21 de julho de 2017

Uma geração que não aprendeu a aceitar limites!

Nem sempre podemos construir o
futuro para nossa juventude,
mas podemos construir nossa
juventude para o futuro.
Franklin D. Roosvelt

Dos tempos de nossos avós, quando educar era algo realizado com muito rigor e com princípios dos quais eles não abriam mão de forma alguma, para os dias atuais, existe um vácuo imenso.
Não precisamos exercitar demais nossa inteligência para perceber que os efeitos dessa mudança abrupta já estão trazendo consequências muito ruins para nossa sociedade.
Claro que, nem tudo que era feito no passado pode ser aceito como natural nos dias atuais, entretanto, a base da educação no lar foi substituída por completo. A falta de respeito dos filhos é latente e acompanha a forma desleixada que muitas vezes os pais adotam para educar seus filhos. Muitos acreditam que educar é tarefa do Estado através das escolas, um erro crasso.
Nossos jovens crescem sem receber um não, sem ter limites numa época em que isso é muito normal na vida da maioria das pessoas. Enfrentamos com certa naturalidade as adversidades que a vida nos impõe na escola, no trabalho e na vida principalmente.
Entretanto, assistimos uma geração completamente despreparada para enfrentar essas situações no cotidiano. Em razão disso, homens não estão aguentando o fim dos relacionamentos e preferem agredir ou até matar suas ex-namoradas ou esposas. Mulheres passaram a agredir as pessoas verbalmente ou até fisicamente, algo que não acontecia no passado.
No trânsito homens e mulheres, principalmente jovens não aceitam um erro e logo partem para a agressão verbal ou em brigas que em algumas vezes produzem cenas lamentáveis nas ruas brasileiras.
Não podemos estranhar que as pesquisas apontam que a maioria da população carcerária do país são jovens na faixa de 18 a 30 anos. Jovens que na sua maioria cresceram sem ouvir de seus pais um simples não aos seus pedidos. Que pensam que poderão conseguir coisas materiais com um simples piscar de olhos, quando na verdade deixam de estudar, abandonam escolas e muitas vezes não param em empregos.
Essa permissividade produzida nos lares por pais despreparados e muitas vezes inconsequentes, estão destruindo parcela considerável de nossa juventude. E não vamos nos enganar achando que isso está ocorrendo apenas em famílias de baixa renda, também ocorre com maior ou menor frequência m famílias de alta renda.
Falta preparo, educação, seriedade e amor aos que tem a missão nobre de educar os filhos e deixá-los pronto para enfrentar a vida. A única coisa que não podemos terceirizar na vida é a construção ética e moral dos nossos filhos. Devemos escolher escolas boas e incentivá-los a estudar sempre, porém, são os pais que devem direcionar seus filhos para aprender a fazer as melhores escolhas com exemplos e não com palavras.

19 de julho de 2017

A pitoresca nova CLT


Os impactos da nova legislação trabalhista são objeto de análise de especialistas que avaliam não apenas a diminuição de direitos e proteção do trabalhador, como também a pertinência de se realizar essas alterações na CLT neste momento, com o conturbado ambiente político atual.
A lei 13.467, de 13/7/2017 alterou principalmente dispositivos da CLT (decreto-lei 5.452, de 1/5/1943), com alguma modernização. No entanto, menções a Ministro e Ministério do "Trabalho, Indústria e Comércio" permanecem ao longo do texto legal e não foi cogitada sua atualização. Também o cruzeiro como unidade monetária e a BTN como indexador foram mantidos, apesar de extintos há décadas. O Acre continua com sua condição de território, evidenciando que pouca atenção foi dada à atualização completa. O juízo moderno entenderá a evolução da estrutura do país frente à lei, mas dependerá de ser provocado para isso, o que não compete ao cidadão comum, para a qual a Justiça é algo caro e distante.
O mais instigante é a revogação de um artigo específico que foi antes introduzido na CLT por lei complementar, o que, grosso modo, pode tornar inconstitucional todo o processo da aprovação dessa reforma. Trata-se do parágrafo 3º do Artigo 58 que dispõe sobre uma questão do tempo de transporte gasto pelo empregado e seu cômputo como tempo de serviço. O dispositivo foi incluído na CLT pela lei complementar 123 de 2006 e, em tese, não poderia ser modificado por lei ordinária (que é o caso da lei 13.467/2017), uma vez que os quoruns e trâmites necessários são distintos. A lei ordinária prevê, por exemplo, a maioria dos votos e a lei complementar, a maioria absoluta. No primeiro caso, se 50 senadores estiverem presentes, a lei é aprovada com o voto favorável de 26; no segundo caso, independentemente do número de senadores presentes, a lei complementar somente será aprovada com o voto de 42 senadores, considerando a composição atual do Senado Federal. Essa ponderação é ainda feita com base de o decreto-lei - baixado por um presidente - ter o mesmo nível jurídico que uma lei ordinária, o que também não é explicitado no ordenamento jurídico brasileiro, que passou por tantos governos e desgovernos.
Outras questões que podem ser menos críticas, mas que mantêm a natureza inusitada, envolvem: o tempo para troca de roupa, de responsabilidade do funcionário, e não mais da empresa (artigo 4º, parágrafo 2º, inciso VIII); a citação do banco de horas se dá no artigo 59, parágrafo 5º (incluído na nova lei) e afirma que sua definição foi feita no parágrafo 2º, o que não é verdade, pois ali há apenas a menção do conceito sem definição explícita, como esperado; e a introdução da dupla visita (artigo 47, parágrafo 2º) que vai aparecer mencionado, mas não definido, no artigo 627.
No mais, espero que não definam que terno e gravata sejam o "padrão de vestimenta", como estabelecido pelo artigo 456-A, introduzido na reforma. Isso me obrigaria a assim vir vestido, e - o mais crítico - se tal paramento para o trabalho for considerado de uso comum, como está no parágrafo único desse artigo 456-A, a higienização será de minha responsabilidade, demandando lavagem a seco, bem distinta da minha roupa até agora bem lavada no tanque.

O autor Adilson Roberto Gonçalves é químico e pesquisador na UNESP de Rio Claro – SP.

14 de julho de 2017

O golpe final!


Aqueles que, nas últimas décadas, acreditaram que o caminho do Brasil em direção a transformações sociais passava necessariamente pelo gradualismo deveriam meditar profundamente nesta semana de julho.
Não foram poucos os que louvaram as virtudes de um reformismo fraco porém seguro que vimos desde o início deste século, capaz de paulatinamente avançar em conquistas sociais e melhoria das condições de vida dos mais vulneráveis, enquanto evitava maiores conflitos políticos graças a estratégias conciliatórias.
"Há de se respeitar a correlação de forças", era o que se dizia. Para alguns, isso parecia sabedoria de quem lia "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, antes de reuniões com José Sarney e a lama do PMDB. Eu pediria, então, que meditássemos a respeito do resultado final de tal sabedoria.
Pois o verdadeiro resultado dessa estratégia está evidente hoje. Nunca o Brasil viu tamanha regressão social e convite à espoliação do mundo do trabalho.
O salto de modernização que nos propõem hoje tem requintes de sadismo. Ou, que nome daríamos para a permissão de mulheres gestantes trabalharem em ambientes insalubres e de que trabalhadores "tenham o direito" de negociar seu horário de almoço?
Tudo isso foi feito ignorando solenemente o desejo explícito da ampla maioria da população. Ignorância impulsionada pelo papel nefasto que tiveram setores majoritários da imprensa ao dar visões completamente monolíticas e unilaterais das discussões envolvendo tal debate.
Mas isso podia ser feito porque não há mais atores políticos capazes de encarnar a insatisfação e a revolta. Hoje, o governo pode atirar contra a população nas ruas em dias de manifestação e sair impune porque não há ator político para incorporar rupturas efetivas. Eles se esgotaram nos escaninhos de tal modelo de gestão social brasileiro.
A reforma trabalhista apenas demonstra que o gradualismo pariu um monstro. Os mesmos que votaram para mandar a classe trabalhadora aos porões de fábricas inglesas do século 19 estavam lá nas últimas coalizões dos governos brasileiros, sendo ministros e negociadores parlamentares.
Ou seja, a política conciliatória os alimentou e os preservou, até que eles se sentissem fortes o suficiente para assumirem a cena principal do poder. "Mas era necessário preservar a governabilidade", era o que diziam. Sim, este é o verdadeiro resultado da "governabilidade" do ingovernável, da adaptação ao pior.
Como se fosse apenas um acaso, no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista o Brasil viu o artífice deste reformismo conciliatório, Luiz Inácio Lula da Silva, ser condenado a nove anos de prisão por corrupção. Esse era um roteiro já escrito de véspera.
De toda forma, há de se admirar mais um resultado desta política conciliatória –a adaptação ao modelo de corrupção funcional do sistema brasileiro e, consequentemente, a fragilização completa de figuras um dia associadas, por setores majoritários da população, a alguma forma de esperança de modernização social.
O Brasil agora se digladia entre os que se indignam com tal sentença e os que a aplaudem com lágrimas de emoção. Engraçado é ver outros políticos que também mereciam condenação pregarem agora moralidade.
No entanto, o problema é que só existirá essa sentença, nada mais. Este é o capítulo final. Da mesma forma que o capítulo final do julgamento do mensalão foi à prisão de José Dirceu. Perguntem o que aconteceu com o idealizador do mensalão, o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo.
Ou perguntem sobre o que acontecerá a outro presidente do mesmo partido, aquele senhor que foi pego em gravação telefônica dizendo que deveria procurar um interceptador para propina que pudesse ser assassinado.
Ou o ex-presidente FHC, citado nos mesmos escândalos que agora condenam Lula. Muitos reclamam da parcialidade da Justiça brasileira: há algo de comédia nessa reclamação. Que esta semana seja um sinal claro de que uma forma de fazer política no Brasil se esgotou, seus fracassos são evidentes, suas fraquezas também. Continuar no mesmo lugar é apenas uma forma autoinduzida de suicídio. 

Autor: Vladimir Safatle - Professor livre docente do Departamento de Filosofia da USP - Escreve às Sextas para a Folha de SP.

13 de julho de 2017

De volta as origens, mas muito pior!

O MDB – Movimento Democrático Brasileiro deu origem ao PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, que em 1988, cindiu-se e deu origem ao PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira. A maior parte de seus fundadores eram de São Paulo e Minas Gerais, não à toa seus candidatos à presidência desde então nunca foram de fora deste eixo SP-MG. 
O grupo dissidente discordava do PMDB de José Sarney que queria cinco anos de tempo de governo enquanto eles queriam quatro anos de mandato. Em SP, havia uma profunda divergência com o líder do PMDB, Orestes Quércia, o que motivou a saída daquele grupo para fundar um partido neoliberal.
Vinte e nove anos depois, o mesmo PSDB, agora aliado do PMDB de Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros, Geddel de Oliveira, Rodrigo Maia, joga no lixo sua história, seu projeto de política e sua ideologia. Este retorno ao útero de onde nasceu após discordar da política fisiológica e sempre suspeita do PMDB, mostra que os vinte e nove anos não foram suficientes para que o PSDB aprendesse a ser algo diferente no cenário político nacional. 
Após perder quatro eleições presidenciais seguidas (2002 a 2014), o partido se esfacelou, ficou tão aturdido que entrou com ação contra a chapa que o derrotou em 2014 (PT/PMDB), e após o impeachment de Dilma, correu para o colo do PMDB num surto repentino de amnésia política e ética. 
Um ano depois, com quatro ministros no governo Temer e fazendo apologia a aprovação de reformas do PMDB, o partido tucano é pego de surpresa com as delações contra seu partido e a nave mãe do PMDB, feitas por empresários corruptos da JBS.
O partido que se dizia diferente, ético e honesto, tem diversas figuras de seu quadro envolvidos com delações a partir da Lava Jato e das gravações feitas pela JBS. José Serra, Aloysio Nunes, Alckmin e principalmente Aécio Neves contam com a amizade de Gilmar Mendes e outros desembargadores do STF para poderem se manter vivos em seus mandatos no executivo ou legislativo.
           Um partido que está a 23 anos governando o Estado de São Paulo, sem que tenha êxito na Saúde, Educação, Segurança entre outras coisas, não pode se dizer preparado para administrar o país. Publicidade milionária não consegue enganar durante tanto tempo num momento em que todos tem acesso a verdade em tempo real.
Atualmente temos a impressão que o PSDB se separou do PMDB em 1988, ainda não conseguiu cortar o cordão umbilical que o unia aos antigos parceiros. Mas ao abraçar ao governo Temer, demonstrando total confiança, o PSDB voltou no tempo, só que muito pior.

12 de julho de 2017

Desprezível em Bauru é...

Não corrigir nossas falhas é o mesmo 
que cometer novos erros.
Confúcio

O tempo é o senhor da razão, ele consegue curar feridas, estancar até as mais profundas cicatrizes, porém ele também pode desnudar reis, presidentes e outras figuras públicas pelo Brasil afora.
Segundo o Dic. Aurélio, a palavra desprezível significa: Adjetivo de dois gêneros: Digno de desprezo; despeciendo {Pl. –veis}.
E o que é desprezível em Bauru?
1.    Ter três meses para fazer uma simples inscrição da cidade para participar dos jogos regionais em Lençóis Paulista e os responsáveis perderem o prazo;
2.   O Prefeito prometer gratuidade na campanha e depois exigir que os idosos usem apenas e tão somente 30 passagens por mês. Se a pessoa quiser utilizar do sistema aos finais de semana terá de pagar?;
3.   Reclamar de falta de recursos, mas não cortar os famigerados cargos em comissão, ao contrário, aumentando seu contingente com cargos que poderiam ser ocupados por servidores de carreira;
4.   Não efetuar uma vistoria e as reformas nos Estádios Distritais que no atual momento estão sem banheiros, sem energia elétrica, sem gramado, sem perspectiva alguma. O futebol amador resiste por competência própria e pela força dos colaboradores da iniciativa privada;
5.   Ver terrenos sem calçada, com mato alto acumulando detritos e larvas de mosquito, escorpiões enquanto seus proprietários não são incomodados pela administração da cidade;
6.   Ver que os problemas com a saúde persistem desde a gestão passada, buscar remédios continua sendo um martírio para os bauruenses que precisam deles;
7.   É ver que o Rio Batalha que abastece 140 mil bauruenses não tem os cuidados necessários nas suas margens e nem a devida atenção em todo seu trajeto da nascente até o ponto de captação;
8.   Perceber que vivemos numa cidade cuja iluminação é pior do que às escuras boates. Lâmpadas antigas que não conseguem iluminar nem o próprio poste em pleno Século XXI é algo desprezível;
9.   Ver que o serviço de tapa buracos não é realizado sob a coordenação de um engenheiro que pudesse de uma vez por todas providenciar a execução de serviço definitivo em cada ponto danificado da malha viária da cidade;
10.               Desprezível é ver nosso carnê de IPTU e lembrar que nossa cidade está suja, com a imagem de abandono.
Ao invés de rebater criticas que são construtivas, seria muito mais inteligente começar a executar os serviços para que possamos novamente sentir o mesmo prazer de andar pela cidade como fazíamos nos tempos em que Gestão Pública ela algo levado a sério.

11 de junho de 2017

Enterrem meu coração na curva do Rio!

“Nossa geração não lamenta tanto
os crimes dos perversos quanto
o estarrecedor silêncio dos bondosos"
Martin L. King

 O título sugestivo do artigo é uma homenagem ao livro escrito por Dee Brown, lançado em 1970 que trata da situação dos índios americanos que foram dizimados pelos generais do exército yanque. Este livro é um eloquente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte. Grandes chefes e guerreiros das tribos Dakota, Ute, Sioux, Cheyenne e outras, relatam a crueldade das batalhas contra os brancos.
Mas as comparações não param por aí, e quero abordar a situação da crescente criminalidade em outro rio, mais precisamente do Rio de Janeiro. Os jornais noticiam diariamente dezenas de mortes que ocorrem na cidade maravilhosa fruto da violência descontrolada naquele Estado.
Balas perdidas, gestão pública da segurança perdida, governo estadual financeiramente falido e moralmente destruído. Deixando seu povo inocente completamente aterrorizado pelo domínio das ruas e bairros à mercê dos comandos do tráfico de drogas.
Nos últimos vinte anos o Rio de Janeiro vem sendo vilipendiado pelas quadrilhas que governam o Estado. Os últimos governadores e prefeitos sugaram toda corrupção, propina e levaram o Estado a uma situação de falência. Foram bilhões desviados dos cofres públicos através do descaso, dos desvios de finalidade e da mesma máquina da corrupção que destrói o país.
Sediar grandes eventos como o Pan Americano/2007, Copa do Mundo/2014 e as Olimpíadas RJ/2016, possibilitou que estes malandros do colarinho branco enriquecessem a custa do recebimento de propinas, pelo superfaturamento de obras, algumas que nem foram entregues até hoje e de todo tipo de golpes possíveis, inclusive com o aval do COI e da FIFA.
Essa é a tônica, políticos e governantes se alternam no poder e vivem pelo poder, não pelo povo e para o povo. Estamos retornando, ou melhor, estamos na mesma situação que os cidadãos que habitavam o império romano, a única coisa que os políticos fazem em nosso país é cobrar impostos, tal qual o grande Imperador Romano.
Nossos governantes são competentes apenas para nos fazer chegar os tributos, mas de resto, são incompetentes, prestam serviços de baixa qualidade e nos deixam inseguros nas mãos de criminosos, que eles não têm capacidade de colocar atrás das grades definitivamente. 
       A saúde pública e a educação perderam suas finalidades e passaram a ser um esquálido modelo de retorno perverso de recursos que nunca são aplicados no sistema. Este circulo vicioso faz com que a sociedade seja refém de um Estado incapaz de gerir recursos com probidade. 
        Os índios foram dizimados em vários cantos do mundo, inclusive em nosso país, guardadas as diferenças entre os métodos utilizados, o mesmo está sendo feito com uma parcela significativa da nossa sociedade. O brasileiro pobre está sendo dizimado pela fome, pela doença e pela violência que reina graças a total incapacidade dos gestores que se elegem para roubar, trucidar e subtrair nossas riquezas.

10 de junho de 2017

O público e a privada!

A absolvição (4 a 3), pelo TSE, da chapa presidencial Dilma-Temer, eleita (?!) em 2014, adiciona mais um capítulo à novela de espantos da crise brasileira; um julgamento de quatro dias, de que já se sabia com larga antecedência os votos de cada um dos ministros.
Alguns foram escolhidos por um dos réus, casos de Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira, indicados por Temer. Gonzaga, inclusive, advogou para a chapa Dilma-Temer em 2010, mas, como o caso em pauta se referia à eleição posterior, não se sentiu impedido.
Clamor das ruas? Ora essa: “Não se deve ouvir a turba”, proclamou o ministro Gonzaga, exercendo com fulgor o seu papel nesta crônica de uma absolvição anunciada.
Seu colega Napoleão Nunes Maia trocou o slogan “voz das ruas” pelo “voz das urnas”, o que, no limite, torna desnecessária a existência do próprio TSE. Não importa (é o que se infere do que disse) o que fez as urnas falarem – mas falaram tá falado.
O teor fulminante das provas, expostas pelo relator Hermann Benjamin, não impressionou os juízes, que, aliás, já as conheciam em detalhes. Bocejavam de tédio e contrariedade diante do expositor - e lhe pediam objetividade.
Não contestaram as evidências documentadas, mas aspectos, digamos formais, tais como a data de junção das provas aos autos. Pouco importava que se referissem a fatos contemporâneos ao que se julgava apenas revelados posteriormente.
O mesmo plenário que autorizou colher os depoimentos da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura sustentou, por maioria, que eram inválidos.
Absolveram-se os réus não em face da inocência, na qual ninguém sustentou crer, mas por motivos que variavam da argumentação já referida dos prazos à dos supostos riscos à estabilidade da economia do país. Houve mesmo quem argumentasse (ministro Napoleão) que não apenas os réus, mas todos os candidatos teriam incidido nos mesmos atos.
Assim sendo, se todos delinquiram, absolvam-se todos, já que, segundo ele ainda, em reeleição, é natural o abuso de poder econômico. Validou, assim, a blague segundo a qual “ou todos nos locupletamos ou restaure-se a moralidade”.
O TSE, no entanto, não estava julgando a todos, mas um caso específico, que, por envolver uma eleição presidencial, quebraria um paradigma nefasto, que inversamente consagrou.
O julgamento agrava a crise na medida em que aprofunda o descrédito geral nas instituições. Quando o próprio Judiciário obstrui a Justiça, em nome de fatores a ela estranhos, como a estabilidade da política e da economia – na verdade, do governo -, assume o papel mencionado pelo relator de “coveiro de provas vivas”.
Ao se eleger vereador pelo Rio de Janeiro, nos anos 50, o humorista Barão de Itararé prometia: “Farei na vida pública tudo o que faço na privada”. Era uma piada, mas era também uma profecia, em pleno cumprimento nos dias em curso.

Publicado no Blog do Noblat em 10/06/17 – Autor Ruy Fabiano - Jornalista

5 de junho de 2017

Reflexão sobre a ética!

Construir uma escola que promova permanente reflexão sobre os valores pessoais e sociais de cada um, desde a mais tenra idade, para que essas crianças possam, na idade adulta, ter uma postura transparente e coerente com seus valores. Essa é uma das ideias defendidas por Roberto Francisco Daniel​​, mais conhecido como padre Beto. “É preciso ensinar as crianças a pensar sobre valores que elas queiram viver, e a transparência, a veracidade, ou seja, a ética”, afirma. Nesta entrevista, o filósofo discorre sobre a crise política enfrentada pelo Brasil e as prováveis causas da falta de ética da classe política e da sociedade. Padre Beto diz que a escola não forma seres éticos, mas somente mão de obra técnica e que o atual momento servirá como depurador da classe política. “Este é um momento muito fértil. Para onde caminharemos, não sabemos. Mas acredito que hoje caminhamos para um amadurecimento.”
Formado em direito, história e teologia, com doutorado em ética pela Universidade Estadual Ludwig-Maximilian, de Munique, na Alemanha, padre Beto exerceu o ministério de sacerdote na Diocese de Bauru por 14 anos. Em 2013, foi excomungado pela igreja católica por ter refletido livremente sobre a moral sexual cristã. Hoje se dedica à Igreja Humanidade Livre, fundada por ele e sediada em Bauru, e às aulas de filosofia em instituições de ensino superior. Também é articulista de vários jornais no Estado de São Paulo.

O que é ética?
Ética é uma reflexão sobre valores em busca da felicidade. Eu sou ético a partir do momento em que sou transparente, ou seja, eu não sou falso, eu sou verdadeiro nas minhas ações. Essas ações, porém, são orientadas por valores que eu escolho à medida que vou agindo e refletindo sobre essas ações.

E qual o objetivo da ética?
É a felicidade. Lembrando que felicidade é a constatação de que minha vida construída por meio de ações é uma vida que tem sentido e tem significado. Com essa definição, a ética é uma postura de transparência, mas também uma postura de coerência com meus valores. Então, nós temos diversas linhas éticas, ou diversos comportamentos éticos. Eu posso adotar uma ética capitalista, posso adotar uma ética cristã, posso adotar uma ética humanista, tudo depende dos valores que eu escolho para minha vida. O importante é que essa ética seja adotada na transparência. Caso contrário, eu me torno uma pessoa “antiética”, o que define principalmente a ética é a veracidade das minhas ações e coerência com meus valores.

Como o senhor avalia a ética hoje no mundo da política?
Eu avalio que hoje estamos em uma sociedade incapaz de refletir eticamente. Nós não fomos educados para isso. E para entendermos essa situação nós temos que ter uma memória histórica. Depois do golpe militar, por exemplo, nós tivemos uma reforma de ensino muito radical, na qual as matérias da área de humanidades foram eliminadas. E foi adotado um sistema de ensino para a criação de mão de obra técnica. A partir daí, nós criamos gerações que não pensam de forma ética. É bem claro que, antes dessa reforma de ensino, nós vivíamos na sociedade da moral. Uma sociedade da moral é uma sociedade que tem normas claras e definidas, em que também as pessoas não pensavam eticamente, não refletiam sobre os valores. Apenas aceitavam valores impostos pela sociedade. Então, não havia a necessidade da reflexão ética. Com a democratização no Brasil, nós já não vivemos na sociedade da moral. Nós vivemos em uma sociedade onde existem moralidades, ou seja, uma liberdade de escolha. E aqui se faz necessário que as pessoas reflitam eticamente. Acontece que as gerações formadas nessas escolas técnicas são pessoas incapazes de refletir eticamente. Elas não foram educadas para isso. É claro que as pessoas podem evoluir e isso se reflete na política. A política no Brasil é formada por pessoas que não tiveram uma educação ética, ou seja, uma postura transparente e coerente com os seus valores. Então, o que predomina na política brasileira é o caminho apontado por Maquiavel, em “O Príncipe”: atingir os objetivos e não se importar com os meios. E isso demonstra uma falta de transparência muito grande.

É possível falar em ética hoje no Brasil?
Acredito que hoje não é possível falar em ética na sociedade brasileira. O que precisamos é de uma nova escola, um investimento maciço em uma escola que seja de período integral, e que todas as crianças estejam na escola. É preciso ensinar as crianças a pensar sobre valores que elas queiram viver, e a transparência, a veracidade, ou seja, a ética. Hoje, não podemos falar em ética em nenhum nível do Brasil. Porque a sociedade brasileira não sabe o que é ética, e educa as suas crianças a serem antiéticas. O que importa é educar as crianças para que elas sejam convenientes às outras pessoas; falar não o que se pensa, mas falar aquilo que vai agradar às outras pessoas. E essa é uma educação que leva a pessoa a ser antiética. Hoje, infelizmente, vivemos em uma liberdade muito grande, mas em uma sociedade onde as pessoas não estão refletindo eticamente. “Hoje estamos em uma sociedade incapaz de refletir eticamente”

Como o senhor vê o atual momento político?
A avaliação que faço do atual momento político é um momento de crise. Crise no sentido positivo da palavra. Crise significa mudanças, transformação. O momento político no Brasil é um momento para o povo avaliar que a classe política não tem atendido às necessidades da população. Há um processo de desmascaramento dessa política maquiavélica e de um anseio de novos políticos e que sejam éticos e que tenham uma nova postura diante do seu eleitorado. E que sirvam aos valores republicanos que estão na Constituição. Este é um momento muito fértil. Para onde caminharemos, não sabemos. Mas acredito que hoje caminhamos para um amadurecimento.

As pessoas exigem mais ética, especialmente na política, mas elas ajudam?
As pessoas não foram educadas para refletirem eticamente. Exige-se do político uma postura ética, mas as pessoas no dia a dia não refletem eticamente e não possuem uma linha clara. As pessoas caminham conforme as situações, sem refletir sobre suas escolhas e seus valores de vida. É preciso uma mudança de mentalidade, mas isso só irá acontecer se houver um esforço das instituições, como família, escola, Estado e religião, em um debate sobre o que é ética e um exercício da reflexão ética. Caso contrário, a sociedade brasileira irá continuar a ter posturas contraditórias com um discurso que defende determinados valores, mas com uma prática que não condiz com esses valores.

Quais os avanços éticos na política e na sociedade após o impeachment?
O impeachment que tivemos foi mais um jogo de poder do que uma cobrança ética. Não avalio o impeachment em si como um avanço para o amadurecimento ético da sociedade. Acredito que a sociedade ficou polarizada, e uma polarização extremamente superficial, entre pessoas que amam o PT (Partido dos Trabalhadores) e as pessoas que odeiam o PT. E isso é muito ruim, pois isso é muito superficial. O que deveríamos ver são as contradições do PT, avaliar essas contradições, como também analisar os valores e contradições de todos os demais partidos políticos. É necessário que haja um entendimento da sociedade que, apesar de sermos divididos em classes sociais, temos que pensar em um bem comum. Esse deve ser o valor maior.

Como o senhor avalia a Lava Jato?
A Lava Jato contribui para o processo de desmascaramento da política exercida nos dias atuais, e que era necessário ser desmascarada. Então, a Lava Jato tem essa consequência de atingir determinados setores da classe política. Mesmo atingindo um setor da classe política, ela consegue mostrar para o povo que uma boa parte da classe política não esta atendendo às necessidades que temos em nosso País.

Há uma explicação para tantos escândalos?
Sim, há uma explicação. O que posso entender é que as pessoas que estão envolvidas na política usam a máquina do Estado para o seu próprio benefício. É uma ética individualista, mas sem reflexão. Ninguém tem refletido sobre as consequências dessas ações individualistas e ninguém está pensando na felicidade. Cada um pensa no seu benefício imediato. Isso é uma ética adotada de forma inconsciente, sem reflexão, fruto de uma educação que não abordou a questão ética. Ninguém pensa que quando há o desvio de bilhões de reais, esse dinheiro poderia ser investido na saúde, por exemplo, e, com essa atitude, há pessoas que morrem por falta de atendimento médico. O que temos são pessoas que usufruem do Estado por meio de falcatruas, propinas para o benefício próprio e um benefício imediato, sem pensar na felicidade. “O momento político no Brasil é um momento para o povo avaliar que a classe política não tem atendido às necessidades da população”

Sempre existiu corrupção. Por que então tanta gente tem saído às ruas para se manifestar?
Sim, sempre houve corrupção. Mas hoje há mais liberdade de expressão e um maior acesso as informações, o que não havia em outras décadas no Brasil. Hoje as pessoas têm o anseio de se expressar e se manifestar. A questão é a permanência dessas manifestações e o povo não deixar de se manifestar por meio das redes sociais e das ruas. Entender que nós estamos em um processo de purificação da democracia e isso deve levar à união e à reflexão ética das pessoas e não somente às polarizações superficiais. As manifestações são altamente benéficas, seja de qual lado forem. O importante é que as pessoas entendam que os objetivos devem ser a construção de uma sociedade feliz, uma sociedade que tenha sentido e significado para todos e na qual as pessoas possam ter qualidade de vida.

O senhor vê alguma saída para a crise?
Eu vejo a saída da crise. Essa crise vai ter que ter um término, mas qual vai ser a consequência após a saída da crise que é a grande questão. Espero que essa crise política que estamos vivendo venha a punir as pessoas que agem com corrupção, e que novas pessoas entrem para a classe política com uma nova mentalidade. Uma mentalidade de ser transparente frente ao seu eleitorado, frente à sociedade, com valores claros e bem definidos.

É possível imaginar um governo livre de corrupção nas próximas décadas?
É possível pensar em um Estado, em um governo honesto. Ou com um grau de honestidade muito grande. Basta à sociedade amadurecer eticamente para fiscalizar seus políticos. A própria classe política, porém, também terá de ter uma postura de transparência total e adotar valores claros e definidos. Nós temos isso em outros países mais evoluídos democraticamente. A democracia é um sistema difícil, mas é o único caminho para o amadurecimento ético. Não podemos esquecer que estamos vivendo a democracia desde 1985, o que é recente historicamente. E estamos em um momento decisivo e importante que é o momento de purificação dos governos que estão aí. Então, é necessário que a sociedade pense, reflita em tudo que esta acontecendo, sem o calor das emoções, mas raciocinando e, principalmente, raciocinando sobre a própria postura ética.

Publicado no JM Notícias em 05/06/2017.

23 anos de gestão ineficaz!

A vaidade é o caminho mais curto
para o paraíso da satisfação, porém ela é,
ao mesmo tempo, o solo onde
a burrice melhor se desenvolve.
Augusto Cury
Se estudarmos a evolução de alguns países europeus e asiáticos, perceberemos que em média entre 20 e 30 anos eles conseguiram grandes progressos em muitas áreas como saúde, educação, por exemplo.
A Coreia do Sul após a sua separação da Coreia do Norte revolucionou sua educação num período de 20 anos, saindo de uma situação de atraso pós-guerra para se transformar numa potencia mundial na educação e na industrialização de componentes eletroeletrônicos.
Muitos são os exemplos que poderiam ser descritos, muitos deles acontecendo em países com dimensões diferentes e economias em desenvolvimento ou milenares.
Nota-se que nestes países há planejamento sério de cinco a vinte anos, vontade política de fazer o melhor para suas sociedades e conseguir através da melhoria contínua da educação um avanço tecnológico que coloque suas nações em destaque mundial.
Enquanto isso em São Paulo, Estado mais industrializado e rico da nação brasileira temos um caso que vai na contramão dessa performance de alguns países, como os citados acima.
O mesmo governo (PSDB) está no poder a 23 anos consecutivos, desde janeiro de 1995 e durante este enorme período não conseguiu implantar um Projeto Educacional que transformasse a educação paulista num centro de referência em qualidade e desempenho perante o restante do país.
Com o agravante que durante este período o político Geraldo Alckmin esteve à frente do governo pelo tempo de 13 anos. Não há desculpas pela falta de continuidade administrativa, sendo que o partido do governador (PSDB) não teve interrupção no período.
Ainda teve por oito anos (1995-2002) o partido ocupando a presidência da república com Fernando Henrique Cardoso, período que o governador paulista preferiu se dedicar as privatizações dos setores bancários, elétrico, telefonia, além de terceirizar todas as grandes estradas do Estado.
Os recursos bilionários não foram aplicados na saúde e muito menos na educação, tanto que em 2015 o governador iniciou um projeto para fechar 94 escolas no Estado.
Os professores em todos estes 23 anos tiveram problemas para a correção de seus vencimentos, com a manutenção das escolas e a condições mínimas para que pudessem ter um desempenho à altura do que a sociedade espera e anseia para o futuro de seus filhos.
Não somos a Coréia do Sul, nem a China, nem Filipinas, nem muito menos nossos vizinhos chilenos, somos um país em que os podres políticos e seus partidos (Máfias) destroem a esperança de um futuro digno.
Somos uma Nação em que mesmo tendo um Estado administrado pelo mesmo partido por 23 anos (PSDB-SP), não consegue mudar o quadro da violência, do consumo de drogas, da Educação e da Saúde Pública em estado de miséria na UTI.
Boa parte dos eleitores são míopes, não levam eleição a sério, acreditam em duendes e fingem ser politizados apenas nos seus posts sem conteúdo nas redes sociais. Os políticos mercenários e corruptos agradecem e continuam pedindo seu voto a cada nova eleição. 

Vacinação salva, menos nas redes sociais!

Nem sempre podemos construir o futuro
para nossa juventude, mas podemos
construir nossa juventude para o futuro.
Franklin D. Roosevelt

É sabido por todos que o advento da internet aproximou pessoas, facilitou a execução de tarefas e atividades na nossa vida profissional e pessoal. Suas vantagens vão muito além da nossa compreensão e nos permite viver num mundo mais ágil e moderno.
Com a internet, foram disponibilizadas as famosas redes sociais, onde as pessoas ao redor do mundo conseguem interagir, se conhecerem, divulgarem suas ideias, fotos e muito mais. Isso com certeza aproximou familiares que viviam distantes, possibilitou um contato rápido e atualizado de cada perfil postado.
Entretanto, em particular no Brasil, esse avanço veio seguido de alguns graves problemas. Na internet, crimes de fraudes, roubos de identidades, uso indevido de CPF, golpes comerciais, abertura de sites inexistentes e a divulgação de mentiras que de tanto serem postadas acabam se tornando verdades aos olhos de alguns participantes incrédulos, ou com falta de um melhor discernimento.
Nem vou me ater às postagens sobre política onde a ignorância e o ódio escorre entre as imagens e as palavras no Brasil. Mesmo sem lerem, sem estarem informados devidamente e terem o domínio do assunto, algumas pessoas destilam veneno e transmitem mentiras perigosas.
Uma notícia falsa pode gerar problemas sérios, como aconteceu certo dia na cidade de Guarujá no litoral sul de São Paulo. Uma mulher foi morta a pauladas, confundida com outra pessoa através das páginas do Facebook sem que ambas tivessem cometido algum crime. A polícia após apurar o ocorrido, percebeu que houvera uma postagem falsa denunciando alguém que se parecia com a moça inocente que morreu na rua daquela cidade.
Tudo falso, menos a dor daquela família que perdeu seu ente numa emboscada de vândalos adeptos da ignorância e do ódio de uma ferramenta (Facebook) que não foi criada para esta finalidade criminosa.
Recentemente, li um texto que falava sobre algumas mães (e não são poucas), que leram no Facebook, posts que davam conta que as vacinas ministradas as nossas crianças continham substâncias que poderiam causar danos às mesmas. Tudo mentira obviamente, maldade sem limites de gente desqualificada que posta coisas acreditando justamente na ingenuidade dos frequentadores das redes sociais.
O pior, ao não vacinar seus filhos, permitem que as doenças retornem e possam até se transformar em epidemias. Algumas dessas doenças que são consideradas erradicadas podem voltar e prejudicar em dobro aqueles que acreditam nessas sandices.
Para se prevenir, não repasse nada sem antes fazer uma rápida pesquisa na mídia, no Google, ou com amigos que dominem o assunto em questão. Evite dar aos ignorantes maledicentes a chance de triunfarem em detrimento da verdade que sempre deve ser preservada.

2 de junho de 2017

Brasil, um país impraticável de se viver!

“Há os que lutam uma vez e são importantes.
Os que lutam muitas vezes e são fundamentais.
E há os que lutam sempre, esses são imprescindíveis”.
Brecht
 O nosso país é um lugar maravilhoso para se viver sob vários aspectos: Sua extensão territorial semelhante à de um continente, é banhada pelo oceano atlântico em quase toda sua totalidade. Uma terra fértil, que possibilita a cultura de praticamente tudo que se plantar, cortada por rios que fazem o país ter uma imensa rede hidrográfica. Tendo entre elas a bacia do Amazonas, com 3.843.402 km² em meio a Floresta Amazônica, um dos últimos redutos da natureza no planeta.
Temos riquezas infindas em nossos subsolos, pedras preciosas, minério de ferro, petróleo, entre tantos outros que não iriam caber neste texto.
Nosso povo é trabalhador, acolhedor e gentil, mas um tanto quanto subserviente aos poderes constituídos, bastando um olhar ao longo do tempo de nossa história, para percebemos que raras foram as revoluções populares que atingiram o poder político estabelecido.
Mesmo com tudo isso, está praticamente impossível se viver em paz em nossa nação, diante do quadro de contínuo desmonte da segurança pública ao longo dos últimos 32 anos. Não por falta de leis, elas existem em abundância em nossos códigos civis e criminais. Não por falta de uma constituição, ela existe e tem apenas vinte e nove anos.
As facções criminosas se transformaram neste período de 32 anos em organizações modernas, com tentáculos em vários segmentos privados e públicos. As leis não contemplam penas rígidas que possam intimidar os criminosos, além de possuírem benesses que incentivam e até motivam a criminalidade.
Nossos governantes, não oferecem risco algum para os criminosos, muito pelo contrário, em algumas situações os bandidos temem a concorrência desleal dos que estão no Congresso com poder e dinheiro nunca antes visto neste país.
O cidadão comum, paga elevados tributos para as três esferas de governo, em especial para o governo federal no DF. Este dinheiro é jogado no lixo, servindo apenas para pagar a elefantesca máquina governamental e parcelas da divida interna pública contraída por quem não sabe planejar nem governar.
Vivemos sem ter o direito de ir e vir em nossas ruas mal iluminadas, mal policiadas, repletas de criminosos ou de tiroteios com balas perdidas que sempre acham inocentes em seu trajeto.
O governo não reforça a segurança nas fronteiras, permitindo que armas poderosas cheguem às organizações do crime junto com drogas e outros contrabandos. Não contrata nem promove o treinamento das suas forças policiais (Federais e Estaduais). Nos Estados a situação é dramática, porque a força policial é insuficiente, mal treinada, mal equipada e ainda sofrem com a falta de remuneração salarial anualmente de seus vencimentos.
Numa Nação em que o poder político chafurda na lama e no enxofre, um país com 14 milhões de desempregados, onde as leis do poder judiciário beneficiam os políticos criminosos e penalizam a sociedade, não resta esperança para os jovens e os cidadãos que trabalham e sonham um dia com um país melhor, mais justo e menos vulnerável a corrupção e a desordem pública.

24 de maio de 2017

Irmãos Neves são atingidos após anos de poderio em MG!

O Atlas Histórico do Brasil, da FGV, identifica os políticos mineiros como "'raposas políticas', hábeis na negociação, espertos, porém prudentes, preferindo o cochicho ao discurso inflamado, o diálogo à conspiração". Segundo o folclore político, Magalhães Pinto e Tancredo Neves –fundadores do Partido Popular– cochichavam quando conversavam em público.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), neto de Tancredo, caiu em desgraça política por fazer inconfidências ao celular em diálogos gravados pelo empresário-delator Joesley Batista, do grupo JBS. Aécio foi afastado por decisão do ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.
O episódio que levou à prisão de sua irmã, Andrea Neves, encerra um ciclo de poder do senador mineiro à frente do PSDB -como definiu a Folha.
A julgar pelos antecedentes da Lava Jato e pela influência política de Andrea nas administrações tucanas em Minas, a força-tarefa deve apostar numa delação premiada que traga à tona antigos e novos fatos relevantes.
Em sua coluna na Folha, neste domingo (21), Janio de Freitas diz que "Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos –um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo".
"Em Minas Gerais, nos quase oito anos em que Aécio Neves foi governador (2003-2010), um naco significativo do poder no Estado, talvez até mesmo excepcional, esteve nas mãos de Andrea Neves, irmã mais velha de Aécio", afirmou o jornalista Lucas Figueiredo, em seu blog.
Segundo Figueiredo, ela "comandava com mãos de ferro o núcleo de comunicação (imprensa + publicidade + marketing político) e se fazia ouvir, com muita facilidade, nas secretarias de Estado, nas estatais e nos órgãos públicos locais".
A alegação de que o governo do Estado atuava para cercear a liberdade de imprensa foi tema de campanha do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, em 2004.
O sindicato pediu ao Ministério Público Federal a apuração de suposta interferência do governo estadual em veículos de comunicação, atribuindo o afastamento de alguns jornalistas a pedido de Andrea Neves, então coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação do Governo.
O jornal do sindicato divulgou desmentido de Andrea. Ela afirmou que "o governo de Minas jamais pediu a cabeça de qualquer jornalista e nunca interferiu na linha editorial dos veículos de comunicação social do Estado".
Um dos motivos que explicariam o abalo causado pela divulgação das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista é o fato de que demorou para as investigações do Ministério Público Federal atingirem o epicentro dos acordos e negócios tucanos em Minas Gerais.
VALERIODUTO
Se o mensalão tucano tivesse merecido a mesma atenção que recebeu o mensalão petista —da mídia, do Ministério Público e do Judiciário–, possivelmente os desdobramentos dos dois episódios não chegariam à crise atual, mesmo considerando a desproporção dos valores envolvidos nas duas operações.
Em agosto de 2012, Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da FGV-SP, publicou artigo na revista "Época" sustentando que, "no mesmo momento em que os petistas e aliados eram pegos com a boca na botija, também se descobriu que o valerioduto fora inventado pelos tucanos mineiros.
Isso reduziu o impacto do discurso moralista e mostrou que nenhuma das forças políticas relevantes do país era formada por santos".
O mensalão tucano foi considerado o laboratório do mensalão petista. Alguns personagens centrais e instituições atuaram nos dois casos, como, por exemplo, o publicitário Marcos Valério e o Banco Rural.
Jackson Romanelli - 1º.fev.2013/Agência O Globo 

O publicitário Marcos Valério, envolvido no escândalo do mensalão
Em dezembro de 2015, na sentença que condenou o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) a 20 anos de prisão pelo mensalão tucano, a juíza Melissa Pinheiro Costa Lage registrou que o mensalão petista talvez pudesse ter sido evitado "se os fatos aqui tratados tivessem sido a fundo investigados quando da denúncia formalizada pela coligação adversária perante a Justiça Eleitoral".
O Ministério Público Federal sustentara que a frustrada campanha à reeleição de Azeredo, em 1998, foi alimentada com recursos da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) e Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), captados a título de promoção de um evento esportivo, o "Enduro da Independência".
Segundo a acusação, a SMP&B, agência de publicidade de Valério levantou empréstimos junto ao Banco Rural para aplicar na campanha de Azeredo, e essas dívidas teriam sido liquidadas com recursos públicos.
O empresário Clésio Andrade, que foi vice-governador na primeira gestão de Aécio, era sócio de Marcos Valério [alegando problemas de saúde, Clésio renunciou ao mandato de senador pelo PMDB-MG].
A Folha revelou como funcionava em 1998 o esquema de pagamentos feitos por Marcos Valério a seu advogado e amigo, Rogério Tolentino, na época juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Tolentino recebeu dinheiro do valerioduto durante a campanha de 1998, quando Eduardo Azeredo (PSDB) tentou, sem êxito, a reeleição. Atuando como juiz eleitoral, ele votou favoravelmente ao candidato tucano em decisões com datas próximas a depósitos em sua conta e na de sua mulher.
Tolentino, como se sabe, viria a ser um dos réus condenados na ação penal do mensalão.
Em 2004, a agência de Marcos Valério ainda atendia ao governo de Minas. Fez ampla campanha publicitária para comemorar e divulgar os programas "Déficit Zero" e "Choque de Gestão", carro-chefe da administração de Aécio Neves.
Em meio ao aparato publicitário, o Ministério Público Federal moveu ação civil pública para obrigar o governo de Minas a aplicar em serviços públicos de saúde o percentual imposto pela Constituição.
DINHEIRO MAQUIADO
Em 2006, durante a campanha para a reeleição, a coligação que apoiou Aécio tentou suspender a reprodução de uma reportagem da Folha na propaganda eleitoral do petista Nilmário Miranda, pretensão que foi negada pelo Tribunal Regional Eleitoral.
O jornal rompera o silêncio da imprensa mineira e revelara que o governo Aécio Neves fez maquiagem contábil nas prestações de contas de 2003 e 2004 para esconder a não aplicação de recursos em serviços de saúde nos percentuais determinados pela Constituição.
O governo contabilizara como gastos em serviços de saúde para a população despesas com a erradicação da febre aftosa e outras doenças de animais; exposições agropecuárias; precatórios e saneamento (cujos serviços são tarifados).
"Houve uma maquiagem escandaloso do dinheiro que deveria ter ido para a saúde e não foi", sustentou o então procurador regional eleitoral José Jairo Gomes. Procurador da República, ele foi o autor de uma ação civil pública para obrigar o governo de Minas a aplicar em serviços públicos de saúde como manda a lei.
Na ocasião, o atual senador Antônio Augusto Anastásia (PSDB-MG), ex-secretário de Planejamento e Gestão de Minas, sustentou que "o governo Aécio Neves teve suas contas aprovadas, sem nenhuma única ressalva pelo Tribunal de Contas do Estado, em todos os exercícios financeiros de sua gestão, inclusive quanto às despesas executadas na área de saúde".
Em janeiro de 2014, o Ministério Público mineiro desistiu de uma ação de improbidade administrativa contra o senador, acusado de ter maquiado a aplicação de recursos em saúde quando era governador de Minas Gerais. Com isso, o processo foi extinto pela Justiça de Minas.
Em março de 2014, um editorial da Folha tratou da "aventura judicial" de Aécio Neves, então pré-candidato do PSDB à Presidência da República, que requereu na Justiça "que sejam removidos das redes sociais e dos sites de busca da internet os links e perfis que ligam seu nome a temas como uso de entorpecentes e desvio de verbas públicas".
Doug Patricio/Brazil Photo Press/Folhapress.
Irmã do senador Aécio Neves, Andrea Neves, acompanhada de agentes da PF chega ao IML de BH
A iniciativa, segundo o editorial, serviu para "apontar o despreparo do candidato ou de seus assessores para a convivência democrática contemporânea".
O advogado de Aécio Neves, José Eduardo Alckmin, afirmou que o parlamentar está "inconformado e surpreso" com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a Joesley Batista para pagar sua defesa na Operação Lava Jato e com a determinação de seu afastamento do mandato. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal e que houve uma "descontextualização" da fala de Aécio na gravação.
O advogado Marcelo Leonardo, defensor de Andrea Neves, disse que uma relação de caráter privado foi usada por delator da JBS como forma de obter benefício. "O que podemos adiantar desde logo é que uma relação de caráter pessoal, privada [entre Aécio e Joesley], sem nenhum vínculo com a administração pública ou qualquer atividade pública, seja dela seja do irmão, foi utilizada por uma pessoa que estava em negociação de delação para obter benefício". Caberá à Justiça definir a responsabilidade dos irmãos Neves nos fatos dos quais são acusados.
A
Autor: Jornalista Frederico Vasconcelos
Folha de São Paulo

19 de maio de 2017

O povo pode desfazer as leis que ele mesmo fez e destituir instituições!

Devemos obedecer a um governo ilegítimo? Devemos aceitar ordens de quem, de forma explícita, se mostra capaz de servir-se do governo para impedir o funcionamento da Justiça ou para fazer passar leis que contrariam abertamente a vontade da maioria? Essas perguntas devem ser lembradas neste momento. Pois a adesão pontual do povo a seu governo não se dá devido à exigência da lei, mas devido à capacidade dos membros do governo de respeitarem a vontade geral.
Essa capacidade está definitivamente quebrada. Não. Na verdade, ela nunca existiu. Se quisermos ser mais precisos, devemos dizer que apenas se quebrou a última de todas as aparências. O desgoverno Temer não consegue nem sequer sustentar uma aparência de legitimidade. Cada dia a mais desse "governo" é uma afronta ao povo brasileiro. O que nos resta é a desobediência sistemática a todas as ações governamentais até que o "governo" caia.
Temer entrará para a história brasileira não apenas como o primeiro vice-presidente a ter conspirado abertamente contra sua própria presidenta até sua queda final. Ele será lembrado como o primeiro presidente a ser pego operando diretamente casos de tráfico de influência (o caso de seu antigo ministro da Cultura sendo obrigado a liberar uma licença para viabilizar o apartamento de Geddel Vieira) e de pagamento para silenciar presos.
Exatamente no mesmo momento em que esse senhor exigia do povo brasileiro "sacrifícios" ligados à destruição de condições mínimas de trabalho e garantia previdenciária ele pedia ao dono da Friboi que continuasse a dar mesada para presos ficarem calados. O mesmo que entregará o país com 14 milhões de desempregados e mais 3,6 milhões de pobres garantiu lucros recordes para os bancos brasileiros no último trimestre.
Agora, alguns acham que o Brasil deve seguir então "os procedimentos legais" e empossar o investigado Rodrigo Maia para que convoque uma eleição indireta para presidente.
De todos os disparates nesta república oligárquica, este seria o maior de todos. Em um momento como o atual, o país não deve recorrer a leis claramente inaceitáveis, ainda mais se levarmos em conta a situação em que vivemos. Afinal, como admitir que um presidente seja escolhido por um Congresso Nacional de indiciados e réus, fruto de um sistema incestuoso de relações entre casta política e empresariado que agora vem a tona?
Uma das bases da democracia é não submeter a soberania popular nem a decisões equivocadas feitas no passado, nem a instituições aberrantes. O povo não é prisioneiro dos erros do passado, mas sua vontade é sempre atual e soberana. Ele pode desfazer as leis que ele mesmo fez e destituir instituições que se mostram corrompidas.
Por essa razão, o único passo na direção correta seria a convocação extraordinária de eleições gerais, com a possibilidade de apresentação de candidaturas independentes, para que aqueles que não se sentem mais representados por partidos possam também ter presença política.
Que o Brasil entenda de uma vez por todas: em situações de crise, não há outra coisa a fazer do que caminhar em direção ao grau zero da representação, convocar diretamente o povo e deixá-lo encontrar suas próprias soluções. Toda democracia é um "kratos" do "demos", ou seja, o exercício de uma força ("kratos") própria ao povo em assembleia. Essa é a única força que pode abrir novos horizontes neste momento.
Pois que não se enganem. Como já dissera anteriormente neste espaço, Temer não existe. Esse operador dos escaninhos do poder, acostumado à sombras e aos negócios escusos, sempre foi politicamente ninguém.
Quem governa efetivamente é uma junta financeira que procura reduzir o Estado brasileiro a mero instrumento de rentabilização de ativos da elite patrimonialista e rentista. A mesma junta que impõe ao país "reformas" que visam destruir até mesmo a possibilidade de se aposentar com uma renda minimamente digna. Ela tentará continuar no governo independentemente de quem seja o manobrista no Palácio do Planalto. Ela tentará o velho mote: "Tudo mudar para que nada mude". Mas, para isso, precisará deixar o povo afastado de toda decisão política. 
Autor: Vladimir Safatle - Professor livre docente do Departamento de Filosofia da USP - Escreve às Sextas para a Folha de SP.