23 de junho de 2012

Paraguai – O retrato de uma América atrasada!

Alguns homens não sabem e não sabem que não sabem. São idiotas... Evite-os
Alguns homens não sabem e sabem que não sabem. São os simples... Ensine-os
Alguns homens sabem e não sabem que sabem. Estão adormecidos... Desperte-os
Mas alguns homens sabem e sabem que sabem. Estes são os sábios... Siga-os

A constituição paraguaia permitiu na noite de ontem (22/06/12) que o congresso nacional daquele país a utilizasse como se fosse uma lista telefônica descartável. Fazendo uso de uma brecha proposital incrustrada naquela carta magna, senadores destituíram o presidente do país em rito sumário, incompatível com a justiça e o direito de defesa de qualquer cidadão.

Oposição e antigos aliados do Presidente Fernando Lugo fizeram uma aliança e deram um golpe branco em seu mandatário máximo, deixando o poder livre para que o vice-presidente Federico Franco pudesse assumir a direção daquele país.

Num continente marcado por golpes militares, ditaduras e tantas máculas à democracia o que ocorreu ontem no Paraguai é mais um casuísmo que se utilizou de ferramentas legais para dar um golpe letal na própria democracia frágil do país.

Um país que não possui um parque industrial, não tem força na prestação e serviços nem no seu comércio e se notabilizou por contrabandear sempre ou permitir a entrada de produtos falsos e às vezes roubados dos países vizinhos como o Brasil por exemplo.

Em suas ruas mal asfaltadas rodam milhares de veículos furtados no Brasil, andando livremente e com documentação falsa conseguida nas delegacias paraguaias. A pirataria mundial tem em Ciudad del Este na fronteira com Foz do Iguaçu o marco de sua realização.

A partir de hoje pela manhã o mundo civilizado questiona o novo governo paraguaio sobre as supostas violações aos mais simples princípios democráticos. A comunidade internacional olha com bastante preocupação para Assunção capital do país, tentando entender a validação deste impeachment relâmpago perpetrado por senadores ávidos por poder e cargos no futuro governo a ser formado.

Para o Brasil fica no ar a dúvida sobre as futuras decisões a serem tomadas por Federico Franco em relação ao nosso país. O Brasil tem milhares de brasileiros vivendo naquele país, conhecidos como “brasiguaios” que em sua maioria dedicam-se à agricultura. Além da Usina Hidrelétrica de Itaipu ponto de constantes discussões entre os dois países.

O certo é que independentemente das razões para a destituição de Lugo serem ou não legais, o Paraguai é o retrato fiel de uma república atrasada, oligárquica e cuja democracia é ainda incipiente e muito frágil na América do Sul. Podendo ser alvo fácil de golpes civis ou militares para favorecer interesses de uma minoria corrupta e nefasta.

16 de junho de 2012

Rio+20 = Esforço inútil

“Nada há de permanente,
exceto a mudança.”
Heráclito (450 A.C.)

A reunião denominada Rio+20 teve seu início na cidade do Rio de Janeiro e pelo caminhar das primeiras discussões pode chegar a lugar algum. Ou ainda, seguir um padrão que vem acontecendo em eventos a favor da natureza – Todos batendo cabeça e os poderosos governantes dos países altamente poluidores dizendo NÃO!
A simples elaboração de uma carta de intenções ganha contornos complicados e demonstra a dificuldade que se encontra em chegar a um denominador comum na defesa do planeta em que vivemos. Os países denominados ricos (G8) não querem deixar de lado a ganância nem abrir mão de suas riquezas para salvar o planeta. Os países em desenvolvimento querem ser ricos e, portanto, não vão abrir mão de nenhuma estratégia que venha a impedi-los.
Para começar China, EUA e Rússia não enviaram seus mandatários e já esvaziaram a plenária na medida em que são os três maiores poluidores do mundo em que vivemos. Assim como aconteceu no Tratado de Kyoto, não vão assinar nada que possa comprometer o fluxo financeiro de seus governos.
Mesmo o Brasil, sede do evento, não está fazendo sua lição de casa. Um país com tremenda extensão territorial usa caminhões fedendo óleo diesel ao invés de ferrovias limpas e não poluidoras. Nossos veículos que são milhões nas ruas e estradas usam mistura de álcool e gasolina, privilegiando consumo e não economia.
No Brasil florestas e matas estão sendo destruídas em troca de pastos e plantações pertencentes a latifundiários com direito à bancada no Congresso Nacional. Nada passa contra eles, nada pode ser feito contra esta casta incrustrada de forma disfarçada na agroindústria nacional. No pensamento deles dane-se o meio ambiente, pois eles preferem matar ou mandar matar quem os confronta a dialogar em favor da natureza e do uso criterioso do solo do país.
A realidade do campo é muito diferente daquela dos corredores civilizados do Congresso Nacional. No norte do país morrem dezenas de pessoas por ano assassinadas por defenderem o direito à propriedade e o meio ambiente.
Na Rio+20 com certeza estes heróis anônimos não estarão presentes, para relatar em alto e bom som, tudo pelo qual passam em suas distantes comunidades, esquecidas pelo poder público onde andam nas ruas como se fossem alvos móveis.
O Brasil não é modelo, nem deveria ser sede de um evento no qual estão devendo explicações, punições a assassinos e mandantes. Onde o pequeno e médio agricultor está desaparecendo e jamais teve apoio de qualquer setor do governo federal.

11 de junho de 2012

Haiti – Desperdício de dinheiro público!


“O erro acontece de vários modos,
enquanto ser correto é possível apenas de um modo”.
Aristóteles

A aventura brasileira no paupérrimo Haiti completa oito anos e carrega em suas costas despesas da ordem de quase dois bilhões de reais. Uma quantia que no mínimo poderia estar sendo utilizada para reequipar, treinar, dotar de alta tecnologia e até remunerar decentemente nossas forças armadas que há décadas estão sendo sucateadas.
Por que o exército brasileiro tem de estar naquela ilha distante de nosso povo e tão perto dos americanos? Por que um país de economia carente e onde milhões sentem falta de moradia, saneamento básico e saúde pública decente têm de gastar tantos recursos financeiros?
A resposta é fácil e clara: Esta ajuda ou socorro emergencial que se tornou permanente foi ideia de Lula e seus asseclas geniais. Queriam chamar a atenção do mundo, em particular da ONU, para que o Brasil pudesse agradá-los e em seguida alcançar a tão sonhada tanto quanto desnecessária cadeira no conselho de segurança daquela organização.
Acontece que os demais países e a ONU não são movidos por esta paixão ou comoção que Lula supôs em seu plano estapafúrdio de ajuda militar. Ficaram gratos, mas deram graças a Deus que erámos nós e não eles que tinham de torrar bilhões nesta sandice sem precedentes.
Não tenho nada contra o Haiti, país imerso em problemas de toda ordem e cujo comando quase sempre esteve nas mãos de ditadores financiados pelo mesmo capitalismo que pede “ajuda” e tem respaldo em Lula.
Se ficarmos apenas na questão da segurança, o valor investido naquela aventura nababesca chega a seis vezes o valor investido com a Força de Segurança Nacional no mesmo período. Convenhamos muito mais importante e necessário para nosso povo. Dados revelados pelo jornal Folha de SP mostram conforme gráfico abaixo a evolução dos gastos do Brasil com o Haiti.
O governo petista tem se caracterizado por várias coisas nefastas como não combater a corrupção, não promover as reformas políticas necessárias e ajudar com nosso dinheiro republiquetas pelo mundo afora com empréstimos, perdão de dividas ou ajuda militar como neste caso do Haiti.


8 de junho de 2012

Gastos da Copa/2014 e Olimpíadas/2016 são obscenos!

“A maioria das pessoas não planeja fracassar,
fracassa por não planejar.” John L. Beckley


Ao afirmar perante o mundo que poderia organizar uma Copa do Mundo de Futebol em 2014 e uma Olimpíada em 2016, o governo brasileiro se inflou de ufanismo e bateu no peito dizendo em alto e bom som que nosso país teria condições técnicas, financeiras e organizacionais para provar ao mundo sua capacidade.

Ao fazê-lo mostrou aos organizadores e ao país quais seriam seus gastos em ambos os eventos, sendo que a Olimpíada no RJ envolve diversas modalidades e participantes do mundo inteiro. Enquanto a Copa do Mundo atraí as atenções do planeta para a bola e terá 31 países participando além do anfitrião.

Enquanto a Olimpíada envolve bilhões de investimentos numa única cidade, carente de mobilidade urbana, habitação e segurança para fica no mínimo. A Copa do Mundo envolve doze cidades que foram escolhidas sem critérios técnicos para serem sedes do grandioso evento.

A maior e mais severa crítica naquele momento era de que a corrupção iria grassar solta nas obras e serviços a serem realizados no país. Aproveitando dois pilares: Governo vulnerável + Obras emergenciais.

No caso específico da Copa do Mundo isto está bem claro, nenhum estádio está pronto, nenhum estádio está ao menos dentro do cronograma das obras. Nenhuma obra de infraestrutura nem de mobilidade urbana foi realizada e a maioria sequer foi licitada. Na data em que escrevo este artigo estamos a menos de dois anos do evento e nem assim percebemos nas autoridades brasileiras algumas rugas de preocupação, deixando a entender que os críticos estavam certos.

Segundo Romário, tudo será feito do “jeitinho” brasileiro, entregue em cima da hora e feitos de qualquer jeito para que se possa realizar o evento. Dane-se qualidade, dane-se comprometimento com o evento e a sociedade e acima de tudo dane-se o erário.

A Olimpíada RJ/2016 transformou a cidade do Rio de Janeiro num imenso canteiro de obras, aumento da oferta de energia, mobilidade urbana, infraestrutura, tudo andando em conformidade com as rigorosas exigências do Comitê Olímpico Internacional.

Entretanto dois problemas saltam aos olhos naquela cidade. O primeiro é que as arenas (Locais) onde serão realizadas as quase trinta modalidades olímpicas ainda não estão prontas e sequer estão adiantadas, muitas não licitadas. O segundo grande problema é o elevado custo desta brincadeira de meia dúzia de autoridades cariocas que vão levar o Estado e talvez o país ao caos. Somados os dois eventos poderemos ter algo perto de R$ 500 bilhões.

Nem o chamado legado dos jogos (Copa do Mundo e Olímpiadas) pode ser levado em consideração. No caso da Copa de futebol isto não existirá, pois não haverá obras significativas em aeroportos, hotelaria e muito menos em mobilidade urbana. No caso da RJ/16 ainda pode ser que a sociedade se beneficie de algumas vantagens.

O caos financeiro que hoje atravessa a Europa deveria servir de lição para governantes que não planejam, não prezam pelo dinheiro do povo e sequer se importam com suas pobres reputações. Para eles a carreira política é o jogo e não a Copa de Futebol ou os jogos olímpicos.

2 de junho de 2012

Um homem e seu destino

Nada era mais importante na vida daquele pobre homem simples do que sua família. Em segundo lugar num degrau de honra vinha a música, que era sua segunda paixão e por quem vivia nas noites e madrugadas frias de São Paula. Para a família vivia todos os dias, para a música quase todas as noites de sua vida.

O violão, seu inseparável companheiro que quem executava seus acordes e deixava fluir suas canções, preces e gemidos nas grandes bebedeiras que às vezes tomava conta de suas noites com os amigos e às vezes com estranhos que mal conhecia.

O mundo globalizado levou seu emprego numa das muitas privatizações em SP e o deixou a fazer bicos em empresas terceirizadas, sem carteira assinada, sem presente e com futuro duvidoso, vivia às vezes do passado, quando era empregado de uma grande empresa pública.

O mundo branco também lhe impingia um desconforto a mais em razão de sua negritude afro brasileira, fazendo com que em certas ocasiões temesse pelo futuro de seus filhos. Mas a morena que tanto amava não lhe deixava cair em depressão e o empurrava para cima quase sempre, fazendo-o enxergar estrelas cadentes em pleno céu de tempestades.

E de bico em bico, de bar em bar a vida passava pela soleira do seu barraco na periferia, e a cada novo amanhecer a esperança enchia seus pulmões novamente ajudando a disfarçar suas olheiras pela noite na roda de samba no Bar do Eustáquio lá na vila.

Era uma pessoa simples de gestos e costumes que combinavam com sua origem pobre desde a pacata cidade de Lorena no interior paulista até a periferia de São Paulo naqueles dias. E a música e a cachaça que eram seus maiores amigos nas noites das rodas de samba acabaram selando de forma trágica seu próprio destino.

Foi numa noite de festa com seus velhos amigos da CMTC, antiga empresa municipal de transporte urbano de São Paulo que havia sido privatizada, jogando no mercado de trabalho centenas de desempregados. A música se estendia pela madrugada afora quando o “negrão”, como era carinhosamente chamado pelos velhos amigos resolveu mudar seu destino ao sair contra a vontade de todos que ali estavam na festa.

Alguns insistiram e pediram para ele ficar, ou quem sabe, ir de taxi para casa naquela madrugada que seria de despedida entre ele, sua amada, seus filhos e seu violão.

E os sorrisos viraram lágrimas em questão de minutos, o violão despedaçado não mais daria seus acordes dissonantes e os amigos não mais poderiam contar com o amigo que em plena marginal Tietê acabara de virar mais um número nas estatísticas do trânsito paulistano.

Morreu um amigo sambista cujo destino fora levar alegria a tantos desconhecidos, morreu um pouco da alegria retratada em tantas festas e pagodes, morreu meu amigo Gilberto.