27 de janeiro de 2013

Tragédia em Santa Maria > Ganância + Omissão

A tortura de uma consciência culpada
é o inferno do ser vivo. John Calvin


Na madrugada de 27 de janeiro de 2013 na cidade de Santa Maria mais de duzentos e trinta jovens recém-chegados à Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul não vão poder mais ver o sol nascer, nem ouvir a musica das baladas que os embalavam nas madrugadas que antecederam esta noite de terror naquela cidade gaúcha.

Uma tragédia que como todas as demais poderia ter sido evitada, senão em sua ocorrência ao menos em sua proporção monstruosa em que se transformou, sendo considerada a segunda maior tragédia em um incêndio no país.

Um homicídio coletivo que aconteceu por dois motivos básicos e que talvez não sejam utilizados pela Justiça para condenar seus responsáveis diretos e indiretos.

O primeiro motivo é a ganância, mãe dos piores crimes cometidos diariamente neste país, tão suscetível aos escárnios do capitalismo selvagem e da democracia corrupta que se transformou nossa linda Nação de trinta anos para a data de hoje.

Esta ganância está caracterizada na forma como a casa de shows em Santa Maria tratou suas vitimas, ou seja, superlotou o recinto para poder ganhar o máximo dinheiro possível, desrespeitando normas e a segurança de todos.

Em seguida, quando da estupidez cometida por um músico amador que resolveu fazer show pirotécnico dentro de um recinto com revestimento acústico altamente combustível, os seguranças da Boate Kiss, trancaram as portas para que ninguém saísse sem pagar sua consumação.

Claro que, os seguranças ignóbeis e sem inteligência cumpriram ordens, ordens estúpidas e sem a menor inteligência, ordens que por certo, partiram da direção da casa de shows Kiss.

O segundo motivo é a ausência de fiscalização em nossos quatro cantos no que tange a casa de shows, espetáculos e estádios e ginásios de esporte. Não são feitas com o rigor necessário e quando feitas, misteriosamente em poucas horas são revogadas (R$R$R$R$).

Nosso corpo de fiscais, muitas vezes é corrompido facilmente e em outras tantas vezes cumprem à risca seu valioso papel, porém, são subjugados por chefias suscetíveis a um incentivo monetário qualquer.

A somatória destas coisas (Ganância + Omissão) mataram 232 jovens e deixaram tristes milhões de pessoas ao redor de todo Rio Grande do Sul. Recuperar esta dor, será impossível, entende-la difícil, porém cabe a Justiça e as autoridades do Brasil, dar o exemplo de rigor da lei para todos os responsáveis por estas mortes.

Carta sobre a violência no Brasil!


Lembre-se que em todas as épocas existiram
tiranos e assassinos que, por algum tempo, pareceram
invencíveis. Mas no final, sempre caem. Sempre.
Gandhi
Há vários meses a sociedade brasileira assiste a verdadeiras barbáries cometidas contra seus cidadãos, como por exemplo, a jovem Daniela Nogueira de Oliveira de 25 anos que mesmo grávida foi executada na porta do seu prédio e veio a falecer. Como ela milhares de brasileiros são vitimas da selvageria que cresce diariamente em nossas cidades.

A criminalidade sempre foi tratada como problema social, entretanto, todos nós sabemos que nossas leis são muitas, porém estão beneficiando em demasia os criminosos e não aqueles que pagam pesados tributos às três esferas de governo.

Precisamos de leis mais rígidas e um sistema penitenciário que não solte presos a cada novo feriado. Precisamos de uma justiça que não seja omissa e lenta e um sistema criminal que deixe claro aos criminosos que ao entrarem na prisão somente sairão quando suas penas efetivamente forem cumpridas.

Neste sentido, não vejo alternativa, senão, os nossos representantes no parlamento tomarem frente de uma campanha por reformulações sérias nas nossas leis penais que venham a ajudar a coibir a crescente criminalidade neste país. Aliás, não podemos depender apenas dos parlamentares, a sociedade civil tem de tomar a frente deste pleito.

Em SP e RJ em particular, vivemos um estado de guerrilha urbana, onde centenas de pessoas são aniquiladas todas os dias, sem que nenhuma autoridade responda o porquê destas mortes. Quem está matando? Quem são as vitimas?

O povo deste país precisa de uma resposta das nossas autoridades. Para tanto sugiro como proposta para discussão alguns tópicos que creio modestamente serem importantes para minimizar a crescente onda de violência no país como, por exemplo:

Ø Fim da Progressão Penal e seus redutores de penas para presidiários;

Ø Revisão e reformulação da concessão de permissão para regime semiaberto;

Ø Fim do indulto, uma imoralidade que é praticada sem que haja fiscalização, controle e que se tornou uma verdadeira farra nos presídios. Até estupradores tem o direito a sair e em alguns casos o monstro mata a mãe e sai no dia das mães graças ao indulto;

Ø Aumento do limite de 30 anos para 50 anos de pena máxima a ser cumprida no Brasil;

Ø Fim das regalias a criminosos em presídios como visita intima, acesso de familiares dentro do presídio ao invés de ficarem separados por vidros a prova de balas como nos EUA;

Ø Fim do acesso a telefone comum, celular e qualquer dispositivo que permita ao criminoso contato com a vida externa. Se queriam liberdade não cometesse crimes;

Ø Utilização dos recursos federais e estaduais para a construção de presídios de segurança máxima;

Ø Formação de um mutirão com pessoal de todas as esferas de Justiça, da OAB e do Ministério da Justiça para revisar os processos nas penitenciárias daqueles que já cumpriram penas ou podem reverte-las para penas alternativas como trabalho comunitário;

Ø Instituição de trabalho e estudo em todas as penitenciárias do país; Redução da maioridade penal;

Ø Penas em dobro para policiais e membros da justiça envolvidos em quaisquer crimes.

Ø Pena dobrada para aqueles que comprovadamente cometerem crimes sob o efeito de drogas.

Ø Por fim, mutirão nas varas criminais para que os processos sejam julgados e para que os milhares de réus que foram condenados sejam presos e tirados das ruas do país. Unificação dos trabalhos das Policias Federal, Civil e Militar, na parte de inteligência, científica e operacional para combater facções criminosas e contrabando de armas e drogas nas fronteiras e dentro do país.

A violência chegou aos portões dos condomínios residenciais, não há mais espaço nem tempo para tergiversações nem para postergações para a adoção de medidas urgentes para coibir essa matança que ocorre em nossas ruas.

O brasileiro é prisioneiro dentro de suas residências, onde gasta com segurança privada o que os governos estaduais e federal não suprem de forma alguma. Pagamos impostos sem retorno algum, dinheiro jogado no lixo a fundo perdido.

Perdemos o sagrado direito constitucional de ir e vir em nosso próprio país, os facínoras mandam no Estado através de suas corporações criminosas como PCC e Comando Vermelho. Precisamos de um basta Já!

25 de janeiro de 2013

Anunciação

Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar,
transforma homens em covardes. Abraham Lincoln

Na língua portuguesa segundo o Dicionário Aurélio Anunciação significa: Ato ou efeito de anunciar. [Sin., p. us.: anunciada.]. Na teologia representa: Mensagem do anjo Gabriel à Virgem Maria, para lhe anunciar o mistério da encarnação (2).

Em Bauru e região Anunciação nos últimos vinte anos significa outra coisa para os moradores da cidade e região: Toda vez que nos visita o Governador Geraldo Alckmin anuncia a duplicação da Rodovia conhecida como Bauru – Iacanga.

Entre uma visita política e outra, poucas inaugurações, mas muitas promessas são feitas e por consequência muitas mortes também na estrada de pista única e grande movimento.

No meio do caminho segundo o poeta maior do país Drumond de Andrade... “havia uma pedra”, na estrada entre as duas cidades citadas ao invés de pedras existem um aeroporto e muita saudade dos parentes que sofreram com a perda de entes queridos nesta estrada.

Quando da construção e inauguração do Aeroporto Arealva Bauru os habitantes das cidades envolvidas pelo percurso da estrada imaginaram que jamais um governo poderia inaugurar uma obra tão importante sem que o acesso a ela fosse garantido com segurança. Ledo engano!

Para o partido do governador, estradas boas são apenas aquelas que eles encontraram prontas há vinte anos, construídas pelas gestões militares e de outros governos (Quércia/Maluf) e que eles colocaram nas mãos de empreiteiras e foram pedagiadas com altíssimo custo para os usuários.

Duplicar uma estrada perigosa e de grande movimento não é definitivamente o grande mote da gestão Alckmin. Na região a Bauru – Marília e a Bauru Ipaussu tiveram que matar milhares de pessoas até que foram duplicadas, se bem que, a última ainda está em obras. Sem contar a ligação entre Bauru e Piratininga que é feita por uma perigosíssima avenida.

Anunciar na imprensa da região o que não será feito com rapidez é um golpe contra os usuários e os eleitores da região, pois dá a impressão que tudo será realizado com celeridade e afinco por parte da gestão daquele que anuncia o fato.

Poderíamos chamar quem faz tanta anunciação na imprensa em vão de Nosso Grande Mestre Pinóquio. Ontem (24/01/13), um emérito professor da UNESP, universidade administrada pelo governo estadual foi mais uma vitima fatal desta estrada perigosa que continuará pelo visto ceifando vidas até que o Governador venha fazer nova anunciação em Bauru.

O cidadão da região que paga pesados tributos exige obras já. Não é possível que após vinte anos de governo do mesmo partido não tenha havido tempo para planejar, licitar e terminar estas obras citadas acima.

19 de janeiro de 2013

O buraco negro é aqui!

Perdoamos uma criança que
tem medo de escuro facilmente.
A verdadeira tragédia da vida
é quando homens têm medo da luz.
Platão
Aqui na Nação do futuro, que há quinhentos anos espera ao menos ter um futuro, nada que seja feito mesmo que com sucesso lá fora, é feito com qualidade. Além da tendência a corrupção e ao execrável jeitinho brasileiro, ainda enfrentamos o chamado “Custo Brasil”.


A indústria automobilística, por exemplo, constrói automóveis com qualidade e extrema segurança na Ásia, Europa e América do Norte. Após instalarem suas indústrias no nosso país sofrem uma espécie de mutação moral e genética, passando a construir carros no padrão "Brasil" de qualidade. Excesso de modelos e vários subterfúgios para tornar um simples carro algo muito caro. Falta conforto, segurança, tecnologia e sobram supérfluos a preço de ouro.


No México, Argentina e alguns outros países, são fabricados carros para serem vendidos ao Brasil. Pelas mesmas montadoras que nos exploram há anos, sendo que no local de fabricação eles têm um custo 60% menor do que os comercializados no Brasil.


Com a telefonia é a mesma ladainha. Privatizamos tudo, temos quantidade, porém não temos qualidade de serviços, atendimento e produtos. Os celulares de última geração tecnológica são lançados no Japão, Coréia, Europa e EUA. Aqui usamos os aparelhos de terceira categoria a preço de luxo.


Não temos sinal em vários pontos e não temos tecnologia de ponta nos produtos comercializados pelas mesmas empresas que do outro lado do mundo dão show de eficiência e tecnologia.


Assim são as coisas no Brasil, aqui é o buraco negro do mundo, jogam seus produtos, cobram caro, remetem livremente seus lucros para poder compensar o investimento que fazem com tecnologia para outros povos. A VW durante muitos anos sustentou com a Indústria no Brasil a sua matriz na Alemanha. Ganhar dinheiro no buraco negro é fácil, as leis são feitas para o povo, não para a alta classe dominante.


Claro que, tudo isso orquestrado e com coadjuvantes de peso que são os nossos governantes que impõe a maior carga tributária do planeta e uma burocracia corrupta e nefasta que serve de cartão de visita aos empresários estrangeiros, eles então, fazem sua parte e aprendem a lucrar no Brasil.

17 de janeiro de 2013

Apenas uma simples questão de prioridade!

                                                             De todas as presunções ridículas da humanidade,
nada ultrapassa as críticas feitas aos hábitos
dos pobres por aqueles que têm casa,
estão aquecidos e alimentados. H. Melville

A nova legislatura começou na Câmara em Bauru e alguns vereadores reacendem uma discussão recente – A construção de uma nova sede para abrigar a Câmara Municipal de Bauru. A sede atual é antiga, acanhada, tem dependências que datam de sua construção e que até a legislatura passada serviram ao povo sem problemas.

Antes de voltarem a discutir se o município deve ou não investir em nova sede, os novos parlamentares deveriam em primeiro lugar conversar com o povo. Saindo as ruas ou elaborando uma pesquisa para verificar se o eleitor bauruense quer uma nova Câmara ou se ele quer investimentos em outras coisas talvez mais importantes para a cidade neste momento. Que tal um Plebiscito?

Democracia é isso, legislar e atuar para o povo e com o povo, afinal de contas o poder a eles conferido foi pelo povo, ou não foi? Às vezes alguns Edis distraídos acabam se esquecendo deste pequeno detalhe da vida democrática. Ou consultaram o Dicionário Aurélio onde na palavra Edil consta:

[Do lat. aedile.] - Substantivo masculino. 
1. Antigo magistrado romano que se incumbia da inspeção e conservação dos edifícios públicos.
2. Vereador.
3. Bras. N.E. Desus. Prefeito (5).

Após consultarem a sociedade bauruense e na hipótese desta em maioria absoluta confirmar a opção pelos gastos de reforma da atual casa ou da construção de uma nova Câmara, então os senhores poderiam começar a discussão que ora iniciaram de forma discreta nas primeiras sessões da casa.

Os gastos com esta nova Câmara poderiam ser repassado para outras prioridades para o povo bauruense, assim começariam com pé direito e ao lado do povo.


10 de janeiro de 2013

Ricardo Teixeira e a consultoria milionária para a CBF

Distorcem-se fatos para satisfazer
teorias, e não o contrário.
Sherlock Holmes



A CBF – Confederação Brasileira de Futebol é uma entidade rica, poderosa e que não costuma ter problemas com dinheiro nem com investigações em relação as suas atividades esportivas, bem como sua contabilidade milionária.

Prova disso é a notícia recente de que seu ex-presidente Ricardo Teixeira que ficou no cargo durante mais de 18 anos recebe após sua saída da entidade um salário nada modesto para os padrões brasileiros - A cifra mensal de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais).

Os novos dirigentes que a princípio vieram com discurso de mudança, renovação, reagiram a noticia veiculada na mídia e trataram logo de dar sua versão oficial ao caso.

_ Ele (Ricardo Teixeira) não recebe salário da CBF, jamais permitiríamos isso em nossa impoluta administração, este valor refere-se ao pagamento referente à Consultoria dada pelo Senhor Ricardo Teixeira à CBF.

Eu sabia que havia uma explicação, tinha certeza, aliás, que isso não era verdade. Pronto, agora está muito bem explicado a sociedade brasileira, amante ou não do futebol. Ele não recebe salários e sim cento e vinte mil mensais para dar consultorias. Ufa!

A soma anual das consultorias permite ao “Consultor” Ricardo Teixeira receber a módica quantia de R$ 1.440.000,00 (Um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais) dos cofres da CBF.

Você quer saber da onde saem estes recursos? Se o consultor recolhe Imposto de Renda sobre os valores recebidos? Se alguém investigou para saber onde e quando foram ministradas as tais consultorias e sobre quais assuntos? Pergunte a Jose Maria Marin enviando carta para a Rua Victor Civita, 66 - B1 - Edifício 5 (5º andar) Condomínio Rio Office Park Barra da Tijuca - CEP: 22.775-044. O site da CBF não dispõe de endereço eletrônico para o envio de mensagens ao presidente.

Conheço alguns notáveis consultores que jamais receberam R$ 120 mil mensais para repassar seus conhecimentos técnicos ou científicos a uma empresa, governo ou quaisquer entidades. O caso de Ricardo Teixeira talvez devesse entrar para o Guiness Book, não tanto pelo valor mensal, mas sim por enganar tantos por tanto tempo. É desconhecido o teor do seu contrato e quando ele efetivamente exerceu consultoria que justificasse essa fortuna que José Maria Marin diz ser paga por consultorias prestadas a CBF.

Não é de hoje que a oposição no Congresso deveria formular uma investigação ampla, profunda e radical nesta entidade milionária que detém os recursos dos campeonatos de futebol, da seleção nacional e dos direitos de imagem e contratos com a mídia, empresas patrocinadoras etc.

O único parlamentar que e esforçou neste sentido foi Romário, porém seus parceiros parlamentares não gostam de fazer tabelinha como Bebeto fazia na Seleção. Eles gostam de evitar polemicas quando para tanto recebem algo em troca, sejam ingressos, promessas ou até jogos da seleção em seus Estados e Municípios.

Com a palavra o Congresso Nacional...

Médicos e o juramento em falso

Nada é permanente neste mundo cruel,
nem mesmo os nossos problemas.
Charles Chaplin


O Juramento de Hipócrates para os formandos em medicina foi atualizado em 1948 pela Declaração de Genebra, a qual vem sendo utilizada em vários países por se mostrar social e cientificamente mais próxima da atual realidade. Uma versão mais atualizada é atualmente utilizada no Brasil, sendo a mais difundida:

Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.

Na atualidade a sociedade brasileira está vivendo um momento onde questionamos o poder público por não ter capacidade de administrar as necessidades básicas de saúde do cidadão. Formam-se milhares de médicos sem que seja realizado um planejamento que indique onde e quais as especialidades devem ser alocadas.

Além disso, nossos governantes permitiram a expansão das faculdades de medicina como se fossem mercearias por algumas regiões do país. Quantidade que não reflete em qualidade de ensino, qualidade dos cursos e principalmente dos profissionais da medicina que saem com diploma ao final de seis anos.

Esta falta de qualidade aliada à ganância do ser humano permite que tenhamos no Brasil de alguns anos para cá, uma casta de médicos primatas, arrogantes, covardes, perniciosos e sem humanidade alguma em seus corações empedernidos pela ausência de educação e civilidade.

Na semana que passou no RJ uma menina morreu vitima de uma bala perdida, entretanto, o que a levou a óbito e chocou a sociedade foi à ausência injustificável de um médico neurocirurgião no plantão do hospital.

A direção do Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, subúrbio do Rio, informou à Secretaria de Saúde que o neurocirurgião escalado para o plantão noturno do dia 24 de dezembro faltou ao trabalho. A falta de um neurocirurgião na unidade nesse horário fez com que uma menina de 10 anos, baleada na cabeça na noite de segunda (24), ficasse oito horas esperando para ser operada, até a manhã desta terça (25).

Claro que o monstro, digo, médico não é o único culpado na história, o Hospital Municipal Salgado Filho e o Secretario de Saúde além do Prefeito Olímpico Eduardo Paes deveriam saber que um médico apenas é muito pouco para atender dezenas de casos durante um plantão na violenta cidade do Rio de Janeiro. Como seria se fosse à violenta cidade de SP.

Atrasos nas consultas, não atendimento de convênios em detrimento de particulares, faltas injustificadas, marcação irregular de ponto em Hospitais Estaduais, falta de diagnósticos corretos, são alguns dos muitos problemas que a sociedade enfrenta no dia a dia em relação aos novos médicos recém-formados no Brasil.

Muitos destes médicos são oriundos das classes mais abastadas, onde os pobres estão distantes e quando muito são seus empregados. Ao se verem diante de postos de saúde e hospitais abarrotados de gente humilde e sem recursos estes jovens médicos os tratam com desdém, falta de profissionalismo e até de senso humanitário.

Aos futuros estudantes de medicina, bem como aos recém-formados seria necessário rever suas convicções e sua forma de tratar seus pacientes seja qual for às condições sociais deles, enxergando em cada atendimento um Ser Humano que necessita de ajuda e conta com seus conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação universitária, muitas vezes bancadas por recursos de impostos pagos por aqueles mesmos cidadãos em seu consultório, hospital ou pronto socorro.

Paciente não é cliente e sim um Ser Humano a ser tratado independente de sua condição social. A ganância e o egoísmo se apoderaram dos jovens médicos, obstruindo a visão humanitária da profissão que resolveram abraçar.  Não precisamos de médicos que pensem apenas em cifras, ao contrário, o Brasil precisa de profissionais de saúde que se entreguem ao sacerdócio da profissão antiga e digna chamada medicina.

9 de janeiro de 2013

Vitaliciedade Imperial ou transição republicana?

Nada é permanente neste mundo cruel,
nem mesmo os nossos problemas.
Charles Chaplin


Nosso país tem muitos problemas, corrupção, impunidade, falta de administradores competentes no poder público, falta de ética em todos os escalões da vida nacional, distribuição de renda, educação, saúde, enfim, precisaria de centenas de páginas para enumerá-los.

A presença de um senador por oito anos é compreensível em seu mandato, porém, ver homens públicos transformarem seus mandatos em algo próximo há cinquenta anos é inconcebível para qualquer cidadão que trabalha sem receber um décimo dos salários e benefícios que estes escolhidos do Império recebem.

Dois ou três mandatos consecutivos ou alternados seriam tempo suficiente para que estes “abnegados” servidores das leis estivessem à frente do cargo de senadores. Desde que contribuíssem para a previdência e tivessem o mesmo redutor que os trabalhadores comuns tem na sua aposentadoria.

Mas não é dos senadores que eu quero versar neste texto. Mas sim, dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sua longevidade no cargo pode ou não ser maior do que de alguns senadores no país, porém incomoda a chegada ao cargo e a forma de sair dele compulsoriamente aos 70 anos de idade.

A chegada é indefensável, visto que o poder executivo interfere diretamente naquele que deveria ser o poder intocável, inquestionável e totalmente impermeável aos demais poderes constituídos. Um ministro deveria ser escolhido após uma carreira longa dentro do Poder Judiciário, passando obviamente pela função de juiz.

Neste caso, Dias Toffoli, aos 41 anos de idade, sem jamais ter usado uma toga, estaria descartado da função de ministro. Além de sua total inexperiência para o cargo, o rapaz amigo do Lula poderá ficar vinte e oito anos ocupando a cadeira de ministro do STF.
A saída também deveria ser repensada, ninguém deveria ser tirado do cargo por ter 70 anos de idade, mas sim, por ter cumprido sua jornada de forma eficiente e honesta. Estabelecer um critério de tempo no cargo seria mais inteligente e permitiria que não tivéssemos um amigo do presidente perpetuado no cargo por tanto tempo, nem um grande jurista saindo em poucos anos de relevantes trabalhos a corte suprema.

Em alguns países os ministros da corte suprema tem mandato fixo. Que podem variar de nove a quinze anos, dependendo do país. O debate é longo, interessante e pode ser levado para vários pontos de vista dependendo do interesse, conhecimento, etc.
Minha sugestão seria de um mandato de 12 anos. Um bom tempo para que um ministro pudesse exercer o cargo com dignidade e altivez. Um (a) jovem com 25 anos está formado (a) em direito e com sua OAB. Com mais dez anos de experiência no exercício do direito, chega aos 35 anos. Poderia então, candidatar-se a uma vaga de juiz (a).

Com quinze anos de experiência na corte este mesmo juiz (a) poderia alçar o voo mais alto de sua carreira sendo escolhido aos 50 anos de idade para ocupar o cargo de Ministro da Suprema Corte do país. Com doze anos de serviços prestados sairia de lá aos 65 anos de idade.

Com isso poderíamos evitar a obscena indicação do Poder Executivo no Judiciário, transformar a carreira em algo pautado pela experiência e notório conhecimento das funções a serem exercidas de forma planejada e com uma carreira a ser perseguida dentro do TJ. Além é claro, de garantir a saudável transitoriedade própria da República como disse um dia a Juíza Carmen Lúcia (“Vitaliciedade é coisa do Império, transitoriedade é própria da República”).



5 de janeiro de 2013

Vivendo na escuridão

Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros,
mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e
os promotores da espécie humana são aqueles
que as leram diretamente no livro do mundo.
Arthur Schopenhauer

       Diante do momento difícil que a humanidade atravessa, me recordei do romance “Ensaio sobre a cegueira” do escritor português José Saramago, que versa sobre uma epidemia de cegueira súbita, uma “treva branca”, que vai acometendo as pessoas e espalhando-se de maneira incontrolável. E de uma multidão de cegos colocados em quarentena, entregues a si próprios, tateando e tropeçando maneiras de permanecerem vivos.
      Um relato contundente de seres humanos reduzidos às necessidades mais básicas. Pessoas com olhos que não vêem, sem nomes (de que lhes valeria o nome naquelas circunstâncias?), corpo apenas, sem identidade. Em luta entre si pela comida insuficiente, ameaçadas pela doença e pela morte, num profundo desamparo.
      Diante de condições miseráveis, o correto seria a ajuda mútua, a cooperação, a unidade em torno do mal comum. Mas, surpreendentemente, cada um toma o seu lugar e dele não se desloca, todos amarrados as suas necessidades somente, medrosos, ameaçados, defensivos, cegos uns para os outros. Surge assim a tentativa de alguns poucos cegos de subjugarem e submeterem aquela multidão ao seu poder, através dos meios mais ilícitos e desumanos.
      Saramago, com habitual maestria, nos coloca de frente com o real de todo dia. Obriga-nos a uma profunda introspeção para que possamos enxergar de olhos fechados. Enxergar a nós próprios, os outros e as coisas, condições básicas em nossas vidas.
        Como os personagens do romance, também temos olhos que não vêem. Colidimos e, em alguns momentos, tropeçamos no semelhante, sem enxerga-lhe o nome... Esbarramos como se fosse um objeto qualquer... Vivemos no início de um novo milênio e, nosso povo é obrigado a sobreviver de forma miserável, tal qual os personagens de Saramago.
       Nossos governantes perderam a dimensão do reconhecimento pelos seres humanos, no atendimento as necessidades tão básicas como alimentação, saúde, educação, moradia digna e segurança. Nossos políticos uma vez no poder, não enxergam a urgência da expressão do afeto, da honestidade, da sinceridade de princípios cristãos e humanos.
       A maioria dos políticos não tem o mínimo respeito para com toda a imensa nação que de tanto sofrer já perdeu a esperança no amanhã, vivendo na fronteira de sua paciência. Sabedores de que nosso imenso continente poderia possibilitar nossa autossuficiência em alimentação e nos tornarmos uma potência mundial.
     Ao contrário nossa escória política usa o povo a cada quatro anos com propaganda enganosa para chegar ou se manter no poder. Depois vira-lhes as costas desejando que nós não existíssemos, para não corrermos o risco de atrapalhá-los em seu tortuoso caminho de mentiras, improbidades, ganância e escuridão moral.
     E com tudo isso, temos vivido uma relação em que somos cegos. Não enxergamos a melhor opção na hora da eleição (às vezes anular o voto pode não ser a melhor estratégia) e quase sempre esquecemos o que fizemos na eleição passada.
     A maioria dos políticos brasileiros desde a ditadura militar de 1964 está jogando à autoestima do povo brasileiro para um abismo sem fim, e isso acaba se tornando um círculo vicioso a cada novo pleito. Quando então estamos doentes do corpo e alma, no que tange a ausência de uma política séria voltada para as graves crises que assolam nosso cotidiano.
     Precisamos admitir enquanto povo de terceiro mundo nossas fraquezas, nossas singularidades oriundas de nossa cultura e buscarmos uma reviravolta nesse jogo em que estamos perdendo de goleada. Precisamos com urgência alijar da vida pública esses homens que usam o poder para enriquecimento ilícito e nos matam lentamente, e, enquanto ainda temos tempo e vida, porque somos finitos.

4 de janeiro de 2013

Orçamento aprovado não significa nada no Brasil!

Algumas das melhores lições são
aprendidas dos erros do passado.
O erro do passado é a sabedoria
do futuro. Dale Turner





Em novembro de cada ano, se acessarmos os percentuais aplicados em cada pasta ministerial, governos estaduais ou municipais veremos sempre a mesma situação contábil. Ou seja, nem metade daquilo que foi orçado, aprovado e deveria ser aplicado foi efetivamente realizado pelos nossos governantes.

Em novembro de 2012 no auge da crise de segurança pública em São Paulo, Estado rico e com maior arrecadação de impostos, onde o mesmo partido (PSDB) é governo a 20 anos apenas 45% da verba destinada à segurança havia sido aplicada. Os outros 55% não foram usados por Geraldo Alckmin.

No governo federal a situação é rigorosamente a mesma independente do partido que esteja no poder. O governo federal teve em 2012 a maior verba disponível em dez anos para investir em ações de prevenção contra desastres naturais em todo o país – R$ 3,47 bilhões, mas só usou 13,6% desse valor no ano, segundo levantamento do Jornal O Globo.

Nos municípios brasileiros se conseguirmos acessar suas documentações referentes aos anos anteriores iremos constatar que a pratica é rigorosamente igual na maioria deles em todo país. Recentemente vimos vários políticos brigando desesperadamente por verbas referentes aos Royalties do Petróleo e das extrações futuras do Pré-Sal. Entre eles estava o Governador Sergio Cabral do RJ. Gritou, esperneou, fez campanhas e formulou slogans em defesa das verbas para seu Estado.

As perguntas ao Governador Sergio Cabral que não querem calar são as seguintes:

_ Qual a verba aplicada pelo seu governo em 2012 para evitar tragédias no seu Estado?
_ Qual foi a sua atuação na tragédia de 2011 na serra fluminense?
_ Quais foram às obras feitas em seu governo na cidade de Duque de Caxias na baixada fluminense?
Nem Dilma (PT) nem Alckmin (PSDB) nem Sérgio Cabral (PMDB) nem nenhum político brasileiro é capaz de executar as obras necessárias, com os recursos aprovados em suas gestões de oito anos neste país.
Tempo existe, recursos sobram, mas falta capacidade, inteligência, honestidade e cobrança da sociedade civil organizada. É preciso cobrar, exigir, buscar informações e divulga-las na mídia. A Lei da Informação Nº. 12527/11 está em vigor, vamos utilizá-la e fazer dela nossa arma contra estes descalabros.