28 de outubro de 2016

Estudo mostra que o cérebro se acostuma a contar mentiras!

Mentirinhas tendem a se tornar maiores, pois sentimento negativo se reduz.

RIO — “A mentira é como uma bola de neve; quanto mais rola, mais cresce”. O dito popular, atribuído a Martinho Lutero, tem agora uma explicação científica. Pesquisadores da Universidade College London, na Inglaterra, descobriram que o ato de contar mentiras, mesmo as pequenas que parecem inofensivas, acostuma o cérebro às emoções negativas associadas e, com o tempo, pode encorajar as pessoas a contarem mentiras maiores.
— Os exemplos estão em todo o lugar, seja nas fraudes políticas ou financeiras ou na infidelidade — disse Tali Sharot, coautora do estudo publicado nesta segunda-feira no periódico “Nature Neuroscience”.
Tali e seus colegas se questionaram se o cérebro se acostuma com as mentiras, da mesma forma que acontece com o horror gerado por uma imagem violenta se ela for vista várias vezes. Normalmente, as pessoas se sentem culpadas por mentir, mas será que este sentimento desaparece com a prática? Aparentemente, a resposta é sim.
O estudo envolveu 80 voluntários, que participaram de um experimento que os encorajava a mentir, enquanto a atividade cerebral era monitorada. Basicamente, cada pessoa recebia um jarro com diferentes quantidades de moedas, e deveria enviar uma estimativa do valor no pote a um parceiro em outra sala, que via apenas uma imagem borrada do jarro e precisava acertar a quantia com base nas estimativas que recebia.
No primeiro cenário, foi dito aos participantes que quanto mais correta fosse à estimativa, melhor seria para o voluntário e o parceiro na outra sala. Dessa forma, seria benéfico para ambos enviar uma estimativa verdadeira. Mas em outros cenários, respostas erradas beneficiavam os voluntários em detrimento dos parceiros, e quanto maior fosse o erro, maior seria a recompensa.

Resposta cerebral diminui
Os pesquisadores perceberam que as pessoas começaram a fornecer estimativas com um pequeno erro, e o ato de contar essas mentiras provocavam uma forte atividade na amígdala cerebelosa, região do cérebro associada com a emoção. Mas com o tempo, a margem de erro na estimativa aumentava, enquanto a resposta da amígdala diminuía.
— Quando você rouba ou mente em seu próprio benefício, você se sente mal — disse Sophie van der Zee, da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, à revista “New Scientist”. — Mas quando você continua mentindo, esse sentimento desaparece então você está mais disposto a mentir novamente.
A correspondência entre a mentira e os efeitos na amígdala era tão forte que os pesquisadores puderam usar os resultados do monitoramento cerebral para prever qual seria o tamanho da próxima mentira. Para Neil Garret, coautor do estudo, ficou claro que “atos repetidos de desonestidade refletem numa redução da resposta emocional para esses atos”.
— Isso está de acordo com a nossa sugestão de que a amígdala sinaliza aversão a atos que consideramos errados ou imorais — disse Garret. — Nós testamos apenas a desonestidade nesse experimento, mas o mesmo princípio talvez seja aplicável ao escalonamento de outras ações, como comportamento de risco e violência.

Fonte da reportagem: Jornal O Globo – 24/10/2016.            

27 de outubro de 2016

Sociedade precisa fazer sua parte e agir de forma ética!

Quando se tem oportunidade de furtar R$ 0,50 (Cinquenta centavos) tirando fotocopia pessoal na máquina copiadora da empresa em que trabalha, não se perde a chance de faze-lo;
Quando se tem oportunidade de furtar R$ 5,00 (Cinco reais) levando para casa a caneta da empresa, não se perde a chance;
Quando se tem a oportunidade de furtar R$ 25,00 (Vinte e cinco reais) pegando uma mais alta, na hora do almoço, para que a empresa reembolse, não se perde a chance;
Quando se tem a oportunidade de roubar R$ 30,00 (Trinta reais)de um artista comprando um DVD pirata, não se perde a chance;
Quando se tem a oportunidade de furtar R$ 250,00 (Duzentos e cinquenta reais) comprando uma antena desbloqueada que capta o sinal do satélite das TV's a cabo, não se perde a chance;
Quando se tem a oportunidade de furtar R$ 469,99 da Microsoft baixando um Windows craqueado num site ilegal, não se perde a chance;
Quando se tem a oportunidade de furtar R$ 2.000,00 (Dois mil reais) escondendo um defeito do seu carro na hora de vendê-lo, enganando o comprador, não se perde a chance;
Muitos não perdem a chance em nenhuma oportunidade, devolvem a carteira, mas furtam o conteúdo em dinheiro, sonegam imposto de renda, fornecem o endereço falso para poder adquirir benefícios ao quais não tem direito, etc.
Bom, se você trabalhasse no Governo, e caísse no seu colo a oportunidade de roubar R$ 1.000.000,00 (Um milhão), com toda certeza, se você não perdeu uma oportunidade das anteriores, iria entrar de cabeça nesta chance. Tudo é uma questão de acesso a oportunidade.
A nossa gente precisa entender que o problema do Brasil não são apenas aquela turma de 513 políticos que compõe o Congresso Nacional e ficam ao lado do poder, pois eles, são apenas o reflexo dos quase 200 milhões de brasileiros que não agem com ética e honestidade em muitos momentos de suas vidas. Os políticos de hoje foram ontem os oportunistas e senão mudarmos a estrutura de valores de nossa sociedade e trazer a Ética e a Moral como pilares do comportamento nunca seremos um povo realmente justo e honesto.   
Compartilhe o texto cuja autoria desconheço, mas que pode servir para iniciar uma mudança de comportamento em quem precisa.

26 de outubro de 2016

Ato falho ou inconsciente adormecido?

A tortura de uma consciência
culpada é o inferno do ser vivo.
John Calvin

A disputa pelo voto, no segundo turno em Belo Horizonte protagonizou no último debate entre os dois postulantes à prefeitura, uma daquelas frases que com certeza vão acompanhar o candidato até o fim de sua vida política.
Lá mesmo nas Gerais em tempos primórdios Paulo Maluf disse: “Estupra, mas não mata a mulher”. Isso lhe rendeu muitas dores de cabeça e vários pontos no ibope na eleição seguinte.
Agora em BH, Alexandre Kalil (PHS-MG) que disputa a prefeitura contra João Leite (PSDB), disse o seguinte: “Eu devo para o Sr. Geraldo [Ex-empregado], sim, mas essa mão aqui é limpa”. “Falou que eu roubo... Eu roubo, mas não peço propina em Furnas”, concluiu brilhantemente o candidato.
A frase inusitada do candidato Kalil acabou viralizando na internet e despertando reações diversas nas redes sociais. Seria um simples ato falho? Ou seria o inconsciente adormecido do candidato, aflorando em plena campanha no mais inusitado momento?
É fato, que a empresa de Alexandre Kalil - Erkal Engenharia deve ao FGTS a soma de R$ 1,3 milhão. Além de possuir mais de 2.000 títulos protestados em cartórios da capital mineira.
O que leva o eleitor mais atento a questionar se Kalil poderia mesmo ser um bom administrador público mesmo sendo um devedor de FGTS de sua empresa e, portanto péssimo administrador privado?
Um ex-dirigente de futebol que é um empresário praticamente falido concorre ao cargo mais importante das Minas Gerais, a terceira maior capital do país. Os partidos políticos se baseiam na memória fraca dos eleitores, e na falta de informação que os mesmos possuem, para colocar candidatos que não representam o anseio da sociedade.
Aproveitando o fato de usar um dirigente do clube de grande torcida nas Minas Gerais, o PHS tenta sair no lucro com a possibilidade de fazer um prefeito de uma das grandes capitais do país.
O eleitor mineiro de BH, que votar em Kalil, já sabe antecipadamente que ele jamais receberá propinas durante seu mandato, entretanto, ficará para sempre na dúvida se ele vai roubar ou não... O futuro dirá!
E disse, com o final das apurações no segundo turno o Prefeito de Belo Horizonte será Alexandre Kalil, que obteve 52,98% dos votos contra 47,02% do candidato João Leite. Para quase 53% dos eleitores provavelmente foi apenas um ato falho. Segue a vida...
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1877068-apos-pregar-chega-de-politico-na-eleicao-kalil-agora-diz-que-e-politico.shtml

24 de outubro de 2016

Compra de votos resiste ao tempo e as leis!

“Estude as frases que parecem
certas e coloque-as em dúvida".
David Riesman

A compra de votos em currais eleitorais é uma prática antiga, muito usada nos rincões brasileiros, onde o coronelismo mandava prender e soltar, e, às vezes até matar para se perpetuar no poder.
O sistema político mudou ao longo dos últimos anos, leis foram sancionadas para coibir e punir as várias formas de fraudes eleitorais, mas nada conseguiu o efeito desejado quando se fala em compra de votos.
A impunidade, somada à baixa escolaridade dos eleitores, a falta completa de informação e o sentimento latente de usufruir da Lei de Gerson – Levar vantagem em tudo, são alguns dos ingredientes perfeitos para que isso ainda ocorra em pleno século XXI.
Um exemplo aconteceu em Goiás, quando investigações da Polícia Federal (PF), apontaram para a existência de esquemas de doações de Cestas básicas, combustíveis e até o pagamento de contas pessoais para poder comprar eleitores.
A PF deflagrou para tanto a sua Operação Pão e Circo, que combate à compra de votos na cidade de Serranópolis – GO. Foram cumpridas onze ordens judiciais expedidas pela 18ª Zona Eleitoral de Jataí – GO, e mais dois mandados de prisão preventiva e nove de condução coercitiva.
Com certeza esse expediente que levou às investigações naquela localidade, ainda ocorre em outros Estados brasileiros. A PF não teria contingente suficiente para investigar e prender a todos que ainda praticam esse tipo de crime.
O enorme território nacional, e a falta de informatização contendo um sistema de identificação com os dados dos brasileiros são alguns dos dificultadores no combate ao crime no país.
Os investigados foram indiciados pela prática de captação ilegal de sufrágio (Compra de votos), e por falsidade ideológica eleitoral.
Resta saber por quanto tempo os envolvidos ficarão presos, e, se julgados e condenados, qual será o tempo de prisão. Com certeza responderão em liberdade, e caso condenados, terão uma pena leve, que no fundo vai ter compensado o crime cometido.

23 de outubro de 2016

Se o mundo fosse uma pequena aldeia!

As ilusões são certamente prazeres dispendiosos,
mas a destruição delas é mais dispendiosa ainda.

Se o nosso imenso planeta fosse uma pequena aldeia com apenas 100 habitantes, mantendo as proporções existentes atualmente, seria algo assim:
Haveria:
57 Asiáticos;
21 Europeus;
8 Africanos e
4 Americanos.
Destes
52 seriam mulheres e
48 homens.
70 não seriam brancos e
30 seriam brancos.
70 não seriam cristãos e
30 seriam.
89 seriam heterossexuais e
11 seriam homossexuais.
Dos cem habitantes apenas 6 pessoas possuiriam 59% de toda riqueza da terra, sendo que os 6 seriam americanos. Ainda destas cem pessoas 80 viveriam em condições sub-humanas.
Das cem pessoas 70 não saberiam ler e escrever, outras 50 sofreria de desnutrição, 1 estaria a ponto de morrer, um bebe estaria para nascer e só um, apenas um teria educação superior.
Nesta aldeia apenas uma pessoas iria possuir um computador. Ao analisar nosso mundo desta perspectiva tão reduzida, se faz mais presente a necessidade de aceitação, entendimento e educação.
Então agora pense... Se você se levantou nesta manhã com saúde e sem doenças, então você tem muito mais sorte do que milhões de pessoas que não sobreviveriam nesta semana.
Se você nunca experimentou os perigos de uma guerra, a solidão de estar preso, a agonia de ser torturado, ou a aflição da fome. Então você está muito melhor do que 500 milhões de pessoas.
Se você pode ir a sua igreja sem medo de ser humilhado, preso, torturado ou morto, então você é mais afortunado do que 3 bilhões de pessoas no mundo.
Se você tem comida na sua geladeira, roupa no armário, um teto sob sua cabeça e um lugar para dormir, voe é mais rico do que 75% da população mundial.
Se você guarda dinheiro no Banco, na carteira, e tem algumas moedas num cofrinho... Já está entre os 8% mais ricos do planeta. Se você tem seus pais vivos e unidos, você é uma pessoa muito rara.
Se você leu esta mensagem, acabou de receber uma dupla benção, pois alguém estava pensando em você e, mais ainda, tem uma sorte melhor do que mais de 2 bilhões de pessoas neste mundo, que não sabem ler.
Divulgue este texto a quem você considera como amigos. Ajude a levar a consciência do mundo a mais pessoas. A única coisa que pode acontecer, se decidir repassá-la, é que, graças a seu gesto, alguém se sentirá por instantes menos solitário.

Texto divulgado na internet com autor desconhecido. 

11 de outubro de 2016

Entenda a proposta que limita os gastos do Governo e por que ela não tira o país da recessão, mas pode ajudar.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (10) o texto base da proposta de emenda à Constituição que congela os gastos federais pelos próximos 20 anos, prioridade do governo Michel Temer para 2016. A proposta restringe as despesas do governo à inflação dos 12 meses anteriores, e tem duração de duas décadas, com possibilidade de mudança na forma de limitar os gastos a partir do décimo ano.
Em dez pontos, entenda o que é a medida, porque ela foi criada e como ela ajuda o Brasil, mas não tira o país da recessão.

1 - O que é PEC e por que é Teto?
É um mecanismo proposto pelo governo para limitar o crescimento dos gastos públicos a longo prazo, fixando como teto a inflação passada.
Como algumas despesas têm regras ditadas pela Constituição, como saúde e educação, para alterá-las é preciso fazer uma proposta de emenda constitucional (PEC), cuja votação tem um rito especial. Depende de dois turnos na Câmara dos Deputados e dois no Senado e só passa com aprovação de ampla maioria três quintos dos deputados (308 votos) e dos senadores (49 votos).
Tratada como prioridade número 1 do governo, a proposta tem boas chances de ser aprovada neste ano.

2 - Gastando chegamos até aqui.
Os gastos do governo crescem mais do que o PIB há duas décadas e, repetidas vezes, o buraco foi tapado com aumento de impostos ou criação de tributos como a extinta CPMF ou a Cide (que incide sobre a gasolina). Outra forma foi aumentar a dívida pública, que chegou a 70% do PIB neste ano bem acima da média dos países com o mesmo estágio de desenvolvimento do Brasil (45% do PIB).
A recessão, iniciada em 2014, piorou tudo: fez cair às receitas públicas e gerou desconfiança com o futuro do Brasil, o que se traduziu em aumento das taxas de juros cobrada pelos investidores para financiar o governo. Com isso, a dívida assumiu uma trajetória insustentável no longo prazo.

3- O prazo de validade do teto é longo.
O teto do gasto proposto pelo governo durará pelo menos nove anos, se for aprovado pelo Congresso. Depois disso, ou seja, em 2025, o presidente da República poderia propor uma nova regra para contenção dos gastos, válida para o seu mandato. E assim seria até 2036. Segundo economistas do governo, o prazo dilatado é importante para sintonizar o ritmo das despesas com o das receitas sem recorrer a mais impostos ou a um corte drástico de gastos. Economistas como Felipe Salto, assessor do senador José Aníbal (PSDB), argumentam, porém que é tempo demais para uma medida tão dura, que na prática congela os gastos do governo.
Alternativas chegaram a ser ventiladas, como atrelar o teto à evolução da dívida pública ou reduzir o prazo de vigência, mas até agora prevaleceu o argumento do governo.

4 - A PEC não resolve o problema.
Para funcionar, o teto dos gastos públicos depende de mudanças na Previdência que limitem o aumento dos gastos com benefícios e pensões. Por isso, a reforma previdenciária é a segunda prioridade do governo.
Os gastos da Previdência representam cerca de 45% das despesas públicas e crescem atualmente 4% acima da inflação por ano, segundo o economista Bernard Appy, do Centro de Estudos e Políticas Públicas. Para analistas do Itaú Unibanco, sem a reforma da Previdência o teto só contribuiria para o equilíbrio das contas públicas até 2019.

5 - O resultado do teto só aparece no longo prazo.
Com o teto, os gastos do governo devem cair como proporção do PIB, mas isso só vai acontecer quando o país (e as receitas do governo) voltarem a crescer a um ritmo superior à inflação, o que deve levar algum tempo.
Hoje o país enfrenta uma recessão que deve chegar a 3,1% neste ano e inflação de 7,2%. Assim, no curto prazo, afirma o economista Felipe Salto, o efeito do teto será nulo e até permitirá mais gastos. E, ao fim de 20 anos, produziria um superávit primário brutal (equivalente a 6,5% do PIB), muito superior ao necessário para reduzir a dívida pública.
Analistas que defendem o teto, como Mauricio Oreng, do holandês Rabobank, dizem que, mesmo com o teto, o governo só conseguirá fazer com que a dívida pare de subir por volta de 2022, quando ela terá atingido um nível elevado (86% do PIB). Ou seja, o endividamento público subirá por mais seis anos antes de estabilizar e depois cair.

6- Tudo muda na saúde e na educação.
Depois da Previdência, saúde e educação são as duas áreas de maior despesa do governo. Por isso, foram incluídas nos gastos sujeitos ao teto. Isso altera as atuais regras, que destinam às duas áreas uma fatia fixa das receitas públicas.

7- Mas por que a polêmica na saúde e educação?
Especialistas em educação e saúde temem que as duas áreas percam a disputa de recursos para grupos com lobby mais bem organizado no Congresso. E reclamam que, com as regras em vigor, receberiam mais no longo prazo.
O governo argumenta que, com a recessão, as receitas caíram sem que houvesse redução dos gastos. Ou seja, a regra atual não protege as duas áreas no momento mais difícil e quando mais gente recorre aos serviços públicos.
Além disso, o teto estabelece que saúde e educação devam receber, no mínimo, o mesmo que gastaram no ano anterior mais a inflação. Se durante a elaboração do Orçamento os deputados quiserem destinar mais dinheiro para essas duas áreas, será permitido, desde que cortem outras despesas. O teto global para a expansão do gasto público não poderia ser desrespeitado.

8- A PEC do Teto não tira o Brasil da recessão. Mas ajuda.
Conter gastos não estimula a economia, mas indica que as contas do governo são sustentáveis. No curto prazo, isso se traduz em mais confiança para os empresários -que podem voltar a investir e produzir- e de consumidores. A confiança começou a voltar lentamente. Com sinais de que o governo vai ajustar suas contas, a taxa de juros também deverá cair, o que ajuda a reativar a economia. O Itaú Unibanco prevê que, neste cenário, o país poderá crescer 4% em 2018.
No longo prazo, porém, o Brasil deveria discutir outras reformas para melhorar a eficiência da economia, observa o economista Bernard Appy, com mudanças no sistema tributário e nas leis trabalhistas.

9- Se não fizer é o precipício. Mas o que é o precipício?
A primeira alternativa ao teto seria aumentar impostos. O governo prevê um déficit de R$ 170,5 bilhões neste ano, equivalente a cinco vezes o que o governo previa arrecadar com a CPMF em um ano. Ainda que coloque as despesas do passado em dia, os gastos continuarão subindo e exigirão mais impostos a cada ano.
Segundo analistas do Itaú Unibanco, sem o teto, o governo teria que aumentar a carga tributária em 4 pontos percentuais do PIB, o que levaria os brasileiros a entregar ao governo quase R$ 4 a cada R$ 10 que produzirem o que é muito para um país em desenvolvimento.
A segunda opção seria reduzir os gastos públicos artificialmente. O governo imprimiria reais para pagar suas contas e deixaria a inflação subir para corroer as despesas. A saída foi muito aplicada no passado e levou o país à hiperinflação no início dos anos 1990.
A terceira possibilidade seria deixar a dívida subir e não pagar, o que seria um calote. E mais de 80% dos credores são poupadores brasileiros, que aplicam em fundos de investimento e no Tesouro Direto, por exemplo, ou são ainda fundos de pensão e de previdência privada.

10- O que acontece se o teto for aprovado?
A expectativa de economistas como Eduardo Loyo, do banco BTG Pactual, é que o reordenamento das contas do governo permitirá uma queda permanente da taxa de juros do Brasil, uma das mais elevadas do mundo, o que facilitaria o acesso de empresários e consumidores a crédito. Para outros economistas, seria a chance de o governo gerenciar melhor o dinheiro público e escolher políticas que deem melhor resultado caso queiram permanecer no poder.

Autora Jornalista Mariana Carneiro
Publicado na Folha de SP em 11/10/16.

5 de outubro de 2016

Voto obrigatório, uma herança antiga!

“Grandes almas sempre encontraram
forte oposição de mentes medíocres”.
Albert Einstein

O voto obrigatório foi criado durante o governo de Getúlio Vargas em 1932. Na ditadura militar, com sua ideologia conservadora e na Constituinte de 1988, com fortes tendências de esquerda, essa herança foi mantida em território nacional.
O nosso sistema eleitoral carece de inúmeras modificações, modernizações e tem na urna eletrônica sua única mudança palpável em relação ao seu funcionamento no século passado.
Precisamos discutir com a sociedade brasileira uma série de mudanças possíveis no atual sistema eleitoral. A questão do Voto Distrital é uma delas, acrescida da implantação ou não das Listas de Votação por partidos, por exemplo.
É preciso ampliar a discussão sobre as regras da inelegibilidade, a manutenção das coligações partidárias, o número obsceno de partidos funcionando no país, a questão crucial dos financiamentos de campanhas eleitorais e a formação de Caixa 2 ainda impune às leis e a Justiça.
Enfim, temos muito que conversar para podermos avançar até chegarmos a um ponto de equilíbrio nas futuras eleições. Que inclusive, deveriam acontecer simultaneamente (Município, Estado, Senado, Presidência) e todos os demais cargos proporcionais (Vereadores, Deputados Estaduais e Federais) trazendo enorme economia ao país.
Mas, antes de começarmos todas estas discussões, importantes com a sociedade brasileira, em todos os seus segmentos, temos que primeiramente rever a questão primordial do Voto Obrigatório.
No regime militar (1964 – 1985) ele foi utilizado como propaganda do regime para uma pseudo democracia que na verdade não existia em sua total amplitude democrática. Depois, por ocasião da Constituinte de 1988, sua permanência ficou atrelada para estimular o eleitor menos politizado e até desacostumado com o processo a votar.
Hoje, depois de mais de 25 anos, é necessário à rediscussão dessa obrigatoriedade de todos os cidadãos votarem. A crescente abstenção, somada aos votos nulos e brancos, muitas vezes superiores aos números dos candidatos eleitos, nos faz repensar a efetividade dessa condição a qual os nossos eleitores estão sujeitos.
Antes de obrigar o povo a votar, é preciso que reduzamos os 35 partidos existentes para no máximo nove. A qualidade dos candidatos precisa ser melhorada para estimular os eleitores ao ato de votar e não o contrário. Não é possível continuar a votar no “menos pior” a cada nova eleição por imposição do sistema.
Os eleitores em sua grande maioria vão às urnas contra sua vontade. O governo brasileiro ainda ampliou e hoje podem votar pessoas de 16 a 70 anos de idade. Transformando eleições com candidatos medíocres em eventos democráticos sem qualidade, sem abrangência e inúteis aos olhos do povo brasileiro.
Voto obrigatório é uma farsa, onde os partidos políticos escolhem puxadores de votos, ao invés de bons candidatos com formação adequada e propostas sérias de governo. Se não houver a obrigatoriedade, quem sabe os políticos se mexam de suas cadeiras confortáveis para melhorar o nível da política nacional.

4 de outubro de 2016

Uma breve análise sobre as eleições municipais!

Numa época de dissimulação, falar
a verdade é um ato revolucionário.
George Orwell

A eleição municipal foi realizada e seus resultados começam a propiciar diversas análises em todo quadro político partidário nacional. Das noventa e duas cidades com mais de 200 mil eleitores, cinquenta e cinco delas terão o segundo turno em 30 de outubro próximo.
Neste primeiro turno, o PMDB, apesar de todo desgaste com o envolvimento de muitos de seus lideres em ações de corrupção da Operação Lava Jato, teve um desempenho que o levou a obter o maior número de prefeituras no país. Ao todo, o partido do Presidente Temer conquistou 1.028 cidades, o que não deixa de ser incrível, visto que, esteve ao lado do PT desde 2002.
Em segundo lugar veio o PSDB, que conquistou 793 municípios dando um bom salto em relação a sua performance de 2012. Logo atrás em terceiro e quarto lugar aparece o PSD com 539 e o PP com 496 prefeitos eleitos.
O grande derrotado com certeza foi o PT, que em 2012 havia alcançado 630 municípios e neste pleito caiu para 256. Essa queda era previsível depois de todo processo desgastante de impeachment e o desenrolar da operação Lava Jato, cujo foco sempre foi restrito ao seu partido, deixando ao menos por enquanto de incriminar os demais partidos envolvidos em denúncias e delações.
Dentre os cinco partidos que estrearam nestas eleições, destaque para o Solidariedade com 61 prefeituras conquistadas. Os demais partidos conseguiram 121 prefeituras somadas as suas participações.
Um fato negativo foi à elevada quantidade de votos nulos, brancos e abstenções em todo território nacional, cerca de 28,9%, do eleitorado. Na cidade de São Paulo, 21,84% deixaram de comparecer as urnas. O percentual de votos nulos representaram 11,35% e os votos em branco foram de 5,29%. Para o leitor ter uma ideia do que esses percentuais representam o vencedor da eleição Dória Jr., obteve 3.085.000 milhões de votos enquanto que 3.096.000 milhões declinaram de escolher um candidato.
No que tange a eleição para vereadores o PMDB conseguiu 7.571 vagas, seguido do PSDB com 5.371, PP 4.746 e PSD 4.639 eleitos. O PT elegeu 2.808 vereadores, ficando muito abaixo dos demais partidos considerados como força política no cenário nacional. Na metade das capitais onde havia candidatos tentando a reeleição, os eleitores os reprovaram e não deixaram que cumprissem seus segundos mandatos.
Neste primeiro momento, a mídia deu grande destaque a vitória do até então desconhecido João Dória Jr. Que concorreu com o PSDB de Geraldo Alckmin em São Paulo. Com sua vitória no primeiro turno, começaram a especular a possível candidatura do governador à presidência em 2018.
Este cenário já conhecido dos eleitores paulistanos poderá levar pela segunda vez a um ato que eu chamo de estelionato eleitoral. Explico: Se Alckmin confirmar sua candidatura à presidência, Dória poderá após um ano de Prefeitura sair como candidato ao governo do Estado de SP, assim como o fez José Serra em 2006.
Portanto, aquele que vai governar o município por três anos (2018 a 2020) será o vice-prefeito Bruno Covas. O paulistano que votou em Dória terá seu vice como prefeito, algo que muito provavelmente não foi motivo de análises mais profundas antes do voto. Os eleitores votam no candidatos esperando que eles ao menos cumpram seus mandatos.
Com o término do segundo turno em 30/10/16, mais 55 prefeitos serão conhecidos e pouco vão alterar o quadro político nacional. Agora, o tabuleiro para as eleições de 2018 já começam a ser movidos lentamente a partir de janeiro de 2017 com a posse dos novos prefeitos e vereadores.