injusta no país.

Lula não construiu e nem reformou estradas, portos, aeroportos em oito anos de mandato. Sua gestão em muito se assemelha às gestões de FHC, muita propaganda, planos com nomes pomposos para marketing, centenas de viagens e nada mais.

A economia mantida em patamares estáveis, dólar na faixa de desejo dos exportadores e a garantia de que os investidores fossem tratados melhor que o povo brasileiro em geral. Mas em que o governo FHC foi diferente, em nada, vendeu empresas, privatizou serviços e concedeu aos empresários negócios altamente lucrativos em troca de exploração de serviços que deveriam estar nas mãos do Estado.

Não fez nada e agora lança Serra para tentar impedir o avanço de Dilma, uma mulher que está longe de ter o escopo de uma petista tradicional, tem tanta experiência administrativa quanto FHC, tem menos estudo talvez.

Mas em nome da ojeriza à Lula, a Internet está inundada de mensagens que chegam a ponto de começar a defender o indefensável movimento que levou o pais a uma ditadura militar nojenta, movimento apoiado pelos americanos e que se baseou na ruptura da liberdade de imprensa, da não investigação dos atos daqueles que estavam no poder, vide Artur da Costa e Silva.

Uma ditadura que matou inocentes estabeleceu a censura para a cultura em geral. Fechou o congresso nacional e em seguida criou um bi-partidarismo com um partido de direita e outro de centro direita, ou seja, Arena e MDB.

Agora leio mensagens de defesa a essa mesma ditadura no afã de incriminar Dilma que foi uma das muitas pessoas que ajudaram a combater esse regime nefasto.

Incrível que Serra, FHC, Covas e muitos outros sempre se vangloriaram por terem sido expulsos do país por essa mesma ditadura, agora seus aliados ajudam a difamar a Dilma por ela ter sido mais "homem" que esses oportunistas que saíram em exílio, estudaram em universidades caríssimas, ganharam dinheiro e notoriedade à custa do regime militar.

Eu não voto em Dilma por vários motivos, mas nenhum deles passa próximo pelo fato dela ter tido coragem de lutar contra um bando de militares corruptos que se apoderaram de dinheiro, prestígio e governaram esse país com arrogância e crueldade.

Os mais novos é claro não se lembram desse período negro da história do país, das mortes de operários, estudantes e donas de casa que por qualquer motivo eram presos, torturados e assassinados nos porões fétidos do DOI-CODI em SP.

O episódio dantesco ocorrido no Rio de Janeiro com a explosão de uma bomba no colo de uma coronel do exército, artefato esse que ele iria soltar no Rio Centro, local de eventos e que estava lotado é uma das facetas nojentas dessa escória.

Essa mesma ditadura que criou e apoiou Maluf, ACM e tantos políticos nefastos.

Reitero que não votarei em Dilma, entretanto não posso votar no PSDB, uma partido que está a dezesseis anos no poder e não conseguiu formular um projeto educacional inteligente, não implantou um programa sequer para a saúde pública e olha que o tal Serra foi ministro da pasta da saúde.

O PSDB vendeu dezenas de empresas públicas, arrecadaram bilhões e esse dinheiro jamais teve uma explicação para sua aplicação. Não pagam precatórios, não reajustam salários de empregados de estatais e nem funcionários públicos, que, aliás, eles odeiam. Adoram publicidade, odeiam investir em segurança e habitação, se possível fosse fariam acordos até com o PCC, mas não conseguem fazer uma acordo que seja com os dirigentes e sindicalistas da Educação e Saúde em SP.

Diante disso prefiro anular meu voto, não somos obrigados a votar, mas sim comparecer as urnas, entre as opções estão o voto nos candidatos, o voto em branco e o voto nulo, aquele que serve para demonstrar ao poder estabelecido que as alternativas são fracas, muito aquém do que imaginamos capazes de dirigir o nosso Município, Estado ou País.

Desde a ditadura o TSE vem fazendo campanhas pagas para incutir na cabeça do povo que o voto é um grande avanço da democracia. Faz uma verdadeira lavagem cerebral, mas não explica por que então não retiram a alternativa "Nulo" da urna eletrônica? Se ela existe, devemos considerá-la como um a das opções, então por que votar em Serra ou Dilma?

Precisamos de mudanças estruturais, mudanças de atitude, de comportamento. Uma gente nova que venha para fazer uma revolução ética e rasgar tudo que favorece grupos corruptos que se aproveitam de tudo neste país de tantas riquezas, onde milhões ainda são analfabetos, outros milhões não têm água potável, nem esgoto tratado e vivem de forma miserável, são vitimas desses candidatos que ai estão. Enganados ainda votam com esperança nessa escória que depois de eleitos irão sumir e enriquecer cada vez mais.