28 de março de 2017

Tem algo de podre no governo e não é a carne!

Semelhante a uma flor que parece linda,
mas não tem nenhum perfume, assim
são as palavras infrutíferas do homem
que as fala e não as coloca em prática.
Dhammapada

As recentes denúncias formuladas pela Polícia Federal, através das investigações da Operação Carne Fraca, realizada em 21 Frigoríficos no país, suscitaram a possibilidade das más condições da carne brasileira, muito consumida no mercado interno e externo.
Apesar dos estragos, é dever da PF investigar quaisquer segmentos, a partir do recebimento ou não de denúncias onde há corrupção no sistema de fiscalização dos produtos.
Quem não quer passar por isso, não suborne fiscais, denuncie irregularidades e não sonegue impostos. Esse deveria ser o comportamento do cidadão comum e dos empresários.
Triste perceber que o Ministério da Agricultura que comanda estes frigoríficos está há 18 anos nas mãos dos partidos políticos PMDB e PP (Partido Progressista). A indicação de pessoas dentro deste importante segmento passou nestes anos todos por estes partidos que estão longe de serem exemplos de ética e moralidade.
E olha que se retroagirmos chegaremos ao governo FHC, Lula, Dilma e finalmente Temer que é do PMDB. Ninguém nunca se preocupou em profissionalizar o setor, tirar o ministério da agricultura das mãos de políticos corruptos e ineficientes.
Michel Temer assumiu o governo pós-impeachment denominando-o de “Governo de Salvação Nacional”, nada poderia ser mais mentiroso e patético do que esta afirmação. Principalmente quando sabemos que ele nomeou treze envolvidos com as acusações e delações da Lava Jato.
Temer, não se preocupou em momento algum em efetuar auditorias nos ministérios e empresas estatais. Não acabou com a farra dos cargos em comissão, tão criticados na gestão petista. Não pensou nem por um segundo, em verificar o trabalho dos fiscais do governo que atuam em segmentos fundamentais da nossa economia.
Um governo mais podre que a mais envenenada das águas poluídas do nosso vasto território, não poderia agir de forma diferente. Mantendo sua vocação de estar próximo da criminalidade, demonstrando todo seu ódio pela sociedade ao formular propostas de reformas trabalhista, previdenciária e do ensino. Projetos que não vão de encontro aos anseios da população. Além de um congelamento de despesas mal explicado, criticado por especialistas em economia das maiores Universidades do país.
A nomeação de pessoas suspeitas à luz da lei, para poder dar a elas Foro Privilegiado, ferramenta usada pelos que estão acuados pela Justiça e que serve como escudo protetor diante de um STF amedrontado, omisso e ineficaz na manutenção da ordem e da justiça traduz literalmente a missão dessa gente.
Governo que tem a carne e a alma podre, jamais poderá entrar para a história por ter realizado o que quer que seja, sem que possamos desconfiar dos meios utilizados e dos resultados a serem auferidos no curto e médio prazo.
Tem algo de muito podre no governo Temer do PMDB e seus fiéis aliados PSDB, DEM, PTB, PP, PRTB entre outros, e não é a carne bovina, vitima de alguns empresários gananciosos, sonegadores e criminosos. Não vai demorar para que possamos ter acesso à verdade dos fatos e quando isso ocorrer nem a Lista de Janot nem as delações dos executivos da Odebrecht será tão bombástica.

Vamos então usar a terceirização no que importa!

"Todo governo que não age na
base do princípio da república, isto é,
que não faz da 'res publica' o seu objetivo
completo e único, não é um governo bom."
Thomas Paine.

A pior legislatura da Câmara Federal em toda história democrática do país votou e aprovou na quarta-feira 22 de março de 2017, projeto de lei, que autoriza o trabalho terceirizado para qualquer tipo de atividade.
Enviada ao Congresso pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1998, a proposta já havia sido aprovada pela Câmara e, ao passar pelo Senado, sofreu alterações. De volta à Câmara, o texto aguardava desde 2002 pela análise final dos deputados.
Em 2015, a Câmara aprovou outro projeto, com o mesmo teor, durante a gestão do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O texto foi enviado para análise do Senado, mas ainda não foi votado.
O que é? Na terceirização, uma empresa prestadora de serviços é contratada por outra empresa para realizar serviços determinados e específicos. A prestadora de serviços emprega e paga o trabalho realizado pelos funcionários. Não há vínculo empregatício entre a empresa contratante e os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços.
Como é hoje? Hoje, não há legislação específica sobre terceirização. No entanto, existe um conjunto de decisões da Justiça - chamado de súmula - que serve como referência. Nesse caso, essa súmula determina que a terceirização no Brasil só é permitida nas atividades-meio, também chamadas de atividades secundárias das empresas. Auxiliares de limpeza e técnicos de informática, por exemplo, trabalham em empresas de diversos ramos. Por isso, suas ocupações podem ser consideradas como atividades-meio, ou seja, não são as vagas principais da empresa.
Como deverá ficar? Se a lei for sancionada pelo presidente Michel Temer, haverá permissão para terceirização de qualquer atividade.
Quem vai contratar os funcionários e pagar os salários? O trabalhador será funcionário da empresa terceirizada que o contratou. Ela que fará a seleção e que pagará o salário. Por exemplo, uma fábrica de doces contrata uma empresa terceirizada que presta serviço de limpeza. Os auxiliares de limpeza, nesse caso, serão funcionários da empresa terceirizada, que os contratou, não da fábrica de doces.
Diante desse quadro nefasto da política nacional, com escândalos de corrupção envolvendo os três poderes, em especial, o legislativo e o executivo, só nos resta aproveitar a onda da terceirização, que o governo impõe goela abaixo da sociedade sem maiores discussões, para então, reivindicarmos o seguinte:
Que o povo brasileiro possa a qualquer momento terceirizar o governo federal, colocando ministros que não sejam políticos nos cargos do primeiro, segundo e terceiro escalão. Homens e mulheres que tenham capacidade de gestão pública, experiência na pasta que irão comandar, vivência no setor privado, formação universitária compatível e acima de tudo, honestidade e zelo para ética e o bom senso.
Caso não resolva o problema, terceirizamos o presidente da república, nem que tenhamos que trazer alguém do exterior, com as qualidades, que não encontramos naqueles que estão a cada quatro anos, em nossos palanques eleitorais e urnas eletrônicas.

Pelegos!

“Política é a arte de conciliar
os interesses próprios,
fingindo conciliar o dos outros”.
Menotti Del Picchia

No Aurélio a definição para Pelego é: “Aquele que, nos sindicatos, trabalha sorrateiramente contra os interesses dos trabalhadores.” Nenhum país do mundo possui uma casta tão arraigada ao poder e aos recursos oriundos dos trabalhadores como o sindicalismo brasileiro.
 O Brasil convive com um sindicalismo que mantém os mesmos métodos de quando começou suas atividades na década de “40, sempre visando obter vantagens financeiras através de contribuições, taxas e benesses governamentais.
Como enormes baratas, sobreviveram ao getulismo, regime militar, nova república, era Collor, FHC, PT e agora chafurdam na lama do espólio do governo Dilma ao lado de Michel Temer.
Diante do espúrio projeto de reforma da previdência social, os membros das centrais sindicais aproximam-se do governo Temer na calada da noite para negociar apoio (Em nome dos trabalhadores) em troca da retomada da cobrança da contribuição assistencial (Paga pelos trabalhadores).
No último dia 21 de março, dirigentes da Força Sindical, presidida pelo ultra suspeito Paulinho da Força, reuniram-se com o ministro do trabalho Ronaldo Nogueira para costurar o acordo. No encontro, os dirigentes pediram que o presidente Temer edite uma medida provisória ou apoie no Congresso um projeto que regulamente a volta da nefasta contribuição assistencial.
Natureza: Também chamada de taxa assistencial, esta receita decorre das contribuições pagas pelos membros das categorias profissionais ou econômicas, filiadas ou não à entidade sindical que os representa. Portanto, uma vez instituída, é extensiva a toda a categoria representativa, tendo caráter compulsório.
O motivo do pedido, é que o STF em fevereiro proibiu a cobrança da taxa para os trabalhadores não sindicalizados. Para se ter uma ideia do que isso representa, somente em 2016, as Centrais, Sindicatos, Federações e Confederações arrecadaram a obscena quantia de R$ 3,5 bilhões.
Os representantes dizem que se não houver o recebimento da taxa, os sindicatos fecham. Será? Esse dinheiro mantém a estrutura das diretorias e custeia viagens ao exterior, refeições e encontros no país e no exterior. E os trabalhadores? Estrutura jurídica? Alguns parcos benefícios e o acesso a pousadas nas praias para lazer. Muito pouco se comparado à fortuna arrecadada por esta estrutura gigantesca montada ao longo das últimas décadas.
A Força Sindical tem o apoio nesta empreitada da União Geral dos Trabalhadores – UGT, Nova Central Sindical dos Trabalhadores – NCST e Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB. O trabalhador brasileiro não pode reclamar pela falta de representantes no país. Cada qual com seus sindicatos regionais, estaduais e uma sede nacional.
Milhares de empregos com bons salários ao contrário de quem eles representam. E o que é incompreensível, comandada por políticos cujos interesses sempre estiveram longe do alcance do trabalhador brasileiro.
Tanto isso é verdade, que esses pelegos estão ao lado da reforma da previdência que pode por uma pá de cal em cima dos sonhos dos assalariados brasileiros de um dia poderem se aposentar.

18 de março de 2017

Todos os homens do presidente Temer!

Somente após a última árvore cortada,
após o último rio ser envenenado,
o último peixe ser pescado.
Somente então o homem descobrirá
que dinheiro não pode ser comido.
Provérbio Cree

Ao ler e ouvir políticos da base aliada do governo federal e até (pasmem) empresários elogiarem o governo Temer com suas pseudo reformas estruturais, sinto que talvez, não viva no mesmo país que eles estão vivendo. O congelamento de despesas é contestado por especialistas em economia e no futuro será apontado como um grande erro da equipe econômica de Temer.
A Reforma de Ensino é um flash back mal feito de algo que já funcionou bem no país até que políticos inconsequentes fizeram o desmonte do que funcionava e inventaram bobagens que perduram até o presente na Educação brasileira.
A Reforma da Previdência se aprovada do jeito que foi concebida será um crime contra a sociedade brasileira, em especial, naquela que tem carteira assinada, paga pesados tributos e carrega nas costas o Brasil dos alienados e dos políticos corruptos.
Enquanto isso, assistimos horrorizados a um show de denúncia de corrupção, recebimento de propinas entre outros ilícitos que atingem em cheio boa parte da equipe nomeada por Temer.
Desde sua posse com a nomeação de 13 ministros investigados na Lava Jato, percebeu-se que o tal “Governo de Salvação Nacional” era um engodo, uma mentira para iludir incautos desavisados. Parece que as escolhas de Temer não são por Q.I. – Quociente de Inteligência e sim Quantidade de Inquéritos dos nomeados.
Na lista recente do Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviada ao STF com base nas delações premiadas da Odebrecht estão seis ministros de Michel Temer:
Eliseu Padilha
Titular da Casa Civil, principal ministério da Esplanada, responsável pela articulação política, é acusado de intermediar repasses não declarados - caixa dois - para campanhas do PMDB em 2014. Na delação da empreiteira, é chamado de "primo".
Em delação premiada, Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, afirmou que a empresa destinaria R$ 10 milhões para campanhas do PMDB, por intermédio de Padilha.
De acordo com o executivo, em jantar no Jaburu, com Temer, Padilha e Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira na época, Temer teria solicitado apoio financeiro para a campanha do PMDB a Marcelo, que definiu um repasse de R$ 10 milhões ao partido.
Desse total, R$ 4 milhões seriam entregues a Padilha, sendo uma parte entregue no escritório de José Yunes, ex-tesoureiro do PMDB em São Paulo e, na época, assessor especial da Presidência.
Yunes, um dos melhores amigos de Temer afirmou que recebeu, a pedido de Padilha, um pacote em seu escritório entregue por Lucio Funaro, conhecido como operador do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Moreira Franco
Citado 34 vezes na delação da Odebrecht, Moreira Franco, apelidado de Angorá, é acusado de ter pedido dinheiro não declarado à campanha do PMDB em 2014.
De acordo com a delação de Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht, Moreira era um dos principais arrecadadores do partido, atrás de Padilha.
O delator disse ainda que o peemedebista pediu dinheiro para cancelar a construção de um aeroporto em Caieiras, na Grande São Paulo, em 2014, quando era ministro da Aviação Civil do governo Dilma. Em troca, segundo o delator, recebeu R$ 3 milhões em propina.
Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que Moreira recebeu R$ 4 milhões em nome do PMDB, em 2014. Ele teria feito o pedido a Melo.
Por meio de sua assessoria, Moreira sustenta que "jamais falou de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Cláudio Melo Filho".
O peemedebista assumiu a Secretaria Geral da Presidência da República na mesma semana em que o STF homologou 77 delações premiadas da Odebrecht. Com a nomeação, Moreira passou a ter foro privilegiado.
Bruno Araújo
Voto decisivo pelo impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, o deputado licenciado Bruno Araújo (PSDB-PE) e atual ministro de Cidades também é citado como beneficiário de repasses da empreiteira para campanhas de 2010 e 2012.
O tucano aparece em planilhas do departamento de propina da Odebrecht, relacionado ao valor de R$ 100 mil. Os repasses foram confirmados por Melo, apesar de ele não ter mencionado os valores.
Em 2012, quando Araújo era líder do PSDB na Câmara, entregou a Melo a maior outorga da Câmara dos Deputados, a Medalha do Mérito Legislativo.
Aloysio Nunes
Empossado ministro de Relações Exteriores em fevereiro, o senador licenciado Aloysio Nunes (PSDB-SP) é acusado de receber caixa dois na campanha de 2010.
Em delação, o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal relatou um pagamento de R$ 500 mil para a campanha ao Senado do tucano. De acordo com o delator, o pedido foi feito pelo próprio Aloysio e as entregas foram realizadas em duas ou três parcelas em hotéis na zona sul da capital paulista, por meio de uma pessoa enviada pelo senador, que usava senhas para os repasses.
Gilberto Kassab
Apelidado de Kafta na planilha da Odebrecht, o titular da pasta de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), também é apontado como beneficiário de caixa 2.
O codinome "Kafta" consta em relatório da Polícia Federal referente à 23.ª fase da Lava Jato, batizada de Acarajé. Em planilha encontrada nesta fase, há registro de cinco pagamentos de R$ 500 mil cada, dois registrados no mês de outubro de 2014 e três em novembro de 2014.
Em delação, o executivo Paulo Cesena, ex-presidente da Odebrecht Transport, afirmou que o ministro recebeu R$ 14 milhões da empresa, em 2013 e 2014, via caixa doisBenedicto Júnior, presidente da Odebrecht, disse que a contribuição foi feita para apoiar Kassab nas eleições ao Senado em 2014 e nas campanhas do PSD.
Os pagamentos seriam motivados pela influência de Kassab em São Paulo, estado em que estava a parcela mais significativa do faturamento da empresa.
Marco Pereira
O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou um repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da Odebrecht para o PRB na campanha de 2014, de acordo com delatores da empreiteira.
A informação consta nas delações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e dono da empreiteira, e dos executivos Alexandrino Alencar e Fernando Cunha.
Os recursos, entregues em dinheiro vivo, compraram apoio do partido então presidido por Pereira à campanha de reeleição de Dilma e Temer.
O ministro teria negociado os valores diretamente com Alexandrino e esteve mais de uma vez na sede da Odebrecht em São Paulo para combinar a entrega dos valores em parcelas. Os repasses, que incluíam também o apoio de PROS, PCdoB, PP e PDT à chapa governista foram de cerca de R$ 30 milhões, sendo os delatores.
Geddel Vieira Lima
O ex-titular da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima também está na lista de Janot. Em delação, Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, cita o peemedebista como responsável pela arrecadação para o partido, em troca de apoio no Congresso ou no Executivo.
Geddel é citado 67 vezes por Melo e conhecido pelo apelido "Babel". De acordo com Melo, em 2009, o ministro recebeu um relógio de R$ 85 mil da empreiteira.
Em 2006, a pedido de Geddel, foram realizados pagamentos no total de R$ 1 milhão por meio de contribuições oficiais e também via caixa dois, afirmou Melo. Na disputa do peemedebista a governador da Bahia em 2010, o delator disse que houve um pagamento entre R$ 1 milhão e 1,5 milhão a pedido do político.
Cabe agora ao ministro Edson Fachin, relator dos processos relativos à Operação Lava Jato no Supremo, aceitar ou não os pedidos. Ele também decide se os casos serão enviados a outras instâncias.
Por exemplo, inquéritos com citações a governadores devem ser encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ações de pessoas sem foro privilegiado, como o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff também podem ser enviados para outras esferas judiciais.
Caso os inquéritos sejam autorizados, começa a fase de investigação sobre o pagamento de caixa dois e de propina pela empreiteira. Se a Procuradoria-geral da República (PGR) entender que há indícios suficientes, oferece a denúncia, a qual cabe ao Supremo aceitar. Todos negaram as denúncias e usam o expediente de transformar Caixa 2 que é enriquecimento ilícito e fraude em algo normal. Neste barco de imundícies até o Desembargador Presidente do TSE Gilmar Mendes defende que Caixa 2 não é crime.
Neste clima de sujeira, desconfiança e podridão do sistema como um todo, o povo está prestes a ser ainda mais penalizado, caso sejam aprovadas as Reformas da Previdência e Trabalhista. Justamente por estes homens de Temer que atuam nos ministérios e no Congresso, onde a quantidade de criminosos é ainda maior. 

13 de março de 2017

Alguns pais estão equivocados!

Seria uma atitude muito ingênua esperar
que as classes dominantes desenvolvessem
uma forma de educação que permitisse
aos menos favorecidos perceberem as
injustiças sociais de forma critica.
Paulo Freire
No Brasil há algum tempo, uma parcela considerável dos pais, pensam e agem como se a nobre tarefa de educar seus filhos pudesse ser terceirizada aos professores da escola infantil, fundamental e até do ensino médio.
Dentro dos limites do lar é onde vocês devem ensinar as crianças a dizer muito obrigado, por favor, me desculpe, sim senhora, sim senhor, bom dia ou boa tarde, e muito mais. É tarefa dos pais ensinar uma criança a respeitar o próximo, os mais velhos, e principalmente dar-se o devido respeito.
Em casa, essas crianças devem aprender valores morais fundamentais na vida de quaisquer seres humanos como, por exemplo, ética, honestidade, pontualidade, solidariedade, asseio e respeito às regras e leis.
Vivemos num país onde os adultos que já foram crianças um dia e não tiveram essa educação dos pais, jogam lixo nas ruas, depredam bens públicos, cometem infrações de trânsito entre outras barbaridades.
É no lar que se deve dar aos filhos a noção do certo e do errado através de exemplos, pois as palavras se perdem com o tempo, enquanto os bons exemplos ficam gravados na memória das crianças para sempre.
Cabe aos professores, ensinar ao longo da vida estudantil de suas crianças, nosso idioma, matemática, história, geografia, física, química, biologia e outros idiomas. Não é tarefa precípua dos educadores profissionais, criar seus filhos.
Quando muito, os professores conseguem reforçar a educação que eles receberam em casa. Se ela inexiste, fica impossível trabalhar essa questão junto aos alunos.
Participar da educação dos filhos além de dar exemplos, educá-los, corrigi-los quando estão errados e até puni-los é também estar presente na vida deles na escola. Comparecendo a todas as reuniões, discutindo métodos de ensino e se possível dando sugestões e fazendo criticas junto ao conselho escolar.
Impor limites na educação do lar é fator primordial para que tenhamos adultos que saibam ouvir um não da namorada, da esposa e principalmente da vida, sem reagir com violência desnecessária muitas vezes.
Somente assim, poderemos ter um dia, esperança na juventude que está por vir em futuras gerações. Pois, atualmente preocupa demais o que estamos vendo nas ruas, nas escolas, nos eventos, onde impera a permissividade, a falta de educação e respeito para com o ser humano, o meio ambiente e até os animais.

6 de março de 2017

Queremos mesmo continuar sendo o país do carnaval?

Somos sim o País do Carnaval, o País da libertinagem carnavalesca. No outro lado da mesma moeda, somos agora também o país da libertinagem política. 
Alexandre A. Loch Psiquiatra, é coordenador de pesquisas no Hospital de Clínicas de SP.


Carnaval, tempo de festa, de alegria. Confete, serpentina, álcool, purpurina, fantasia, samba. Oriundo do Cristianismo ocidental, o festival realizado antes da Quaresma envolve elementos circenses e é impregnado por um senso de sátira social e inversão de regras e normas do dia a dia.
O Carnaval brasileiro tem tamanha força que acabou contagiando a imagem do País tanto para os nativos quanto para os estrangeiros. "O Brasil é o país do carnaval". E pesquisadores acabaram confirmando que é isso mesmo.
Ranjan Bandyopadhyay e Karina Nascimento, da Universidade de San Jose, na Califórnia, estudaram a imagem que o Brasil tem para turistas estrangeiros. Através de levantamento de informações históricas e da coleta de materiais promocionais de agências de turismo, observaram que o País é vendido lá fora majoritariamente como um lugar sensual e selvagem. Características em boa parte das vezes incorporadas na ideia do Carnaval.
A origem deste "Brasil carnal" é uma mistura de herança histórica e reforço comercial realizado pelas agências de turismo. Segundo os pesquisadores, o imaginário popular estrangeiro sempre foi permeado pela ideia de que o País seria um paraíso na Terra, de beleza humana e natural extraordinária.
Esse imaginário pode ser visto percorrendo o tempo ao longo dos séculos desde as cartas de Pero Vaz de Caminha até os dias de hoje, quando analisamos inúmeros outros documentos históricos. São estereótipos e clichês que foram transmitidos de geração a geração, construindo uma coleção de sinais e símbolos representando um Brasil bárbaro e lascivo.
Essa imagem ganhou corpo com a criação da EMBRATUR durante o governo militar em 1966. A agência reforçou esse conceito histórico para o estrangeiro de modo a atrair turistas e investimentos externos para o País.
Configurando uma espécie de neocolonialismo, o País começou a ser vendido como lugar de erotismo, de liberdade sexual e de realização de sonhos. Desta forma, em um ciclo vicioso, o turista tendia a reafirmar imagens preconcebidas e ignorar qualquer coisa que não se encaixasse com tais ideias.
A propaganda se tornava então uma profecia autorrealizável, reforçando cada vez mais a imagem. A versão de 2008 do Lonely Planet traz, por exemplo, os seguintes dizeres sobre o Brasil: "Por centenas de anos o Brasil foi simbolizado como uma fuga para um paraíso tropical, primitivo, provocando a imaginação de todos como em nenhum outro país da América do Sul. Da paixão insana do carnaval à imensidão da Amazônia, é um país de proporções míticas: quem é mais selvagem, a floresta ou o povo?”.
Era comum (e ainda é) que hotéis no Rio de Janeiro mostrassem em seus catálogos fotos de mulheres seminuas em trajes carnavalescos ao lado das imagens dos quartos. A propaganda de turismo sexual culmina, ao final dos anos 90, com o fato alarmante de que o Brasil era um dos países que mais exportavam prostitutas para outros países, tanto para a Europa quanto para a América Latina. Também estávamos entre aqueles com maior taxa de prostituição feminina do mundo.
Na virada do século o governo brasileiro se deu conta da imagem estereotipada e degradante que passava para o exterior e criou o Ministério do Turismo, tendo como uma das principais missões mudar essa impressão. Mas já era tarde, pois a imagem já estava enraizada no imaginário popular internacional.
Brasil, o país do Carnaval. Este conceito também não é algo totalmente exógeno, estranho a nós. Não é algo simplesmente imputado por outrem. Como acontece com qualquer povo, muitos acabam incorporando os estereótipos que circulam na sociedade. Trocando um pouco as palavras da segunda frase do texto, para explicitar o lado ruim do carnaval: exageros, desrespeito, selvageria, incivilidade.
Uma liberdade excessiva que acaba passando por cima dos outros. Libertinagem. Basta ver os casos de violência à mulher que acontecem nesta época. As cartilhas distribuídas em Recife ensinando um homem a tratar uma mulher (as cartilhas são ótimas – a necessidade delas é algo vergonhoso).
Basta ver os bairros pós-blocos de carnaval, imundos e cheirando a urina. Os furtos, as depredações, as brigas, os acidentes nas estradas por conta de gente bêbada. Na mesma medida, basta ver os escândalos de corrupção. Libertino: aquele de conduta desregrada, livre de qualquer senso moral.
O País da Lava Jato. Um bloquinho com Cabrais, Cunhas, Garotinhos, Delcídios, felizes, alegres, com o dinheiro alheio. Desfilando durante todo o ano nos palcos políticos do País. Mas agora, na cadeia.
Esperamos que um dia esta imagem nossa possa mudar. E um bom ano a todos, já que 2017 só começa agora.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

3 de março de 2017

Lava Jato não quis saber de acusações de lobista contra Aécio e Furnas!

O juiz Sérgio Moro tinha um foco claro no depoimento do lobista Fernando Moura: saber o envolvimento do ex-ministro José Dirceu no esquema de corrupção da Petrobras. Sem querer e de forma meramente exemplificada, o delator citou como ocorria a divisão de propina na hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, com a indicação por Aécio Neves (PSDB-MG) de Dimas Toledo para comandar a estatal mineira. 
Dessa forma, o caso de corrupção envolvendo a hidrelétrica foi retomado após quase 12 anos, desde as primeiras acusações. Na Lava Jato, a investigação estava paralisada na delação do ex-senador Delcídio do Amaral e, posteriormente, confirmada pelo ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado. 
Agora, com visível desinteresse do juiz Sergio Moro, que em mais de 30 minutos de depoimento não questionou uma única vez sobre o esquema de corrupção que repassava propina ao PSDB, Fernando Moura retoma o episódio. Também ao acaso, quando uma procuradora da República, questiona ao lobista sobre o envolvimento de Dirceu e, de forma exemplificada, o delator cita Aécio.  
Foi realizada uma acareação pelos procuradores da República no caso da Lava Jato na Justiça do Paraná. Na audiência, o ex-diretor de Engenharia de Furnas, Dimas Toledo, ouviu a acusação do delator e lobista Fernando Moura que, em 2003, ele teria garantido dois terços da propina arrecadada ao PT e um terço ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). 
No relato, Fernando Moura disse que o então ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, contou que o tucano Aécio Neves solicitou a permanência de Dimas Toledo na estatal de energia de Minas. O lobista foi quem informou Dimas sobre a sua permanência. 
À plateia de investigadores, Moura disse que o acerto da indicação tucana, mais especificamente do senador, na estatal foi uma forma de retribuir o apoio do PSDB ao recém-empossado governo do PT. 
A confirmação surgiu espontaneamente por Fernando Moura. Em mais de 30 minutos, todos os questionamentos do juiz Sérgio Moro a Moura eram relacionados à indicação de Renato Duque para a diretoria da Petrobras e os benefícios recebidos pelo PT nacional e estadual, de São Paulo e o "grupo político de José Dirceu", com os contratos da estatal. 
O magistrado do Paraná concluiu a suas perguntas sem questionar sobre o PSDB ou a indicação de Aécio Neves na estatal mineira de Furnas. Foi quando o juiz federal passou a palavra a uma procuradora da República é que o tema surgiu, despropositalmente. 
"O senhor mencionou que o senhor saiu do Brasil, quando foi para os Estados Unidos, porque podia estourar o esquema da Petrobras e o Silvio e o Dirceu estavam envolvidos. Eu queria que o senhor detalhasse a participação do senhor José Dirceu", perguntou à procuradora. 
"Vou explicar", respondeu Fernando Moura. "Vou ser um pouco prolixo. Quando acabou a eleição de 2002, que ganhamos a eleição, foi feito uma reunião para a definição de, mais ou menos, umas cinco diretorias de estatais para poder ajudar a campanha posteriormente", iniciou. 
"Então foi conversado sobre Petrobras, sobre Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil. Desde que todas as pessoas que fossem indicadas, elas teriam que estar com 20 anos de casa, ser funcionário da casa, para poder receber essa indicação, isso foi conversado antes, em novembro de 2002. Aí, nessa relação, foi indicado o nome do Renato Duque para a Petrobras, foi indicado o nome do senhor Eduardo Medeiros para os Correios, a princípio eu levei para o senhor José Dirceu o nome do Dimas Toledo para que continuasse na Diretoria de Furnas", exemplificou o delator. 
A partir daí, novamente sem que nenhum investigador da Lava Jato questionasse ou o juiz federal Sérgio Moro, Fernando Moura se estendeu no caso específico da estatal mineira de Furnas. "Ele [Dirceu] usou até uma expressão comigo: 'o Dimas não, porque o Dimas se entrar em Furnas e colocar ele de porteiro, ele vai mandar em Furnas, é uma pessoa que já está há muito tempo, 34 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio [Neves]'", contou. 
"Passado um mês e meio, ele [Dirceu] me chamou e perguntou: qual a sua relação com Dimas Toledo. Eu disse que estive com ele três vezes, achei ele competente, um profissional. 'Porque esse foi o único cargo que o Aécio [Neves] pediu para o Lula, então você vai conversar com o Dimas e diga para ele que a gente vai apoiar a indicação dele'", teria dito Dirceu a Moura. 
"Eu fui conversar com o Dimas, que na oportunidade me colocou da mesma forma que coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele [Toledo] falou: 'vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço para São Paulo, um terço nacional e um terço para Aécio'", narrou. E a procuradora interrompeu: "tá, mas a pergunta que eu fiz para o senhor foi diferente. Eu quero saber qual é a participação do senhor José Dirceu no esquema da Petrobras".
Autor: Luis Nassif - GGN

Assista a partir dos 11:27: https://youtu.be/V5fRNuzSk_c