31 de março de 2014

A verdade sobre a falta d'água em SP!

"Aqueles que corrompem a opinião
pública são tão funestos como àqueles
que roubam as finanças públicas”
Adlai Stevenson

O sistema de abastecimento de água da Cantareira é responsável pelo fornecimento de água potável a quase nove milhões de pessoas na cidade de São Paulo e mais de cinco milhões no interior do Estado. Sendo assim, deveria em tese ser mantido com toda eficiência pelo Governo Estadual, só que não é.

Em 2009 o governo do Estado foi alertado sobre os riscos do sistema Cantareira, sobre sua fragilidade e instruído por técnicos da Fundação de Apoio à USP a tomar medidas para evitar o colapso do abastecimento de água na região metropolitana.

Claro que, o governador e seu staff jamais se renderiam a apelos técnicos, dados convincentes e relatórios que não fossem formulados por gente do PSDB. Se tivessem levado a sério o reservatório não estaria hoje com seu menor volume útil desde que foi construído em 1974, bem antes do PSDB tomar posse de SP.

Houve demora do governo em tomar medidas eficazes para impedir a situação atual de iminente desabastecimento. Há dez anos a Sabesp empresa estatal paulista que é responsável pela distribuição de água em São Paulo deveria ter encontrado alternativas para enfrentar esta situação em 2014.

Na outorga de 2004, uma das condicionantes era que a empresa tivesse um plano de diminuição de dependência do Sistema Cantareira, mas não houve planejamento nem interesse da empresa nem do Governo do Estado no assunto. O Consórcio PCJ, que reúne prefeituras, empresas e entidades de mais de 43 cidades, divulgou nota em que acusa a Sabesp de não reduzir a dependência do sistema Cantareira.

O Governador não fez seu papel, pois pensou apenas na questão eleitoreira, postergando ao máximo, além do limite da responsabilidade técnica, a adoção de medida evidentemente impopular: o racionamento de água na Grande São Paulo.

As falhas de abastecimento afetam vários munícipios a oeste da Capital – como Barueri, Cotia, Embu das Artes, Santana do Parnaíba e Itapecerica da Serra. De acordo com a população destes municípios os problemas de abastecimento antecedem este verão de chuvas escassas.

Claro que, o governador, a Sabesp e todos os tucanos do governo culpam a estiagem, culpam São Pedro, culpam El Niño, enfim, todos menos quem está no governo há 19 anos e não fez o que deles se esperam quando estão no poder por tantos anos.

Quantos reservatórios poderiam ser construídos em 19 anos? Quantas medidas técnicas e eficientes poderiam ter sido adotadas em 19 anos? São quase duas décadas de inércia, omissão e cuja única preocupação foi e sempre será com a manutenção do poder no Estado e a reconquista do poder em Brasília no governo federal.

O descaso dos tucanos com os recursos hídricos não se limita a tais localidades. São estendidos aos demais locais de captação de água na cidade de São Paulo, bem como na Grande SP. O atual desperdício de água na região metropolitana é correspondente a 40% do sistema Cantareira.

Estudos encomendados pelo próprio governo avalia que será preciso construir, até 2035, represas equivalentes a dois sistemas idênticos ao da Cantareira com custo estimados hoje em R$ 4 bilhões a R$ 10 bilhões. Se não fizeram nada em 20 anos de governo, como podemos esperar que o façam nos próximos 21 anos?

20/12

“Numa nação corrompida, muitas
são as leis que se fazem”. Tácito

O título não se refere a um horário nem uma data específica, mas sim a outra coisa que passa como o tempo e que não produz nada, assim como nossos políticos. Trata-se de 20 anos de PSDB em São Paulo e 12 anos de PT no Governo Federal de forma ininterrupta e desastrosa igualmente. Após anos de luta para chegar ao poder, o PT aproveita-se da indicação de José Serra para vencer o pleito em 2001 e chegar ao poder máximo do país em janeiro de 2002.
Muitas promessas, euforia e o ar carregado de perspectivas de mudanças. Redução da carga tributária, combate à corrupção, administração participativa, fim dos vícios de poder como as barganhas por cargos com base aliada, honestidade e probidade eram algumas das muitas coisas que o país esperava ansiosamente.

Duas gestões de Lula e uma de Dilma depois e podemos afirmar que o Partido dos Trabalhadores rasgou seu estatuto e manchou para sempre sua história com corrupção (Mensalão), apoio a políticos ligados a tudo que não presta no país (Oligarquias, Ditadura, Máfias sindicais, etc.).

Flertou com o autoritarismo da América do Sul (Venezuela, Bolívia) e destinou bilhões de reais para republiquetas ao redor do mundo enquanto o povo brasileiro paga tributos obscenos, não tem Educação de qualidade, nem saúde nem serviço algum dentro do nosso vasto território.

Num período ainda maior (20 anos) o PSDB domina o cenário político de São Paulo, o maior e mais rico Estado do país. Mesmo privatizando empresas de segmentos que não deveriam ser privatizadas como Sistema Elétrico, por exemplo, bancos, ferrovias, estradas, não conseguiu economizar e aplicar os recursos em benefício da sociedade paulista.

O dinheiro das privatizações sumiram, as estradas construídas em governos anteriores estavam prontas e pagas, a única coisa que mudou foram às praças de pedágios que surgiram com a tarifa mais cara do país.

Nenhuma estrada do porte das que foram terceirizadas foi construída em 20 anos. O Rio Tietê continua imundo, a navegação por hidrovia patina e vive de propaganda enganosa. O Sistema de Captação de Águas sucumbe por culpa da inércia dos governos tucanos. Não fizeram as Estações de Tratamento de Esgoto, nem Reservatórios, nem tampouco se prepararam para enfrentar a estiagem no sistema Cantareira que está praticamente seco.
Assim como o PT no nível federal os tucanos abraçam o DEM e outros partidos fisiológicos, chegando ao ponto de subirem ao palanque em 2010 junto com Quércia, aquele que os tucanos demonizaram em 1995, acusando-o de quebrar o Estado.

Em 20 anos a base aliada dos tucanos na Assembleia não permitiu que uma só CPI investigasse seja lá o que for da gestão tucana em SP. Fica fácil dizer que é honesto quando se age desta forma.

Para completar, os tucanos adoram abrir CPI para os inimigos, porém não explicam quem corrompeu quem no Cartel dos Trens que abrangeu desde 1995 figuras ilustres do partido em SP. Empresas como a Cesp, Epte, Cteep, CPTM e Metrô jogaram fora quase um bilhão de reais destinados a propinas num cartel bilionário e ainda não investigado, apesar da Suíça, França e Alemanha terem fornecido milhares de páginas de dossiês e provas contundentes aos governantes do PSDB em SP.

Em resumo, apesar de polarizarem as últimas eleições desde 1994, nenhum dos dois merecem o voto do eleitor paulista e brasileiro.

Gigante pobre, violento e desinformado!

“O afã da riqueza obscurece
a noção do justo e do injusto"
Antífanes

O Brasil tem hoje aproximadamente uma população de 201 milhões de pessoas (IBGE-2013) espalhadas pelo quinto maior território do planeta, com 8.515.767.049 Km². Sendo o maior país da Américo do Sul com seus quase oito mil km de extensão litorânea.

Um país relativamente jovem, com média de idade de 30,3 anos para seu povo e uma expectativa de vida em torno de 73 anos. Podemos dizer que é um gigante que evoluiu bastante desde que aqui chegaram as 13 primeiras embarcações carregadas de portugueses, dando início ao nosso capitalismo selvagem e corrupto.

Mesmo assim, quinhentos e quatorze anos depois ainda vemos um país pobre, ignorante, violento e muito corrupto da raiz ao último fio de sua democracia ainda jovem, incipiente e imatura. A qualidade de vida dos países é medida pelo seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), onde o Brasil é apenas e tão somente o 85º entre 187 países analisados. O que demonstra que nossos governantes não estão fazendo absolutamente nada desde o fim do regime militar. Pior ainda, a corrupção e a inércia fazem com que uma boa parcela da população ainda sonhe com a volta dos mesmos militares ao poder.

Ao final da ditadura militar nosso IDH era de 0,522 (1980). O que demonstra que houve uma ligeira evolução até chegarmos aos atuais 0,730. Porém esta evolução foi lenta demais e parte da culpa está nas gestões políticas que tivemos desde a década de 80 no país. Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma prometeram muito, mas realizaram muito pouco.

O Brasil tem cerca de 25% dos seus municípios (1.431) que ainda estão nas faixas de baixo e muito baixo desenvolvimento humano. Onde faltam saneamento básico, água potável, habitação, desenvolvimento econômico e agrário, infraestrutura mínima para que possamos considera-los como brasileiros de verdade.

Ainda temos muito que avançar, porém existe um freio difícil de ser liberado, que são os nossos políticos. Essa classe consegue manter o país paralisado no Congresso Nacional, nas suas Assembleias Estaduais e nas mais de cinco mil Câmaras Municipais. Medidas, leis, projetos, trabalhos ficam paralisados por anos a fio nas gavetas destes políticos que apenas trabalham por suas eleições e reeleições quando não estão brigando por cargos e dinheiro junto ao Poder Executivo.

Somemos a isso a inércia e inaptidão dos nossos governantes eleitos nas três esferas do poder constituídos no Brasil. Onde Prefeitos, Governadores e os Presidentes da República não conseguem de forma alguma dar ao nosso povo saúde, educação, segurança pública, habitação e saneamento básico, preferindo investir neles próprios e nas suas bases eleitorais.

Nosso povo desinformado, sem educação de qualidade e sem saúde adequada, vive elegendo a cada dois anos essa escória que nos governa, nos cobra impostos de primeiro mundo e nos mantém rigorosamente no terceiro mundo há mais de 500 anos.

29 de março de 2014

Pesquisa mostra lado sombrio de parcela do povo brasileiro!

“A opinião pública já
mandou Cristo ao Calvário"
Viana Moog

O IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas divulgou uma nova edição do seu Sistema de Indicadores de Percepção Social a respeito da tolerância social à violência contra as mulheres no Brasil. O estudo aponta que o brasileiro médio se posiciona em sua maioria pela punição severa aos agressores, porém vê certa naturalidade nas afirmações que indicam uma complacência maior com a violência do gênero.


Causou espanto generalizado que mais de 50% dos entrevistados também culpam as mulheres pela motivação de agressões sexuais sofridas por elas em todo país. O espanto se transforma em absurdo medieval quando ficamos sabendo que 65,1% dizem concordar totalmente ou parcialmente com a afirmação obscena “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Já 58% concordam com a afirmação igualmente estapafúrdia que “Se as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, não os estupradores”.


A pesquisa do IPEA conclui que, por trás dessas afirmações machistas, ignorantes e insensatas, “está à noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, não os estupradores”.


Estamos vivendo o ano de 2014 – Século XXI, mas ao que parece o Brasil e sua gente bronzeada ainda não atravessou a fronteira distante do Século XVIII. Afirmações como estas assimiladas e transcritas na pesquisa do IPEA deixam claro o lado sombrio, ignorante e distante da realidade com o qual o povo brasileiro em uma parcela significativa vive e pensa.


Não é a toa que temos políticos tão corruptos e um sistema de governo tão banal e propenso a agir em causa própria deixando de lado projetos de desenvolvimento e de investimento em Educação, Saneamento, Segurança e Habitação. Um povo que diante de um crime hediondo como o estupro culpa a mulher por sua vestimenta é algo impensável e muito próximo dos povos da idade medieval e suas barbáries.


Difícil acreditar que com toda evolução da humanidade, com toda tecnologia e disponibilização de informações no século em que vivemos ainda tenhamos uma parcela maior que a metade dos brasileiros pensando de forma tão machista, ignóbil e obtusa.


Parece que esta gente pesquisada que deu esta opinião não tem mãe, nem avós, nem irmãs, nem filhas ou esposas. Devem ser apenas e tão somente protozoários acéfalos que vivem como amebas no fundo de um lodaçal sem fim.


PS: A pesquisa do IPEA ouviu 3.810 pessoas em todas as regiões do País.
PS¹: O IPEA após alguns dias assumiu que sua pesquisa estava incorreta, que não seriam 65,1%, mas sim algo em torno de 26%. O erro só vem agravar ainda mais a situação exposta na pesquisa original. 

17 de março de 2014

Você aprova que seu dinheiro tenha sido gasto erroneamente?

“Quando o dinheiro fala, a verdade cala"
Provérbio Chinês


Imagine se o fato descrito abaixo acontecesse numa grande empresa, depois imagine ainda qual seria a reação dos donos ou dos sócios com relação a quem cometeu o ato em si. Com certeza ele seria demitido sumariamente. Preste atenção nos valores envolvidos e o que este mesmo recurso possibilitaria a um governante inteligente realizar. Tire suas próprias conclusões:

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) cujo partido está no governo paulista desde 1995, ou seja, 19 anos, suspendeu a obra que iria possibilitar a construção do Complexo Cultural da Luz, na região central da cidade de São Paulo.

Até este ponto nenhuma novidade nem em São Paulo nem em nenhum outro Estado, afinal de contas, obras vivem sendo paralisados, suspensas, abandonadas aos montes. O que diferencia esta obra em SP, é que o Estado com recursos do povo paulista já investiu R$118 milhões.

Deste montante obsceno R$ 53 milhões foram para pagar o projeto dos arquitetos e consultores e R$ 65 milhões para pagar as desapropriações necessárias para que a obra fosse realizada.

O local fica no centro da cidade e seria muito interessante ter um Centro Cultural, pois faria com que o local tivesse enfim uma revitalização tão sonhada pelos moradores e paulistanos em geral. O projeto foi concebido por nada menos que um Escritório renomado da Suíça pertencente ao arquiteto Herzog Et de Meuron. Os consultores escolhidos são ingleses da Theatre Projects Consultants, especializada na construção de teatros pelo mundo.

Nota-se que os tucanos são finos e escolhem empresas estrangeiras para depois jogar no lixo o dinheiro suado do povo paulista. Sem contar que para chegar a este ponto, o governador mandou desapropriar 205 imóveis em três quadras.

Isso ampliou ainda mais a degradação da região com o aumento da área para a chamada Cracolândia, deixando ainda mais complicada a vida do paulistano que anda naquela área ou lá reside. A foto da região deixa transparecer que aquele local onde seria construído o Centro Cultural mas parecesse uma área bombardeada do Afeganistão ou Síria.

Mas o verdadeiro desastre é o custo desta indecisão do governador de São Paulo, sempre tão crítico assim como seus correligionários para com os outros partidos. A alegação do governador beira o ridículo. Geraldo Alckmin mandou paralisar a obra por considera-la cara demais (R$ 600 milhões) semelhante ao custo de uma arena para a Copa sem superfaturamento. Disse ainda, que “a obra tem cara de coisa para rico”. 

Ora governador, se o projeto custaria R$ 600 milhões por que o senhor não evitou gastar R$ 118 milhões com desapropriações + consultoria + Projetos internacionais? Por que a consultoria e o projeto de arquitetura não foram feitos numa das nossas Universidades paulistas? Por que desapropriar algo sem analisar o custo benefício, o custo parcial e total da obra?

Se o governador do Estado de São Paulo fosse empregado da sua empresa e torrasse R$ 118 milhões o que você faria? Demitiria? Pois o eleitor de São Paulo terá a chance de fazer esta análise em outubro, quando decidirá se vai tira-lo do governo ou lhe dar mais um cheque enorme em branco para que ele gaste sem critérios.

7 de março de 2014

Programa Garantia Safra tem recorde de safadeza!

“Raramente começa a corrupção pelo povo”
Montesquieu

Não existe no nosso país, ao menos de conhecimento público algum programa de governo, ou quaisquer movimentos que gerem recursos que não tenham sido vítimas de fraudes, desvios, corrupção ativa ou passiva. A impunidade é o fator motriz, porém, a ausência de seriedade na fiscalização do erário é coadjuvante merecedor de um Óscar.

O TCU – Tribunal de Contas da União acaba de divulgar mais um relatório onde aponta irregularidades no Programa Garantia Safra. Isso não é novidade (Fraude), porém, neste caso chama demais a atenção para onde os recursos originalmente destinados foram parar. O dinheiro que deveria ajudar agricultores pobres beneficiou mais de sessenta mil pessoas irregularmente entre 2012 e 2013.

Ao invés do beneficio conhecido popularmente por ajudar aos pequenos agricultores do sertão semiárido do nordeste tivemos somente no ano passado milhares de pessoas fraudando o sistema. Que deveria favorecer um milhão e duzentas mil pessoas com ajuda financeira de cerca de R$ 850,00 cada.

Ocorre que o benefício exige que o interessado, tenha um cadastro e este é realizado nas Prefeituras. Isso no Brasil historicamente é alimento para bode. Ao invés de cadastrar apenas quem faça jus ao benefício, milhares de pessoas que sequer pertencem ao segmento acabam sendo agraciadas com verba pública.

Segundo o TCU, cerca de 6.100 pessoas que recebiam mais de R$ 1.500,00 (Um mil e quinhentos reais) que era o teto para perceber o benefício, foram presenteadas sem ter direito. Outras dez mil e trezentas pessoas apaniguados do poder público receberam irregularmente o benefício, entre eles Prefeitos, Vice-Prefeitos, Vereadores, donos de veículos de luxo, empresários, enfim, toda escória que vive próxima ao poder.

No total o prejuízo chegou a R$ 66 milhões e como sempre dificilmente serão devolvidos integralmente ao erário. Duplo prejuízo à nação, visto que, muitos necessitados não receberam ajuda e pessoas sem caráter, de forma criminosa e fraudulenta receberam recursos que não lhes pertenciam.

O relator do processo do TCU Ministro José Mucio Monteiro, determinou que o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que é o responsável pelo cadastro, inicie processo de análise das irregularidades e cobre de volta os recursos pagos a quem não poderia receber. Nesta altura do campeonato isso se chama Projeto Sonho Meu, pois a maioria já sumiu com os recursos e a nossa justiça é mais lenta que jegue aperreado.

Pobre rico país sem investimentos em Educação, sem informação, sem cultura e sem Justiça severa, onde a impunidade campeia nas áreas urbanas, nos sertões nordestinos e em muitos palácios.

5 de março de 2014

Qual o papel do Teatro Municipal de Bauru?

“Se governar fosse fácil, não seriam
necessários espíritos iluminados”
Bertold Brecht.

Desde que cheguei a Bauru, há distantes 18 anos, espero, assim como todos os moradores da cidade que um dia o Teatro Municipal possa receber grandes peças, companhias de ballet, shows e ser utilizado por toda comunidade em grandes eventos.

Neste período que vivo na cidade, parte dele foi destinada a reformas, paralisações e funcionamento abaixo do que se espera de uma casa tão ilustre como o teatro municipal.

Nestes 18 anos a cidade gastou dinheiro com muita coisa, como festas desnecessárias, Jogos Abertos do Interior, obras que não saem do papel e outras que não terminam nunca como o viaduto que liga nada a lugar nenhum por estar completamente interrompido há anos.

Na semana passada minha esposa e uma grande amiga foram ao Teatro Municipal ver a peça “Palavra de Mulher”. A peça excelente fazia uma homenagem à fase feminina das letras geniais de Chico Buarque de Holanda. 

Ao chegarem ao teatro primeira sessão da noite uma delas foi usar o WC. Inacreditavelmente o banheiro feminino estava sem energia e sem papel higiênico. Sim, dois itens que não são assim tão importantes em quaisquer banheiros do mundo.

A Secretaria de Cultura contratou a peça, organizou a venda de ingressos e possibilitou que a mesma viesse a Bauru, apenas esqueceu-se de fazer o óbvio, que era checar todas as dependências do Teatro, antes que ele fosse aberto ao público e as atrizes.

Claro que, se este texto chegar ao conhecimento do Prefeito e do Secretario vão dar algumas desculpas, jogar a culpa em terceiros como todos sempre fazem no Brasil. Estamos muito distantes em termos gerais dos povos ditos do primeiro mundo, o motivo é simples, lá eles tem pessoas confiáveis, competentes e sérias na administração pública.

Não é só o Teatro Municipal que tem problemas com papel higiênico, pois no Fórum Criminal em Bauru os empregados precisavam trazer o mesmo de suas casas em 2006/7 quando lá trabalhei por alguns meses e vi com estes meus olhos atentos esta situação deplorável.