18 de fevereiro de 2017

Significados!

Saudade é quando o momento
tenta fugir da lembrança
para acontecer de novo
e não consegue.

Lembrança é quando,
mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito
apertado bem
no meio do sossego.

Preocupação é uma cola
que não deixa o que ainda
não aconteceu,
sair de seu pensamento.

Indecisão é quando
você sabe muito
bem o que quer
mas acha que
devia querer
outra coisa.

Certeza é quando a ideia cansa
de procurar e para.

Intuição é quando seu
coração dá um pulinho
no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa
em você o trailer de um filme
que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto
que você quer pra se cobrir
naquela hora.

Ansiedade é quando sempre
faltam muitos minutos
para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de
exclamação ou de interrogação
no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o
coração usa quando precisa
mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro
que mora em você
mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante
que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não
tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não
faz questão de você e se
empresta pros outros.

Culpa é quando você
cisma que podia ter
feito diferente,
mas geralmente,
não podia.

Lucidez é um acesso de
loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado
aproveita que a emoção
está dormindo e assume
o mandato.

Vontade é um desejo que
cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar
da palavra ¨perigo¨
o desejo chega e entra.

AMOR é quando a paixão
não tem outro compromisso
marcado.

Não... Amor é um exagero...
também não. Um dilúvio, um
mundaréu, uma insanidade,
um destempero, um despropósito,
um descontrole, uma necessidade,
um desapego?
Talvez porque não tenha sentido,
talvez porque não tem explicação,
esse negócio de amor, não sei explicar.

Autor: Mario Prata

17 de fevereiro de 2017

A receita para destruir um país!

Há três formas de destruir um país. As duas primeiras são por meio da guerra e de catástrofes naturais. A terceira, a mais segura e certa de todas, é entregando seu país para economistas liberais amigos de operadores do sistema financeiro.
Em todos os países onde eles aplicaram suas receitas de "austeridade", a recompensa foi à pobreza, a desigualdade e a precarização.
Alguns países, como a Letônia, vendido por alguns como modelo de recuperação bem-sucedida, viu sua população diminuir em quase 10% em cinco anos, algo que apenas as guerras são capazes de fazer. Ou seja, o preço para essa peculiar noção de sucesso foi expulsar quase 10% da população para refazer suas vidas em outros países.
No Brasil, não faltou economista a eleger, meses atrás, o Espírito Santo como um modelo de ajuste econômico e responsabilidade fiscal. O mesmo Espírito Santo que tem números piores do que média nacional (retração de 13,8% até o terceiro trimestre de 2016) e que há algumas semanas simplesmente entrou em colapso, virando uma zona de anomia em meio à greve de policiais. Não poderia ser diferente.
No mundo desses senhores não existe gente, não se levam em conta reações populares a medidas econômicas, muito menos experiências de sofrimento social e revoltas políticas contra processos de pauperização vendidos como "remédios amargos, porém necessários".
Outros tantos desses economistas encheram as páginas de jornais e tempo de televisão para levar a sociedade brasileira a acreditar que, conduzindo Michel Miguel à Presidência, a "confiança" dos mercados daria o ar de sua graça e, com ela, viria à estabilidade.
Bem, nos últimos dias, o Banco Mundial divulgou uma análise segundo a qual espera que, até o final do ano, 3,6 milhões de pessoas voltem à pobreza no Brasil. Para ser mais claro, 3,6 milhões de pessoas verão seus rendimentos caírem para menos de R$ 140 por mês.
Isso em um cenário no qual o Brasil tem a maior taxa de capacidade ociosa da indústria dos últimos 70 anos, já que não há mais compradores para seus produtos.
Se somarmos a isso a reforma da Previdência, a limitação de investimentos estatais para guardar dinheiro a fim de pagar os mais de R$ 400 bilhões em serviços da dívida pública, a proposta de terceirização irrestrita e o colapso do sistema brasileiro de serviços públicos teremos um cenário simples: o Brasil foi destruído pelas políticas implementadas desde a guinada neoliberal do governo Dilma. O próximo passo será a imigração em massa dos que puderem, normalmente os mais bem formados.
É claro que haverá aqueles que dirão que isso é "herança maldita" de políticas econômicas esquerdistas. Mas chamar governos que nunca foram capazes de propor a taxação progressiva de rendas e riquezas, a transferência paulatina da detenção dos meios de produção para as mãos dos trabalhadores e a limitação dos ganhos do sistema financeiro de esquerdista é algo da ordem do simples jogo de palavras.
Enquanto isso, uma parcela da população aplaude tudo, já que acredita ficar imune à degradação econômica nacional. Essa mesma parcela julga-se hoje detentora de alguma forma de superioridade moral que faria calar os descontentes com este governo.
No entanto, que as coisas sejam ditas de forma clara: eles nunca estiveram nem estão, de fato, preocupados com julgamentos morais.
Os mesmos que gritam contra corruptos do antigo governo sempre votaram e continuaram votando em políticos notoriamente corruptos, continuaram calados diante de casos gritantes de corrupção neste governo, como ficaram calados quando, nesta semana, o STF publicou uma decisão inacreditável e criminosa para permitir o gato Angorá, vulgo Moreira Franco, com suas citações na Lava Jato, ocupar um ministério.
Nada estranho, já que o problema deles nunca foi à corrupção, e sim a luta contra políticos com os quais eles não se identificam. O discurso contra a corrupção era apenas uma grande farsa, senão produziria ações simétricas contra toda classe política brasileira.
Julgamentos morais não aceitam usos estratégicos. Quem usa moral de forma estratégica é um "moralista da imoralidade". Na verdade, essas pessoas são atualmente cúmplices de um governo cuja única preocupação é se blindar e escapar da cadeia. Até porque, Michel Miguel e os seus não governam, eles têm coisas mais urgentes para fazer.
Enquanto tentam salvar a própria pele, terceirizaram o Brasil para gestores da catástrofe.

Autor: Vladimir Safatle - É professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Publicado na Folha de SP. 17/02/2017

16 de fevereiro de 2017

Porque a destinação do lixo é tão problemática?

A maior parte das pessoas
prefere morrer a pensar;
na verdade, é isso que fazem.
Bertrand Russell
O lixão é uma forma incorreta do poder público descarregar o lixo urbano sobre o solo, sem tomar as devidas precauções em relação à proteção com o meio ambiente e a saúde pública. Essa prática coloca no mesmo solo o lixo orgânico misturado com outros tipos de detritos que o destroem, causam doenças e possibilitam o surgimento de insetos indesejáveis para a população ao seu entorno.
Legalmente os chamados lixões já deveriam ter sido extintos em 2014, prazo máximo determinado para o fechamento destes locais segundo a Lei 12.305/2010 – Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Apesar da lei, em 2015 cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda despejavam toneladas de detritos nos lixões. É um monte de entulho, misturado com garrafa plástica, pneu, restos de árvores, animais domésticos mortos.
A manutenção dos lixões provoca ainda o vazamento de chorume, liquido que é resultado da decomposição do material orgânico e a liberação de gases poluentes.
Em São Paulo, ainda existem aproximadamente 43 cidades com lixões segundo o órgão ambiental estadual. Segundo a empresa, o objetivo é eliminar os depósitos de lixo a céu aberto até o final de 2017. Os prefeitos preferem pagar as multas ao invés de buscar uma solução adequada e dentro da lei para resolver definitivamente o problema.
Apesar da determinação da PNRS ter surgido com o advento da lei em 2010, a lei de crimes ambientais (Lei 9.605/1998) em seu artigo 54 classifica a poluição como um crime ambiental e preveem penas para seus responsáveis, neste caso, os gestores municipais que por meio de seus atos destinam os resíduos para os lixões.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA define impacto ambiental como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da população e suas atividades econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.
 As alternativas viáveis para os municípios descartarem seus resíduos sólidos são as seguintes:
Aterro Sanitário: Este modelo é a melhor solução. A ABNT informa que “aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos, consistem na técnica de sua disposição no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza os princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho ou a intervalos menores se for necessário.”.

Incineração: Consiste na queima do lixo em fornos e usinas próprias. Com a incineração obtém-se uma redução de até 90% do volume inicial de resíduos. A queima se dá com temperaturas entre 800 a 3000 graus centigrados. Todos os incineradores operam com filtros para eliminar os gases tóxicos liberados. Os resíduos desta incineração devem ser encaminhados a um aterro sanitário apropriado.

Compostagem: É um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo, a que se chama composto, e que pode ser utilizado como adubo. Tem muita utilização no meio rural.

Usina de triagem e compostagem: Começaram a aparecer no Brasil por volta de 1970. São “plantas Industriais” que catam o material reciclável em esteiras e o material orgânico é encaminhado para locais dentro do processo de compostagem, ou seja, transformam lixo em adubo que é vendido. Da mesma forma os materiais recicláveis vão para a indústria. Vale ressaltar à  importância de Usinas de Triagem tanto pelo lado econômico como pelo lado ambiental, notadamente, pela redução de amplos espaços para Aterros Sanitários. Mesmo onde ainda perduram os lixões uma usina evitaria de forma contundente a contaminação do meio ambiente.

Usinas de Tratamento Térmico de Resíduos Urbanos com Geração de Energia: Trata-se de um novo modelo de tecnologia para processamento do lixo. Pode processar, por módulo industrial, até 150 toneladas de lixo por dia com  geração efetiva de 3,3 MWh de energia elétrica, sendo 2,8 MWh disponíveis para fornecimento externo.  A finalidade não é gerar energia e sim, dar um fim adequado ao lixo.
Alternativas existem, leis existem, falta apenas capacidade de gestão, honestidade de princípios e inteligência para que nossos gestores públicos atendam o chamado da modernidade e coloquem nossas cidades dentro da modernidade compatível com o século em que vivemos. Enquanto eles (Políticos) estiverem em meio a esse apagão de discernimento e probidade, será difícil o país progredir a partir de seus municípios.

14 de fevereiro de 2017

O Mecanismo!

A IMPORTÂNCIA DA LAVA-JATO

VINTE E SETE ENUNCIADOS SOBRE A OPORTUNIDADE DE DESMONTAR O MECANISMO DE EXPLORAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.

1) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos. (Em meu último artigo, intitulado Desobediência Civil, descrevi como este mecanismo exploratório opera. Adiante, me refiro a ele apenas como “O Mecanismo”.)
2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.
3) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.
4) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.
5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.
6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.
7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.
8) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.
9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.
10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.
11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.
12) A maioria dos políticos brasileiros têm baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)
13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.
14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.
15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.
16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.
17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.
18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.
19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.
20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...
21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)
22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes rígida, competente e com bastante sorte.
23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.
24) O Brasil atual esta sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.
25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.
26) Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.
27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo.
Autor: Cineasta José Padilha

11 de fevereiro de 2017

Uma experiência única!

Aprenda como se você fosse viver para sempre.
Viva como se você fosse morrer amanhã.

Há algum tempo fui convidado a fazer parte da equipe de colunistas da Rádio Auriverde AM/760 de Bauru-SP. A ideia inicial era postar áudios de dois minutos para serem exibidos durante quinze dias em horários alternados. Com direito a espaço no Site da Rádio e a chance de levar ao público ouvinte que navega na página da internet ou ouve a programação um pouco de informação sobre política na coluna que foi intitulada como Voto Todo Dia!
Depois veio o convite inesperado para participar do programa Jornalismo Auriverde, que é levado ao ar das 17h00min horas às 19h00min horas diariamente de segunda à sexta sob o comando e a direção do jornalista Alexandre Pittoli. A participação não seria fixa, nem teria dia específico, mas compartilhada com alguns ilustres economistas, advogados e profissionais liberais, formadores de opinião na cidade.
Nesse momento me veio à memória os tempos de criança e jovem em São Paulo, quando a força do rádio era ainda maior em todo país. Jornalismo, futebol, música e, sobretudo informação eram ouvidas por mim o dia todo quando não estava na escola.
Osmar Santos, Fiori Gigliotti no futebol, José Paulo de Andrade e Vicente Leporace no jornalismo eram alguns dos muitos expoentes do rádio naquela época. Sem contar, a voz inconfundível de Hélio Ribeiro chamado por muitos como “A voz do rádio brasileiro”. Bons tempos, mas o rádio conseguiu sobreviver e ainda é referência diária para milhões de brasileiros.
Podendo estar ao vivo comentando as notícias de Bauru e do país num programa de grande credibilidade é para mim a realização de um sonho. Interagir com os ouvinte respondendo perguntas ao vivo é um grande desafio, motivador e repleto emoção para mim.
Já escrevo para alguns jornais, em alguns sou colaborador como no Jornal da Cidade de Bauru e no Diário da Manhã de Goiás. Agora, também fui convidado a fazer ao vivo um programa na TVC Bauru – Canal 13 da NET, às quintas-feiras às 22h00min horas, entrevistando personalidades da cidade de Bauru. 
Não poderia estar mais feliz, atuando nas três pontas importantes da mídia (Jornalismo, Rádio e Televisão). Isso me obriga a ler mais, me informar melhor a cada dia e estar sempre atento aos assuntos cotidianos de Bauru, SP e do Brasil.

www.tvcbauru.com.br

10 de fevereiro de 2017

MPE/SP investiga fraude na Linha 4 do Metrô paulista

 O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo investiga um esquema de fraude e superfaturamento em dois trechos das obras da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo que teria desviado ao menos R$ 47,8 milhões. Os promotores identificaram pagamentos milionários feitos pela estatal paulista ao consórcio espanhol Corsan Corviam durante meses em que a construção ficou completamente paralisada, entre 2014 e 2015.
O contrato foi rescindido unilateralmente pelo Metrô em setembro de 2015, por causa dos sucessivos atrasos na obra. Um novo negócio foi fechado para concluir a extensão da Linha 4 com mais quatro estações até a Vila Sônia, zona sul, elevando o custo do empreendimento em 55% e prorrogando o prazo de entrega para 2019, cinco anos depois do prometido. O Metrô afirma que todos os pagamentos "foram liberados somente mediante confirmação dos serviços realizados" e o consórcio nega as irregularidades.
A investigação, contudo, reúne uma série de documentos sobre as fraudes, como comprovantes de pagamentos feitos pelo Metrô por serviços não prestados, papéis que indicam sonegação de impostos, provas de saques em dinheiro na boca do caixa, além de e-mails trocados entre os gerentes da estatal e do consórcio que indicam o superfaturamento nas medições da evolução física da obra. Parte da documentação foi obtida a partir de uma denúncia anônima, que também motivou a abertura do inquérito.
Um relatório produzido pelos promotores Cássio Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo, responsáveis pela investigação, lista 29 irregularidades e 50 funcionários do Metrô e da Corsan Corviam que devem ser investigados. Para os promotores, houve crime de fraude em licitação, peculato (corrupção praticada por funcionário público), corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, falsificação de documentos, apropriação indébita previdenciária, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Fraudes
Em um dos casos, a investigação aponta que as obras do trecho 2 da Linha 4 (Estação Vila Sônia e extensão) pararam totalmente a partir de novembro de 2014, mas já não tinham nenhuma evolução física desde agosto daquele ano. Mesmo com o canteiro completamente paralisado, foram repassados pelo Metrô ao consórcio R$ 12,6 milhões, segundo os promotores. O contrato com a Corsan Corviam foi assinado em 2012. De acordo com o MPE, desde novembro de 2013 o trecho 2 "andou" apenas 3%, mas o Metrô desembolsou R$ 55,3 milhões, valor que correspondia a 14,3% do custo total.
Já na Estação São Paulo-Morumbi, as obras pararam em março de 2014, mas continuaram recebendo repasses por mais de um ano, ainda segundo o relatório da Promotoria. "Foram feitas 16 medições após a interrupção. Constatamos pelo menos 11 repasses que totalizaram R$ 8,5 milhões. No mês de março de 2015, houve um pagamento de mais de R$ 1,4 milhão para obras no trecho - parado há mais de um ano."
Outra irregularidade foi constatada na Estação Oscar Freire, nos Jardins. Um relatório de maio de 2015 diz que as obras estavam praticamente paradas, sem nenhum avanço físico. O Metrô, porém, executou sete pagamentos que totalizaram R$ 377,6 mil após a interrupção dos trabalhos. No terminal e no pátio de manobra da Vila Sônia, o relatório diz que, apesar de "ausência de atividades e baixa mobilização de mão de obra", foram repassados R$ 338 mil e depois R$ 743 mil com base em medições fraudadas.
Aparelhos. Outro fato que chamou a atenção dos investigadores foi que, um mês antes do cancelamento do contrato com o consórcio, o Metrô autorizou a compra de dez aparelhos de mudança de vias, enquanto o contrato previa a aquisição de apenas um equipamento desse tipo. Foram gastos quase R$ 5,9 milhões, embora o previsto fosse pagar apenas R$ 509 mil por uma unidade.
"O fato, além de ser suspeito, se constituiu no segundo maior pagamento feito em três anos de obra nesse trecho", afirmam os promotores no relatório que foi encaminhado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para avaliar se a competência da investigação é estadual ou federal, uma vez que a obra recebeu financiamento de instituições internacionais, como o Banco Mundial, e a empresa investigada é uma multinacional com sede na Espanha.
Segundo Conserino, há indícios claros de desvio de recursos públicos. "Seria o mesmo que fazer um orçamento com um pintor, ele cobrar R$ 1 mil e você pagar R$ 4 mil. Só que no caso do Metrô isso foi feito com dinheiro público." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Publicado em 10/02/2017 no Jornal Estadão

6 de fevereiro de 2017

O mundo precisa de Pontes, não de Muros!

"A democracia sobrevive quando a inteligência
do sistema compensa a mediocridade dos atores"
Daniel Inneraty

A queda do muro de Berlim em novembro de 1989, parecia naquele momento ser o símbolo do fim das separações ideológicas e políticas no mundo em que vivemos. Entretanto, vinte e oito anos depois em pleno século XXI, ainda persistem separações, guerras e todo tipo de intransigências entre povos e nações.
A situação do Oriente Médio continua fervendo na Cisjordânia com a quase impossível convivência entre judeus e palestinos. Um cenário que parece não mudar desde a passagem de Jesus por aquelas terras.
Para complicar ainda mais essa situação, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, resolveu proibir a entrada nos EUA de pessoas de sete nacionalidades distintas: Irã, Iraque, Iêmen, Líbia, Síria, Somália e Sudão. Não bastasse essa atitude desumana e insensata aos olhos da humanidade, ele ainda sugeriu ao México a construção de um Muro separando a fronteira dos dois países.
A Coréia permanece dividida entre o progresso do Sul e o atraso e ranço do povo do Norte, comandados por generais tão medíocres quanto violentos. Um verdadeiro barril de nitroglicerina a céu aberto, em condições de explodir a qualquer momento.
Aqui na América do Sul, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, mesmo tendo tantas coisas por fazer em seu país, resolveu imitar o bufão americano e publicou no Diário Oficial, medidas que impõem maior rigor para os estrangeiros que pretendem entrar naquele país e maior celeridade na extradição de estrangeiros que cometam crimes em solo argentino.
Exemplos não faltam no mundo contemporâneo de intransigência religiosa, política, e principalmente ideológica na convivência entre os povos, que ao contrário deveria ser harmônica, pelo bem do próprio planeta.
Os líderes mundiais, representantes dos países ditos desenvolvidos, deveriam estar construindo pontes e não muros para afastar ainda mais a difícil possibilidade de um futuro de paz e desenvolvimento entre os povos.
A manutenção do planeta depende da compreensão destes lideres para com o fim das guerras, a redução drástica da poluição e para que juntos possamos salvar o que resta do nosso habitat antes que seja tarde demais.
É preciso que lutemos em todas as frentes para evitarmos a disseminação do ódio, respeitando diferenças ideológicas, de raças e culturas, pondo fim ao desrespeito que transita livremente nas ruas e nas redes sociais e o que é ainda pior, nos palácios dos governantes das grandes potências.