29 de janeiro de 2012

Desrespeito ao código do consumidor

O código de defesa do consumidor instituído através da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 tem em seu artigo 32 o seguinte:
ART. 32 – Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.
Parágrafo único – Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei.

Entretanto como muitas leis neste nosso país, tem fabricantes enganando consumidor ou dificultando o acesso a peças de reposição. Tanto na indústria automobilística como na de eletroeletrônicos e diversos.

Levei recentemente um ventilador para o conserto, feito orçamento por mim aprovado estou aguardando a conclusão do serviço que está parada por conta da ausência de peça para término do serviço.

Alguns produtos simplesmente podem ser jogados fora por que as fábricas os vendem a preços em conta para o bolso dos consumidores, entretanto ao quebrarem suas peças de reposições são mais caras que o custo do produto na loja. Os fabricantes perceberam que é melhor fazer um produto teoricamente descartável do que manter estoque de peças a custo normal de revenda.

Em algumas concessionárias o cliente espera meses até que uma determinada peça chegue para substituir à defeituosa e seu veículo ser liberado da oficina. Um amigo comprou um veículo de luxo, este deu um problema no câmbio ainda na garantia e a peça deveria vir do Canadá, sim deveria, pois a concessionária apesar de sofrer um processo resiste a atender o cliente.

Ou seja, no Brasil, ter as Leis e mais um código específico não garante ao consumidor seus direitos de forma tranquila e serena. Quase sempre é preciso paciência, e muita determinação para fazer valer os direitos contemplados nas leis e códigos existentes.

27 de janeiro de 2012

O autodidata

Nos idos de 1981, a empresa em que trabalhava não tinha ainda adquirido um micro computador, usando para os grandes serviços o seu mainframe. O primeiro equipamento de micro informática foi cercado de muita expectativa e até de certo descrédito pela maioria dos empregados à época. E não era de se estranhar que pensassem assim, visto que eram máquinas ainda rudimentares perto do que temos em funcionamento nos dias atuais nesse novo século.

Na verdade aqueles equipamentos eram meros executores de tarefas matemáticas, planilhas e relatórios pouco sofisticados. Mas foi o início de um processo que parece não ter fim e que se moderniza com uma rapidez impressionante. A velocidade da máquina se confunde com a rapidez com que a mesma se desatualiza com a chegada de novos softwares, novos chips cada vez menores e com capacidade infinitas.

Mas o que me chamou a atenção nesse caso foi um colega que trabalhava na área de suprimentos da unidade de Chavantes e que ao ser transferido para a Regional Bauru, muito maior e mais importante no contexto da empresa, começou a enxergar aquilo que a grande maioria não conseguia. O futuro estava dentro e fora da circunferência daquelas máquinas esquisitas e até então barulhentas.

Os demais procuravam se distanciar daqueles equipamentos, quer seja por não compreende-los ou simplesmente por achar que a qualquer momento pudessem sobrar novas demandas de trabalho derivadas daquelas “geringonças”.

Mas o meu amigo Luis Carlos ao contrário se dedicou de corpo e alma por tempo integral a entender e a estudar tudo que fosse referente à micro informática. Comprou livros, revistas importadas, folhetos e tudo que contivesse ensinamentos úteis para aplicar naqueles equipamentos ou então, através dele no seu departamento.

Eis que de forma totalmente autodidata, Luis conseguiu sem um curso sequer, sem Faculdade, sem investimento algum da empresa que acredito, também não tenha tido na época uma visão gerencial abrangente do que aquelas máquinas seriam capazes e quais as transformações que elas proporcionariam a administração moderna no mundo inteiro.

Indiferente a tudo isso, Luis seguiu seu caminho e de forma profícua conseguiu surpreender seus colegas, familiares e superiores hierárquicos, com seus conhecimentos e perfeito domínio da máquina. Sem contar o mais importante que era dominar sua linguagem cibernética.

Hoje ele está aposentado, trabalhando obviamente como consultor em Informática e elaborando programas para empresas, clínicas e comércio em geral.

Ficam para mim várias lições, das quais ressalto as que julgo mais importantes:

Em primeiro lugar a tenacidade, determinação e capacidade do ser humano frente a qualquer adversidade. Nada o impede de aprender e de superar obstáculos que lhes foram sendo colocados à sua frente.

Em segundo lugar, a constatação de que o novo assusta, incomoda e faz com que uma boa parte das pessoas lhes virem às costas, cometendo o maior de todos os erros, pois logo à frente terão que se submeter ao aprendizado quando alguns já são mestres na matéria.

E por último a lição de que o treinamento que não foi feito para o empregado na época por mim citada, é, e sempre será o maior investimento que uma empresa deverá fazer para seus profissionais. Fechar os olhos ou se enfiar no escuro das obviedades da administração passada não vão ajudar em nada qualquer empresa que queira entender o futuro a partir de seu presente.

19 de janeiro de 2012

Meio ambiente

Quanto mais vivemos nesse mundo insólito e belo; cujo criador provavelmente se arrependeu por ter criado tantas belezas para que o homem habitasse o paraíso em sua passagem por essa vida, mais percebemos o esforço que alguns seres humanos fazem para destruir o nosso ecossistema. Nesse sentido a ganância e a ignorância são as irmãs gêmeas daqueles que tentam lado a lado destruir o planeta.

A ganância está na destruição da maior floresta amazônica, onde milhares de toneladas de madeiras são arrancadas do solo em troca de um punhado de vil metal à luz do dia. Os rios caudalosos servem de hidrovia natural para o transporte ilícito de nossa maior riqueza na terra.

A ganância de quem corta para vender sua alma, de quem comercializa o futuro da humanidade, cortando o oxigênio e transformando em pasto àquela que já foi a maior reserva natural de vida.

A ignorância de quem queima e destrói a mata e pensa estar limpando seu terreno, mas na verdade acaba sufocando ainda mais os nossos sacrificados pulmões. O homem sem acesso a educação é um destruidor em potencial, mata animais, suja os rios e põe a perder a vegetação com seus machados, seu fogo assassino e sua ignorância incontida.

E o desastre do aquecimento da terra, dezenas de anos antes do previsto, não está colocando em risco somente à floresta amazônica, mas as regiões urbanas como na cidade onde vivo, por exemplo.

Em Bauru, me impressiona a quantidade de focos de incêndio que ocorrem em sua área urbana. São centenas de terrenos cujos proprietários nem sempre inteligentes apesar do estudo e das oportunidades, mas com certeza gananciosos, ordenam que sejam queimados.

O ar seco, quase irrespirável, é o prenúncio de que os avisos constantes dos cientistas não estão chegando ao chão de terra batida da periferia. Nunca se falou e se escreveu tanto sobre a iminência do desastre de proporções fatais que está por vir com o aquecimento do nosso planeta e dos efeitos que colocarão em cheque a vida no nosso mundo.

Mas o ser humano finge que esse problema está acontecendo longe de suas propriedades e que jamais irá precisar alterar a rotina de sua vidinha insossa. A estupidez humana transcende a ordem universal e deixa aos que ainda acreditam na possibilidade de uma reversão do processo que está jogando bilhões de toneladas de dejetos, pó, fumaça e veneno na nossa fonte de vida diariamente.

De que adiantam os estudos apontando as alterações visíveis no clima da terra, onde regiões inteiras são destruídas pelas fortes chuvas. Outras mais distantes estão em processo de desertificação de terras antes produtivas. Calor na região do pólo norte, frio em demasia em outros cantos da terra, provocando morte e destruição da fauna e da flora.

Acredito na ciência, creio na força do criador, mas não consigo vislumbrar a reação da humanidade na direção de um processo de reflexão profundo. A água potável está sumindo, a terra apesar de ter ainda muito liquido em sua estrutura, já não possui tanta água em condições de consumo como há trinta anos.

A poluição das águas e a devastação das florestas e matas, aliadas as queimadas fazem da terra uma tremenda estufa que por consequência degelará milhares de quilômetros de gelo do pólo norte, aumentando o volume dos mares e trazendo a destruição a milhões de habitantes do nosso planeta.

Salvar a terra, nossa única moradia é nosso dever, não temos alternativas e o tempo está se esgotando a cada novo dia que amanhece. Precisamos de ações pontuais, encurralando políticos e governantes para que cada um possa alterar sua forma de condução do processo de industrialização e de extrativismo.

Apenas assinar tratados não limpa o planeta, não impede o desmatamento. É preciso que as nações industrializadas cessem seus processos de usurpação comercial.

De outro lado é latente que os países pobres do terceiro mundo como o Brasil, necessitam de políticas públicas, bem como da aplicação rigorosa das leis que impeçam imediatamente a destruição da floresta amazônica, da mata atlântica, enfim de todas as demais áreas verdes sejam elas dentro ou fora das regiões urbanas.

18 de janeiro de 2012

Pedágio urbano ou Avisa o formigueiro vem aí Tamanduá

“O erro acontece de vários modos,
enquanto ser correto é possível apenas de um modo”.
Aristóteles

 
Os municípios poderão cobrar pedágio para diminuir o trânsito de automóveis, segundo a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada na última semana pela presidente Dilma Rousseff. Um dos principais objetivos é estimular o transporte coletivo e reduzir a emissão de poluentes.

A nova lei autoriza a cobrança de tributos pelo uso da infraestrutura urbana, "visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade". A receita gerada pelo pedágio ou outra forma de tributação deve ser destinada ao transporte coletivo, como a concessão de subsídio público à tarifa. O uso de bicicletas também precisa ser estimulado, segundo o texto.

O texto acima publicado na maioria dos jornais do Brasil sinaliza que prefeitos estão liberados para fazer ou preparar para tirar em forma de impostos mais dinheiro dos contribuintes em troca de nada. Afinal de contas sabemos que o transporte público é pífio, não se tem obras de metrô ou ferrovias em quantidade suficiente e o transporte coletivo é medíocre nas médias e grandes cidades.

Claro que, os recursos jamais serão encaminhados para melhoria no transporte coletivo como preconiza a lei da Dilma, seria o mesmo que acreditar que a CPMF contribuiu com a saúde pública, algo que nem lenda foi, mas sim, engodo puro. Os recursos seguirão o mesmo caminho dos recursos oriundos das multas de trânsito que também são desviados de finalidade.

Os governantes não fazem obras viárias, não investem em transportes de massa (Metrô, Ferrovias) nem tampouco provêm os cidadãos de transporte coletivo de qualidade em nossas suas cidades. Agora estes mesmos péssimos administradores terão recursos fáceis para seus cofres.

Isto tudo sem a garantia de que estes recursos serão mesmo aplicados em transporte coletivo. Afinal de contas no Brasil é sempre assim, leis são feitas para satisfazer governos e não as necessidades do povo.

Tributos da década de 70 ainda sobrevivem e incidem sobre combustíveis sem que nenhum governante os questione. Assim é o Brasil dos pedágios, das corrupções sem fim e das leis que favorecem grupos, governos e nunca o povo. Se vão colocar pedágios urbanos que isentem motoristas do IPVA e Licenciamento imediatamente.

Para quem não sabe O Pedágio Urbano foi aplicado em Londres com o nome original London congestion charge que é uma taxa que se aplica a determinados condutores que acessem a zona central da cidade de Londres. A capital britânica é a maior cidade das que já implementaram este modelo.

A empresa encarregada de colocar o pedágio é a empresa pública Transportes de Londres. A taxa foi introduzida em 17 de Fevereiro de 2003. A princípio fixou-se um pedágio equivalente a R$ 13,90, que foi aumentada em 2005 para R$ 22, 25. A taxa diária deve ser paga pelo dono de um veículo que entra, sai ou se desloca na zona delimitada entre as 7 da manhã e às 18h00min horas. Não pagar a taxa implica multa de R$ 140,00 reais.

Ocorre que o pedágio somente se aplica quando há congestionamentos, isentando veículos que estejam com quatro passageiros. Aqueles que transitam sozinhos em seus veículos em dias de congestionamentos pagam a taxa acima informada.

9 de janeiro de 2012

O tempo

"O tempo é muito lento para os que esperam,
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade"
William Shakespeare

Haverá um tempo em que no século XXI acontecerá aquilo com que alguns de nós sempre imaginamos em nossa distante infância no século passado. Mas como o século tem obviamente cem anos, e só tivemos onze anos passados até agora, resta à humanidade esperar pelo milagre nos próximos oitenta e nove anos que se seguirão.

Claro que é cedo para fazermos conjecturas, principalmente se levarmos em conta que o criador não nos deixou o legado da visão completa dos acontecimentos nem mesmo para apenas um segundo a nossa frente. O mundo se transforma com uma velocidade cada vez mais inconcebível para os padrões de ontem. E amanhã será cada vez mais difícil de supor, pois a velocidade das transformações tendem a mudá-lo mesmo antes de chegar por completo.

Mas as mudanças que estou falando passam longe do avanço tecnológico e científico. São as mudanças comportamentais da humanidade que mais interessam, pois dizem respeito à alteração de posturas com relação ao próximo, à natureza e todas as consequências de sua não preservação adequada para com a vida em nosso habitat.

A transparência completa e a verdade em todos os sentidos provocando uma mudança radical nas relações humanas é o ponto mais esperado e aguardado nesse futuro de tempo incerto. A possibilidade de olhar e entender o pensamento daquele que está ao teu lado ou seja seu interlocutor, provoca ainda hoje calafrios mas marcará com certeza a maior de todas as mudanças na humanidade em todos os tempos.

Pois não haverá avanço tecnológico que supere a alma humana quando em estado bruto, livre de subterfúgios, de representações teatrais e de mentiras tão comuns à nossa época. O homem será o senhor de sua palavra e não poderá em tempo algum disfarçar nenhum sentimento, quer seja o ódio ou o amor sublime.

A vida será mais fácil para todos e menos complexa com certeza, pois ao decifrar aquilo que está por trás do semblante humano o homem vai conseguir evoluir mil anos para cada ano vivido daí para frente.

Os entraves inerentes aos jogos lúdicos que fazemos deixarão de permear as relações humanas e as jogarão para um patamar de igualdade, sinceridade e amor completo. Visto que até o ódio seria explícito e por conseguinte transparente aos olhos de quem se odeia.

Mas enquanto essas transformações não são por Deus decretadas continuemos nossa vida de mentiras, verdades e percalços sem fim a cada novo amanhecer.

7 de janeiro de 2012

Quem manda em SP é a arbitrariedade e a carteirada!

“Política é a arte de conciliar
os interesses próprios,
fingindo conciliar o dos outros”.
Menotti Del Picchia

Tomo a liberdade de usar pela primeira vez em meu blog um texto que não foi escrito por mim, porém, de tão perfeito, faço minhas as suas palavras. Sobre um assunto que como tantos outros passaram em branco na grande mídia, não tendo a repercussão na sociedade que está acostumada a aceitar tudo que vem dos políticos como normal, principalmente dos tucanos no governo de SP há 17 anos.

O texto pertence a Eduardo Guimarães e foi publicado em seu Blog da Cidadania. Leiam e vejam quantos absurdos cometidos à revelia da Lei em SP, maior Estado da Nação. Pobre Nação!

Se qualquer um de nós, cidadãos comuns, sofresse a acusação que o hoje desembargador Francisco Orlando de Souza sofreu em 10 de outubro do ano passado de parte do então delegado da Polícia Civil de São Paulo Frederico Costa Miguel, estaria em maus lençóis.

Dirigir sem habilitação e embriagado, desacatar, desobedecer, ameaçar, difamar e injuriar a autoridade policial são os crimes dos quais o delegado acusou oficialmente (via Boletim de Ocorrência) o então juiz de Direito após ele se envolver em uma briga de trânsito.

No último fim de semana, o irmão do delegado entrou em contato comigo pelo Facebook pedindo repercussão do caso. Passou-me o telefone do irmão. Liguei e após longa conversa decidi pesquisar mais o assunto. O que descobri me surpreendeu, indignou e preocupou.

As acusações contra o magistrado estão no Boletim de Ocorrência nº 13.913/2011. De acordo com o registrado, o juiz e outro motorista começaram brigar no trânsito. Quando passaram pela porta da delegacia, o outro motorista teria parado por sentir-se ameaçado pelo juiz.

Investigadores, de dentro da delegacia, ouviram a confusão e saíram à rua. Viram o juiz esmurrando o vidro do carro do motorista com quem discutia. Segundo relatam, quando se aproximaram o juiz passou a agredi-los verbalmente.

O delegado chega e determina que todos entrem na delegacia. Diante de várias testemunhas, Orlando de Souza se identifica como juiz e passa a fazer ameaças enquanto se recusa a colaborar com a elaboração do Boletim de Ocorrência. O delegado lhe dá voz de prisão.

Dois dias depois (12 de outubro), o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Roberto Bedran, em sessão especial daquela Corte defende a nomeação de “delegados especiais” para cuidar de casos que envolvam magistrados.

Cerca de uma semana mais tarde, o mesmo Tribunal de Justiça de São Paulo decide promover a desembargador o juiz acusado de tudo isso. Com o novo cargo, ele terá foro privilegiado para ser processado e julgado.

Paralelamente, no mesmo período o Conselho da Polícia Civil se reúne rotineiramente para a última avaliação do delegado Costa Miguel, que como todo delegado em início de carreira estava em experiência. Apesar de ter tido a sua efetivação recomendada pela Corregedoria da Polícia, o Conselho delibera pela sua exoneração.

Em questão de dias após a confusão em que o juiz suspeito de embriaguez ao volante se envolveu, o Tribunal de Justiça toma medidas para fortalecê-lo e a cúpula da Polícia Civil dá início a um processo que culminaria com a demissão do delegado que tentou cumprir a lei.

Esse caso cria uma espécie de “jurisprudência” da impunidade. O agora ex-delegado Costa Miguel está literalmente desempregado. Tudo o que fez para chegar ao cargo (faculdade, concurso etc.), foi jogado fora. Que outro delegado – ou mesmo policial – incomodará juízes que infrinjam a lei?
 
Blog da Cidadania > http://eduardoguimaraes.com.br/